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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Um exemplo de cinismo político

Primeira versão do plano de reestruturação da TAP pronta em dois meses |  TVI24

 

O governo reuniu-se ontem à noite para analisar, e aprovar, o Plano de Reestruturação da TAP, a entregar amanhã em Bruxelas.

O Plano, bom ou mau - não é o que aqui está em causa - foi desenvolvido pela empresa, como se sabe em  modo de gestão interino. É contestado pelos sindicatos - dirão que seria sempre, qualquer que fosse, mas para o efeito é também indiferente -, que dizem não ter sido ouvidos, e que entendem que está erradamente enquadrado. Que a TAP deveria nesta altura estar enquadrada nos apoios que as suas concorrentes estão a receber no quadro da pandemia (recorde-se que a União Europeia impede o acesso a esses apoios a empresas que já tivessem problemas anteriormente ao início da pandemia, mas também que esses problemas são mais iguais para uns que para outros), e que só o não está por prévia opção do governo. E, tanto quanto se sabe, prevê a redução da frota de 105 para 88 aviões, o despedimento de 2.000 trabalhadores, redução da massa salarial em 25%, e mais 1.600 milhões de dinheiros públicos, que acrescem aos 1.200 milhões já injectados neste ano.

O governo fez entretanto saber que o Plano será submetido a aprovação no Parlamento. Lá para Fevereiro... Porque - justificam - não dispondo o governo de maioria absoluta é preciso envolver os partidos com representação parlamentar na aprovação do deste Plano. À primeira vista, aos olhos mais descuidados, pareceria uma posição prudente, sensata, responsável e democrática. 

Não é, no entanto e mais uma vez, muito mais que puro cinismo político. A esquerda, que certamente viabilizaria as injecções de capital, nunca aprovará um Plano que tenha despedimentos, e neste despedem-se 2.000 trabalhadores. E a direita, que facilmente aceitará os despedimentos, reagirá negativamente às necessidades de mais dinheiro do Estado.

Alguém vai ter de engolir sapos. Ou não, e ficar com o ónus da falência da TAP. António Costa e o seu governo é que não têm nada a ver com o que venha a suceder. Lavaram as mãos!

Isto não é alta política. É simplesmente o cinismo da política.

PS: Nada disto tem alguma coisa a ver com a minha posição sobre a situação da TAP, que aqui expressei em diversas ocasiões. Como nesta, por exemplo.

 

Dia de compras

Confiança do Consumidor se estabiliza em maio e Dia das Mães ...

 

Ontem foi dia de compras para o Estado português. Puxou do livro de cheques e comprou praticamente o resto da TAP. Puxou do ... Diário da República e comprou a Efacec.

Na TAP evitou a nacionalização, trocando o certo no cheque imediato pelo incerto num cheque futuro. Mas só isso, só essa parte do cheque. O resto não passa de adiar e engrossar o problema. Evita a falência mas apenas empurrando-a mais para a frente. Para um futuro não muito distante, e para encargos mais pesados, que somarão aos agora tomados.

Completamente diferente na Efacec. Sem cheque, apenas decretando a nacionalização. É que aqui, mesmo que o Estado quisesse, não tinha sequer a quem pagar. Ninguém sabe de quem são as acções de Isabel dos Santos. Arrestadas aqui, penhoradas ali,  apenas se sabe que não são dela. 

E, aqui sim, a resolver um problema que de há seis meses para cá mais parecia uma bola de ténis, de um lado para o outro entre a banca, com créditos e acções a garanti-los, e o governo, a quem sempre quis endossar o problema. 

Trata-se de uma das grandes empresas da indústria nacional, com tecnologia, produto e mercado. E de uma das poucas multinacionais da economia portuguesa. Uma empresa de ponta e rentável, a interessar a muita gente por esse mundo fora. 

Compra mais acertada não podia o Estado fazer. Tanto mais que a fez ao mesmo tempo que anunciava vendê-la... aos potenciais compradores, que não tinham a quem a comprar.

A coisa de cada um*

Na habitação e nos comboios Pedro Nuno Santos e Medina estão em ...

Temos assistido, nos últimos dias, a uma série de escaramuças no seio do governo e do partido a que pertence. Nada que fosse grave se não tivessem por objecto dois dos maiores problemas que neste momento afectam o país. Se em causa, como vêm agora dizer vozes do governo e do partido que o sustenta, estivessem meras questões de livre opinião, próprias – e até saudáveis, acrescentaria eu – da democracia, não viria mal ao mundo. Neste caso ao país.

Só que não é assim. Os desentendimentos e os “mosquitos por cordas” surgem a propósito do avanço de focos da pandemia em Lisboa, e da (falta de) resposta dos serviços de saúde. E da TAP, ou do impasse a que chegou, afogando a sua agonia latente no sufoco geral do sector da aviação comercial.

