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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Na final, naturalmente … mas

 

O Benfica está, com toda a naturalidade, na final da Taça de Portugal, onde irá encontrar a equipa que melhor joga em Portugal, o Braga, que ontem eliminou categoricamente o Porto, depois de meia hora de grande futebol, interrompido por uma expulsão, se não manhosa, muito discutível.

Com a vantagem de 3-1 trazida do Estoril, e mesmo pela condição do adversário, do segundo escalão do futebol nacional, o que faltava era mesmo que o Benfica não conseguisse atingir esse objectivo de finalista da Taça. Daí a naturalidade do apuramento para a final. E não falo do sorteio, porque disso não tem o Benfica qualquer culpa. Se todos tivessem feito o que fez - ganhar aos seus adversários - esta meia final não teria estado o Estoril, como sabemos.

O jogo não foi nada estranho, foi um jogo de sentido único, e de domínio absoluto, e por vezes avassalador, do Benfica. Estranhas são as sensações que ficaram de uma exibição que não se pode deixar de qualificar como interessante, mas que não permite projectar grande entusiasmo para o que aí vem, e em particular para atacar o segundo lugar do campeonato. 

O Benfica fez muitos remates, criou muitas oportunidades de golo, mas só marcou por duas vezes, no fim da primeira parte, e no fim do jogo. Mas não é esse, o do tempo, o único traço comum entre os golos. Nem o que mais releva, porque os golos têm o mesmo significado no início, no meio ou no fim de cada uma das partes do jogo. O traço que une os dois golos, e que releva, é outro: ambos só foram possíveis quando os seus marcadores gozaram de todo o espaço do mundo. Coisa que, como se sabe, raramente acontece, e mesmo hoje só aconteceu nessas duas ocasiões. Sem espaço, com os rematadores sujeitos a marcação cerrada, o Benfica não conseguiu marcar.

Poderá dizer-se que é sempre assim. Que só se marcam golos se se criarem espaços para isso. Mas o espaço que foi preciso para fazer aqueles dois golos muito raramente existem nos jogos do Benfica. No primeiro, Gonçalo Ramos estava sozinhíssimo na área do Estoril porque o adversário cometeu um erro na saída de bola. Um erro provocado pela pressão do Benfica, é certo. No segundo, Waldschemidt concluiu um contra-ataque de cinco contra dois.

Claro que há mérito nestes dois tipos de lances. De resto os maiores pecados do futebol desta equipa de Jorge Jesus têm mesmo sido as transições, defensivas e ofensivas. E não é por acaso que este foi o primeiro golo da época em contra-ataque, ou em transição ofensiva rápida, como agora se diz. 

Mas não deixa de ser preocupante que só nestas raríssimas condições de espaço o Benfica tenha conseguido marcar. Como não deixa de preocupar o contínuo desperdício da qualidade de Waldschemidt (o golo não é nada fácil, até porque não nasceu do aproveitamento dos tais cinco contra dois). Se um treinador não consegue potenciar o aproveitamento de um jogador destes...

Melhoras que revelam doença

 

É um Benfica em crescendo, este que hoje se apresentou na Amoreira, para dar início à discussão com o Estoril do acesso à final do Jamor. Notam-se - notaram-se - algumas melhoras, mas também se nota que permanecem os pecados capitais do seu futebol. 

Claro que quando a equipa está mal, quando defende mal, quando os jogadores jogam devagar, devagarinho e parados, quando falham passes e recepções, acaba por não revelar tão flagrantemente esses pecados. O que salta aos olhos é a falta de movimentação, a apatia, os erros grosseiros e a descrença. Só quando essas limitações desaparecem é que podemos ver então o resto, aquilo que é mais estrutural no futebol de Jorge Jesus.

Os jogadores não são tão maus como se pinta, e é normal que, contra equipas como esta do Estoril - o tomba-gigantes desta Taça, que se bateu muito bem, que sabe defender como a maioria das equipas da primeira liga e que sai em transições melhor que muitas dessas -, estando a um nível físico, técnico e mental aceitável, a sua valia venha ao de cima. Às vezes podem até dar a ideia que estão a fazer uma bela exibição.

