OS SMS
Por Eduardo Louro
Ainda esperávamos pela explicação dos encontros (e desencontros) de Sócrates e Pedro Passos Coelho – também, pelo que vi, só eu é que a pedi – e já estávamos a levar com outra: desta vez ficou a saber-se que, provavelmente na sequência desse encontro, os deputados do PSD receberam, por sms, ordem para manter a boca fechada ao longo desse famoso 11 de Março. Para não se pronunciarem sobre as negociações à volta do PEC 4 que decorriam em Bruxelas, para nãos as prejudicar.
Não me importa, agora e aqui, perceber se esta inconfidência de Pacheco Pereira, ontem no Quadratura do Círculo da SIC Notícias, é acidental ou se é premeditada. Se resulta de um simples lapso ou se é uma facada destinada a atingir mortalmente Passos Coelho. Lá porque arrancou com um “como já toda a gente sabe” não quer dizer nada. Porque a verdade é que ninguém sabia. Como ele bem sabia…
O que me importa é que isto adensa mais as nuvens já bem carregadas que tornam este ar irrespirável. É urgente explicar o que se passou com a tal reunião de S. Bento na véspera da partida para Bruxelas com o PEC 4, no dia da discussão da moção de censura no parlamento e no dia seguinte à tomada de posse do presidente. Uma reunião - ao que se diz - de quatro horas, naquela conjuntura, seguida dos tais sms, não bate certo com o desenvolvimento circunstancial que desembocou no chumbo do PEC e na actual crise política.
Mas o que decididamente não bate certo é o silêncio absoluto sobre tudo isto durante mais de um mês. O que não bate certo é este secretismo que interessa às duas partes: Sócrates e Passos Coelho. O que confirma que nada bate certo é a própria forma como estes factos chegam ao conhecimento público: o primeiro soprado – bem baixinho e sem grandes ondas – a partir do partido do governo e, o segundo, directamente de alguém que, independentemente de juízos e avaliações de traição, é bem conhecido pelo afastamento crítico que cultiva em relação à liderança do seu partido.
Mas é, e continua a ser, estranhíssimo que Sócrates e a sua fabulosa máquina de marketing não utilize estes episódios. Ainda hoje temos visto ao longo de todo o dia um autêntico desfile de ministros a demonstrar, através do anúncio dos sensacionais resultados da execução orçamental do primeiro trimestre – com evidente manipulação propagandística, mas isso agora não vem ao caso – as culpas da oposição na actual situação do país. Mas nem a mais leve utilização destas culpas ... E isso continua a fazer-me confusão!