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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tema(s) da semana*

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(Imagem daqui)

Não fosse o desenlace da telenovela João Félix, com essa transferência de 120 milhões de euros do Benfica para o Atlético de Madrid, e o nome da semana teria sido o de Miguel Duarte, outro jovem português, ligeiramente menos jovem mas nem por isso menos digno de admiração - antes pelo contrário – cuja história saltou para o topo da actualidade no início da semana, com a notícia de que corria - e corre – o risco de ir parar à prisão, acusado pelo governo italiano de auxílio à imigração ilegal

Em 2016 Miguel Duarte decidiu não ficar de braços cruzados a assistir ao trágico destino de milhares de pessoas e integrar-se numa “organização não-governamental” (ONG) alemã que presta apoio humanitário aos desgraçados que fogem da perseguição, da miséria e do terror para se entregarem, primeiro, nas mãos de outros seres humanos sem escrúpulos para, logo a seguir, ficarem entregues a um destino com destino certo no naufrágio dos botes em que são despejados nas águas do Mediterrâneo.

Ajudou a salvar da morte milhares de pessoas - 14 mil - que teriam engrossado os números incalculáveis da maior tragédia do século, que deveria envergonhar o mundo mas que, pelo se vai vendo, não incomoda sequer muita gente. Deixou a sua casa, a sua família e a sua vida para organizar para partir em ajuda de quem nada tem, e a quem tiraram tudo do pouco que alguma vez teve, num exemplo da mais nobre solidariedade que enaltece a condição humana. E agora é acusado de um crime, e em vias de uma condenação a 20 anos de prisão – note-se: 20 anos! -, por um governo italiano para quem os valores da dignidade humana não constituem apenas princípios descartáveis. Não contam, simplesmente…

Foi tardia, e nem sempre convincente, a reacção das entidades portuguesas, que mais pareceu  vir a reboque da onda que foi crescendo na opinião pública, o único verdadeiro consolo que Miguel Duarte encontrou nestes dias, materializado em diversas iniciativas da cidadania, e particularmente na resposta pronta a uma operação de “crowdfunding” lançada para financiar a sua defesa.

Fraco consolo para quem deu tanto. Miguel Duarte merecia melhor. Porventura João Félix também - não mereceria certamente que a sua história se cruzasse com esta!

PS: Fantástica, esta ilustração de Vasco Gargalo.

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Tema da semana*

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O anúncio da intenção dos principais grupos privados do negócio da saúde romperem os acordos estabelecidos com a ADSE ocupa esta semana o topo da actualidade.

O assunto prestou-se – e presta-se - às mais diversas discussões à volta dos mais diversos temas. Cabem lá quase todos… Mas vou focar-me num pequeno ponto.

É sintomático que, a meio da discussão que esta semana tomou conta do espaço mediático, se tenha ficado a saber que, no regime convencionado, ADSE paga um preço pelas consultas muito abaixo do valor de mercado. A ADSE tem dois regimes de consultas: o convencionado, ou seja as consultas dentro da rede de clínicos contratados, que paga directamente ao prestador do serviço; e o livre, onde o beneficiário escolhe o médico, paga a consulta, e é depois parcialmente reembolsado do valor que a ADSE pagaria se dentro da rede. Pouco, o tal preço que o bastonário da Ordem do Médicos classificou de escandaloso. E que o Professor Manuel Antunes, o conhecido e consagrado cirurgião, num programa televisivo revelou ser de 11 euros por hora de consulta. 

Sejamos claros. Não pode haver outra a leitura: os grupos privados apenas aceitaram preços tão “escandalosamente” baixos, como dizem, por terem dado por garantido que facilmente compensariam nos restantes serviços, de mais difícil escrutínio, e provavelmente com grande vantagem, os baixos preços desses actos médicos.

É aquela expressão bem enraizada no espírito português: “uma mão lava a outra…” Só que, neste caso, “as duas não lavam o rosto”…

É isto! Como um pequeno detalhe diz tudo sobre a forma como o Estado tem cuidado das PPP´s. De todas!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Tema da semana*

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Tenho para mim que, como a natureza tem horror ao vazio, a política tem horror à seriedade e à ética.

Sempre que alguém aparece na política a invocá-las … corre mal. Há sempre alguma coisa que salta das entranhas da política para lhe dar cabo das ideias.

Repare-se em Rui Rio. Tenho-o, como - creio – a generalidade das pessoas, por uma pessoa séria, que coloca a honra e a honestidade no topo da sua pirâmide de valores. Fez disso, e de uma auréola de competência e de independência, trazida da presidência da Câmara Municipal do Porto, os atributos de legitimação das suas ambições políticas. E chegou, assim, à liderança do maior partido português (na perspectiva da representação parlamentar), anunciando um banho de ética.

