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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Comunicado do SL Benfica

Comunicado: Benfica arrasa Conselho de Disciplina!

O Benfica emitiu finalmente um comunicado digno da sua dimensão e minimamente em linha com a gravidade dos factos.

Faltou-lhe, ainda assim, no ponto 1, exigir a irradiação de toda aquela gente. Acrescentar a decisão de protestar do jogo, e a exigência da sua repetição. E acrescentar ainda, a complementar o sétimo e último ponto, que qualquer tentativa de retaliação da Federação Portuguesa de Futebol sobre a indisponibilidade do Estádio da Luz para as selecções, "enquanto a verdade desportiva não prevalecer nas competições nacionais", levaria o Clube a ponderar abdicar das competições nacionais.

Foi, por incompetência do Departamento de Comunicação - fez mais o João Gabriel num "twit" de ontem que toda a comunicação no mandato de Rui Costa -, e por falta de liderança e de rumo desta Direcção, tardia e incompleta a reacção que há muito se exigia. A ser mais oportuna, bem poderia ter evitado o assalto, decisivo e descarado, dos últimos dois meses. Quando tudo ainda havia para ganhar!

Dir-se-á que "mais vale tarde do que nunca". É bem capaz de ser mais acertado dizer que, não houvesse eleições em Outubro, e ainda nem seria desta.

 

Afinal a aldrabice ainda não tinha acabado

O jogo da 85ª final da Taça de Portugal, acabado de disputar no Estádio Nacional, foi o espelho da época a que pôs ponto final.

Neste jogo coube toda uma época: uma arbitragem, igual às arbitragens de toda a época, um Sporting de querer, de luta e de sorte e um Benfica capaz do melhor e do pior. Bruno Lage disse que tinha preparado o jogo muito bem. E tinha, o problema é que Bruno Lage é tão bom a preparar jogos como mau a geri-los!

O Sporting entrou no jogo a correr como sempre, e a disputar todas as bolas em todos os centímetros quadrados do campo. Os jogadores irradiavam confiança, a confiança de quem tinha acabado de ganhar o campeonato a este mesmo adversário. Jogou o que joga, não joga muito mais que aquilo, e rapidamente o Benfica começou a impor o seu melhor futebol.

A partir dos 10 minutos a superioridade do Benfica foi sempre evidente em todos os domínios do jogo. Não criava muitas oportunidades de golo, mas criou as suficientes para sair para o intervalo com uma vantagem assinalável no resultado. Que, porque a bola ia aos ferros, ou saía a razá-los, ou o Rui Silva defendia, nunca aproveitou. 

A forma como os jogadores do Sporting aproveitavam cada posse de bola para baixar o ritmo do jogo, e festejavam cada corte, e cada defesa, fica como a melhor imagem do que se passava no jogo.

Ao minuto 16 o árbitro Luís Godinho assinalou penálti contra o Sporting. O Tiago Martins, o das moedas, no VAR, tratou do revertê-lo, descobrindo um fora de jogo manhoso no início da jogada. Por isso, ou porque por cá o futebol é mesmo assim, esta intervenção do Tiago Martins abriu as portas do maravilhoso mundo da aldrabice a Luís Godinho. A partir daí bastava aos do Sporting mandarem-se para o chão para que assinalasse faltas, de preferência sempre perto da área do Benfica. Os do Benfica eram massacrados com entradas por trás, em cima da linha da grande área, mas nada era assinalado. 

O golo que sempre faltou ao jogo do Benfica na primeira parte chegou logo no arranque da segunda: Pavlidis, Aktürkoglu, e remate de Kokçü a bater finalmente o Rui Silva. Logo a seguir,  mais uma jogada envolvente do ataque do Benfica acabava no excelente golo de Bruma. Em dois minutos fazia-se finalmente justiça no marcador, com os jogadores do Sporting completamente encostados às cordas.

Só que lá voltava a estar o Tiago Martins, pronto a dar mais uma mão, e a resgatar o Sporting do fundo do buraco em que estava enfiado. Descobriu uma falta de Carreras, outra vez no início da jogada, e o Luís Godinho anulou o golo. Para tornar aquilo credível, para mandar mais areia para os olhos, mostrou amarelo ao lateral esquerdo do Benfica. E assim continuou até ao fim, poupando faltas, cartões e expulsões aos jogadores do Sporting:  Harder, Matheus Reis, e Maxi Araujo, pelo menos.

