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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Respeitar o Benfica

 

Parabéns, Nelson Veríssimo. Parabéns pelo 45º aniversário, e parabéns pela vitória (e como é sempre saborosa!) e pela forma brilhante como eclipsou o futebol do Sporting, de Rúben Amorim.

Foi um grande jogo este que o Benfica fez hoje em Alvalade. Os jogadores foram brilhantes, mas foram, acima de tudo, de uma dignidade, de uma entrega e de uma raça como ainda se não tinha visto. Nunca foram inferiores aos adversários na disputa pela bola, nunca tiveram medo dos duelos e nunca lutaram menos. Quando assim é, tudo é diferente, e sofrer golos deixa de ser a fatalidade que tem sido.

Dava ainda apenas para o jogo contar uma história de cartões - o cartão, nem sequer amarelo, que não foi mostrado a Coates, logo no início, e o vermelho que ficou em amarelo na agressão de Sarábia a Vertohghen - quando o Benfica marcou o primeiro golo, à beira do fim do primeiro quarto de hora. Foi a primeira jogada de golo, até aí, para além da história dos cartões que poderiam dar ao jogo outra história, só dava para perceber que o Benfica não deixava o Sporting impor o seu futebol habitual. Depois do golo - excelente lançamento de Vertonghen, o resto ficou por conta de Darwin, que começou por, primeiro,  bater o Neto em velocidade, depois deixar o Coates para trás com um toque de cabeça seguido de fuga para, por fim, fechar com um chapéu a Adan. Mais bonito era difícil.

O golo abriu definitivamente as hostilidades. O Sporting reagiu e acelerou o jogo. Mas o Benfica, defendendo muito bem - uma autêntica equipa, que tem sido sempre o que mais tem faltado - era sempre mais perigoso . Adan negou o segundo, que surgiu pouco depois, porque no lance a seguir ao canto que resultou da defesa do seu guarda-redes, o Sporting criou a sua única oportunidade de golo, negada por Vlachodimos, a roubar a bola ao Pote, isolado à sua frente. No lance corrido, dessa segunda vez que a bola entrou na baliza de Adan, ficaram algumas dúvidas. Mas o Hugo Miguel, no VAR, tratou do assunto. Nas linhas manhosas, não fez a coisa por menos - 96 centímetros.

Quase um metro?  Ó Hugo Miguel, isso não é de mais para ser levado a sério?

Fábio Veríssimo no campo e Hugo Miguel no VAR, não é de mais. É o costume, e apenas mais do mesmo.

Mais do mesmo foi a segunda parte. Temia-se que a equipa - exactamente a mesma que iniciou o jogo de Liverpool - pudesse quebrar fisicamente, e não conseguisse aguentar aquele ritmo diabólico de luta pela bola e pelos espaços, a defender e a atacar. Mas nada disso!

A segunda parte disse ao que vinha logo de entrada. Começou com mais uma grande oportunidade de golo do Benfica, naquele remate do Diogo Gonçalves a roçar o poste. E com a única oportunidade do Sporting, logo na resposta, num toque de cabeça ao poste- nem sequer se pode chamar-lhe remate - do Sarábia, que devia estar no balneário. E vimos uma segunda parte ainda mais intensa. Com o Benfica a continuar a defender a grande nível, a continuar a ganhar todos os duelos, e sempre a criar perigo nas saídas em contra-ataque.

E com Fábio Veríssimo a acrescentar histórias à história dos cartões da primeira parte: Nuno Santos "aviou" um pontapé na cabeça do Gilberto, já no chão depois de o ter ceifado, e nada. O Paulinho deu uma cotovelada no Vertongen, sem bola, quando ia a passar por ele e.... o Veríssimo do apito resolveu a coisa com um amarelo para cada um. Porro, distribuiu empurrões a torto e a direito na substituição de Taarabt, mas foi o jogador do Benfica a ver o cartão amarelo, quando ia a sair sem se meter com ninguém. E Hugo Miguel a acrescentar histórias à história do VAR. E à sua longa história de perseguição e incompetência. Houve um vermelho, foi para o Rui Pedro Brás. Mas a esse já eu o teria mostrado há muitos meses.