A primeira coisa que fez foi escolher para Secretário-Geral do partido, o responsável pelo funcionamento da máquina partidária, Feliciano Barreiras Duarte, logo à perna com uma série de aldrabices curriculares muito próprias dos aldrabões, especialmente na política. Como se não bastasse, logo a seguir, foi denunciado por aldrabice na morada, muito comum na actividade política, onde as pessoas não moram onde moram mas onde dá mais subsídio morar.     

Depois de deixar que o problema se arrastasse de forma penosa durante tempo de mais, sempre a tentar justificar o injustificável, Rui Rio substituiu-o por José Silvano, trocando um carreirista dos corredores do partido por um transmontano rijo e sério.

Deu no que deu. Só não aldrabou na morada porque não precisava. De resto, valeu tudo. E Rui Rio volta a assobiar para o lado, chamando-lhes “questiúnculas” de “pequena política”, encharcado até aos ossos pela água suja do seu banho de ética.

É isto: a política tem horror à seriedade e à ética, o mesmo que Aristóteles descobriu na natureza pelo vazio.  

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Tema da semana*

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Normalmente não se repete numa semana o tema da anterior. Mas não é assim tão raro que uma notícia permaneça na ordem do dia durante mais que uma simples semana, como inevitavelmente teria de acontecer com a acusação que caiu que nem um raio sobre Ronaldo. 

Na semana passada abordei o contexto. Nunca me referi ao que teria acontecido, porque disso não faço a mínima ideia, nem sequer ao que era dito que tinha acontecido, na altura apenas com a versão publicada pelo jornal alemão Der Spiegel.

Referi-me, apenas e só, à forma como o movimento me too exponenciava as dificuldades para Cristiano Ronaldo na situação que acabava de vir a público, e as consequências que potenciava.

Hoje são já conhecidos dados da defesa de Cristiano Ronaldo, bem construída pelo que vai percebendo – nem outra coisa seria de esperar -, e que tem já em vista - e bem - limitar os danos de reputação. Ou seja, começam agora a ser conhecidos dados, informação - que nunca factos, bem entendido - para que se comece a construir opinião com alguma sustentação.

No entanto, o que vimos foi que não foi preciso esses dados, nem outros quaisquer, para que a semana fosse dominada pelo debate à volta de Cristiano Ronaldo, com a opinião pública a dividir-se rapidamente pelas duas partes em confronto.

Digamos que esta contenda se disputou em dois campeonatos. Um, que poderia chamar-se de segunda divisão, dominado pelos preconceitos mais básicos (“ela estava á espera de quê, quando subiu ao quarto?”; “acabou-se o dinheiro, e agora quer mais”, e outras do género), e outro, que poderíamos chamar-lhe de primeira divisão, com preconceitos politicamente correctos.

No campeonato da segunda divisão, Cristiano Ronaldo não ganhou de cabazada, ganhou por falta de comparência. Era o herói nacional, e no herói nacional ninguém toca. Sem competição, não teve grande interesse, como sempre acontece nos campeonatos pouco competitivos.

No da primeira divisão as coisas passaram-se de forma diferente. Foi um campeonato maioritariamente feminino, e não faltou competição, muitas vezes mesmo dentro das próprias equipas. E foi bonito de ver como tantas barricadas foram levantadas e com se puseram em lados opostos pessoas que sempre estiveram do mesmo lado, com evidentes fracturas no campo da causa da condição feminina.

No fim, é isto: a crítica simples, imediata e que não precisa de factos, ou mesmo os despreza, acaba sempre a extremar posições à volta de preconceitos. Acaba sempre num conflito que nunca é de ideias, num confronto que, em vez de opor quem concorda e quem discorda, opõe os que atacam aos que defendem o que quer que seja!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

 

Tema da semana*

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Cristiano Ronaldo é possivelmente o maior desportista português de todos os tempos, é certamente o mais mediático de sempre, é seguramente o português mais conhecido no mundo, e é uma das maiores marcas mundiais.

Tive a primeira noção da dimensão comercial de Cristiano Ronaldo há mais de uma dúzia de anos quando, na Primavera de 2006, em Paris, me deparei com os Campos Elísios literalmente forrados com a sua imagem. Loja sim, loja também, das mais diversas e das mais prestigiadas marcas mundiais. Assim mesmo, no mais emblemático centro comercial de uma das mais cosmopolitas capitais do mundo. E com 21 anos, acabados de fazer…

Nos doze anos que se seguiram tornou-se numa lenda mundial, num caso único de performance desportiva, num fenómeno de imbatível popularidade. A uma carreira de sucesso ao mais alto nível, Cristiano Ronaldo juntou uma gestão de excelência da sua imagem pública, tornando-se num ícone planetário.