O jogo de hoje no Estoril retrata bem aquilo que quero dizer. 

Comecemos pela entrada no jogo. Nos primeiros dez minutos a bola esteve na posse dos jogadores do Benfica perto de nove. Perto dos 90% a posse de bola. Os jogadores passaram e receberam bem a bola e ela circulava entre eles. Mas nem um remate, o primeiro do jogo foi do Estoril que, nesse período, tiveram a bola cerca de um minuto. Que lhes deu para a recuperar duas ou três vezes e ainda para fazer um remate. Nesse mesmo período o Benfica até criou uma oportunidade clara de golo, quando Darwin surgiu isolado frente ao guarda-redes adversário e tentou passá-lo, para entrar com a bola pela baliza dentro.

Não foi muito diferente o resto da primeira parte. Remates, só de Rafa, hoje claramente infeliz nesse capítulo. Na única vez que acertou na baliza, já na fim do primeiro quarto de hora da segunda parte, o golo foi anulado, por fora de jogo. Que não pareceu nada, e que mais dúvidas deixou quando as famigeradas linhas deram por 10 centímetros um fora de jogo que o fiscal de linha tinha assinalado com convicção só comparável ao que pareceu ser o erro.

Um futebol que até poderia ter parecido bonito em alguns momentos, mas confrangedoramente estéril. E repetitivo, de passe para o lado e para trás, uma e outra vez, sucessivamente. Alas que em vez de irem à linha de fundo, para abrir espaços, fogem para o meio, onde não os há. Quando lá chegam, ou perdem a bola ou voltam com ela para trás.

Se tinha sido o primeiro a rematar, não admiraria que o Estoril fosse também o primeiro a marcar, precisamente a meio da primeira parte. Bastou-lhe chegar uma vez à área do Benfica, numa jogada, de resto, muito bem concebida. Jorge Jesus chama-lhe azar. Pode até ser, mas aquele futebol é muito propício a azares.

Aí já Rafa rematava. A rasar o poste e à barra. 

O golo intranquilizou os jogadores do Benfica, que pareciam voltar a entrar na espiral de desacerto que parecia ter ficado para trás. Salvaram-se por pouco. Só nos últimos cinco minutos da primeira parte a equipa voltou a mostrar que aparentava melhoras. Primeiro foi Pizzi, com um grande remate à engrada da área, a estar perto do golo. Logo a seguir foi o guarda-redes do Estoril a negar o golo de Darwin. Que finalmente marcou, empatando o jogo, já em cima do minuto 45. 

Na segunda parte o jogo foi mais rasgadinho, e também mais repartido. E começaram as mexidas nas duas equipas que, para o lado benfiquista, desta vez até correram bem, com destaque para Taarabt, Seferovic e Weigl, bem melhores que Gabriel, Pedrinho e Everton, que teimam em desiludir. Para além de refrescarem a equipa.  Poucos minutos depois de entrar em campo Seferovic rematou ao poste, e outros tantos depois, marcou, consumando a reviravolta.

O Estoril subiu no terreno, e passou a deixar mais espaços na suas costas. Os sinais de melhoras também vêm do terceiro golo, com Taarabt justamente a aproveitar esse espaço numa transição rápida, como há muito se não via, para assistir Darwin. A bisar.

O caminho para o Jamor está aberto. Para melhores exibições, também parece. Para o sucesso é que é preciso mais. 

 

 

Nos quartos, com a história dos oitavos

Benfica derrota Estrela da Amadora e passa aos quartos da Taça de Portugal  - O Jogo

Neste jogo dos oitavos de  final da Taça de Portugal, na Amadora, no velho José Gomes, com o restaurado Estrela, meio filho, meio irmão, do Sintra Futebol Club, mas herdeiro do velho Estrela da Amadora, o Benfica apresentou uma equipa alternativa. Dos mais frequentes titulares, apenas Tarabt surgiu no onze. De resto tudo gente que habitualmente não calça

Na primeira parte as coisas não resultaram. O onze em campo imitou bem o que de pior tem feito o onze habitual, com alguma exibições individuais ao nível do deplorável. Nuno Tavares, Samaris, Chiquinho, para não dizer mais, estiveram a um nível intolerável. Mas nenhum dos restantes esteve perto do que deveria ser aceitável para quem veste aquela camisola.