Por volta dos 60 minutos Rúben Amorim começou a mexer na equipa. Tinha no banco Slimani, Ugarte, Edwards. E em campo demasiados jogadores completamente secados pelos jogadores e pela estratégia do Benfica. Nelson Veríssimo no banco tinha Gil Dias e Paulo Bernardo. O suficiente para chegar ao segundo golo e "matar o jogo", numa jogada emblemática. Ao segundo minuto dos 7 de compensação que o árbitro entendeu justificarem-se, Darwin arrancou pela esquerda e foi tal o pânico  que acabou rodeado por cinco - cinco! - jogadores do Sporting. Nada impressionado com tamanha guarda de honra, entregou a bola ao Gil Dias para tranquilamente  meter a bola por baixo do corpo do pobre Adan . Mesmo com os 11 jogadores, em vez dos 7 que deveria ter em campo, ao dispensar cinco só para Darwin só sobravam seis. Mas estavam lá mais para a frente...

E lá ficou o resultado um pouco mais condizente com o que foi a superioridade do Benfica no dérbi, mesmo quando ainda estamos longe do dia em que voltarão a respeitar o Benfica, como hoje dizia o miúdo Henrique Araújo, no fim do jogo da equipa B em Vila do Conde, com o Rio Ave. Sim, um miúdo da equipa B. Não foi o presidente Rui Costa. Nem sequer o Rui Pedro Brás. Não terá sido por isso que foi expulso!

Esta vitória é também dele, do Henrique Araújo. E é também para o Sandro!

 

 

 

De um a onze

Há pequenas coisas que sabe bem reencontrar. Foi com grande surpresa que hoje encontrei uma delas - um jogo de futebol em que ambas as equipas equipavam (parece pleonasmo, mas não é) com camisolas de 1 a 11, sem o nome dos jogadores nas costas. Nas de uma delas, e ainda por cima do Benfica, nada mais nas costas dos jogadores que o número. Nas da outra, do Sporting, havia publicidade. 

Às vezes, nos jogos de preparação, vê-se alguma coisa parecida. Nos jogos a sério, não. O 1 ser o guarda-redes, o 2 o lateral direito e o 5 o esquerdo. O 3 e o 4 os centrais. O 6 ser 6. O 7 extremo direito e o 11 o esquerdo. E o 8, o 9 e o 10 no seu sítio, é coisa de um passado longínquo.  E bom de rever.

O jogo era entre o Sporting e o Benfica, já o deixei perceber. Era o primeiro dérbi europeu em juniores, e em causa estava nada mais nada menos que o apuramento para as meias finais da Youth League, disputada a uma só mão. No caso, em casa do Sporting. Nesta categoria, os sub 19, é habitual vermos os números nas camisolas dos jogadores como que a obedeceram a uma lógica de integração no plantel sénior, com números na casa das 5, 6, 7 ou 8 dezenas, os que sobram dos seniores do plantel principal. Por isso, mais surpreendente ainda. Pode até ser que decorra de qualquer imperativo da UEFA, não faço ideia, mas nem isso diminui o efeito surpresa.

Outra agradável surpresa foi a arbitragem. O árbitro era um esloveno, de que nem sequer sei o nome. Impressionou-me a forma como conduziu o jogo, numa evidente lógica pedagógica e sempre com um enorme respeito pelo jogo e pelos jogadores. Mesmo quando teve ser punitivo. Exemplar a forma como advertiu o Pedro Santos com o cartão amarelo por, depois de marcar o primeiro golo, ir festejá-lo em frente aos adeptos adversários, naturalmente em muito maior número. E como explicou ao jovem extremo direito do Benfica que aquilo não se faz. Não é fair play e pode constituir provocação aos adeptos contrários. 

A melhor das surpresas foi no entanto a qualidade da exibição individual e colectiva dos jovens jogadores do Benfica. Teve momentos de autêntico recital, e não me refiro aos longos períodos de troca e circulação de bola, que os poucos adeptos presentes em Alcochete se encarregaram de estragar com "olés". Refiro-me aos lances dos quatro golos, e a muitos outros que poderiam ter resultado noutros tantos. E exibições individuais de grande nível. Desde logo dos dois alas, Pedro Santos e Diego Moreira, cada um com dois golos. Mas também dos dois centrais - o já conhecido Tomás Araújo, e António Silva, ainda sem debutar no grupo principal, mas porventura ainda com mais qualidade - imperiais a sair a jogar. Passou por eles sempre o início da construção, e era eles que regressava a bola sempre que era necessário recomeçar a acção ofensiva.

