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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Liderança isolada, mas muita coisa decepcionante!

Em circunstâncias como as do jogo de hoje na Luz, diz-se muitas vezes que a equipa deu uma parte do jogo de avanço ao adversário. Foi mais que isso o que o Benfica (não) fez na primeira parte. Não a deu de avanço, limitou-se a ser uma enorme decepção!

O treinador do Benfica falara (demais) sobre a possibilidade de, depois do sucesso no play-off de apuramento para a Champions, a equipa relaxar. Com o jeito que tem para tratar destas coisas pareceu mais um convite a esse relaxamento que propriamente uma acção preventiva para esse problema. É que essas coisas tratam-se no trabalho com a equipa, não é nas conferências de imprensa.

A primeira parte foi isso, e nem a perspectiva da liderança isolada do campeonato serviu de motivação para a equipa que entrou em campo. As seis ou sete alterações na equipa relativamente ao jogo com o PSV deveriam ter promovido uma dose de ambição aos jogadores que entraram, na perspectiva de afirmarem o seu valor e, assim, ultrapassar não só os problemas de fadiga que naturalmente o jogo de Eindoven provocou, mas também os do tal relaxamento. Mas nada disso. E foi uma equipa apática, sem rasgo, e sem ambição, com jogadores não fizeram por merecer vestir aquela camisola.

E muitos não merecem mesmo. Uns porque não têm claramente categoria para jogar no Benfica - Meité é, decididamente , uma contratação que não se entende, como não se entende a de Gil Dias, que não jogou mas também não precisava, nem a de Rodrigo Pinho, que entrou no melhor período do Benfica, e nem assim mostrou argumentos que a justifiquem. Outros, como Pizzi e André Almeida, que já deram o que tinham a dar. Ou talvez o que queriam dar.

O Tondela fez apenas um remate na primeira parte. O suficiente para marcar, e sair na frente. Um golo muito consentido, no eterno problema do espaço entre o central e o lateral, na esquerda, como é realmente mais frequente, em que o próprio Vlachodimos - sempre muito apoiado pelo público, o que quererá dizer muita coisa na patética polémica criada por Jorge Jesus - também não terá feito tudo o que poderia. Ou deveria.

Mas foi sempre claramente mais equipa, o que também não era difícil com aquela prestação dos jogadores do Benfica.

Ao intervalo Jorge Jesus tirou precisamente aqueles três jogadores acima referidos, trocando-os por Gilberto, Wiegl e Rafa. E de imediato a equipa surgiu transformada, colocando em jogo mais velocidade e mais intensidade. E as ocasiões de golo que na primeira parte se não tinham visto começaram a surgir.

Só que o jogo já estava complicado. E bastaria que o guarda-redes do Tondela começasse a engatar, que os seus colegas começassem a a usar das artimanhas para quebrar o ritmo do jogo e queimar tempo, e que o árbitro -Tiago Martins, um especialista na arte de complicar as coisas ao Benfica, e com mais um penalti (sobre Rafa, aos 56 minutos) por assinalar - entrasse no seu registo provocador habitual para que se tornasse muito difícil dar a volta ao jogo.

Tudo isto aconteceu, e complicou mais um jogo complicado por aquela primeira parte. Mas também aconteceu que o Benfica não conseguiu manter o ritmo, a intensidade e a qualidade do primeiro quarto de hora. Valeu o apoio do público a empurrar a equipa para a reviravolta. Porque, na verdade, os golos da reviravolta já nem surgiram envolvidos em jogadas de futebol envolvente. O do empate, aos 71 minutos, por Rafa, surgiu num canto cobrado por João Mário, depois de um desvio de Weigl ao primeiro poste. E o da vitória, de novo a partir de João Mário, já aos 88 minutos, por Gilberto já resultou muito do esgotamento da defesa do Tondela.

Salvou-se a vitória, e a liderança isolada do campeonato. E em termos exibicionais salvaram-se João Mário - o melhor em campo - e Rafa. Mesmo que Gilberto, e Weigl, tenham sido determinantes. E nada mais!

 

A competência facilita as coisas

 

Jogar em Tondela é sempre difícil, pelo que esta deslocação do Benfica não podia ser encarada com grande optimismo. As ausências, por castigo, de Veigl e Otamendi, a que se somavam mais alguns jogadores em risco de ficarem impedidos de jogar o próximo jogo, que é com quem se sabe, complicavam mais as coisas. O Ramadão também entra nestas contas, com Taarabt de fora, entre o jejum e as lesões.
 
