Esta noite, em Braga, estes jogadores desta equipa do Benfica disseram-nos que vão ser campeões. Por mais Tiagos Martins, Veríssimos, Soares Dias e mais não sei quantos que se lhe atravessem na frente, esta equipa está talhada para superar todas as dificuldades. Esta noite, em Braga, os jogadores mostraram que não quebram, nem torcem.
Estes quartos de final da Taça mostraram bem o que os espera. Nos jogos de ontem não houve expulsões, nem prolongamentos. No jogo de ontem, em Viseu, devia ter havido expulsões. João Mário, Uribe e Zaidu tudo fizeram para serem expulsos. Mas não, os cartões vermelhos estavam todos bem guardados para hoje. E em dupla dose dupla: dois para o Casa Pia, e outros dois para o Benfica. Acabaram ambas as equipas em nove contra onze.
No caso do Benfica foi contra muitos mais, para aí dezasseis.
O Benfica entrou na Pedreira, com meia casa - os dirigentes bracarenses preferiram as bancadas meio vazias, a cheias com adeptos do Benfica, impedidos de comprar bilhetes para o jogo - com o onze dos últimos jogos, apesar de já ter Rafa e Gonçalo Ramos no banco. E com o mesmo futebol, bonito, autoritário e seguro. Sem qualquer memória daquele jogo de Dezembro, que continua a marcar a única derrota da época.
Entrou a dominar por completo o jogo e o adversário, e aos quinze minutos marcou. Na sequência de um canto, que era coisa que chegou a parecer perdida, com Neres a assistir Gonçalo Guedes, para um espectacular golo de cabeça. Logo a seguir, o mesmo Gonçalo Guedes foi carregado dentro da área do Braga. Penálti, a que Tiago Martins fez vista grossa. O VAR, também não quis ver.
Mas viu que a falta de Bah - desnecessária e despropositada - era merecedora de vermelho, e não do amarelo com que Tiago Martins tinha penalizado o lateral direito do Benfica. E era. O problema é que já não tinha visto o penálti sobre Gonçalo Guedes. E que também não iria ver, já na segunda parte, que a falta de Racic sobre o Aursenes foi exactamente igual, decidindo manter o cartão amarelo que o árbitro exibiu ao centro campista do Braga. Nem uma mão de um defesa do Braga dentro da área, em cima do intervalo.
Esta é a folha de serviço do VAR. A de Tiago Martins não lhe fica atrás. Permitiu tudo aos jogadores do Braga - agarrar os jogadores do Benfica que lhes fugiam, atropelos sucessivos dos centrais, e todo o tipo de entradas. Para os do Benfica era amarelo certinho cada vez que se chegavam aos adversários. O primeiro amarelo a Morato, sem o qual o segundo, que o levou à expulsão, seria apenas primeiro, é apenas um exemplo. É certo que acabou por mostrar amarelos a quase todos os jogadores do Braga, mas quando o fez já havia perdoado dois ou três a cada um.
À meia hora de jogo, quando dominava completamente o jogo, e jogava o seu futebol prático e vistoso, o Benfica fica a jogar com 10. O jogo muda, como não poderia deixar de ser, e o Braga empata logo de seguida. No primeiro remate à baliza de Vlachodimos. E único, de toda a primeira parte.
O jogo mudou, mas não mudou como costuma mudar nestas circunstâncias. Roger Schemidt reconstruiu a equipa, deu-lhe um novo figurino táctico, com a entrada de Morato para passar a jogar com três centrais, e continuou a controlar por completo o jogo. Em mais de 90 minutos com superioridade numérica, apenas em três ou quatro, à volta dos 75 minutos, o Braga encostou o Benfica à sua área. Só nesses minutos obrigou Vlachodimos a duas defesas com algum grau de dificuldade.
Tudo o resto foi a demonstração do querer, da união, do estoicismo, e da categoria desta equipa do Benfica. Acabou por cair nos penáltis (o guarda redes do Braga defendeu o de Aursenes, enquanto Vlachodimos não conseguiu defender nenhum) mas só teve que chegar a essa forma de desempate porque, hoje, a arbitragem não olhou a meios para conseguir o que sistematicamente persegue.
Hoje, ao Benfica foi negada a possibilidade de continuar a disputar a Taça de Portugal. Hoje, o Benfica viu fugir o segundo dos objectivos para esta época. Mas ficou claro que, nem com muitas mais arbitragens como esta, vão conseguir impedir estes jogadores de serem campeões em Maio!