O primeiro revés surgiu há pouco mais de um ano, com a acusação de um conjunto de crimes fiscais, que acabariam por lhe custar umas duas dezenas de milhões de euros, e por levá-lo a abandonar Madrid. Mas nada de irremediável: a Juventus recebeu-o em Turim de braços abertos, os milhões não são problema e, não sendo hoje em dia motivo de orgulho, as faltas fiscais também não são uma nódoa que nunca mais saia. E não passava pela cabeça de ninguém responsabilizar moralmente Cristiano Ronaldo por um pecado fiscal. De fiscalidade têm de perceber os seus assessores, ao que sabe principescamente pagos.

O que agora por aí corre – que, estranhamente, os media nacionais fizeram por ignorar, pegando-lhe apenas quando o seu silêncio já era ensurdecedor – tem outra dimensão. É outra coisa. O movimento “me too” tornou-se num furacão incontrolável, pronto a engolir Cristiano Ronaldo e capaz de acabar com uma carreira, com uma marca planetária e com uma lenda histórica!

Ache-se o que se achar deste terramoto com epicentro em Los Angeles, a verdade é que o fabuloso mundo das grandes estrelas do “show bizz” passou a dividir-se em duas eras: antes, e depois do “me too”.

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Tema da semana*

 

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Num país em que tanta coisa estranha acontece, o roubo de armas de Tancos não é apenas mais uma. Mais que coisa estranha, é um fenómeno, ou não ficasse Tancos ali para os lados do Entroncamento. De resto, nestas coisas militares, Portugal é todo um imenso Entroncamento. Bem nos lembramos dos submarinos, e de como toda a documentação desapareceu tão misteriosamente como as armas de Tancos. Só que com esse ninguém se preocupou…

Mas voltemos a Tancos, e ao seu fenómeno. Tudo começa em Junho do ano passado, quando alguém consegue assaltar uns paióis que, no mínimo, todos julgaríamos tão inexpugnáveis quanto os cofres-fortes do Banco de Portugal. E roubar armas de guerra, que não dávamos por menos controladas que as notas fabricadas na Casa da Moeda.

Primeira estranheza: nada, de nada disso. A protecção é em rede e arame farpado, e logo vimos o buraco por onde nos quiseram fazer crer que as armas tinham saído. E não estavam sujeitas a controlo nenhum, não havia registos de inventário e a sua custódia era garantida por umas rondas feitas de vez em quando. Quando calhava. E nem sequer se sabia quando teriam sido roubadas…

A partir daí não mais deixamos de ser surpreendidos por coisas cada vez mais estranhas. O fenómeno é tal que, a página tantas, já o próprio ministro dizia que, se calhar, nem tinha havido roubo nenhum. Pelo meio o Chefe do Estado-maior do Exército entretinha-se a demitir oficiais e a readmiti-los logo de seguida. O fenómeno atinge os limites da estranheza quando, 4 meses depois, as armas foram devolvidas – melhor, deixadas ali perto, a 20 quilómetros, com um suposto telefonema de aviso para que as fossem buscar – e toda a gente, militares, ministro e governo, a testar os nossos limites de tolerância, deu o caso por encerrado. E bem resolvido, tão bem que até tinham devolvido material a mais! 

Há dois ou três dias, a cereja no topo do bolo: estava descoberta a “estória” da entrega das armas. A do roubo, é que continua por descobrir… sem que, mais uma vez estranhamente, ninguém se preocupe muito com isso. E não se passou nada. Nada mais que uma disputa entre Polícias Judiciárias, com a da Justiça a ganhar por 8-0 à Militar.

Por favor… levem isto a sério!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

TEMA DA SEMANA #9 CARTA DOS 70

Por Eduardo Louro

 

É já consensual, mesmo entre os (poucos) defensores do actual governo, incluindo os parlamentares que acabaram de o aprovar, que o Orçamento para o próximo ano é inexequível. Todos os pressupostos macroeconómicos em que assenta ou já estão ultrapassados ou não passam de ilusões. A taxa de desemprego, por exemplo, já em Outubro chegara aos 16,3%!

Ainda não sabemos o que será o défice deste ano. Sabemos apenas que o governo falhou a meta dos 4,5% que ainda em Agosto garantia, como falhou os 5% que troika viria depois a aceitar. Para que o governo procura desesperadamente, entre concessão da ANA e outras coisas extraordinárias, expedientes contabilísticos que lhe permitam as marteladas que limitem a dimensão escriturada do défice a essa meta em segunda escolha. Mas sabemos que o défice real estará muito mais próximo dos 8 que dos 6,5%!

