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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Sinais dos tempos*

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Nos últimos tempos tem-se falado muito do surgimento de uma nova ordem sindical, em ruptura com o velho establishment herdado do século XX, baseado em estruturas orgânicas e ideológicas bem definidas.

Muitos dizem que há um confronto entre as velhas respostas do sindicalismo orgânico e a nova realidade do mundo do trabalho ou, mais pragmaticamente, que os velhos sindicatos já não representam os novos trabalhadores. O financiamento das greves através da novidade do crowdfunding, em vez dos velhos, curtos e limitados fundos de greve do início do século passado, não é mais que a ponta do iceberg.

Todos os movimentos sociais estão sujeitos a dinâmicas próprias que, uma vez em movimento, são difíceis de parar. É o que poderá estar a acontecer com estes novos modelos sindicais, provavelmente condenados a crescer em direcção à substituição da velha ordem sindical, numa dinâmica que poderá estar a revelar-se muita atractiva para muitos e diversos interesses, eventualmente pouco convergentes com os que se propõem representar.

Exemplos dessa perversidade começam a andar por aí, e a surgir a descoberto.

No sindicato dos motoristas de matérias perigosas, que paralisou o país há um par de meses e que já pediu desculpa por se preparar para o voltar a fazer já no próximo mês, o líder e mentor é conhecido pelo “advogado do Maserati”, por se fazer deslocar num automóvel desta prestigiada marca. Tão estranho como um sindicalista de Maserati, é um advogado associado de um sindicato de motoristas. Mas o sucesso salta barreiras e, segundo as notícias, estará já a ser requisitado para alargar a sua intervenção a novos domínios sindicais. É até possível que esteja a pensar em franchisar a ideia. Um franchising de Sindicatos… é capaz até de ter futuro.

Não menos preocupante, antes pelo contrário, é o que se passa com os novos sindicatos da polícia, que se multiplicaram como cogumelos. São já 17, os sindicatos que se propõem representar os polícias portugueses - um record na administração pública portuguesa. Em muitos são mais os dirigentes que os sindicalizados. E como cada dirigente tem direito a quatro folgas por mês, a que se junta mais 12 horas para os delegados, as folgas já se traduzem em perto de 40 mil dias.

Há cera de dois meses tivemos oportunidade de constatar que boa parte dessas folgas era canalizada para a actividade política, quando os vimos nas listas de um partido de extrema-direita, que por aí anda à procura de um lugar ao sol. Esta semana ficamos a conhecer outros aproveitamentos dessas folgas, com a notícia da detenção de outro polícia sindicalista, com 125 quilos de droga. Dizem os jornais que aproveitava as folgas para ir a Espanha buscar a droga que traficava por cá… E que não escondia nada dos sinais de fortuna que o negócio lhe garantia...

Não. Este não é um novo paradigma do sindicalismo. Apenas sinais dos tempos… Destes tempos!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Sinais dos tempos

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Hoje, as portas do número 266 (e 266 A) da Avenida da Liberdade estão fechadas. Sem grande alarido, sem sombra de contestação - apenas aqui e ali alguma consternação - o Diário de Notícias deixou a casa que sempre foi sua, no topo da mais bonita e famosa avenida da capital.

Quis quem pode que fosse tempo do mais histórico dos jornais portugueses deixar o belo e emblemático edifício, prémio Valmor, contruído em 1940 - pela primeira vez, em toda a Península Ibérica, foi construído um edifício propositadadamente para sede de um jornal - para o entregar à especulação imobiliária.

Já há dezena e meia de anos, no início do século, tinham querido. Só que, então, não puderam. Então, os cidadãos deste país, com os jornalistas do DN à frente, não lho permitiram...

Hoje tudo é diferente. Os jornalistas do DN são diferentes e, depois dos sucessivos despedimentos colectivos, são acima de tudo muito menos. Podem menos, mas também querem menos. Como todos nós, afinal...

Sinais dos tempos que correm! 

Sinais

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De vez em quando ouvia-se e lia-se que a nossa Presidência da República custava mais ao país que, por exemplo, a coroa espanhola. O nosso presidente era o austero Cavaco, o rei de Espanha era o esbanjador Juan Carlos, das caçadas e amantes...