O Benfica assegurou hoje, na Póvoa de Varzim, a passagem aos quartos de final da Taça de Portugal, com uma vitória por 2-0 sobre o velho Varzim Sport Club.
Começo pelo desfecho porque é mesmo a melhor notícia que esta noite chegou da Póvoa. E só não é a única boa notícia deste jogo porque há notícias de Enzo Fernandez. E boas!
Não que tenha feito um grande jogo. Que não fez, como dificilmente poderia fazer, mas jogou, mostrou-se empenhado, marcou o golo da tranquilidade e bateu no peito, mostrando aos adeptos o emblema da águia, mostrando que ficou. E que está. Pelo menos enquanto estiver. E, no fim, aquele abraço com Roger Schemidt no meio do campo, foi um abraço cheio. Cheio de reconhecimento pelo treinador, acredito. E cheio de mensagem do treinador para os adeptos, para que o perdoem.
Enzo Fernandez está perdoado. E não fica amuado!
Do jogo propriamente dito, uma única boa notícia - o grande golo de Grimaldo, a abrir o marcador, logo aos 4 minutos. O resto foi uma primeira parte na linha dos últimos jogos, com muita bola - muita parra, para pouca uva. Nove remates mas, à excepção do livre de Grimaldo superiormente executado, apenas um à baliza. Com o Varzim a defender com duas linhas de cinco, onde o Benfica sistematicamente tentava entrar pelo meio, em tabelas com reduzidas hipóteses de sucesso. Não deu para o habitual desperdiçar de oportunidades golo, porque nem deu para as criar. Nem uma!
Apesar disso, e porque o jogo esteve sempre controlado, parecia que não haveria motivos para preocupações de maior. Mas havia. É que nas poucas oportunidades que os jogadores varzinistas tiveram para agarrar na bola, via-se como se despachavam bem no um para um. Chegou a ver-se, e não foi tão poucas vezes quanto isso - e nem apenas um único - passarem facilmente pelos jogadores do Benfica. E às vezes até a passarem por dois ou três.
Acontecer isto num jogo que estava completamente controlado, era um aviso para o que poderia vir.
E, se poderia vir, veio mesmo. Veio com aquela primeira meia hora da segunda parte, absolutamente pavorosa, com os jogadores do Varzim a ganharem todos os duelos, a ficarem com todas as segundas bolas, e a obrigarem Vlachodimos a ter muito mais trabalho que o velho Ricardo, na outra baliza. Essa meia hora tenebrosa só não acabou mal porque o guarda-redes do Benfica fez uma grande defesa e ... porque a arbitragem não assinalou um penálti (de Grimaldo) que, se calhar, bem poderia ter assinalado.
Schemidt mexeu na equipa - já tinha trocado Neres por João Mário, ao intervalo, mas apenas para gerir a condição física do brasileiro - trocando o (mais uma vez) nulo Draxler por Florentino, e Grimaldo, tocado, por Ristic. E foram justamente Florentino e João Mário a pôr a ordem na casa que acabou com aquele filme de terror de meia hora. A tempo de lançar o jogo para um quarto de hora final, em que o Benfica recuperou o domínio do jogo, criou finalmente oportunidades, e marcou o tal segundo golo, do Enzo.
Não será este onze inicial (com Lucas Veríssimo - bem a defender, mas mal no passe - e Morato - pouco bem em tudo - no centro da defesa, e sem Florentino, João Mário e Rafa), a equipa base para os próximos confrontos. Mas as indicações deixadas não são as mais tranquilizadoras. Quando o Chiquinho consegue ser dos melhores, fica tudo dito.
Decisivamente a Taça não é para o Benfica. Não. O Benfica não foi eliminado, não é isso. Apenas não parece a mesma equipa nos jogos desta competição.
Esta noite, de volta ao Estoril três dias depois, não jogou tão pouco como na eliminatória anterior, nas Caldas da Rainha. Nem passou pelos problemas que aí criou a si mesma. Mas nem por isso deixou de voltar a estar muito distante do nível apresentado no campeonato e na Champions.
Não há dois jogos iguais, diz-se no futebol. Mas este foi muito diferente daquele de há três dias, para o campeonato. Se não tem a ver - não pode ter - com qualquer parti-pris com a Taça, o sub-rendimento da equipa, e de praticamente todos os jogadores individualmente, terá que ter alguma coisa a ver com algum facilitismo induzido pelo que fez no jogo do passado domingo.