Mesmo que o orçamento para 2013 fosse exequível, isto é, que mesmo que os pressupostos em que assenta tivessem algum contacto com a realidade, e que as medidas que contempla produzam os resultados supostos, chegamos a 2014 com a necessidade de reduzir o défice para 2,5% - bem acima, mesmo assim, dos 0,5% impostos pelo Tratado Orçamental que o governo se apressou a ratificar – sem que ninguém consiga vislumbrar como. Sabe-se que, para isso, é necessário cortar da despesa os tais 4 mil milhões de euros porque, de receita de impostos, já não há mais ilusões. Sem a mínima ideia de por onde lhe pegar, o primeiro-ministro sacou da refundação do Estado. Cedo, entre o que disse e o que desdisse, entre o que disse e outros desdisseram, entre o que disse sem saber o que estava a dizer e o que veio explicar, dias depois como é habitual, que queria dizer, se percebeu que a ideia é cortar nos serviços que o Estado deve aos cidadãos. No que lhe deve porque os cidadãos lhe pagam em impostos e no que lhe deve do que os cidadãos lhe entregaram paras as suas pensões de reforma.

Cedo se percebeu que a ideia do governo não tem nada a ver com qualquer tipo de reforma estrutural do Estado. Apenas com cortes, sem qualquer percepção dos seus efeitos. Sem perceber que se destroem progressos sociais que demoraram muitas décadas a construir e sem preocupação de qualquer espécie com o retrocesso de largas dezenas de anos, com o regresso a patamares de desenvolvimento que já não cabem na memória de grandes faixas da população. Há muito que se sabe que nada disto preocupa o Presidente, impávido e ridiculamente sereno!

É neste cenário de desesperança, de percepção de metas inalcançáveis e de objectivos imperceptíveis, e da constatação de que tudo se está a destruir por coisa nenhuma, que surge uma carta aberta ao primeiro-ministro, assinada por 70 personalidades, mais ou menos óbvias - e já disponível a jeito de abaixo-assinado para o grande público - pedindo-lhe ou recomendando-lhe a alteração do caminho. Ou a demissão.

Quem ache que a democracia se limita a eleições de tantos em tantos anos e que, nesse intervalo, quem as ganhou governa como bem entenda, mesmo que mais ninguém consiga entender o que eles entendem, acha que pedir a inversão do entendimento do governo ou a sua resignação não é atitude democraticamente aceitável.

Houve gente que achou assim, e que não se calou. Mas não deixa de ser curioso reparar que é gente que apoia o governo e convive bem com tudo o que está a acontecer. Quer dizer, é gente que acha que democracia é isso … mas apenas quando sãos os seus a ocupar o poder! 

TEMA DA SEMANA #7

 Por Eduardo Louro

 

Que o espectro de um esquizofrénico chumbo no Parlamento de um orçamento por parte de um mesmo partido que o aprovara no governo esteja afastado, está.

Que a coligação esteja de boa saúde e se recomende, não. De todo! Que tudo possa continuar como se nada se tivesse passado, não. Que PSD e CDS, Passos e Portas, possam fingir que confiam uns nos outros, podem. Mas ninguém acredita! Que possam fingir que nada aconteceu e tudo foi empolado, não. De forma alguma! Que o orçamento seja exequível e leve o país a algum destino, não. Também! Que a crise política esteja ultrapassada, não. Não está porque não se circunscreve apenas a divergências entre partidos e personalidades que constituem a coligação. Mas também não o estaria mesmo que se resumisse a isso!

 

 

TEMA DA SEMANA #6 - CANDIDATURA DE LUÍS FILIPE MENEZES À CMP

Por Eduardo Louro

 

Numa semana com lotação esgotada acabo por escolher para tema da semana aquilo que, pretendendo sê-lo, acabou quase por passar despercebido: o anúncio da candidatura de Luís Filipe Menezes à Câmara Municipal do Porto.

E não é porque Menezes tenha tentado, com tão extemporâneo quanto despropositado anúncio, lançar um tema que abafasse toda a farta asneirada do governo. Quis deixar passar essa ideia mas, na realidade, ele não quis mais nada que não fosse aproveitar a fragilidade do líder para fazer passar a sua velha e mais que batida aspiração.