E o Sporting viu a luz. Os jogadores perceberam que aqueles que nunca lhes faltam estavam ali, a estender-lhe as mãos, prontos a levantá-lo. E aproveitaram para se empertigar e recuperar o seu futebol, feito de muito nervo e de pouco mais. 

Só isso, mas o suficiente para entregar Bruno Lage e os jogadores do Benfica aos seus fantasmas. E lá vieram as substituições desastrosas. Se Kokçu, já de cabeça perdida com Luís Godinho, tivesse de sair nunca poderia ser para a entrada de um Renato Sanches, sem qualquer ritmo. A troca de Aktürkoglu por Schjelderup até pode ser considerada natural, mas não é só o Nuno Magalhães que não lhe vê nada ... Tirar Pavlidis da equipa é cortar o elo de ligação do ataque. Meter Belotti é introduzir lá a trapalhice. A saída de Tomás Araújo, para a entrada do recuperado Aursenes, parece uma inevitabilidade. No fim, já ao minuto 90, tirar Bruma para fazer entrar o Barreiro, sem qualidade para jogar no Benfica, não foi só a asneira final. Foi também a forma de deixar Di Maria de fora, no seu último jogo.

Foi provavelmente a tragédia das substituições que marcou a estratégia para responder ao empertigamento sportinguista. O Benfica abdicou de jogar futebol, e partiu até para o anti-jogo. Como jogar futebol não é o forte do Sporting, aquilo passou a parecer mais um jogo dos distritais do que o de uma final da Taça. Foram 50 minutos assim - os 40 que faltavam, mais os estranhos 10 de compensação.

Ainda assim só o Benfica criou oportunidades para voltar a marcar. Aos 81 minutos o trapalhão Belotti dispôs de uma clara oportunidade de golo, mas permitiu mais uma grande defesa ao guarda-redes do Sporting. Repetir-se-ia o mesmo aos 90+7, com o Leandro Barreiro. E no último dos estranhos 10 minutos de compensação repetiu-se o que tantas vezes aconteceu na época. Desta vez foi Trincão que, no último minuto, pegou na bola à saída da sua área defensiva e correu com ela, pela ala direita, à vontade pelo campo fora. Sem um encosto, sem uma falta ... até a entregar ao Gyokeres, ainda na direita. Que passou pelo António Silva - há largos minutos em pânico - e entrou na área, sem qualquer condição para rematar. Ainda agora se não sabe o que passou pela cabeça do Renato Sanches; sabe-se apenas que fez o favor de lhe tocar, e que, na conversão do penálti, o sueco marcou, e mandou o jogo para o prolongamento. 

Que não podia deixar de ser penoso para o Benfica. Não, mais uma vez, pelas dificuldades  que o Sporting lhe impunha, mas pelas próprias circunstâncias. Todas!

Deu então para a entrada de Di Maria, na despedia. Em lágrimas. Lágrimas que não são as da despedida. Essas são bonitas. Estas, de Di Maria, não!

E o Benfica perdeu também a Taça. Vítima da aldrabice instalada no futebol português, e vítima dos seus fantasmas. No fim, Rui Costa falou da primeira. Tarde, muito tarde!

Assinar o ponto e carimbar o Jamor

O Benfica cumpriu esta noite, na Luz - com muita gente, mas sem grande brilho - a formalidade de carimbar a presença na final do Jamor,  daqui a um mês, com o Sporting.

Foi a Taça da Liga, ganha ao Sporting. É o campeonato, disputado com o Sporting, e seguramente decidido no próximo dia 10 na Luz. E vai ser também a Taça, quinze dias depois.

Depois do 5-0 da primeira mão, este jogo estava destinado a não ter grande história, a ser pouco mais que um acto burocrático. Ainda assim não se esperava que a equipa que Bruno Lage escalou - dos habituais apenas António Silva e Florentino marcaram presença no onze -  para assinar o ponto se revelasse tão pouco activa.