Daí que rapidamente os jogadores do Estrela, do terceiro escalão do futebol nacional, tivessem percebido que aquelas camisolas não assustavam ninguém e, passados os primeiros dez minutos, passaram a dividir o jogo. 

Aproximava-se já o final da primeira parte quando o Benfica chegou ao golo. Ironicamente por Chiquinho, numa recarga depois de uma grande defesa do guarda-redes adversário a remate de Seferovic. Antes disso praticamente só uma grande perdida de Pedrinho, o que a melhor nível se exibiu até à sua substituição, pouco depois da hora de jogo.

A segunda parte foi diferente. Com os mesmos jogadores, a equipa surgiu completamente transformada, francamente para melhor. Samaris subiu particularmente de rendimento e Pedrinho chegou a momentos de brilhantismo. O resultado começou a engordar e só acabou nos quatro golos porque o desperdício foi grande.

Nos últimos vinte minutos Jorge Jesus começou a lançar no jogo alguns dos jogadores mais utilizados na equipa principal (Waldchmidt, Weigel, Rafa e Grimaldo) provavelmente com a ideia lhes dar ritmo, sem cansar, para o clássico de sexta-feira, no Dragão.

No fim ficam na retina algumas boas movimentações, daquelas que não enganam, de Gonçalo Ramos - retirado muito cedo do jogo, foi o primeiro a sair para entrar... Ferreyra -, e muita qualidade de Pedrinho. Mas também Todibo, na estreia, revelou grande qualidade no trato da bola. Provavelmente com um adversário superior não poderá dar largas à sua exuberância nesse capitulo, e poderão ser-lhe exigidas outras competências que hoje não lhe foram requeridas. Mas jogar bem à bola é sempre bom indicador.

E fica o apuraamento para os quartos de  final. Onde o Sporting já não está, eliminado na Madeira, pelo Marítimo. E onde está também o Porto, porque, também na Madeira, mas contra o Nacional, se apurou à custa de mais uma arbitragem escandalosa. Que expulsou (segundo amarelo) um defesa do Nacional quando acabara de virar o resultado para 2-1, a meia hora do fim, que nem falta fez. Que evitou o segundo amarelo a dois jogadores do Porto (Zaidu e Taremi) em situações claras de punição disciplinar e, que, não fosse isto pouco, validou o golo do empate, em cima do minuto 90, iniciado num lance de mão de Taremi, lançando o Porto, com 11 em vez de 9, para o prolongamento de 30 minutos contra uma equipa que jogou mais de uma hora com um jogador a menos, e mal expulso.

Mas não se passa nada. Nunca se passa nada nestas coisas...

 

Goleada, mas ...

Benfica goleia Vilafranquense e segue na Taça de Portugal: veja o resumo -  O Jogo

 

O Benfica apurou-se com naturalidade para os oitavos de final da Taça de Portugal, ao vencer, na Luz, o Vilafranquense, de João Tralhão, por 5-0. 

Uma vitória folgada num jogo fácil, e com alguma história. Ou histórias. A começar na história dos cinco golos, todos muito bonitos, especialmente bonito o último. Que foi o primeiro de Pedrinho - um grande golo. Já o primeiro tinha também sido o primeiro de Gonçalo Ramos.

No espaço de quatro minutos, os que antecederam o primeiro quarto de hora de jogo, o Benfica marcou três golos. Que têm história comum na particularidade de terem resultado de jogadas que não fazem normalmente parte do cardápio de Jorge Jesus. E que tanta falta fazem ao pobre e estereotipado futebol que a equipa tem apresentado.

Refiro-me ao jogo vertical e ao cruzamento a partir da ala, dois dos instrumentos para abrir defesas. Os três primeiros golos, nesse espaço de quatro minutos, e ainda um remate à barra do Gonçalo Ramos, resultaram desse futebol, e surpreenderam o Vilafranquense. Que estava à espera daquele jogo interior invariavelmente afunilado para o centro da área. E não teve de esperar muito, porque depois desses excepcionais quatro minutos, ele apareceu. Com os resultados que se conhecem, e que se voltaram a ver. O azar da equipa da Segunda Liga é que já perdia por três. E ainda por cima, logo de enfiada.

