Chega-nos da Suécia mais uma ilustração do copo meio cheio ou meio vazio. Numa pequena cidade, Eskilstuna, a pouco mais de 100 quilómetros de Estocolmo, na metade sul do país, que dá nome a algumas peças de mobiliário do Ikea, foi introduzida uma lei que obriga quem andar a pedir dinheiro nas ruas a requerer uma licença e pagar uma taxa trimestral de 250 coroas (cerca de 23 euros) para exercer a actividade.
Enquanto a maioria das cidades suecas proibia a mendicidade, em Eskilstuna entendeu-se enquadrá-la, obrigando desde logo ao registo dos seus agentes. Quem não tiver esta licença e for apanhado a pedir dinheiro na rua sujeita-se a uma multa - quase 372 euros - que lhe leva o pecúlio de muitos dias de actividade.
A medida, como o copo meio, divide as opiniões. Há quem ache uma medida dissuasora da mendicidade, que aproxima os marginalizados do Estado e das respostas que tem para o problema, que na Suécia, como se sabe, não são poucas. Mas há também quem ache que, pelo contrário, ao licenciar a actividade, o Estado está a reconhecer e a institucionalizar a pobreza mais exposta e socialmente mais marginalizada.
Ficou hoje completa a lista dos eleitos para permanecer no euro, juntando-se, como esperado, as selecções francesa e inglesa às seis já conhecidas.
Sem brilho – ambas – deve dizer-se!
A França foi apurada depois de uma derrota por dois a zero e, por mais voltas que dê à cabeça, não consigo perceber como é que já o não estava. A França – uma das favoritas – deixou de o ser. Porque perdeu – e bem, sem espinhas – com a Suécia e porque, perdendo, foi segunda classificada no grupo e caiu na boca da Espanha. Que é mais favorita, como o próprio Platini confirma!
Desse jogo com a Suécia – que foi melhor contra a França e já o havia sido contra a Inglaterra, o que deixa mais próxima da Croácia do que da Holanda – ficam as oportunidades de golo construídas pelos nórdicos, fica a segunda arbitragem de Pedro Proença - ao nível da primeira -, fica uma enorme desconfiança sobre a capacidade dos gauleses mas, acima, bem acima de tudo isso, o golão de Ibrahimovic: o melhor desta fase do campeonato agora concluída, e que, se não vier a ser o melhor, ficará para sempre como um dos melhores deste euro 2012.
O que será um prémio para este extraordinário jogador, de quem se diz que passa sempre ao lado das grandes provas europeias e mundiais de selecções. Com este golo já ninguém poderá que Ibrahimovic não passou pela Polónia e pela Ucrânia!
E como foi bonita a festa sueca! Sem grande coisa para festejar, foi bonita de ver a forma como os adeptos suecos se despediram da sua selecção. Uma lição, como a dos irlandeses!
A Inglaterra acabou por conquistar o primeiro lugar do grupo - algo pouco provável depois de, na segunda jornada, a França ter ganho à Ucrânia por 2-0 – depois de ganhar um jogo em que jogou para empatar. Finalmente com Rooney – depois de cumprido o castigo de dois jogos -, um dos melhores cinco ou seis jogadores na prova, e o autor do golo da vitória, a Inglaterra apresentou-se hoje com um jogo mais ligado. Há uma Inglaterra sem Rooney e outra com ele. Mesmo assim, voltou a não convencer. Mas venceu! E venceu porque a arbitragem voltou a estar no centro do resultado, como já tinha estado noutros três jogos anteriores.
O árbitro húngaro – o senhor Viktor Kassai, um dos favoritos da nomenklatura da UEFA – não confirmou um golo da Ucrânia, depois de a bola estar, aos olhos de toda a gente, bem dentro da baliza. Que não aos olhos do Sr Kassai, nem do seu árbitro assistente… Nem sequer dessa figura ridícula que os organismos máximos do futebol europeu e mundial inventaram, a que chamam árbitro de baliza.