A primeira parte foi mesmo fraquinha. Tanto que o golo só surgiu no último lance, por António Silva, na sequência de um canto. A segunda foi melhor. O Benfica entrou com um pouco mais de velocidade, e o Tirsense teve bem mais dificuldades em resistir.

Resistiu no resultado durante mais praticamente meia hora - o segundo golo, de novo por um central, Bajrami, e de novo num canto - mas isso apenas porque Belotti, Cabral, Dahl, Schjelderup, Bruma e Amdoumi (que substituira o jovem norueguês à passagem da hora de jogo, quando também Prestiani substituiu Bruma, e João Veloso, Florentino) se iam encarregando de desperdiçar golos em série.

As últimas duas substituições - Tiago Gouveia por Hugo Félix (mas foi Prestiani quem baixou para lateral direito) e, na baliza, Samuel Soares por André Gomes - aconteceram a pouco mais de 10 minutos do fim, e logo a seguir a Belotti ter marcado o terceiro golo, ao minuto 78. O último, que fechou o resultado, voltou a surgir na sequência de um canto, por Leandro Barreiro.

Resultado e burocracia à parte, o jogo valeu pelas estreias de André Gomes, João Veloso e Hugo Félix. Acima de tudo valeu por mais uma oportunidade de Prestiani mostrar que merece mais. Mais oportunidades, e mais atenção.

E começa a ser preocupante que não as tenha...

 

 

Noite de boas notícias

Não tem grande história, o jogo desta noite em Barcelos - onde, curiosamente, se disputam dois jogos das meias finais (o Sporting lá irá disputar a segunda mão, com o Gil Vicente) - da primeira mão das meia-final da Taça que calhou ao Benfica. Disso não tem culpa o Tirsense, um histórico do futebol nacional, onde agora passa pelo quarto escalão. A culpa é do Elvas - outro histórico -, que eliminou o Guimarães, e se deixou depois eliminar por este Tirsense.

Não fosse o Elvas e este jogo teria sido em Guimarães, com o Vitória. Assim, foi com o Tirsense. Que acrescentou história à sua História, tornando-se no primeiro clube do quarto escalão a atingir o último degrau da Taça, antes do Jamor.

Bruno Lage apresentou naturalmente um onze alternativo. Dos habituais, apenas António Silva e Florentino. Mas nenhum dos restantes nove era propriamente estreante na equipa. O mais afastado dos palcos de primeiro plano era mesmo o central Bajrami, mas claramente um valor seguro.

Mesmo com alguns sinais de natural falta de entrosamento, a equipa foi séria na abordagem ao jogo. Sabe-se como neste jogos nem sempre é assim. E por isso algumas vezes acontece ... Taça. Não fez, nem tinha de fazer, um jogo extraordinário. Tinha apenas que ser competente. E foi. E foram competentes todos os jogadores, mesmo que Amdouni tenha sempre estado bem abaixo dos restantes.

Ao intervalo, 2-0. Com um auto-golo (foi quase por milagre que outros não aconteceram, tantas foram as vezes que os rapazes do Tirsense ficavam com a cabeça às voltas) a abrir, à passagem do primeiro quarto de hora, e o primeiro golo de João Rego pela equipa principal, dez minutos depois.

Os últimos vinte minutos da primeira parte, e os primeiros da segunda, foram enfadonhos e o jogo do Benfica só espevitou com as primeiras substituições de Bruno Lage, precisamente aos vinte minutos. Tirou obviamente Amdouni, Leandro Santos e João Rego, lançou Tiago Gouveia, Prestiani e Arthur Cabral e acabou com a madorna.

Tiago Gouveia, lesionado no início da época, regressou finalmente à equipa, depois de uns jogos na equipa B. E mostrou que temos solução para a lateral direita para esta ponta final da época. Mexeu de imediato com o jogo, assistiu Cabral para o quarto golo, e foi mais uma excelente notícia deste jogo.

Prestiani também esteve lesionado, mas não foi por isso que tem estado afastado. Nunca foi opção de Bruno Lage, e isso foi claro quando não foi escolha inicial para aquele onze. Mas mostrou que conta, e essa foi outra excelente notícia. Entrou e marcou, de imediato, o terceiro golo. E construiu ele próprio o quinto, que ofereceu a Schjelderup.