Não sei se ele sabe que a gente sabe que nunca consegue ser levado a sério. Não sei se sabe que não tem estatuto – por muito que lho dêem no nosso provinciano espaço mediático ou mesmo que seja conselheiro de Estado, estatuto que Dias Loureiro se encarregou de deixar pelas ruas da amargura - para marcar a agenda política nacional. Não sei se ele sabe que a gente sabe que tem sérios problemas de coluna. Porventura não atribui importância nenhuma a ter sido o primeiro a apoiar a medida da TSU logo que anunciada por Passos Coelho para, logo que viu que os ventos não sopravam naquela direcção, ser o primeiro da área da maioria a dizer que o governo teria de recuar na medida. Sem deixar passar a oportunidade para dar mais um sinal das confusões que traz na cabeça, ao complementar que o governo deve procurar no IRS ou noutros impostos “os 2,8 mil milhões de euros indispensáveis para a consolidação orçamental” (sic), revelando-se como o único português que não percebeu que a célebre medida de Passos e Gaspar não tem especial impacto no défice: em rigor, dos 2,8 mil milhões de euros, apenas 500 milhões têm impacto orçamental.

O assunto não foi sequer notícia. Não teve qualquer repercussão, para além do entusiasmo de um ou outro aparelhista do PSD Porto e de um ou outro portista (disse portista, não disse portuense), para quem o único problema da cidade e da região é o FCP não festejar os seus títulos nas varandas do Município.

Se assim é, então porque é este o tema da semana?

Pela simples razão que estávamos todos à espera da tal clarificação – embora também não esperássemos clarificação nenhuma, apenas mais uma forma descarada de violação da lei em proveito das nomenklaturas partidárias - da lei da limitação dos mandatos. A lei impede a candidatura de titulares do cargo depois de três mandatos. Menezes está-se nas tintas e impõe unilateralmente a interpretação que acrescenta à lei três palavrinhas apenas: no mesmo município!

PS e PSD, caladinhos, agradecem… 

TEMA DA SEMANA #5 - RTP

Por Eduardo Louro

 

António Borges, o chefe de vendas que Passos Coelho contratou para vender Portugal, e que vai assumindo sem qualquer constrangimento o papel de maior odioso de todos os agentes políticos do poder, lançou o tema da semana.

Quando se pensava que na agenda política sobressairiam os dados económicos do primeiro semestre divulgados pelo INE - que não só comprovam a falência total do programa da troika e da acção deste governo que, nascido da esperança, acaba por confirmar a de todo improvável proeza de ser ainda pior que o anterior – e a confirmação final do adeus ao cumprimento do défice, por alma de quem se enterrou a economia portuguesa e se destruiu a classe média, eis que surge a privatização da RTP a dominar as primeiras páginas e a tomar conta dos comentários nas televisões.

Quando o tal senhor, que não sendo ministro mas que é o executivo mor do governo, revelou aquilo a que chamou solução atraente – eu diria mais, é uma solução muito mais que atraente: é um negócio sem risco para o investidor, como foi o da EDP e como são todos os que este senhor engendrar, porque ele não existe para outra coisa – pensei que aquilo não passaria de uma brincadeira para que se não falasse daqueles resultados. Pensei que o governo tinha todo o interesse em tapar aqueles resultados e entreter a opinião pública com outras coisas, até porque a troika chega já amanhã e haverá de servir de amortecedor.

Em alternativa poderia ser que se tratasse de um balão de ensaio: um tipo que não tem nada a perder – creio que na consideração e no respeito dos portugueses já perdeu tudo o que tinha para perder – lança o barro à parede e logo se vê como corre. Porque, evidentemente, ninguém acredita que uma coisa destas fosse lançada por António Borges sem que estivesse cozinhada no governo!

Sou a favor da privatização da RTP, como já aqui manifestei em várias ocasiões. Que não a favor da erradicação do serviço público de rádio e televisão – que poderia ser incluído nos contratos de concessão de licenças - como igualmente aqui tenha defendido. Não é que seja, em tese, contra a existência de rádio e televisão públicas. Antes pelo contrário! Sou é contra uma estação pública de rádio e televisão em Portugal, neste país concreto governado por esta gente concreta. Que a usa para nela interferir e para nela despudoradamente acoitar clientelas à custa do nosso dinheiro!

Por isso apoiei a intenção de privatizar a RTP, logo que Passos Coelho a anunciou na campanha eleitoral. Ora, privatizar não é nada disto. Depois de comissões e mais comissões a estudar o assunto, de milhões e milhões gastos em consultores, e de um ano de voltas e reviravoltas no processo, vêm dizer-nos que há uma solução atraente: entregar a exploração da RTP a privados (e vamos a ver quem são - já todos desconfiamos!) continuando nós a pagar!

Esta gente anda mesmo a brincar connosco!

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