E no entanto Roger Schemidt não foi em cantigas, não facilitou. Ao apresentar o que tem sido o onze titular, sem sequer prescindir de Vlachodimos, contrariando aquela velha teoria da rotação dos guarda-redes, o treinador disse claramente que não contava com facilidades. Mas não deve ter conseguido passar essa ideia aos jogadores.
Notou-se logo pela entrado no jogo. O Estoril entrou a empurrar o jogo para o campo dos duelos na disputa da bola, e manteve-o assim durante todo o primeiro quarto de hora. Os jogadores do Benfica perderam praticamente todos esses duelos, o que permite admitir que Schemidt não tenha mesmo conseguido passar-lhes a ideia.
É verdade que, esgotado esse primeiro quarto de hora o jogo de duelos acabou, e o Benfica passou a controlá-lo em absoluto.
A viragem coincidiu com o remate de Grimaldo à barra da baliza do Dani Figueira, em mais um pontapé de excelência, na cobrança de um livre, mesmo à entrada do segundo quarto de hora da partida. O melhor período do Benfica, com três grandes oportunidades para marcar, a última com Rafa, isolado, e com tudo para marcar, a optar pelo poste mais próximo e a acabar por não acertar na baliza.
A partir daí, com o Estoril cada vez mais fechado - como nunca estivera no jogo do passado domingo - passou a ser notório que faltava inspiração, e até velocidade, aos jogadores do Benfica.
Logo no início da segunda parte, numa das poucas transições rápidas que o Benfica conseguiu realizar no jogo, Rafa, isolado, foi travado em falta pelo Chico Geraldes, obrigando o árbitro Veríssimo a deixar o Estoril reduzido a 10 jogadores. Se já só defendia, a partir daí só defendeu ainda mais.
O Estoril defendia com todos lá atrás. Ao Benfica faltava inspiração para abrir espaços, e eficácia para concluir nas jogadas em que os conseguia. E foi preciso que o guarda-redes do Estoril socasse mal uma bola, e que Neres fosse por uma vez bafejado pela inspiração que não abundava para, numa bicicleta espectacular, marcar o golo que valeu o apuramento, mas que nem por isso desbloqueou o jogo.
Faltava pouco menos de meia hora para o fim. E foi uma meia hora igualzinha à anterior. Com controlo absoluto do jogo, mas só isso!
Agora é só esperar que regresse o campeonato. E a normalidade ao futebol do Benfica. Porque depois vem a interrupção para o Mundial. E, depois, sabe-se lá o que virá!
Não "aconteceu Taça" porque a equipa da casa foi eliminada, nos penáltis. Mas houve Taça. E festa, a festa do futebol que só a Taça sabe fazer.
Quando acontecem destas coisas, quando o grande não consegue vencer o pequeno, é normal começar a desfilar os erros, as fraquezas e até o querer do grande. O Benfica não jogou bem, é certo. A maioria dos jogadores esteve muito longe dos mínimos que lhe são exigíveis. Mas, hoje, mais do que isso, e antes disso, tem que se começar pelo pequeno.
Que foi grande. O Caldas foi grande em tudo, nesta partida que marcou o arranque do Benfica nesta Taça. Disputou o jogo de princípio a fim, discutiu-o em todos os metros quadrados do relvado, novinho. A estrear. Sem autocarros, sem anti-jogo, sem truques. Tudo limpinho, jogando apenas o jogo pelo jogo. E não apenas porque os jogadores quiseram mais que os adversários como, não sendo aceitável, acaba sempre por ser normal, nestes jogos. Foi mesmo tacticamente superior em muitos períodos dos 120 minutos que jogo durou.
O Caldas deu uma lição à maioria das equipas da primeira liga. Mostrou-lhes que o futebol pode sempre jogado na perspectiva de valorizar o espectáculo. E com respeito pelo jogo. E pelo público, que paga o bilhete. E pelo adversário!
Dito isto, vamos ao resto. E ás incidências do jogo.