Na primeira parte o Benfica ainda disfarçou esse futebol estereotipado, ineficaz e que diria mesmo que já não se usa. Marcou mais um golo, no bis de Seferovic, e deu um tom agradável à exibição, pesem embora as debilidades do adversário. Na segunda parte, e em cima do quatro a zero, voltou o tal futebol. E talvez não surpreenda que só deu para mais um golo, por acaso resultante da inspiração individual do Pedrinho naquele momento.

E poderia ter voltado a sofrer golos, porque a transição defensiva, mesmo com um adversário deste nível, voltou a ser aquilo que tem sido. Só não aconteceram porque, por duas vezes, a bola bateu nos ferros, e não nas redes. Mesmo que da primeira vez, na barra, tenha resultado da conversão ilegal de um livre indirecto dentro da área (mais um erro de Otamendi, a deixar seguir a bola, e do guarda-redes Helton a agarrá-la com a mão, que vinha de um atraso do Nuno Tavares), que foi executado como livre directo, dado que a bola não rolou, foi apenas pisada. A segunda resultou de um contra-ataque, e teria sido até mais um excelente golo no jogo.

O cinco a zero não é enganador face à realidade do jogo. Mas, pelo adversário, e pela insistência nas mesmas debilidades, não justifica qualquer optimismo.

"Vira o disco e toca o mesmo"

Taça: Paredes-Benfica, 0-1 (crónica) | TVI24

 

O lado B igual ao lado A. Ou, como se dizia antigamente, "vira o disco e toca o mesmo".

Foi isto o Benfica de hoje, em Paredes, no jogo que lhe valeu o apuramento nesta quarta eliminatória da Taça 2020/21, a primeira com as equipas do escalão principal do nosso futebol, com um pobre resultado - um escassíssimo 1-0 - e uma não menos pobre exibição deste lado B da equipa. Como as últimas, do lado A.

Na realidade a música é a mesma. E bem fraquinha. Por esta altura é o que Jorge Jesus tem para oferecer.

Perante uma equipa do terceiro escalão do futebol nacional, que só defendeu, o lado B do Benfica apenas conseguiu marcar um golo, e de bola parada. Quem não viu o jogo poderá pensar que às vezes há jogos assim, em que a equipa ataca durante 90 minutos e o golo não aparece. E que às vezes até se perdem jogos assim. Mas não foi nada disso. Não teve nada a ver, por exemplo, com aquele jogo com o Moreirense, há dois ou três meses, que o Benfica ganhou apenas por dois a zero, quando poderia ter ganho por nove ou dez.

Não. O Benfica não só não criou mais oportunidades de golo, como não conseguiu muitas mais finalizações dignas desse nome.

O treinador do Benfica pareceu satisfeito no final do jogo. Tinha razões para isso. O seu objectivo, como ficou claro, era validar as suas opções. Era carimbar o seu desprezo pela formação do Seixal.
 
Foi para isso que disse que só se podem lançar jovens de 19 ou 20 anos quando têm qualidade, sentenciando já aqui o destino de todos aqueles jogadores. Foi por isso que bateu expressamente no Gonçalo Ramos!
 
Com Jorge Jesus é assim: vira o disco e toca o mesmo!

 

Uma oferta em dobradinha

 

Depois de ter oferecido o campeonato, como se não fosse pouco, o Benfica resolveu oferecer também a Taça ao Porto. Uma oferta em dobradinha!

Isto não quer dizer que o Porto não tenha feito o que lhe competia, que se tenha limitado a receber as ofertas. Não. Quer no campeonato, quer hoje em Coimbra no jogo da final da Taça, pela primeira vez sem público, o Porto fez, com as armas que tem, o que lhe cabia fazer: ganhar e fazer com que o Benfica tivesse merecido perder.