O resto é o resultado. Uns expressivos 4-0 ao Sporting, cheio de jogadores que já debutaram com Rúben Amorim. E a quarta presença nas meias finais da máxima competição jovem da UEFA. Nas outras três o Benfica esteve sempre na final, que nunca ganhou. Pode ser que seja desta. Primeiro há ainda a Juventus!

É assim

Três dias depois dos intoleráveis acontecimentos da passada sexta-feira no Estádio do Dragão, que mostraram ao mundo o ground zero do futebol em Portugal, os responsáveis pelo mundo da bola cá do burgo - Fernando Gomes, da Federação Portuguesa de Futebol, e Pedro Proença, da Liga de Futebol Profissional, continuam a fingir que nada aconteceu. Calados e mudos, como se nada tenham a ver com nada e tudo possa continuar como se nada tivesse acontecido, empurrando para o tempo a responsabilidade de tudo apagar.

Esse, o tempo, vai cumprindo com as responsabilidades que lhe são atribuídas. É o único que não as endossa, e lá vai fazendo o seu caminho. Sem perder tempo, porque de tempo sabe ele ... Hoje, ao terceiro dia, já vai aqui, nesta primeira página. Amanhã irá mais além.... 

É assim!

 

 

Em Leiria, como em Roma!

Luís Filipe Vieira assiste ao Benfica-Sporting em Leiria - Taça da Liga -  SAPO Desporto

Ganhar a Taça da Liga não salvava a época. Tinha-o dito Nelson Veríssimo e sabíamo-lo todos. Esta época já não tinha salvação! Mas não a ganhar e voltar a perder com o Sporting, como perdeu, como jogou, e com tudo o resto que se passou soltou as labaredas das profundezas do inferno da destruição do Benfica.

Em equipa que ganha não se mexe. Em equipa que não ganha ... também não. Deve ter sido isto que Nelson Veríssimo pensou, e por isso mudou apenas Paulo Bernardo por ... Meité. É verdade que não há muito por onde escolher ... a não ser nos jovens da equipa B, mar onde se pensaria que o treinador - justamente por ser quem é - pescasse  E também é verdade que, pelo que se viu na primeira parte, se percebeu a ideia de alinhar com um jogador que, ao fim de tanto tempo, ainda não permitiu perceber o que é que levou à sua contratação. Percebeu-se que pretendeu usar o seu físico para o combate ao meio campo. Para tentar equilibrar o poder físico do Sporting, mas esqueceu-se de tentar equilibrar o resto.

A primeira parte ainda disfarçou alguma coisa. Mesmo que o Benfica nunca se superiorizasse no jogo, nem individual nem colectivamente, nem táctica nem tecnicamente, ia ficando a ideia que, daquela forma e de uma maneira mais ou menos organizada, poderia minimamente controlar os danos, até porque a equipa do Saporting também não vive os melhores dias da era Amorim. E o golo de Everton, a meio da primeira parte, e no único remate à baliza (no jogo faria dois!), ajudava a admitir que até poderia correr bem.

A entrada na segunda parte até parecia reforçar essa ideia. Nos primeiros lances viu-se um Benfica mais pro-activo, a indiciar que poderia querer responder aos desafios do jogo. E viu-se um Sporting nervoso. No relvado, e no banco. A conjugação dos factores abria, pela primeira vez, a janela da esperança benfiquista. 

Só que, logo aos quatro minutos, num canto que resulta de uma carambola, e com Morato a limitar-se a fazer figura de corpo presente, o central do Sporting - Gonçalo Inácio, que já na primeira parte tinha ameaçado, e só não marcou porque Vlachodimos fez uma defesa apertada, e só possível por a bola lhe ter saído à figura - marcou o golo do empate. E pronto, lá foi a equipa pelo buraco abaixo, e com ela a ilusão dos adeptos.

A partir daí, mais notória que a superioridade leonina no relvado, foi a das bancadas. No relvado o Sporting  ganhou por 2-1, com o golo do Sarabia já dentro do último quarto de hora. Nas bancadas foi de goleada!

O grau de destruição que o Benfica atingiu já chegou ao seu principal activo - os adeptos, a massa adepta que foi quem em mais de um século fez a grandeza do clube. Irá seguir-se o benfiquismo.. A obra de Luís Filipe Vieira está concluída!

Hoje quis certificar-se disso, in loco. E foi a Leiria contemplá-la. Como Nero, em Roma, há 1958 anos!

