Tudo já indica que o projecto da Super Liga Europeia abortou. Um a um, todos os seis clubes ingleses estão a abandonar o projecto. À excepção do Chelsea, que evidentemente não poderá deixar de o fazer, todos o comunicaram já oficialmente. E Florentino Perez fica agora a falar sozinho, sem nada para dizer aos seus compatriotas do Barcelona e do Atlético, e aos italianos de Milão e Turim a quem dera boleia nesta aventura.
Os alemães, e em especial o Bayern, como aqui tinha referido, ao demarcarem-se da iniciativa, tinham dado o mote. Não foi isso que incomodou os clubes ingleses, todos propriedade dos senhores do dinheiro. Quem fez recuar os donos da bola em Inglaterra foram os adeptos. Não precisaram de mais de 24 horas para mostrarem aos donos da bola que, sem eles, não há futebol. E gostam tanto de dinheiro que não podem fazer como os meninos ricos do antigamente que, quando não aceitavam as regras, pegavam na bola e levavam-na para casa.
Os adeptos são quem mais ordena. Pelo menos em Inglaterra, onde deram mais uma lição ao mundo. Não tenho grandes dúvidas que isto não seria possível em qualquer outro país!
A anunciada Super Liga Europeia, uma competição para juntar os maiores colossos do futebol europeu, e naturalmente mundial, a jogarem entre si, já com doze membros, e à espera de mais três, para constituírem os quinze fundadores, que depois escolherão cinco pobres para se juntarem à mesa, está a gerar grande indignação. Em especial entre os verdadeiros agentes do jogo - jogadores, treinadores e adeptos!
As instâncias políticas reprovam também o projecto, e as instâncias máximas do futebol, UEFA e FIFA declaram-lhe guerra. E no entanto são estes órgãos do topo da pirâmide do edifício do futebol europeu e mundial os primeiros e principais responsáveis pelo surgimento desta Liga dos ricos. Podem agora até fingirem de virgens ofendidas, mas são o verdadeiros culpados desta peregrina ideia ter nascido.
São culpados desde logo quando liquidaram as competições europeias, desportivamente sustentadas nas competições nacionais, para criar a Liga dos Campeões, rendidos ao objectivo de gerar dinheiro. Mais dinheiro e mais concentrado (Inglaterra, Espanha e Alemanha e Itália, com França numa segunda linha) para alimentar a espiral de enriquecimento, que faz dos ricos cada vez mais ricos.
Ora, os ricos, querem ser cada vez mais ricos. É natural. E era por isso inevitável que, depois da porta aberta pela UEFA, os clubes mais ricos queiram ainda mais.
Já são, na sua esmagadora maioria, detidos por grandes magnatas internacionais, da finança ou simplesmente do crime, organizado ou mesmo de Estado. Gente que neles investiu apenas para ganhar dinheiro com as suas representações, e com a sua projecção nas emoções dos adeptos. Às vezes apenas mesmo para, da mesma forma, lavar dinheiro.
Por isso, repito, nada de anormal nesta iniciativa destes doze clubes. Nem de novo. Esta é uma ideia que existe há muito, e que há muito defendem.
Acresce que a UEFA e a FIFA ao abrirem aquela caixa de pandora não resistiram a meter lá as mãos. Enriqueceram com ela e, pior, encharcaram-se em corrupção. Fazem parte do problema, o que torna mais difícil fazer parte da solução.
Mais uma vez ficamos com o exemplo alemão. Não entram nisto. E se calhar vale mais essa atitude do Bayern de Munique que todas as ameaças do Sr Ceferin.
Acompanhe-nos
Pesquisar
Subscrever por e-mail
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.