Depois de mais uma brilhante exibição na Champions, de novo com o PSG, desta vez em Paris, o Benfica corria riscos descompressão competitiva e mental, que nestas circunstâncias são comuns. Roger Schemidt fez aquilo que é também comum, nessas circunstâncias: alertou para as dificuldades, salientou que o desempenho do Benfica na Taça ao longo deste século está longe de brilhante, e fez alterações na equipa. Mas não muitas, para não dar a ideia que desvalorizava o jogo, e o adversário. Fê-lo numa perspectiva de gestão da utilização dos jogadores, e aqui o mais relevante, para garantir níveis de motivação dos jogadores. Em princípio, jogadores menos utilizados, têm a obrigação de mostrar que têm condições para o serem mais.
Fez cinco alterações na equipa inicial relativamente à que jogara em Paris na passado terça-feira, mesmo que em boa verdade poucas se enquadrassem no espírito da mobilização do querer. Helton Leite, em vez de Vlachodimos, cabe na velha lei da rotação de guarda-redes nas competições secundárias. Draxler, em vez de Rafa, é mais uma tentativa de dar competição ao internacional alemão, à espera do seu regresso ao nível que o celebrizou, cada vez mais adiado, deve dizer-se. Sobraram Brooks em vez de Otamendi, Gilberto, em vez de Bah, para quem, cada vez mais, está a perder o lugar, e Rodrigo Pinho, em vez de Gonçalo Ramos. Mas que também não cumpriram as expectativas.
E a rotação que tão bem tinha corrido no jogo com o Rio Ave, desta vez não funcionou. E quando meia equipa não funciona, a outra metade tem mais dificuldades.
O Caldas entrou com vontade, mas receoso. Bastou pouco tempo - o tempo para que o Benfica mostrasse que as poucas boas jogadas que ensaiava terminavam em desacerto - para que perdesse o medo, e começasse a jogar à bola. Fez até o primeiro remate do jogo, e criou a primeira grande sensação de golo, já perto do intervalo, naquele remate que Helton Leite defendeu para o poste. Para evitar o canto, certamente!
Ao intervalo, o que se poderia dizer era que o Caldas não ficava nada a dever ao empate.
Para a segunda parte entraram Diogo Gonçalves e Musa para os lugares do inoperante Rodrigo Pinho, e do amarelado Florentino. O croata mexeu com o jogo, e fez rapidamente, e com indiscutível mérito pessoal, o golo. Um belo golo, então já justificado. Só que, depois, entusiasmado, quis o pote só para ele. E desatou a desperdiçar jogadas de golo que poderiam ter resolvido o resultado.
Não resolveram, e o Caldas voltou a mostrar que não tinha medo, e que estava ali para continuar a discutir o jogo. O resultado, seria outra questão. Uma questão resolvida pela velha máxima "quem não marca sofre" e pela defesa do Benfica. Digo bem, não foi apenas pelo miúdo. Logo a seguir a Grimaldo ter rematado ao poste, numa troca de bola lá atrás, Brooks (por que é que um jogador tão grande precisa sempre de se empoleirar nos adversários para disputar as bolas altas?) passou-a a saltitar, o António Silva não a conseguiu dominar, o Gonçalo Barradas percebeu, atacou a bola, encontrou pela frente um Helton Leite de pernas abertas e levou a Mata à loucura.
Faltava um quarto de hora. E então sim, o Caldas teve finalmente de se defender lá atrás. Nesse quarto de hora, e no primeiro do prolongamento, o Benfica voltou a a criar, e a desperdiçar mais uma série de oportunidades de golo. A última acabou na barra do brilhante guarda-redes caldense, a remate de Enzo, já perto do final da primeira parte do prolongamento.
E quando se pensava que os jogadores do Caldas já não se aguentariam de pé, a surpresa não poderia ser maior ao vê-los discutir os 15 minutos da segunda parte do prolongamento exactamente como tinham feito em boa parte dos 90 minutos. E a levarem a decisão para os penáltis onde - admitia-se - a motivação dos seus jogadores, e em especial a do seu guarda-redes, e a frustração dos do Benfica, poderia fazer a diferença.
Acabou por não fazer. O Caldas falharia o primeiro penálti. E só não falharia o segundo porque o Helton Leite - um verdadeiro pesadelo - depois de o defender, mandou a bola para dentro da baliza. Enquanto o Benfica, depois de falhar tantos golos, não falhou nenhum. E lá continua sem qualquer derrota na época. Como o Caldas, de resto!
Espera-se sempre que estes jogos sirvam de lição. Pois que sirva. E, já que se livraram desta, vejam lá se ganham esta Taça. Já é tempo!
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