Lenços brancos em Dezembro

 

Poderia recorrer-se a uma expressão corrente no futebol para dizer que o Benfica entrou a dormir, e quando acordou já estava a perder. E que a partir daí, com a competência do Sporting a defender, e a contra-atacar, o derbi estava perdido.

Mas não foi só isso que foi o jogo, isso foi o seu início- E o indício do que viria a ser.

Passando para o fim, poderia também dizer-se que o Benfica teve mais bola, e até mais oportunidades de golo. E que afinal perdeu o jogo porque, ao contrário do Sporting, não aproveitou as oportunidades que teve.

Mas, também não foi isso o jogo.

O jogo foi, todo ele, de princípio a fim, um confronto entre uma equipa de autor e outra de geração espontânea. Entre uma equipa que conhece todos os momentos do jogo, e o que fazer com eles. Que funciona mecanicamente, onde cada peça sabe exactamente qual a sua função, e seja qual for a peça, a função é desempenhada. Apenas é preciso que a peça esteja preparada, física e mentalmente, para a função que lhe cabe desenvolver.

Essa equipa é a do Sporting, e Rúben Amorim o seu autor. Dizia-se que surgiria na Luz debilitada pela falta de duas peças fundamentais ao seu funcionamento - Coates e Palhinha. Mas ninguém notou a falta deles, porque o que importa é a função, e essa nunca ficou por desempenhar. Como ninguém deu pela lesão de Fedal, o outro central. O que toda agente notou foi que os jogadores do Sporting entraram no jogo com uma extraordinária agressividade competitiva, que nem dois amarelos no primeiro minuto minimamente abalaram. O que toda a gente viu foi como o Sporting conseguia ter sempre três jogadores a pressionar cada jogador do Benfica que pegava na bola. E que cada jogador do Sporting, quando a recuperava, descobria os espaços para a jogar. 

Foi isto que foi todo o jogo. E por isso, as duas bolas nos ferros da baliza de Adan, a ridícula anulação do golo de Darwin por 6 centímetros de fora de jogo do Yaremchuk, e até as circunstâncias em que o Sporting marcou o segundo e o terceiro golo, sempre a seguir a oportunidades desperdiçadas pelo Benfica, parecem meras incidências do jogo. Sempre controlado pelo Sporting, que pareceu sempre ter os melhores jogadores e os mais capazes. Pareceu até que nenhum jogador do Benfica seria capaz de marcar qualquer dos golos que os do Sporting marcaram. E que nenhum dos que os do Benfica falharam - o bola que Rafa rematou à barra apenas aconteceu por falta de confiança para rematar de primeira - seria falhado pelos do Sporting.

E tudo isto - agressividade competitiva, definição de funções, modelo de jogo, condição física e mental - é da responsabilidade do treinador. Como é o treinador que escolhe os jogadores, os que contrata e os que coloca em cada jogo..

Não sei se os lenços brancos no fim do jogo se devem a esta constatação, ou apenas à frustração desta derrota. Mas sei, e há muito, que o treinador do Benfica está comprovadamente esgotado, e em acelerado processo de destruição de valor.

Se este foi o início deste mês de Dezembro, é de temer pelo fim.

 

 

Um equívoco grande num grande jogo

Não é costume os clássicos serem grandes jogos de futebol. O dérbi dos dérbis, o clássico maior do futebol nacional, pelo contrário, por vezes dá em grandes espectáculos de futebol. No Benfica-Sporting desta tarde, na Luz, houve espectáculo. Foi um grande jogo de bola, de grande intensidade, aberto, como a gente gosta de ver, sem constrangimentos tácticos. Claramente o melhor do campeonato, com sete golos, que até poderiam ser muitos mais. Mais do dobro! 
 
O Benfica apresentou na primeira parte o melhor futebol da época. Dominando claramente o meio campo - o Sporting, sem Palhinha e João Mário, e com Matheus Pereira e Daniel Proença nos seus lugares pôs-se a jeito - o Benfica partiu para uma exibição que chegou a ser fulgurante, com grandes jogadas ... e grandes golos.
 
Quando, logo aos doze minutos, Seferovic fez o primeiro golo, apenas aconteceu o que a todo o momento já se esperava. Não que, ao contrário de outros jogos, tivesse criado e desperdiçado outras oportunidades. Apenas porque a sua superioridade no jogo, era óbvia. A concentração e o acerto dos jogadores, e a vertigem do futebol do Benfica atropelava o futebol dos novos campeões nacionais. 
 