A outra excelente notícia deste jogo foi a maneira como foram festejados estes três golos. Não pode passar despercebida, e é um sinal exterior do espírito que reina na equipa.  

PS: Cometi um lapso grosseiro, para o qual fui alertado, e do qual peço desculpa. O Sporting está a disputar o acesso á final com o Rio Ave, e não com o Gil Vicente. E também não será em Barcelos; o Rio Ave, com o Estádio dos Arcos indisponível, por ter sido atingido pela tempestade Martinho, está a jogar em Paços de Ferreira.

 

Nas meias finais da Taça

Luz novamente cheia, mesmo que um pouco menos cheia que o normal, para este jogo com o Braga, que decidia o acesso às meias-finais da Taça de Portugal. Para assistir a um excelente jogo de futebol, e a uma grande exibição do Benfica, particularmente na primeira parte.

Bruno Lage regressou ao onze que, nas actuais circunstâncias - com a quantidade de jogadores lesionados -, mais se aproxima do que têm sido as suas primeiras opções, com Tomás Araújo a lateral direito, Akturkoglu na ala direita, e Pavlidis na frente do ataque. Dahl, na esquerda, é já claramente primeira opção - Schjelderup, que entrou aos 79 minutos, precisamente a substituí-lo, confirmou isso mesmo. Na baliza continuou Samuel Soares. E poderá não ter sido apenas rotação de Taça.

Ricardo Horta, o capitão do Braga, escolheu campo, e escolheu como fazem os pequenos - a baliza grande. Não teve qualquer impacto, e o Benfica entrou endiabrado, partindo para uma grande primeira parte. Jogou-se apenas futebol (quatro faltas, duas para cada lado), e o que o Benfica jogou foi do melhor que por cá se pode ver: pressão alta sobre o adversário, a recuperar imediatamente cada bola perdida; criatividade e fantasia; passes a rasgar; mudanças rápidas de flanco.

Perante a avalanche de futebol benfiquista o Braga fazia o que podia: defendia como podia, e tentava jogar com os ritmos de jogo, mostrando-se uma equipa adulta, mesmo que composta por muita juventude. Pode dizer-se que Carlos Carvalhal reinventou a equipa do Braga neste início de ano.

A longa série de oportunidades de golo abriu logo aos cinco minutos: Akturkoglu recebeu a bola na área, desbaratou com classe a defesa bracarense e atirou de pé esquerdo. Ao poste. Na recarga, de baliza aberta, Pavlidis não acertou na baliza. Pouco depois, novamente Pavlidis. Descaído para a direita e, de ângulo apertado, atirou forte às malhas laterais, quando poderia ter deixado para dois colegas bem posicionados á entrada da pequena área. Depois foi Bruma a marcar, numa excelente execução, com o golo a ser anulado por fora de jogo de Pavlidis.

Depois, ainda, entrou em acção Hornicek, o novo dono da baliza bracarense: está aberta a época das grandes exibições dos guarda-redes na Luz. Negou o golo a Pavlidis, depois a Akturkoglu, isolado por Kokçu, e depois ainda a Bruma, também isolado.

Nesta sequência chega finalmente o golo, já aos 39 minutos, à sexta oportunidade de golo, quando o Braga tinha disposto de uma, no remate de cabeça de Racic, ao lado, na sequência de um canto. A pressão alta do Benfica deixou Paulo Oliveira em maus lençóis, obrigado a despachar a bola para onde estava virado. Acabou interceptada por Dahl, que assistiu Pavlidis que, depois de ajeitar a bola, rematou de pronto, ainda de fora da área, batendo Hornicek.

A séria da primeira parte ficaria fechada no último lance antes do intervalo, quando nem Bruma nem Pavlidis, sozinhos em cima da linha de golo, conseguiram desviar o cruzamento de Carreras.

Ao intervalo o Benfica poderia estar tranquilamente instalado nas meias finais da Taça. Bastaria um coeficiente de eficácia de 30 ou 40% para o marcador assinalar 3 ou 4 a zero.

Carlos Carvalhal mexeu na equipa para a segunda parte. Talvez por fezada  fez entrar Fran Navarro e Robson Bambu, que tinham marcado os golos da vitória na Luz, para o campeonato. O Braga subiu um pouco de produção, e ganhou algum oxigénio. Mas era o Benfica que continuava a somar oportunidades de golo, e continuava a ser Hornicek o jogador mais influente m campo.