O senhor que estava a interpretar essa figura não viu uma bola à frente do seu nariz dentro da baliza. Como todos os outros senhores que fazem essa figura ridícula – não sei se já repararam, mas é frequente vê-los de cócoras com a cabeça de um lado para o outro para, sem que ninguém perceba para quê – sem que vejam penaltis cometidos debaixo do seu nariz, ou sequer quem realmente tocou a bola em último lugar. Mais ridículo que estas figuras já só a UEFA se, depois de hoje, as mantiver!
É bem possível que, quando é presidida por um senhor – que foi um grande jogador mas que não tem a mínima condição para dirigir o que quer que seja – que faz do ridículo profissão, a UEFA opte por manter-se exposta ao ridículo. Depois das impensáveis declarações de Platini, e especialmente destas três últimas arbitragens (Alemanha - Dinamarca, Espanha – Croácia e Ucrânia – Inglaterra) a decidir quem seguiu para os quartos de final, dificilmente este euro 2012 deixará de ser uma das páginas mais negras na História dos Campeonatos da Europa.
Inglaterra e Suécia disputaram um jogo que poderia afastar quem o perdesse. A Suécia perdeu e é segunda equipa, depois da Irlanda, ontem, a conhecer o seu destino.
Os ingleses, com uma alteração em relação ao jogo inicial com os franceses – entrou Carroll, não para o lugar, mas em vez de Chamberlain – sem que em algum momento praticassem um grande futebol, foram superiores durante a primeira parte. Jogaram então mais adiantados e com maior iniciativa do que o que haviam feito no primeiro jogo, com Gerrard a assumir o comando da equipa e a revelar que beneficia com a ausência de Lampard.
A selecção sueca foi, neste período, uma equipa demasiado dependente da sua estrela – Ibrahimovic. Que, muito recuado, fazia tudo: rematava, conduzia o jogo, transportava a bola…Quase sempre durante demasiado tempo, porque nunca encontrava quem o acompanhasse. Tinha invariavelmente de parar para que alguém chegasse. E, quando finalmente alguém chegava, até parecia que já estava tão aborrecido que não fazia passe de jeito.
Aos 23 minutos a selecção inglesa chega ao golo, por Carroll, num bom remate de cabeça a concluir uma jogada à inglesa, depois de um lançamento – que não um cruzamento – de Gerrard. Os suecos apenas conseguiram responder com um remate de Karlstrom – a excepção aos remates de Ibrahomovic – aos 37 minutos, e o resultado ao intervalo ajustava-se ao que o jogo dera.
A segunda parte começou bem diferente, com a Suécia a tomar conta do jogo e a Inglaterra a desaparecer. Empata logo aos 4 minutos, num golo atribuído ao defesa Mellberg - mas na realidade auto golo de Glenn Johnson - depois de um livre frontal de Ibrahimovic e passou para a frente dez minutos depois, com novo golo – agora sim, da sua exclusiva lavra – do mesmo Mellberg, também depois de um livre, agora cobrado sobre o lado direito.
Passava-se pela hora de jogo e a equipa inglesa tinha desaparecido. É então que entra Theo Walcott, a substituir Milner, que três minutos depois fazia o golo que voltava a empatar o jogo e a salvar a equipa, num remate de ressaca a uma bola rechaçada pela defesa sueca, depois de um canto que, por sua vez, sucedera a uma grande defesa de Isaksson – o tal que por aí anda de rabo nu no ar, à espera que os companheiros lhe acertem - a negar uma excelente oportunidade a Terry.
A Suécia ainda reagiu, com duas boas oportunidades – Karllstrom e Ibrahimovic, a primeira com grande defesa de Hart – naquele quarto de hora que separou o segundo do terceiro golo da Inglaterra, de novo obra de Walcott, que rompeu imparável pela área sueca até cruzar para Welbeck concluir com um vistoso calcanhar.
O jogo ficava sentenciado, tal como o destino da Suécia. Mas os ingleses continuam sem convencer, apesar das boas perspectivas de apuramento. Passarão, a partir de agora, a contar com Rooney, que fará certamente a diferença já no decisivo jogo com a Ucrânia.
Já a Suécia, apesar da boa meia hora da segunda parte, deixará a sua participação neste euro mais lembrada pelas bizarras e improváveis imagens do rabo do Isaksson que pelo futebol exibido!