Parece brincadeira. Mas de franco mau gosto: se há alturas e temas que não dão para brincar, são justamente estes.

Curiosamente – ou talvez não, no quadro do jogo político a que estamos habituados – no epicentro destes dois focos de tensão estão, nem mais nem menos, que os dois delfins de António Costa – Fernando Medina e Pedro Nuno Santos. E uma particular guerra pela sucessão, com cada um mais interessado em ganhar pontos para reforçar a sua clientela que noutra coisa qualquer. Pode até não ser assim, mas é assim que parece. E em política, como se sabe, o que parece, é!  

É grave o que está em causa, seja pelas consequências do eventual descontrolo nos circuitos de contaminação em Lisboa, seja pelo que venha a acontecer na TAP (a decisão ontem anunciada não é solução nenhuma e apenas adia e engorda o problema), que certamente acabará em mais um pesadelo para os contribuintes. Mais grave é a leviandade com que se faz e se vai continuar a fazer política em Portugal. Que, sendo tão só tratar da coisa comum, por cá insiste-se em alimentar a perigosa ideia feita  que fazer política é, e vai continuar a ser, cada um a tratar da sua coisa. Sempre muito pouco mais que a sua própria vidinha!

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

A hipótese que não é hipótese

Legalização da privatização da TAP não serve o país | Partido ...

 

A TAP entrou num beco sem saída. Os accionistas privados não têm dinheiro - e, pelos vistos, se o tivessem não seria para lá meter - para acompanhar a injecção de capital que o Estado foi autorizado a fazer na companhia. Nem quiseram chegar a acordo sobre as condições das naturais consequências disso, gerando um impasse que não deixa espaço para terceiras vias: ou a nacionalização ou a falência.

É assim que a coisa nos tem sido apresentada. Foi assim que o ministro Pedro Nuno Santos, eventualmente há muito a falar de mais sobre a matéria, deixou as coisas no Parlamento... Mas com a falência como não hipótese. Logo confirmada pelo Presidente da República: "deixar falir a TAP não é uma hipótese".

Não faço neste momento ideia nenhuma se o governo vai avançar com a nacionalização, como pretende o  ministro Pedro Nuno Santos, ou se vai procurar um acordo com o figurinista Humberto Pedrosa, depois de comprar as acções de David Neelman, como parece pretender António Costa. Mas não tenho qualquer dúvida que ninguém tem dúvidas que não é possível manter a TAP.

Tudo começa precisamente na intervenção do Estado, e nas condições que a União Europeia impôs para que o Estado português pudesse ajudar financeiramente a companhia. Entre essas condições estão as do redimensionamento da companhia, um brutal operação de downsizing inequivocamente expressa nas reduções dos números de voos e de aviões. E aí não há volta a dar. Até porque, sabe-se, o que uns perdem, ganham outros. As rotas que vão ser retiradas à TAP passarão para outras companhias europeias. Provavelmente as mais lucrativas, e naturalmente para as maiores, já com os devidos apoios estatais há muito resolvidos. 

Com menos aviões, menos rotas, menos voos e, evidentemente, muito menos trabalhadores, a TAP já não será esta que se diz querer salvar. Muitos trabalhadores, provavelmente a maioria dos actuais 10 mil, terão evidentemente de ser despedidos e a inevitável agitação social e laboral daí decorrente apenas fragilizará ainda mais o desempenho económico da companhia e degradará, ainda mais, a sua situação financeira.  

Não custa portanto muito a perceber que estão, neste momento, a descartar a hipótese mais sólida que têm à frente. Marcelo diz que "deixar falir a TAP não é uma hipótese".quando a hipótese da falência é uma certeza. Faz lembrar as palavras do seu antecessor no aumento de capital do BES, um mês antes da resolução. 

De resto tudo está a preparar-se para que a TAP seja o Novo Banco desta nova década.

 

"A música agora é outra"

tapairportugal on Twitter: "Tail whip greetings ...

 

A (re)nacionaização da TAP está decididamente em cima da mesa. Era uma questão de tempo, que a actual crise resolveu rapidamente.

As contradições eram imensas, mas tornaram-se completamente insanáveis quando o comando foi entregue a um Bolsonaro dos aviões. "A música agora é outra" - proclamou ontem o ministro Pedro Nuno Santos numa audição regimental na comissão parlamentar de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação. Salvar a TAP é uma coisa, salvar os seus accionistas privados é outra, como também, e tão bem, disse.

Uma - a primeira - poderá ser papel do Estado. A outra evidentemente que não. 