O início do jogo começou por confirmar isso mesmo. Com o Porto a tomar a iniciativa e o Benfica simplesmente em reacção. Já o jogo ia nos 20 minutos quando o Benfica conseguiu chegar ao jogo, mas mesmo assim sem grande convicção. Mas deve dizer-se também que, depois do quarto de hora inicial, nunca mais o Porto esteve por cima do jogo, que se tornou até aborrecido e pouco digno de uma final.

Aos 37 minutos o árbitro Soares Dias - não há mais árbitros em Portugal para arbitrar estes clássicos - errou ao mostrar o cartão amarelo ao Luiz Diaz, como já errara quando lhe mostrara o primeiro, bem cedo no jogo. Como errara ao mostrá-lo, logo a seguir, a pedido do Sérgio Conceição, ao Rúben Dias. No segundo amarelo ao jogador do Porto, o erro é que o cartão a mostrar era claramente o vermelho.

Vermelho que, também na sequência de duplo amarelo, mostraria a Sérgio Conceição, afastando-o do banco. A custo, porque foram precisos largos minutos para que o treinador do Porto saísse do campo. 

No tempo que decorreu até ao intervalo não houve jogo. Foi tempo para tudo - incluindo para, pelo menos Octávio, dever também ter seguido o caminho do balneário - menos para jogar à bola.  

Há duas circunstâncias de um jogo de futebol em que a superioridade numérica se torna irrelevante: quando a equipa com menos jogadores opta por apenas defender, concentrando todos os jogadores na sua área; e nas bolas paradas, onde a respectiva estratégia não é influencidada por haver mais ou menos um jogador em campo.

O Porto conseguiu - e o Benfica permitiu - reduzir o jogo a estas duas circunstâncias. E assim ganhou o jogo e conquistou também a Taça.

Logo no arranque da segunda parte Vlochodimos deu um mote, oferecendo o primeiro golo de uma forma inacreditável. Num livre, com sete colegas de equipa à sua volta, conseguiu a proeza de colocar a bola na cabeça de Mbemba, sozinho no poste contrário, e praticamente sem ângulo. 

E claro, o Porto juntou os seus 10 jogadores à frente da sua baliza. Com os jogadores do Benfica sem chama, nem engenho, nem futebol para contrariar isso. E sem construir uma única oportunidade para marcar.

Uma dúzia de minutos depois da oferta de Vlachodimos, novo pontapé livre - as faltas inventadas pelos batidos jogadores do Porto foram uma constante, sempre com a complacência de Soares Dias, que teve até o desplante de mostrar um amarelo a Vnícius (que entrara entretanto) depois de Pepe, dentro da área, se ter feito passar de agressor a vítima - e, novamente Mbemba, que pareceu em fora de jogo, mas que as famosas linhas deram posição legal por 3 centímetros, fez o segundo golo.

Foram as únicas duas vezes em que, em toda a segunda parte, o Porto chegou à baliza do Benfica. Que continuava sem saber como furar aquela barreira defensiva. Veríssimo metia avançados em cima de avançados, incluindo essa preciosidade que se chama Dyego Souza, mas sem conseguir melhor que a primeira oportunidade de golo já À entrada do último quarto de hora. Vinícius rematou de cabeça contra o solo, mas a bola subiu antes de entrar na baliza.

E daí até ao fim, para além do golo, dez minutos depois, num penalti convertido por melhor marcador do campeonato, apenas mais uma jogada que poderia ter acabado em golo, e um remate de Jota ao poste. Que poderia ter dado o empate, mas não deu.

Nos escassos (para as substituições e as paragens sucessivas que os jogadores portistas impuseram ao jogo) 5 minutos de compensação voltou a não haver jogo. Como naturalmente interessava ao Porto!

E assim, com mais um decepcionante exibição desta destroçada equipa, os jogadores do Benfica fecharam uma época que já só queriam que acabasse. A estrutura, essa que estava dez anos à frente da concorrência, sem olhar para trás, vai agora continuar a ensaiar saltos para a frente.

Com o abismo ali tão perto!

 

 

No Jamor! Mas sem brilho...

O Benfica está na final da Taça de Portugal, a disputar no Jamor a 24 de Maio. Mas foi sem brilho que lá chegou.