À porta da meia-hora o Benfica chegou ao segundo, talvez na mais monumental jogada de futebol da partida, concluída, com grande classe, por Pizzi. E sete ou oito minutos depois ao terceiro, por Lucas Veríssimo, no primeiro golo de canto sofrido pelo Sporting esta época. Pelo meio já o árbitro  - Tiago Martins, uma das bestas negras do Benfica, o conhecido "moedas" - tinha assinalado um penalti a favor do Benfica. Desta vez revertido (o assistente assinalou - e bem - fora de jogo) pelo próprio, não foi pelo VAR.
 
À beira do intervalo já não havia dúvidas que o Sporting não escaparia à primeira derrota do campeonato, e que o sonho leonino de campeão invencível poderia acabar num pesadelo de uma pesada goleada. Só que o golo de Pote - que grande jogo fez, também -, no primeiro remate à baliza, já no período de compensação, abrir-lhe-ia as portas do resgate. E o intervalo daria a Rúben Amorim mais uma oportunidade para mostrar que é mesmo bom naquilo que faz.
 
O Sporting entrou para a segunda parte já com Palhinha e João Mário no meio campo, retirando Daniel Bragança e João Pereira, passando o Matheus Pereira para a ala direita. Ainda não dera para perceber como, com o novo meio campo, iria tentar capitalizar o golo salvador do fim da primeira parte,  e já o Benfica repunha a diferença de três golos. Num penalti - aleluia! - desta vez confirmado, e convertido por Seferovic, à procura de golos para garantir a posição de goleador-mor da prova. 
 
Curiosidade: o segundo penalti assinalado a favor do Benfica; também o segundo assinalado contra o Sporting. E o primeiro golo sofrido dessa forma, depois do também primeiro de canto.
 
No arranque da segunda parte estava reposta a diferença de três golos e, com ela, o cenário que se desenhara na primeira. O Benfica continuava a jogar bem, a criar boas jogadas e oportunidades de golo. Só que os jogadores entenderam que o jogo estava mais que ganho e, em vez de se preocuparem em controlá-lo, preocuparam-se com os golos para Seferovic. Mantiveram o mesmo frenesim ofensivo, a mesma vertigem mas, na hora do golo, a única preocupação era procurar o internacional suíço. E desperdiçaram assim dois ou três golos.
 
Estava a ver-se que aquele não era o caminho, e que os jogadores do Benfica estavam a entrar numa perigosa fase de deslumbramento. Repare-se que Helton Leite fez a primeira defesa do jogo - e fácil - aos 61 minutos. Para no minuto seguinte sofrer o segundo golo. Que mudou por completo o jogo.
 
Os jogadores do Sporting tiveram o mérito de se conseguir salvar do precipício, os do Benfica o demérito de lho terem permitido. A substituição de Taarabt - faz tudo bem, menos a última coisa que tem a fazer - pelo ainda mais inconsequente Gabriel também ajudou. Até porque, como sempre acontece, bastaram-lhe três minutos em campo para ficar limitado por um cartão amarelo, Seguiram-se vinte minutos em que só deu Sporting, tempo para Pote repetir Seferovic, e voltar a marcar, e também de penalti. E para mais três oportunidades, entre elas uma bola no poste, do mesmo Pote, para chegar ao golo do empate, a última negada por Helton Leite, aos 78 minutos, com uma defesa enormíssima.
 
Em 20  minutos passou-se do espetro de uma goleadoa histórica para o da invencibilidade do Sporting. Repetindo o que já acontecera com o Porto, e com o jogo ainda mais partido, os últimos 10 minutos voltaram a cair para o Benfica. Foi como que a papel químico, incluindo a arbitragem que, para não expulsar (segundo amarelo) o Nuno Mendes, ignorou uma cotovelada em Rafa, isolado em direcção à baliza. Como já ignorara uma agressão a pontapé de Paulinho, para vermelho. Com as entradas de Nuno Tavares, Rafa, Darwin e Waldchmidt, e já sem Seferovic em campo, e com o Sporting já com Coates a ponta de lança, o Benfica acaba com mais duas flagrantes oportunidades de golo. 
 
