Acabei de ver o último "Isto é gozar com quem trabalha" que, "por razões óbvias" não vi em directo, no domingo. Não "papo" muita televisão, há um ou outro programa - contam-se pelos dedos de uma mão, e ainda sobram - que tento não perder. Esse é um deles.
Foi aí que tomei conhecimento de mais um espalhanço do José Gomes Ferreira, dito "jornalista" que se acha muito frontal e ainda mais esperto. Que já publicou uma "História de Portugal" criada por ele próprio, e que até já apresentou um programa de governo. Que tem soluções para tudo, e que é uma referência ... do populismo barato. Citado frequentemente em táxis e conversas de café. Que, agora que quase já não há cafés, têm lugar nas redes sociais.
Às vezes é apanhado mas como, falando muito de vergonha, não tem nenhuma na cara, é sempre como se nunca fosse. Desta, em directo, interrompeu o colega que usava a palavra porque tinha algo de importante, e em primeira mão, para anunciar. Era um tweetque acabara de receber. E começou a ler. Os disparates sem nexo sucediam-se, e ele continuava. Sem parar para pensar. Sem nada na cabeça, nem sequer uma campainha de alerta, até ter que ser mandado calar pelos colegas de painel, e de trabalho.
Não tivesse o jornalismo chegado à miséria que chegou, e não fosse o negócio da comunicação o bordel que é, e este senhor já não era jornalista. E muito menos director-adjunto de informação de um dos principais canais de informação da televisão portuguesa!
"Vamos esquecer" - sentenciou o apresentador.
Se foi uma reprimenda, não lhe servirá de muito. Já levou muitas, e nunca aprendeu nada com elas.
Se foi uma sugestão para passar ao esquecimento, foi pedir-nos que esqueçamos o que é o jornalismo. E também não vale de muito. Já toda a gente esqueceu!
Há uns cinco meses, impressionado com o que acabava de ver na SIC Notícias, desabafei aqui. O apreço, a consideração e o respeito que tinha pela jornalista Ana Lourenço levaram-me a omitir então o seu nome. Mas era a ela que me referia, como provavelmente a maioria dos leitores percebeu.
Pouco depois a jornalista foi afastada do ecrã e, depois, da própria empresa. Especulei então que, ou a Ana Lourenço não teria sido suficientemente convincente, ou teria chegado demasiado tarde, ou se teria sentido ela própria desconfortável no papel de agradar aos novos superiores interesses da SIC.
Não sei se, em tese, haverá mais hipóteses. Sei é que no dia em que a Ana Lourenço foi anunciada na RTP - onde irá reencontrar o João Adelino Faria, mesmo que não dê para reeditar o dueto de há uns anos atrás - a SIC brindou-nos com um longo e inaudito monólogo de Pedro Passos Coelho disfarçado de entrevista.
Posso não estar a ver bem a coisa. Mas nunca vi nada parecido com o que se está a passar na SIC. Uma informação que se afirmou no panorama nacional como livre, independente, plural e profissionalmente competente tornou-se numa coisa estranha e eventualmente chocante.
Posso não estar a ver bem a coisa, mas estou com alguma dificuldade em reconhecer jornalistas por quem tinha grande respeito e admiração profissional. Tenho enorme dificuldade em perceber como é que profissionais da informação de mente aberta, despretensiosos e despreconceituosos, de repente, por ordem não se sabe bem de quê, se tornaram obcessivamente parciais, entrincheirados atrás das câmaras.
Posso não estar a ver bem a coisa, mas fiquei impressionado - chocado, mesmo - com a forma como uma jornalista de referência, que me habituara a respeitar e admirar, ontem conduziu "a noite informativa" da SIC Notícias. É que, uma coisa são os programas de autor, do José Gomes Ferreira, por exemplo. Outra é um serviço noticioso. Outra, e mais grave ainda, é subverter o contraditório. Usar o recurso ao contraditório, mas depois intervir para o manipular, é a forma mais indecorosa de subverter o seu espírito!
Os nossos amigos e vizinhos assinam a requisição da encomenda dos serviços do FMI: hoje, o Der Spiegel e o El Mundo apontam-nos o caminho do fundo de estabilização europeu e do FMI. Assinam a requisição que há muito tempo está em cima da mesa!
A revista Der Spiegel, porque é alemã, diz que essa é a opinião dos chefes – da França e da Alemanha! O El Mundo, porque os espanhóis estão a sofer as consequências do fogo ao pé da porta, limita-se a dar-nos esse conselho!
Um facto e as suas interpretações. O facto: Portugal voltou a estender a mão esta semana – 500 milhões, apenas 500 milhões de dívida pública a seis meses colocada esta semana a uma taxa acima dos 3,6%, seis vezes a taxa de há apenas um ano (0,59%). E, no mercado secundário, a taxa a 10 anos a bater recordes, acima dos 7%. As interpretações: para o governo português … correu bem! Para o governo português a despesa desceu, a receita fiscal aumentou e o objectivo do deficit para 2010 foi alcançado.
Qualquer um vê que nada correu bem: paga-se o sêxtuplo dos juros de há um ano e a tal barreira dos 7% definida há dois meses por Teixeira dos Santos já lá vai. E alguma coisa está errada quando a despesa diminui, a receita fiscal aumenta (pudera: depois do agravamento de impostos com os sucessivos PEC´s), ainda se inventam receitas extraordinárias - 3,2 mil milhões do fundo de pensões da PT -, e o défice se mantém.
Mas o primeiro-ministro diz que está a passar um sinal de credibilidade e confiança aos mercados.
Pois... Vê-se!
PS: Parabéns à SIC Notícias pelo 10º aniversário e as melhoras para Alberto João Jardim. Às vezes há males que vêm por bem, são apenas bons conselhos que devemos levar em conta: aproveite e vá descansar!
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