No jogo desta noite, em Famalicão, o Benfica durou meia hora. Nesse período disputou o jogo, mesmo que rematasse pouco, marcou o golo, por Pizzi, e procurou o segundo, que valia por dois. Porque alargaria a vantagem mas, acima de tudo, porque anularia a vantagem - real - dos dois golos que o Famalicão marcara na Luz. 

Só que essa procura do segundo golo esfumou-se em cinco minutos. O Benfica marcara aos 25 minutos, e à meia hora de jogo voltou ao registo das últimas partidas. A partir daí os jogadores do Benfica pensaram sempre mal, decidiram sempre mal e executaram quase sempre mal enquanto, do outro lado, vimos jogadores sempre mais intensos, mais agressivos e mais decididos.

De tal modo que o Famalicão poderia ter empatado o jogo ainda na primeira parte. Só não o fez porque o Odysseas mostrou que é hoje o único jogador do Benfica em forma. E porque o VAR anulou um golo com três irregularidades (falta sobre Rúben Dias, carga sobre Odysseas e fora de jogo), sem que o árbitro Jorge de Sousa desse por uma, que fosse.

Na segunda parte tudo piorou ainda. Não se pode dizer que foi um Benfica irreconhecível, porque infelizmente é este Benfica que estamos a ver vezes de mais. Bruno Lage pode dispensar a ala direita, porque os adversários só querem saber do lado esquerdo, onde Ferro, sobre brasas, decidamente não atina e Grimaldo deu em coleccionador de "cuecas". Já começa a ter uma boa colecção lá em casa!

O Famalicão acabou por chegar merecidamente ao empate, faltava mais de um quarto de hora para o fim do jogo, e ficava apenas a um golo de vencer a eliminatória. E o Benfica foi empurrado lá para trás, de onde raramente conseguiu sair porque - lá está! - pensava mal, decidia pior e executava ainda pior. Com todo o espaço que o balanceamento ofensivo do adversário permitia, não conseguiu mais que uma oportunidade de golo, desperdiçada por Seferovic, que entrara já em cima do minuto 90.

As coisas não estão muito animadoras. Essa é que é essa!

 

Electrizante (não) rima com preocupante

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Ao contrário do que se poderia admitir o Benfica está ainda bem longe da final do Jamor, onde não chega há tempo de mais. Depois do que se viu hoje na Luz, não está nada fácil lá chegar.

Ter-se-á que dizer que o que se viu hoje na Luz foi um grande jogo de futebol. Mas não se viu apenas um bom jogo, viu-se muito mais. Viu-se que o Famalicão é uma boa equipa, com bons jogadores, bem trabalhados e muito bem orientados. Já se sabia que assim era, o campeonato tem-no mostrado. Viu-se que o Benfica está a perder consistência, especialmente nas tarefas defensivas, e que são muitos os jogadores que estão bem longe dos seus melhores momentos. Apetece dizer que são todos, e que Taarabt apenas serve para a excepção que confirma a regra.

O Benfica até entrou bem no jogo, a pressionar alto e a condicionar fortemente a ambição deste sensacional Famalicão. Sabe-se que nehuma equipa consegue pressionar alto durante todo o jogo, e por isso as equipas perseguem essa estratégia de jogo para o resolver o mais depressa possível. Para que já esteja resolvido quando não for possível prosseguir com essa atitude pressionante, e geri-lo a partir daí.

Acontece que a pressão do Benfica se esgotou num quarto de hora. Antes de o resolver mas pior: antes mesmo de sequer construir situações que o permitissem começar a resolver.

Passado o primeiro quarto de hora o Famalicão equilibrou o jogo, e chegou mesmo a colocar-se por cima. E foi nesse registo que se atingiu o intervalo.

À entrada para a segunda parte o Benfica voltou a dar a ideia que iria dominar o jogo e começar então a resolvê-lo. Cedo chegou ao golo, ainda dentro dos primeiros dez minutos, e pensou-se que o mais difícil estaria feito.

Puro engano. Menos de outro tanto tempo depois, a fechar o primeiro quarto de hora, o Famalicão empatou, numa boa jogada de contra-ataque idêntica a umas tantas que havia desenhado na primeira parte, e mais umas tantas que haveria de assinar depois. Sempre a aproveitar aquela meia esquerda defensiva do Benfica, onde então estava Ferro, entrado ao intervalo para o lugar de Jardel, que entrara de início. 