Mas, do susto, não se livrara. Ou como uma goleada anunciada acaba num jogo de credo na boca. Tudo pelo equívoco dos jogadores do Benfica nessa coisa do melhor marcador do campeonato. É que, de tanto pensarem no colega, se esqueceram que, mais importantes que os golos que Seferovic ainda pudesse acrescentar, eram os que  Pote viesse a marcar. 
 
Mas nem por isso deixou de ser um grande jogo de futebol. Só deixou de ser o prémio de consolação que é, sempre, uma goleada sobre o velho rival. Mais a mais no dia em que, a uma jornada do fim, também o segundo lugar, o tal de acesso directo à Champions, deixou de ser possível.

 

 

O copo do dérbi

Foi com um onze estranho que o Benfica surgiu hoje em Alvalade para o eterno dérbi do futebol nacional. Só não tão estranho porque nesta fase já nada é estranho. Estranho é até que tenha vindo a conseguir fazer alinhar onze jogadores nos últimos jogos.

Mais estranho ainda que o onze foi a defesa a três, que decididamente entrou na moda. Já o tinha feito no jogo com o Braga, nas meias-finais da Taça da Liga, mas aí, como era o Weigl a jogar mais recuado, disfarçava. Era uma espécie de defesa a três envergonhada. Hoje, não. Era assumida: Jardel, Otamendi e Vertonghen.

Estranho porque não há tempo para treinar. E, sem tempo para treinar - parece que nunca houve-, estranha-se a implementação de um sistema não trabalhado, logo num dérbi e, mais do que isso, sem margem para experiências. Não ganhar este jogo significava o mais que provável adeus ao título. E até ao apuramento directo para a Champions.

Não durou muito, a experiência. Ainda antes do ponteiro do relógio chegar aos 10 minutos já Jardel era obrigado a sair, com uma lesão muscular. Recuou Weigl, e entrou Gabriel, mas já não era a mesma coisa.

Do lado do Sporting, é diferente. Há tempo para treinar, e Rúben Amorim sabe fazê-lo. Por isso entrou sem Palhinha, despenalizado à última da hora. Que entraria no início da segunda parte, quando normalmente o treinador do Sporting retira o João Mário, de pilhas gastas. Costuma entrar o Matheus Nunes mas, como desta vez já lá estava, entrou então o despenalizado Palhinha.

Com as equipas encaixadas, muita disputa de bola e poucos espaços, as equipas equivaleram-se e o jogo foi equilibrado. Com o Sporting a espaços um bocadinho melhor, muito pelo mérito de gerir melhor os espaços. Geriu bem o espaço nas costas da sua defesa, empurrando quase sempre Darwin para o fora de jogo. Entre as vezes que estava mesmo, e as que não estaria, o avançado do Benfica passou o tempo todo que esteve em jogo em "off-side". E trabalhou bem as mudanças de flanco. 

Foram estas duas armas que lhe deram uma ligeira superioridade na primeira parte. Sem remates (enquadrados) à baliza, e com duas espécies de oportunidades de golo. Primeiro foi Pizzi, em posição para marcar, a desperdiçar com um remate a sair ao lado do poste, com Adan batido. Já perto do intervalo foi Neto, de baliza aberta, a cabecear sem nexo muito ao lado da baliza.

A segunda parte foi diferente. Os espaços apareceram, o jogo abriu e, sem que passasse a ser um grande jogo, foi mais emotivo e espectacular. Os primeiros dez minutos foram quase espectaculares. O Benfica entrou melhor e esteve então por cima do jogo e do Sporting. Por volta do quarto de hora já tudo estava outra vez equilibrado.

A ideia que fica do jogo, e especialmente destes 15 ou 20 minutos, é que, tivessem estado alguns jogadores do Benfica perto do seu melhor nível, e o jogo e o resultado poderiam ter sido diferentes. Cervi e Grimaldo estiveram longe do que tinham vindo a fazer. Como Pizzi, e mesmo Rafa, que enquanto esteve em campo foi dos melhores, mesmo que quase sempre mal na última decisão. Já de Darwin não se pode dizer o mesmo. Esteve desaparecido em fora de jogo, como já foi referido, mas desaparecido já está há muito. Dizem que está a jogar lesionado, mas isso é simplesmente inaceitável. Se está lesionado só tem que se tratar, não pode jogar!