Na semana passada foi notícia que o director do Museu da Presidência da República fora detido pela Polícia Judiciária. Todos os dias novas notícias acrescentam novas acusações ao rol inicial, na impressionante escalada de burla e crime a que o comendador Diogo Gaspar - já não há dúvidas que as condecorações de Cavaco passam a ser objecto de registo criminal - foi dando corpo ao longo de 16 anos. 

Percebe-se como é que um austero e provinicano presidente de um pequeno país gastava bem mais que um cosmopolita monarca do seu vizinho do lado. Bem maior, por sinal. E talvez se perceba por que seja a Presidência da República o mais opaco organismo público em matéria de contratação. Ainda hoje. à Correio da Manhã é certo, é dada mais uma notícia de uma adjudicação directa do mesmo Diogo Gaspar, no passado 10 de Junho.

Ficou bem a Marcelo recusar o Mercedes que Cavaco lhe comprou. É simbólico, não encurtou gastos nenhuns, mas fica sempre bem. Não lhe fica menos bem pôr agora o Palácio de Belém na rota da decência na utilização dos dinheiros públicos. A começar pelo cumprimento da lei na contratação de bens e serviços.

SINAIS

Por Eduardo Louro

 

Pedro Passos Coelho não levanta o véu sobre a constituição do governo – volto a tirar-lhe o chapéu pela forma como soube conduzir todo este processo, e levanto-o tão mais alto quanto sei que também lá está Paulo Portas – mas vai-se preocupando em deixar alguns sinais.

São sinais essencialmente destinados ao exterior, o que se compreende. Privilegiou um jornal de referência - o Financial Times – concentrando a comunicação em duas notícias, ambas centradas na questão financeira e, dentro dela, na independência. O objectivo era, claramente, passar uma mensagem de empenhamento no rigor e na independência do controlo das contas públicas, que é como quem diz na implementação das medidas do memorando da troika. E as duas notícias são (i) que o ministro das finanças é um independente e (ii) que vai criar a tal entidade de controlo e monitorização das contas constituída por independentes, incluindo dois estrangeiros!

Sobre a primeira tenho algumas dúvidas que um ministro das finanças independente seja, apenas e só por isso, uma grande notícia. Mais importante que ser independente é que tenha grande peso político, para além, evidentemente, de competência específica. O ministro das finanças tem que ser uma voz respeitada e incontestada, e isso só está ao alcance de pessoas com, mais que grande prestígio, grande peso político específico. Que, normalmente, não se encontra por aí em independentes. Provavelmente olhamos à volta e apenas encontramos Eduardo Catroga, que não é tão independente quanto isso!

Acredito que a segunda seja uma boa notícia para o exterior, e que a integração de personalidades estrangeiras lhes tenha soado a música. A mim, como de resto já aqui manifestei, parece-me uma coisa meia disparatada. Porque torna-se difícil entender que, quando é necessário reduzir o Estado, extinguir institutos e organismos públicos, a primeira notícia seja a criação de mais um organismo. Mas também porque é difícil de entender que um governo que se prepara para tomar posse esteja logo à partida a deixar a mensagem que, em contas, é de tanta confiança como o anterior. Que esteja a desconfiar dele próprio não é seguramente o melhor dos sinais. E, finalmente, porque também não se entende a necessidade de uma entidade de controlo e monitorização das contas – com estrangeiros e tudo – quando a própria troika o fará. E cá estará a fazê-lo trimestralmente. A não ser que se esteja a destinar a esse órgão o papel de interlocutor da troika: o que seria a todos os títulos lamentável, porque isso terá que ser função inalienável do ministério das finanças!

Podem ter sido sinais importantes, do ponto de vista de comunicação, em particular para o exterior. Mas para nós, que nos preocupamos com o que é e não com o que parece que é, não são sinais positivos.

Já é um sinal positivo perceber, como hoje já percebemos, a solução do problema chamado Fernando Nobre, ontem aqui trazido. A solução de insistir na sua candidatura à presidência da Assembleia, mesmo contra o parceiro de coligação, é um sinal de que Pedro Passos Coelho é cumpridor. Que é homem de palavra, o que é sempre um sinal positivo, tão mais positivo quanto maiores forem os riscos que corre. E se são grandes os riscos que vai correr… Mas Fernando Nobre, como referi no texto anterior, não lhe deixou escapatória!

E é mais um sinal positivo que seja já hoje claro que está completamente fora de causa a solução manhosa de o integrar no governo.

 

 
 

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