O tempo passava, o Braga ia tendo mais bola, mas foi sempre e apenas o Benfica a construir oportunidades para alargar o marcador. Claro que à medida que o jogo caminhava para o fim, e com o resultado a manter-se, era inevitável que um certo nervoso miudinho se espalhasse pelas bancadas, onde não caiu bem a primeira leva de substituições de Lage, quando tirou Tomás Araújo e Bruma, para lançar Belotti e Barreiro. Mas o Braga nunca verdadeiramente ameaçou a eliminatória.

No fim, na lista das oportunidades de golo do Braga continuou, sozinha, aquela do remate de cabeça do regressado Racic, a meio da primeira parte. A do Benfica é um rol extenso.

Com a consolidação do nível exibicional, o actual bom futebol do Benfica está apenas a pecar na finalização. Por enquanto sem consequências de maior, mas vêm aí jogos que não vão perdoar.

As últimas imagens é que ficam

Ao terceiro dia o Benfica - não, não ressuscitou, isso aconteceu só na segunda parte - depois do dérbi, e dos festejos da conquista da Taça da Liga, apresentou-se no S. Luís, em Faro, para disputar os oitavos de final da Taça de Portugal. 

Para um jogo ao terceiro dia, com outro já para fazer em três dias, este na Luz, com o Famalicão, para o campeonato, logo seguido da recepção ao Barcelona, para a Champions, no meio de um ciclo de cinco jogos em menos de duas semanas, Bruno Lage poupou Tomás Araújo, Kokçu e Pavlidis. Na realidade foram quatro as alterações no onze, mas Trubin não foi por poupança, foi para a clássica oportunidade a Samuel Soares, na Taça.

Ao contrário do que até tem sido mais habitual, o Benfica entrou no jogo a todo o vapor, deixando claro que a ideia era resolver depressa o problema do resultado, para depois poder gerir o jogo e o cansaço acumulado. Logo na jogada de saída Barreiro desmarcou Scheljderup na esquerda, que virou a bola para a direita, para o extraordinário remate de Di Maria, que saiu a milímetros do ângulo superior direito da baliza de Ricardo Velho. Seria mais um golaço à Di Maria, mas foi apenas o mote para os cinco minutos iniciais de domínio absoluto do Benfica. E de bom futebol!

Na primeira vez - parece que é sina - que o Farense conseguiu sair daquele colete de forças, e chegar à frente, num canto resultante de um ressalto no António Silva, com toda a gente do Benfica a dormir - se não era de sono era de hipnose - marcou. Havia 7 minutos de jogo. Que mudou, naquele momento!

O Farense fechou-se lá atrás, defendendo com competência e gerindo, com manha, o tempo de jogo. Com Florentino e Barreiro faltava dinâmica e visão de jogo ao meio campo do Benfica. Aursenes, que também não atravessa um grande momento de forma, não podia resolver tudo. O regressado Bah não acertava uma, e o futebol do Benfica engasgava-se sistematicamente. Os cantos sucediam-se, uns atrás dos outros, mas só isso. A reforçada defesa do Farense não passava por grandes incómodos. Esperava-se que Di Maria resolvesse mas, se não estava fácil, pior ficaria com a sua saída, queixando-se do que parecia ser uma dor muscular. 

Entrou Amdouni, a frio. Como frio se arrastou o jogo até ao intervalo, sem que o Benfica tivesse conseguido acrescentar grande coisa ao que tinham sido os primeiros cinco minutos.

No intervalo Amdouni fez aquecimento, e Bruno Lage diz que alterou uns posicionamentos, e que explicou aos jogadores o que era o campo no S. Luís. Estranho é que só ao intervalo tenha dito aos jogadores que o campo é mais pequeno, e que não dá largura para explorar as alas, nem comprimento para a profundidade. 

A verdade é que a segunda parte foi completamente diferente. Admito a ignorância, mas a mim pareceu-me mais que foi por ter marcado três golos em cinco minutos que propriamente por grandes alterações tácticas. É que nem o primeiro quarto de hora da segunda parte foi muito diferente dos últimos quarenta minutos da primeira, nem nenhuma alteração foi introduzida no onze.

