Ouvi a meia hora do discurso de posse de Trump, "president again". Quando o ouvi dizer que ia renomear o Golfo do México, passando a chamar-se Golfo da América; que iria tomar de volta o Canal do Panamá e erguer bandeiras noutros locais, pensei logo no Canadá e na Gronelândia.
O tipo vai mesmo invadir o Canadá e, pura e simplesmente, anexar a Gronelândia - pensei.
Hoje é dia de Martin Luther King, um dos apenas três feriados nacionais em que os Estados Unidos celebram uma pessoa. Foi estabelecido em 1983, na era Regan, e celebra-se na terceira segunda-feira de Janeiro.
É com indisfarçável ironia que este 20 de Janeiro acontece à terceira segunda-feira. Que o dia que a América destinou ao seu maior símbolo de paz e harmonia, seja o mesmo em que vai entregar o poder ao mais disruptivo e perturbador dos seus presidentes.
O mundo agradeceria que esta fosse apenas uma segunda temporada de uma série melodramática americana. Trump é capaz de tudo, e seria até capaz de reduzir esta segunda oportunidade a apenas isso. Só que desta vez é diferente. Nesta segunda oportunidade Trump surgiu rodeado de outra gente. Desta vez de gente realmente perigosa, que quis ela própria transformar-se em poder e atrair à sua volta os mais poderosos dos poderosos.
Não. Hoje não é uma segunda temporada que começa. Hoje é o dia em que o mundo começa irreversivelmente a andar para trás. E a ficar muito mais perigoso!
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