A partir da meia hora começou entrou-se naquela fase dos jogos em que as equipas começam a pensar que, se não dá para ganhar, o importante é não perder. Foi visível em ambas as equipas. Só que, se o Sporting podia pensar assim, o Benfica não devia. Até porque devia saber que há uma estrelinha que acompanha Rúben Amorim, e que não parado de brilhar. Mas pensou ... e pagou a factura. Só por isso mereceu perder o jogo!

No segundo minuto do tempo de compensação Weigl falhou, depois fez falta, mas o Artur Soares Dias, que sempre apitou a tudo, desta vez não apitou. E bem, apenas aplicou a lei. Depois ... aconteceu o que sempre acontece em todos os jogos - a defesa andou aos papeis. Primeiro, três contra um dentro da área e permitiram o cruzamento para a outra ponta da área. Novo cruzamento, que Vlachodimos desfez para a frente, com a bola a ficar à mercê da cabeça do Matheus Nunes, à frente da baliza escancarada.

E pronto. Uma equipa que ia arrasar está neste momento no quarto lugar, a nove pontos do primeiro e a cinco do segundo. E provavelmente não merece mais. O Sporting é primeiro, mas não é a equipa que a meu ver joga o melhor futebol. Essa é a do Braga. Mas é, de longe, a mais consistente. Dessa consistência apenas o Porto, provavelmente a mais forte, se aproxima. 

É curioso que a imprensa se refira à equipa mais consistente do campeonato como os miúdos. Foi um mito bem construído pela sagacidade de Rúben Amorim. Na realidade o Sporting tem dois miúdos na equipa. Mas são apenas miúdos no bilhete de identidade. No resto, o Tomás Tavares e o Nuno Mendes, são jogadores completos, de inegável categoria, que há largas dezenas de jogos que largaram as fraldas, e que já sabem tudo de bola. Sabem-na toda, como hoje se viu.

Já para o Benfica resta olhar para o copo meio vazio, e é uma desgraça. Ou meio cheio, e só pode melhorar. Mesmo que não dê para arrasar ninguém!

 

 

 

Derbi ao cair do pano

Benfica 2-1 Sporting: Águia vence dérbi e empurra leão para fora do pódio

Desceu o pano sobre este atípico campeonato 2019/2020. Não correu ainda todo até abaixo porque fica para amanhã a última decisão sobre a descida à segunda liga. Mas tapou-se já a parte cimeira da classificação, naquilo que ficara para definir na última jornada, do terceiro ao sexto lugar.

O Rio Ave, num ombro a ombro final levou a melhor sobre o sensacional Famalicão, que num jogo dramático e espectacular, com o Marítimo, no Funchal, perdeu o quinto lugar nos segundos finais, depois de parecer tê-lo assegurado com uma reviravolta fantástica já no período de compensação. E o Braga, ganhando ao Porto, com a vitória do Benfica no derbi, roubou o terceiro lugar ao Sporting.

Mas vamos ao derbi da Luz, onde o Sporting, mesmo que o Bruno Amorim - perder é mesmo lixado, e muda mesmo as pessoas - tenha achado que a sua equipa foi melhor, escapou a mais uma goleada.

O Sporting entrou bem no jogo, no estilo Bruno Amorim, a pressionar alto. O jogo estava aberto, e aos poucos o Benfica foi respondendo até se começar a superiorizar definitivamente a partir dos dez minutos iniciais. Começou então a desenhar-se aquele que seria o melhor jogo da equipa na segunda volta deste maldito campeonato.

O futebol era agradável, e as oportunidades de golo começaram a suceder-se. Aos vinte e sete minutos surgiu o golo, de Seferovic. Que parecia já apenas o primeiro de muitos. Não foi, foi apenas o único em seis claras oportunidades para marcar.

A segunda parte iniciou-se sob os mesmos auspícios, com duas oportunidades flagrantes logo nos dois primerios minutos. Só que voltou a acontecer o que já é habitual: aos poucos o Benfica deixou adormecer o jogo, e adormeceu com ele. Quando deu por ela estava no meio de um segundo quarto de hora que remetia para tudo o que de mau tinha feito no pior período de Bruno Lage. Nesse período o Sporting construiu as suas duas únicas oportunidades para marcar. Aproveitou uma para fazer o golo do empate, o resultado que afinal procurava e que lhe permitiria assegurar o terceiro lugar na classificação.