O segundo do Famalicão, exactamente no mesmo registo e com os mesmos protagonistas, demorou apenas mais 13 minutos. E o terceiro só não aconteceu porque Vlachodimos o impediu de forma soberba. Teria sido o bom e o bonito se Bruno Lage tivesse insistido em prescindir do seu único verdadeiro guarda-redes, como fizera até aqui.

Bruno Lage teve de esgotar as substituições para fazer entrar os pesos-pesados Rafa e Vinícius, retirando Cervi e Chiquinho, e valeu que o golo do novo empate demorou apenas 5 minutos. Até porque, com a saída  de Cervi, a manta ficara curta, nunca dando para tapar o que Grimaldo e Ferro destapavam.  

No fim, mesmo na última jogada do encontro, no último canto, Gabriel - também ele muito longe do seu melhor - fechou a reviravolta final. E uma vitória que o Benfica poderá ter merecido, mesmo que o Famalicão não tivesse merecido perder.

No próximo sábado é outra coisa. E ninguém irá dar pelas marcas do desgaste que este jogo deixou no corpo e na cabeça dos jogadores do Benfica! 

Objectivo(s) conseguido(s)

Seferovic salta do banco para colocar Benfica nas meias-finais da Taça de Portugal

 

Já não dá para disfarçar o cerco que se aperta à volta do Benfica. É a calendarização dos jogos, são as consecutivas nomeações cirúrgicas dos árbitros, seja para o campo seja para o VAR, e são, por fim, os seus desempenhos. A seguir a Carlos Xistra, há quatro dias, hoje Artur Soares Dias, que há os mesmos quatro dias, desbloqueou o jogo ao Porto, validando inacreditavelmente o golo que o resolveu, e começou a resolver o próximo, com o Braga, expulsando o Corona, para trocar esse jogo com o de hoje, com o Varzim, para a Taça.

É impossível dizer o que quer que seja deste jogo sem falar de Artur Soares Dias e de Tiago Martins, o VAR, outra escolha cirúrgica. Começaram logo por transformar um hipotético 2-1 no 1-2 quando decidiram não assinalar o penalti claríssimo sobre o Chequinho, na sequência do que o Rio Ave saiu em contra-ataque para fazer o segundo golo. Por marcar ficaram mais três penaltis a favor do Benfica. Um que Soares Dias, bem posicionado, sem nada a tapar-lhe a visibilidade, assinalou sobre Taarabt, mas que Tiago Martins fez reverter, sem qualquer dificuldade em convencer o árbitro de campo, que nem precisou de recorrer às imagens para reconhecer que afinal se havia equivocado. Outro sobre Pizzi, e outro ainda quando um defesa do Rio Ave desviou para a barra, com o cotovelo, um remate de Chiquinho.

Dêm-se as voltas que se derem, foi assim. E mesmo assim foi um bom jogo de futebol, com o must da emoção que, assim, o resultado lhe acrescentou. 

O Rio Ave joga bem, já se sabe. E chegou ao golo logo a abrir, aos 3 minutos, na cobrança de um livre directo, depois de uma falta sem nexo de Rúben Dias. Mais uma. Percebeu-se logo que tudo seria muito difícil. E foi, mais ainda por tudo o que acima foi dito. O Benfica reagiu bem ao golo madrugador e chegou ao empate, por Cervi, dez minutos depois. Só que à meia hora de jogo, no tal contra-ataque depois do penalti sobre o Chiquinho, o Rio Ave voltou a marcar (assinalar a grande penalidade implicaria anular o golo) , e a passar para a frente do marcador.

O Benfica não fez uma grande exibição. Com o abaixamento de forma de Pizzi e de Carlos Vinícius é difícil a equipa fazer melhor. Mas também não jogou mal, longe disso. Voltou a lutar contra a adversidade, com todos os jogadores a darem o máximo, cheios de alma, e criou mais de meia dúzia de oportunidades claras de golo.