Aconteceu que Scheljderup - hoje, para além de Di Maria (mas noutro registo) o único jogador do Benfica com capacidade para desequilibrar no drible e na velocidade - novamente lançado por Barreiro, fez um grande jogada individual e um grande golo. E que no minuto seguinte num espectacular cruzamento de Carreras - este sim, em grande forma - Arthur Cabral marcou o segundo, numa execução irrepreensível.

Depois de tanto terem defendido, de tanto terem queimado tempo, e de tanto terem acreditado que eliminariam o Benfica, os jogadores do Farense caíram a pique. E, quando passavam apenas 5 minutos do golo do empate, de Scheljderup, Bah marcou o terceiro. 

Depois - sim - o Benfica jogou bem e dominou como quis o jogo. E depois é que Bruno Lage fez as substituições. Essa é que é essa!

No fim, com 5 minutos de boa qualidade na primeira parte, e outros 5 na segunda, estes de rara eficácia, o Benfica resolveu uma eliminatória que chegou a parecer complicada. Mas o "futebol é isso mesmo", já diz o futebolês. Se aquele fantástico remate de Di Maria tem entrado logo no primeiro minutos, tudo teria também sido diferente. Assim, o Benfica acabou a dominar completamente o jogo e, como se sabe, o que fica são as últimas imagens. 

Sete (de) golos!

Sete! O 7 de Cardoso. O 7 de Nené, e dos 77 anos que a Luz lhe festejou esta noite. Sete (de) golos!

Foi com sete golos ao Estrela da Amadora que o Benfica selou a passagem aos oitavos de final da Taça, que um destes dias - não se sabe quando - terá que ir disputar a Faro. Com sete golos e com um recital de magia do mago Di Maria. 

Em pouco mais de uma hora em campo - saiu aos 65 minutos, com Bah e Aursenes, para ser substituído por Amdouni, enquanto entravam, em estreia, Leandro (o miúdo em que Lage aposta para lateral direito), e Kokçu (que viria a encher o campo) distribuiu magia e tratou sozinho do marcador. Marcou o primeiro logo aos 2 minutos para, outros dois depois, construir um dos melhores monumentos da sua monumental carreira: primeiro, com um toque, na recepção da bola, fê-la passar por cima do adversário que o marcava; depois, em acto contínuo, todo no ar, rematou-a de bicicleta para o fundo da baliza. Foi preciso pouco mais de 10 minutos para marcar o terceiro, e fechar o mais rápido hat-trick da carreira. 

Depois foram muitos minutos sem mais golos. Com muitas oportunidades, mas sem golos. Falhava Arthur Cabral. Tanto que parecia já um "caso perdido". Falhava Beste, que falhava também a exibição, e já não regressou do intervalo. Veio Aktürkoğlu. Defendia Meixedo, o jovem guarda-redes do Estrela.

Aproximava-se a hora de jogo, e era tempo de Di Maria descansar. E assim foi. Não sem, antes, assistir Aktürkoğlu para o quarto, na mais bonita jogada de todo o desafio. Arthur Cabral continuava desesperadamente a falhar golos feitos. A cada falhanço Bruno Lage pedia aplausos às bancadas, que não tinham como não responder. Percebeu-se que tinha prevista a entrada de Pavlidis, mas não quis. Não podia tirar o 9 do jogo naquelas condições.

O quinto lá chegou, já á entrada dos últimos 10 minutos. Mas por Amdouni, o 7, após um passe fenomenal de Kokçu. 

De repente, nos últimos quatro minutos, Arthur Cabral quebrou o enguiço. E de que maneira: de bicicleta. A segunda do espectáculo. Nem festejou, mas festejaram os colegas, e as bancadas. Já em cima do minuto 90 faria o bis e, aí sim, festejou.

E foi assim a festa do(s) sete. Cantaram-se os parabéns ao 7 que marcava golos sem sujar os calções. Desconfio que Di Maria, o 11, não sabe cantar. E que se tenha limitado a fazer o que sabe para dar os parabéns ao Nené.

E, já agora, parabéns também ao Bruno Lage!

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