Nos tempos que correm, ter uma companhia de aviação de bandeira poderá ser um luxo. Mas também é soberania. Poderá sempre dizer-se que as coisas não estão para luxos. E que a soberania há muito que já lá vai... Mas ... "a música agora é outra"!

Aproximação a zona de turbulência

Resultado de imagem para tap"

 

Desde que Antonoaldo Neves assumiu as rédeas da gestão, a TAP passou a acumular prejuízos ao ritmo dos seus piores tempos. Nos primeiros nove meses do ano somam já 111 milhões de euros, em cima dos 118 milhões do ano passado. Em dois anos os prejuízos subirão bem para lá dos 250 milhões de euros.

Mas, ouvindo o compatriota e sucessor de Fernando Pinto, está tudo bem. Não há problema de qualquer espécie, até porque, como não se cansa de repetir, quem sabe daquilo é ele. É ele o único especialista naquela ciência oculta que é o negócio da aviação, e tem sempre explicação para tudo. 

E explica que o prejuízo deste ano se deve a "variações cambiais sem impacto na tesouraria" -  deve ser por isso, por não terem impacto na tesouraria, que já aí está o segundo empréstimo obrigacionista do ano, no valor de 300 milhões de euros, depois dos 400 milhões que recolheu em idêntica operação no primeiro semestre -, como os prejuízos do ano anterior haviam sido explicados por situações não recorrentes. Ou excepcionais, que na TAP mais costumam ser regra, como indemnizações por atrasos, por exemplo. 

Valha que, mesmo com rating de lixo - a TAP só não tem o pior rating das companhias de aviação porque o genial David Neelmam (outro charlatão que este país transforma em génio) tem mais três empresas no sector e todas em pior estado - o Sr Antonoaldo ainda vai encontrando quem lhe empreste dinheiro para financiar os resultados da sua brilhante gestão. 

A aproximação a zonas de forte turbulência está a fazer-se a grande velocidada. E, como no Titanic, a orquestra toca...

 

 

Há coisas que nunca mudam...

 Imagem relacionada

 

Rui Moreira, o presidente da Câmara Municipal do Porto, regressou ao futeboleiro tempo dos que queriam ver Lisboa a arder. Eleito - muito provavelmente - à custa da notoriedade das palavras na bola, no polo oposto ao seu antecessor, e sem oportunidade para abrir as portas e as varandas da câmara aos festejos do seu clube, para por elas entrar o ar que lhe segurará os votos, à falta de outras asas, Rui Moreira agarra-se às da TAP. E pelo caminho vai distribuindo uns pontapés por Lisboa...

Há coisas que nunca mudam...

 

 

 

Uma questão de tempo. Ou... várias questões de tempo...

Imagem relacionada

 

Cavaco deixou finalmente a rã descansada e indigitou António Costa que, sem resposta do tempo ao tempo que o tempo tem, se entretivera a fazer um governo. É por isso que já há ministros, e que está agora praticamente garantido que, dois meses depois das eleições, o país terá um governo.

No tempo que Cavaco quis. Porque a data das eleições foi a que Cavaco quis que fosse. E porque, depois, mesmo com todos os cenários bem definidos na cabeça, e mesmo com um recatado 5 de Outubro para reflectir sobre o que tinha claro, em vez de agir o presidente preferiu fazer de conta que agia, consumindo 50 dias na árdua e espinhosa missão de encanar a perna à rã.

Coisa que, como se sabe, permitiu ao governo relâmpago de Passos e Portas acabar algumas coisas que tinha deixado começadas como, por exemplo, assinar o acordo de privatização da TAP. Para, como só alguns sabiam e é agora público, dar aos bancos a garantia do Estado pelo pagamento da dívida da companhia que vendeu. Por 10 milhões de euros!

Exactamente assim: foi preciso que o governo de Passos e Portas se aguentasse o tempo necessário para consumar a venda da TAP, por 10 milhões de euros, a um grupo fantoche (fantoche porque tudo é ao contrário do que parece, a começar numa minoria de capital que detém 95% do poder), assumindo a responsabilidade por 770 milhões de euros de dívida!

É também por isso que já ninguém estranha que, no dia em que é notícia a indigitação do novo primeiro-ministro, com o consequente adeus de Passos e Portas, seja também notícia que os novos donos da TAP vão vender os terrenos e a sede junto ao aeroporto…

Pois é... o tempo urge!  

Também acredito na desconvocação da greve...

Por Eduardo Louro

 

Mais do que Pires de Lima sempre acreditou, eu acredito que a greve dos pilotos da TAP seja ainda desconvocada. Eles só não queriam por nada perder a surpresa que o Pingo Doce sempre reserva para este dia... Agora que já perceberam que desta vez Soares dos Santos se fica pela compra do Oceanário, vão voltar ao trabalho. Vão ver que sim...

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