A segunda parte foi de pressão constante, encostando o Rio Ave lá atrás, completamente sufocado. Seferovic entrou já passava da hora de jogo, e desta vez foi descisivo: em sete minutos (64 e 71) virou o resultado, com dois bons golos, especialmente o da vitória, numa grande execução.

O Benfica segue com mérito para as meias finais da Taça. Mas foi um jogo de enorme desgaste, que deixará certamente marcas para o dérbi, daqui a menos de 72 horas. Poucos acreditarão que o objectivo não fosse esse!

Apuramento natural num jogo complicado

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Este jogo dos oitavos de final da Taça de Portugal, na Luz, com o Braga, estava cheio de expectativas mentirosas. Os últimos resultados, e as últimas exibições, das duas equipas podiam levar a perspectivar um jogo fácil para o Benfica. 

Não era apenas a prudência a aconselhar que não se levasse isso em conta. É que o Braga não tem só um bom plantel, tem o plantel mais equilibrado do nosso futebol. Não será certamente o melhor, mas é aquele onde a valia individual dos jogadores é mais homogénea, onde as diferentes posições são desempenhadas por diferentes jogadores de valor muito idêntico, como Sá Pinto tem demonstrado. Até na baliza, onde, em cinco meses de comeptições, já utilizou com regularidade os três guarda-redes.

Acresce ainda que, e também já mais que demonstrado, o Braga sente-se muito mais confortável, e revela outros argumentos, quando é obrigado a defender-se, a juntar-se próximo da sua área, com os olhos postos no espaço livre no meio campo contrário. E pode juntar-se ainda algum tipo de superstição: faz hoje precisamente cinco anos, também nos oitavos de final da Taça, e também quando o Benfica estava muito por cima, o Braga ganhou por 2-1; e com o mesmo árbitro: Soares Dias, um verdadeiro artista.

O jogo confirmaria tudo isto. Bruno Lage só não repetiu o onze que tão boa conta de si vem dando porque fez jogar o russo Zlobin na baliza. Manteve os dez de campo, enquanto Sá Pinto rodou seis jogadores, o que lhe garantiu desde logo uma equipa mais fresca, como se viria a notar lá mais para o fim do jogo, particularmente nos últimos vinte minutos.

O Benfica entrou com o seu ritmo de jogo habitual nas últimas semanas, e tomou conta do jogo. Nem sempre teve o fulgor dos últimos jogos, e alguns jogadores estiveram um pouco abaixo do que têm feito (Cervi foi o caso mais notório, mas não foi único) mas sem nunca sair de níveis de qualidade muito aceitáveis. Nem a infelicidade do auto-golo de Ferro, ainda na fase inicial do jogo, fez a equipa oscilar. E cinco minutos depois Pizzi - pois claro - repôs a igualdade. 

Oportunidades não faltaram para concluir a reviravolta. Entre elas o remate de Chiquinho ao poste, aos 40 minutos, e o resultado, sem nada a ver com o que se tinha passado, manter-se-ia até ao intervalo.

O Benfica voltou a entrar bem. Quando pouco depois do primeiro quarto de hora Vinícius, com alguma ajuda do Tiago Sá, o jovem guarda-redes bracarense agora titular, fez o golo que seria o da vitória, já a equipa tinha desperdiçado duas boas oportunidades para marcar. 

O golo não alterou nada do que estava a ser o jogo. Dez minutos depois, sim. O jogo alterou-se, o Braga cresceu um bocadinho, chegou a marcar, mas com o marcador Paulinho em fora de jogo, e dispôs de outra boa oportunidade, pelo mesmo jogador. Só que, ao subir no terreno, deixou espaço ao Benfica que, mesmo em evidentes dificuldades físicas, criou variadas e claras oportunidades para chegar ao terceiro. E já dentro dos cinco minutos de compensação foi o Benfica que dispôs das duas mais claras oportunidades de golo de todo o jogo - de baliza aberta.

O Benfica ganhou bem e segue com toda a naturalidade para os quartos de final da Taça (querem ver que vem aí o Canelas?). Mas o jogo foi complicado, e mais complicado ainda pelo inevitável Soares Dias. Um artista, sempre!

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