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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tragédias

Visão | Tempestade Kristin: Relatos de um Portugal abandonado

Passa já uma semana sobre uma das maiores catástrofes climatéricas que se abateu sobre o país, na tempestade a que deram o nome de Kristin - que sucedeu à Ingrid e à Joseph -, e estamos já no meio de outra, a Leonardo. Ainda não é a distância para se lhe escrever a História, mas já dá para para muita história.

Tudo começou com um "sms" banal - "vento intenso, fique atento, siga as recomendações" -, a que foi dada exactamente a importância das coisas banais - nenhuma. O "sms" era dirigido à população em geral que, ao não lhe ligar coisa nenhuma, foi apanhada desprevenida.

Já isso foi mau. Pior é que o Governo, a Protecção Civil, e os Autarcas não estavam mais prevenidos. Se os estivessem nem o "sms" teria sido aquele.

O primeiro-ministro preocupa-se com imigrantes, segurança e impostos. Está cá "para resolver os problemas das pessoas", desde que não decorram de catástrofes, bem entendido, e para a evangélica missão de levar os portugueses à "superação", sob a inspiração de CR7. As questões climáticas, de que já ouviu vagamente falar, ficam para os activistas.

A Protecção Civil é o brinquedo que os Governos preservam religiosamente para os seus boys. Cada vez que o brinquedo muda de mãos, chamam-lhe reestruturação. Como os boys são muitos, muda muitas vezes. Está em permanente reestruturação, e não pode estar preparada para muito mais que emitir um "sms" manhoso.

O governo não foi apanhado de calças na mão. Foi apanhado nu, e assim vai ficar. 

Maria Lúcia Amaral, a ministra (zombie) da Administração Interna será para sempre o rosto da barata tonta que nos surgiu em forma de governo. Depois de dias de desaparecimento, apareceu-nos a dizer que vinha de um "estado invisível", sem saber o que tinha falhado, para entrar definitivamente no anedotário nacional com a "cena" da "aprendizagem colectiva".  

António Leitão Amaro, o ministro da Presidência, não lhe quis ficar atrás, e acentuou a imagem de indigência do governo, naquele vídeo a auto-promover-se, cheio de si, no meio da tragédia.

Seguiu-se Nuno Melo, o Ministro da Defesa, como se de um desfile se tratasse. As Forças Armadas não foram tidas nem achadas na prevenção, nem na intervenção no cenário de crise. Mas o ministro apareceu a mostrar-se ao lado de um mini-contigente militar, num terreno que nada tinha a ver com qualquer cenário de crise. Garantida a fotografia, logo que o contingente de jornalistas e repórteres destroçou, o ministro desapareceu. O ministro e os militares, que ninguém viu mais por ali, porventura mobilizados para a festa de aniversário que um sargento, na missão de sacrifício que tanto sensibilizou o ministro, havia trocado por tão imperativo sentido patriótico.  

Manuel Castro Almeida, o Ministro da Economia, e dos fundos europeus, também quis dar o seu contributo. Falou das ajudas às pessoas - do pacote de 2,5 mil milhões para acudir a famílias, empresas e autarquias que, após uns dias a patinar, e depois de ligar para Bruxelas, Montenegro anunciara -, que estariam disponíveis lá para o final do mês. Até lá as famílias têm o “ordenado do mês passado", ainda fresquinho.

Também Luís Montenegro se quis associar à realidade alternativa que os seus ministros apresentaram ao país: não houve mortes, houve apenas pessoas "que não evitaram a trágica consequência de perder a vida". 

Uma tragédia dentro da tragédia. Dentro de muitas tragédias ...

Da tragédia do Siresp, a rede de comunicações de emergência do Estado que soma tragédias a cada tragédia. Da tragédia do falhanço completo dos monopólios e oligopólios da electricidade e das comunicações, magras no investimento e gordas nos resultados e nos dividendos. Da tragédia do abandono do interior, mais gritante a cada tragédia. Da trágica ideia de um Estado que falha sempre que não pode falhar.

Só faltava que, com tanta tragédia, tão à flor da pele, as eleições do próximo domingo revelassem mais uma - a tragédia de um povo definitivamente vencido pela descrença e pelo obscurantismo

 

Uma semana agitada

   Tempestade do século' na Irlanda também vai afetar Portugal - SIC Notícias

Foi uma semana agitada, esta que hoje termina, ainda agitada, no dia em passam sessenta anos sobre a morte de Churchil, hoje um monumento político.

Começou com a tomada de posse de Trump. E agitação maior não podia haver. Foi o chapéu da Srª Melania Trump, mais o seu look Gestapo, bem apanhado pela Cristina Torrão. Foi Elon Musk,  exuberante na mal disfarçada saudação nazi. Foram Bezos, Zuckerberg e Elisson, no inédito que junta os quatro mais ricos do mundo na posse de um presidente de um Estado. Onde, ainda assim, não faltaram portugueses. Lá estiveram Marco Galinha e André Ventura. E foi a produção televisiva aos pés de Trump, a despachar na festa que se seguiu, em público, ou na reserva da sala oval, reservada para o mesmo efeito.

Prolongou-se pelo mesmo Trump, a ameaçar taxar tudo o que viesse de fora. E a convidar as empresas que produzem fora para que os americanos comprem barato a regressarem. Para produzir no país a preços a que não conseguem vender. Ou nem sequer conseguirem produzir porque, ao mesmo tempo, Trump quer expulsar de lá a mão de obra latina e sul-americana, para meter os americanos a trabalhar na agricultura, na pecuária, a lavar louça no Macdonald´s, a limpar as ruas, nos táxis e ubers, a meter gasolina, ou a entregar hot dogs, pizzas e hamburguers em casa dos outros americanos.

Continuou com o pipy da Cristina, e sabe-se como a Cristina, com ou sem pipi, agita o país.

Passou pelo sismo no Bloco de Esquerda - primeiro desmentiu e acusou o mensageiro, depois reconheceu o desvio - com a notícia de ter despedido trabalhadoras (inicialmente as notícias falavam de cinco, mas acabaram por se ficar em duas) que haviam sido mães e estavam a amamentar.

E pela surrealidade a tomar conta do Chega, com o deputado açoriano Miguel Arruda apanhado a roubar malas nos aeroportos de Lisboa e de Ponta Delgada, e a vender "on line" o produto do roubo. André Ventura, como é costume, foi esperto a tratar do assunto. Nem assim lhe correu bem... 

E vai acabar com a Hermínia, a tempestade que se está neste momento a desenvolver no Atlântico para passar por cá o fim-de-semana. Espera-se que  bem menos agitada que a Éowyn, que espalhou o caos por toda a Grã-Bretanha, e obrigou milhões de britânicos a ficarem hoje em casa.

 

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