É estranho que a anterior número 2, e agora cabeça de lista do PSD, pretenda renovar o seu mandato de vereadora à Cãmara de Lisboa, em que sistematicamente falhou as suas obrigações.
Não dará para reconhecer grande vocação autárquica a quem tanto se borrifa para as responsabilidades assumidas na autarquia. É certo que, como já alguém do partido se apressou a vir esclarecer, a senhora não só faltou até agora a 91 reuniões, nem participou apenas em 5 das 27 dos últimos 6 meses, por ter estado de férias nas Caraíbas. Falhou porque tinha funções muito importantes para a país a desempenhar na Assembleia da República.
Esclarecido, portanto. A senhora não tem mãos a medir com tanta obrigação. Só não percebemos por que é que, então, não se deixa a senhora nas suas importantíssimas - para o país, claro - funções de deputada. Por que é que se há-de continuar a obrigar a senhora a faltar às obrigações para que vai ser eleita?
A natureza é muita injusta para os cordeiros nesta época da Páscoa. E até para os coelhos...
É dona de um currículo que fala por si. Um exemplo flagrante da fauna política que faz da incompetência cartão de visita e da trapalhada modo de vida. Com tudo para fazer parte da nata que Passos Coelho trouxe para a ribalta... É sua vice-presidente!
De Teresa Leal Coelho já tudo viu. E dela tudo se espera... Foi vice de Vale e Azevedo (também um produto do cavaquismo) na SAD do Benfica, donde se recusou a sair quando o seu mentor foi corrido. Teve que ser Manuel Vilarinho, o presidente eleito, a demiti-la. Trapalhadas também não faltaram na sua passagem pelo Centro Cultural de Belém, acusada de favores a amigos. Bem íntimos, ao que se dizia... Foi por isso condenada. Por duas vezes!
Ontem, Fernando Negrão não a poupou. Perdeu a paciência com as trapalhadas da senhora - mais uma vez, por incompetência ou porque simplesmente é esse o seu modo de vida, não cumpriu com as suas incumbências em sede de comissão parlamentar (presidida por aquele reputado deputado do seu partido, sobre enriquecimento ilícito) - e disse-lhe, em público, alto e bom som: “A pior coisa que há na vida é desmentir a realidade”!
O que lhe vale (sem Azevedo) é que, para este tipo de gente, a melhor coisa que há na vida é não ter vergonha...
Já aqui escrevi várias vezes sobre o que considero a vergonhosa aprovação da proposta de referendo, na passada sexta-feira. Resisti sempre em escrever o que quer que fosse sobre a atitude da vice-presidente do PSD e do grupo parlamentar, a deputada Teresa Leal Coelho, que se ausentou do hemiciclo na altura da votação e, depois, apresentou a sua demissão da vice-presidência da bancada.
Não é figura por quem nutra especial admiração, já aqui foi de resto referida em circunstâncias pouco abonatórias, personalizando sempre o mais acéfalo seguidismo que a grande maioria dos deputados revela. Um cromo da política!
Fiquei por isso surpreendido. Nunca a imaginaria a desafiar o poder, não a julgava capaz daquela verticalidade que faria supor lealdade a princípios e valores de que a julgaria arredada.
Era no entanto tal a pedra no sapato que nem essa surpresa me levou, apesar da tentação – se há coisa que gosto é de corrigir as minhas próprias impressões quando reconheço que estão erradas –, a louvar a sua atitude e a revelá-la como o raio de luz que brilhou naquela tarde negra do parlamento. Não me arrependo: afinal, quer a proposta quer a fixação da disciplina de voto, tinham sido aprovadas por unanimidade pela Comissão Política Nacional, em 22 de Outubro. Afinal a senhora concordara com aquilo tudo e, vá lá saber-se porquê, mudou depois de ideias…
Está-se sempre a tempo de mudar. Não há mal nenhum nisso, especialmente se for para melhor. Mas um cromo é um cromo!
O Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) pediu desculpa – desculpa diplomática – às entidades angolanas pelas investigações da Justiça portuguesa a altas figuras do regime. E disse-lhes que estivessem tranquilos, que soube pela Procuradora Geral da República (PGR) que nenhuma situação é grave.
Joana Marques Vidal, a PGR, desmente e lembra que Portugal é um Estado de Direito, onde há separação de poderes.
O Primeiro-Ministro é interpelado sobre o caso no Parlamento mas ignora-o, acha que não tem nada que responder.
Na SIC Notícias, há momentos, a deputada e vice-presidente do PSD, Teresa Leal Coelho, que já vimos que é mulher para tudo o que seja disparate, e que não sabe o que é vergonha, nega a evidência e tem lata para, perante o registo das declarações, dizer que o ministro não está a dizer aquilo que está a dizer. Perplexo, o Mário Crespo - até o Mário Crespo, vejam bem - volta a passar as declarações, para que ela se não enterre mais. Imperturbável, a senhora deputada volta a repetir que o ministro não está a dizer aquilo que continuamos a ouvi-lo dizer.
Rui Machete soma e segue e continua MNE... Porque isto é Portugal, hoje e agora!
Que gentinha, esta ...
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