Por aquilo que foi o Benfica da segunda volta, e em especial depois do regresso da competição, não se esperava que a equipa reagisse e regressasse ao domínio do jogo. Não aconteceu assim porque, seja lá pelo que for, a saída de Bruno Lage fez bem à equipa. Vê-se que tem mais tranquilidade e que está mais forte. E vê-se até que há situações de jogo que vêm trabalhadas do treino, como se viu na forma como defende, e como se viu claramente nas bolas paradas, que já são variadas, e não acabam  todas bombeadas sem nexo para a área.

E à entrada do último quarto de hora, com a entrada de Rafa, o Benfica voltou a mandar claramente no jogo e a criar novas oportunidades para marcar. O golo - de Vinícius, que entrara para substituir Seferovic, e que lhe valeu o título de mehor marcador da liga - surgiria a dois minutos dos 90, a garantir uma vitória demasiado curta para aquilo que foi o jogo. Onde a goleada só não aconteceu porque este Benfica de Veríssimo recuperou muita coisa, mas não recuperou ainda a eficácia.

Chegou ao fim este campeonato verdadeiramente medonho, que ainda há poucas semanas parecia poder acabar num pesadelo capaz de se projectar para a final da Taça, daqui a uma semana. Que é muito importante ganhar, e que hoje pode ser encarada com renovadas expectativas. 

Diferentes

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O Sporting é diferente, dizem. Ou diziam, porque agora a diferença já não é suficiente para cobrir tanta bizarrice, muitas delas verdadeiros anacronismos.

A última aconteceu ontem à noite, com o treinador despedido  a anunciar o que o vem substituir. Isto depois de ambas as notícias - despedimento de Silas e contratação de Rúben Amorim - circularem durante quase uma semana na comunicação social. Sem uma palavra dos dirigentes ... Talvez para não terem de explicar por que fazem de um treinador com pouco mais de um mês de experiência na I Liga e, tal como o agora despedido, sem as qualificações requeridas para a função, o treinador mais caro da sua História. Que já contava com o treinador mais caro do futebol em Portugal!

Mas ainda acabarão a esclarecer que tiveram de o ir buscar para que ele não fosse para o Benfica...

 

O preço da frustração

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O primeiro jogo da chamada "final four" da Taça da Liga, a última deste "pacote" disputada em Braga, esteve muito longe da festa anunciada, a começar pela adesão do público - apenas 10 mil espectadores no Estádio - e a acabar num final à sul-americana.

Depois do golo da vitória do Braga (2-1), ao minuto 90, Mathieu, o defesa francês do Sporting que apontara o golo da sua equipa, e que acabara de ser batido nas alturas pelo Paulinho naquele golo, de cabeça perdida, parte em direcção ao Ricardo Esgaio, já sem bola, e pontapeia-o. De imediato toda a gente saltou do banco bracarense, revoltada com a atitude do francês e, em resposta, o mesmo sucedeu no banco sportinguista. No fim de cinco minutos à sul-americana, tudo acabou com não sei quantos amarelos e mais dois vermelhos, curiosamente para os dois Eduardo, que estavam nos dois bancos.

Se há jogadores que fervem em pouca água, que, mais maldosos ou menos maldosos, estão sempre prontos para a confusão, Mathieu não é um desses. Pelo contrário, é um jogador maduro (também já tem idade para isso), tranquílo, de quem nunca se esperaria uma reacção daquelas. Como de resto demonstrou, numa atitude de rara nobreza, ao deslocar-se ao balneário do adversário e pedir desculpa pelo seu acto irreflectido.

Mathieu é um dos três melhores jogadores do actual Sporting, e um dos poucos com competência e classe para sustentar as ambições do clube e dos seus adeptos. E o último a ceder à frustração!

A frustração pela sua competência não ser suficiente para compensar a incapacidade alheia. E a frustração pelo caos que o rodeia tornar irrelevante o seu valor e o seu esforço. Não, Silas, o Mathieu não "se sentiu injustiçado". Simplesmente não resistiu mais à sua frustração!

A mesma frustração que faz com que Acuña (mesmo que este seja dos tais "mauzinhos", que fervem em pouca água) passe quase tantos jogos fora como a jogar, e que só não suceda o mesmo com Bruno Fernandes por mera complacência dos árbitros que, rendidos ao seu estatuto de estrela da equipa, tudo lhe permitem.

Ontem foi a vez de, com a nobreza que os outros não têm, Mathieu pagar o preço da frustração. 

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