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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Robles, pois claro...

 

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Também não podia passar ao lado do famoso caso Robles, que não sai de cima da mesa. Poder-se-ia dizer que é a silly season, e que, como não dá jeito falar do fogo que arde sem se ver - não, não é amor -  por esses hospitais adentro (inspiro-me em Francisco Louçã que, no Expresso, chama à agonia do Serviço Nacional de Saúde os fogos deste verão), a notícia é esta. Não há mais!

Mas não creio que seja só isso, não creio que a silly season explique tudo. Antes de mais quero dizer que sou dos que acham que a política deve ser a mais nobre das actividades, e que o seu exercício não é compaginável com desvios entre o que se apregoa e o que se pratica. Acho que a honestidade e a ética têm que presidir a todos os comportamentos, seja na política seja nos negócios. E que, por muito injusto que até possa ser, até porque a actividade política, qual pescadinha de rabo na boca, não é bem remunerada, acho que negócios e política devem ser como água e azeite. E, por último, que eu nunca exerceria profissionalmente actividade política, nem nunca executaria funções poíticas...

Dito isto, acho que já posso dizer que, não acontecendo nada do que acabei de dizer na política em Portugal, não é a silly season a responsável pelo sucesso noticioso da casa do Robles e da irmã. O que faz o sucesso desta notícia é que, não havendo nenhum crime, nenhuma ilegalidade, e sem nem sequer nada seja ilegítimo, ela serve para ser usada por quem que não sabe, nem se calhar quer, exercer actividade de política sem chafurdar na ilegalidade e até meter a mão no crime. O crime é que o negócio legal, e até, tanto quanto parece, legítimo, foi praticado por quem diz que aquilo não se deve fazer, mesmo que seja legal e legítimo fazê-lo. É esse o factor crítico de sucesso da notícia.

As ondas de choque no partido de Robles, dividido entre o "no pasa nada" (homenagem ao nuestro hermano Iglésias) e o "é inaceitável", ou "há que tirar conclusões", só lhe acrescentam mais uma pitadinha de sal e pimenta...

 

Coisas parvas*

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A silly season está aí. Entrou a toda a velocidade e não parece disposta a dar tréguas. E faz as delícias dos media, e das redes sociais em particular. Em boa verdade, sem jornais, televisões e, agora, facebook, não há silly season. As coisas parvas – a melhor tradução deste anglicismo é capaz de ser mesmo “a época das coisas parvas” – precisam disso. Se não tiverem amplificação mediática pura e simplesmente não existem… Por si, não têm qualquer capacidade de sobrevivência.

Entrou a todo o vapor com a história do IMI, com gás dado pelo sol e pelas vistas. Ou tirado pelos cemitérios ou pelas estações de tratamento de esgotos. Deu para tudo, com as coisas mais parvas a desafiarem o potencial da mais parva imaginação deixada à solta.

Prosseguiu com os juízes, na teimosa guerra dos colégios privados. Com o que decidira assim, porque tinha a filha no colégio em causa. E logo a seguir com a que decidira assado, porque tinha trabalhado com o actual primeiro-ministro. E logo as televisões se encheram com imagens da senhora a discursar no congresso do PS. Sem que nenhuma referisse, nem ao de leve, que à época a senhora não era juíza.

Ainda tudo isto fervia em pouca água, sem precisar dos 100 graus centígrados, e já o primeiro-ministro devolvia o cheque que o Presidente da República tinha enviado para o Ministério da Defesa, para pagar a sua deslocação a França, no Falcon, para assistir ao jogo das meias finais da selecção nacional, no europeu, há três ou quatro semanas.

E porque o tema era cheque, europeu e jogos da selecção em França, ficou a saber-se que o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais entendeu que resolveria o seu caso com a Galp enviando-lhe também um cheque, para pagar as duas viagens a França, para assistir a outros tantos jogos da selecção nacional.

As contas que cada um terá feito para chegar aos valores a inscrever no cantinho superior direito do dito não são de nossa conta. Não seria coisa parva. Simples curiosidade, que às vezes também é parva…

Coisa parva, mas parva a sério, tinha-a feito Fernando Rocha Andrade, assim se chama o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, ao "encarar com naturalidade, e dentro da adequação social, a aceitação deste tipo de convite, no caso, um convite de um patrocinador da Selecção para assistir a um jogo da Selecção Nacional de Futebol”.

É natural que as empresas destinem este tipo de convites a clientes. E a stakeholders. Não pode ser natural que um governante ache natural ser convidado por uma empresa. Menos ainda se essa empresa tiver um conflito de 100 milhões de euros com o Estado.

E achar que, pegando num cheque e enviando-o à empresa tudo fica resolvido, só é coisa ainda mais parva!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

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