Com os jogos do grupo D concluiu-se hoje a primeira ronda desta fase de grupos do Euro.
Um clássico a abrir: França – Inglaterra!
Um jogo sempre de expectativa alta, mas que saíram completamente frustradas. Uma selecção inglesa desfalcada que, ao que pareceu, não tem mais para dar… Deu pouco - muito pouco – mas, lá diz o povo: quem dá o que tem a mais não é obrigado! Lesbleus – que têm muito mais para dar – apesar de superiores aos ingleses, é que ficaram a dever muito!
As estrelas da selecção francesa não brilharam, à excepção de Nasri mas, mesmo assim, apenas na primeira parte, que não foi só o tempo dos golos, foi também a parte melhor – menos má – do jogo. Pouco Bemzema e pouco Ribery. E nada, absolutamente nada, de Malouda, um jogador que não tem como justificar a sua presença no onze. Tem duas velocidades: parado e passo lento. Se a bola lhe passar a um palmo do pé já não é para ele!
Foi mesmo daqueles jogos típicos desta fase da prova, mesmo enfadonho e pastoso. Com um ou outro safanão, mas não mais que isso. Onde a Inglaterra cometeu a proeza de, num jogo inteiro, fazer três remates. Que lástima, esta selecção inglesa!
Ouviram-se assobios e muitos, daqueles que os nossos jogadores e o staff da nossa selecção não gostam. Justificados, porque aquilo não prestava mesmo!
O resultado foi o de maior frequência nesta primeira ronda:1-1.
No outro jogo, duas selecções com menos responsabilidade - a da casa, a Ucrânia, e a Suécia – ofereceram outro espectáculo, de outro nível. Um jogo de grande intensidade, sempre em alto ritmo, quase que apetece dizer sempre em excesso de velocidade. Claramente um euro a duas velocidades. Que diferença!
Quando se presencia um jogo desta intensidade é costume dizer-se que é impossível manter aquele ritmo durante muito tempo. Até isso este jogo contrariou! Se a primeira parte foi intensa, a segunda parte não o foi menos. E deu os golos!
Começou a Ucrânia por impor esse ritmo alto, logo no início. A Suécia ainda tentou pôr água na fervura, baixando-o. Mas logo acabou por aderir àquele ritmo maluco e associar-se sem reservas à festa.
Foi um daqueles jogos em que se está sempre à espera do golo. Apareceram três, em apenas dez minutos (dos 51 aos 61 minutos) e ficamos até ao fim à espera de mais. Não foi por falta de oportunidades que não surgiram! Foi também um daqueles jogos que, mais que ninguém merecer perder, ambos mereciam ganhar. O que, como se sabe, não é possível!
Ganhou (2-1) a equipa da casa - apoiada por um público incansável - a equipa de Blokhin, um extraordinário jogador da selecção soviética e daquele fantástico Dínamo de Kiev de meados da década de 70, e a equipa de Shevchenco que, aos 36 anos e no fim de uma época em que, fustigado por lesões, quase não jogou, surgiu a altíssimo nível, fazendo os dois golos que fizeram a cambalhota do marcador. À ponta de lança, como se diz. Mas de grande categoria!
Schevchenco foi por isso o homem do jogo. Mas a Ucrânia tem muitos outros bons jogadores. Entre outros ficou-me na retina um miúdo com o número 19, Konoplianka, um ala esquerda de grande qualidade!
A Suécia teve até mais oportunidades de golo, abriu mesmo o marcador pela sua figura maior – Ibrahomovic - que teve ainda um remate ao poste e outro, de grande categoria, que saiu à figura do guarda-redes ucraniano. Lutou até ao fim pela vitória, criando ocasiões suficientes para isso e, embora tenha deixado a ideia de ser muito dependente da sua estrela – momentos houve do jogo em que víamos Ibrahomovic no meio campo a organizar jogo -, se continuar a jogar assim, e os burgueses franceses e ingleses a não fazerem mais do que hoje fizeram, as contas do grupo estão por fazer.
Não são favas contadas para Inglaterra e França, como à partida parecia. Nem nada que se pareça!
Acompanhe-nos
Pesquisar
Subscrever por e-mail
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.