Sem Otamendi, o treinador do Benfica abandonou a sua nova opção pelos três centrais, e regressou ao seu clássico 4x4x2, com o centro da defesa entregue a Lucas Veríssimo e Vertonghen. Com Gabriel a fazer de Weigl, Gilberto, também ele em perigo amarelo, a poupar o Diogo Gonçalves a esse risco, Everton e Waldchmidt de volta à titularidade, e Pizzi na rara condição, nos últimos tempos, de titular pela segunda vez consecutiva. Muitas mexidas.
 
O jogo arrancou a quere confirmar as esperadas dificuldades, com o Tondela muito agressivo e disposto a lutar por todos os espaços e por todas as bolas. Rapidamente, bem cedo, e à custa de bom futebol, o Benfica anulou as intenções tondelenses. E partiu para uma boa primeira parte, com 35 minutos de grande nível.
 
O primeiro golo surgiu logo aos 12 minutos, mas já na terceira oportunidade claríssima do Benfica. Antes já Seferovic tinha feito o que é costume - fazer o mais difícil, que é falhar um golo daqueles. E Everton - mais uma aparição, ele que tantas vezes anda desaparecido - isolado, tinha desperdiçado outro.  Às três foi de vez, e foi de novo a vez de Pizzi, em mais um daqueles golos que só ele marca, assistido pelo Everton.
 
O Benfica estava então em plena exuberância exibicional, e o segundo golo tardou apenas 7 minutos. E também à terceira, que no total era a sexta oportunidade de golo criada. E que golo, este de Everton!
 
A equipa manteve a exibição em bom nível até ao fim da primeira parte, mesmo que à medida que o tempo ia avançando se começasse a ver a equipa mais interessada em controlar o jogo, do que propriamente em continuar avassaladora.
 
Tendência que acentuou na segunda parte, e que se chegou até a mostrar perigosa, em especial no primeiro quarto de hora, quando a equipa correu sérios riscos. Valeu, por duas ou três vezes, o guarda-redes Helton, já a fazer esquecer Vlachodimos. Ou pelo menos a dar razão à inexplicável - e inexplicada - opção de Jorge Jesus de há dois meses. 
 
Foi o período menos bom da equipa. Que, passado esse quarto de hora inicial, mesmo sem nunca voltar a atingir o fulgor da primeira parte, voltou ao controlo absoluto da partida. E a criar oportunidades de golo flagrantes. Para Seferovic voltar a desperdiçar. Mas também Pizzi, num remate fantástico que só por muito pouco não deixou a bola dentro da baliza. E ainda Cervi, entrado perto do fim, sozinho em frente ao guarda-redes, mas também com dois colegas ao lado, sem nada que os estorvasse.
 
É sempre assim, quando se é competente, os jogos difíceis acabam em jogos tranquilos. A equipa jogou globalmente bem, e até os patinhos feios a parecer cisnes. Everton foi mesmo cisne. Gabriel não foi, mas às vezes até chegou a parecer. E com Pizzi em forma, a música é outra. 
 
Não fosse aquele intolerável apagão com o Gil e outro galo agora cantaria. Quando deixaram que fosse o galo de Barcelos a cantar deixaram que se acabasse tudo. O acesso directo à Champions é agora de alta improbabilidade. Até porque para o outro lado continua a cair daquilo de que eles gostam tanto por todo o lado, e de toda a maneira e feitio.

Enigma

As coisas não mudam de um dia para o outro. Às vezes no futebol mudam, mas para isso é necessário que algo de estrutural mude. As vezes acontece...

Não se podia por isso esperar muito do Benfica para este jogo de hoje com o Tondela, e o jogo acabou por confirmar as (baixas) expectativas. A primeira parte foi exactamente o costume. Muita bola sem saber o que fazer com ela. Pouca ou nenhuma agressividade, devagar e devagarinho, e incapacidade absoluta de criar condições para chegar ao golo.

A segunda parte começou um bocadinho melhor, com mais um bocadinho de dinâmica, e com os jogadores a parecer que queriam ganhar o jogo. E cedo, aos 10 minutos, aconteceu o que também começa a ser costume: numa jogada com jeito, daquelas que deveriam ser a regra mas são a excepção, apareceu o golo. Naturalmente. Um lance daquelas - um belo passe de Pizzi, a rasgar a defesa beirã, desmarcação de Darwin na profundidade e cruzamento de primeira com Seferovic, de frente para a bola e para a baliza - ou dão golo ou lá próximo. Muitos lances daqueles ao longo do jogo dão golos para ganhar jogos.

É sempre assim. E só tem sido assim que o Benfica tem conseguido marcar os poucos golos que vai fazendo. Poucos porque são esporádicas essas jogadas. Foi assim que fez os outros dois golos. O que foi anulado a Darwin por fora de jogo. Claro, tão claro como tinha sido, no sentido inverso, o primeiro, que o árbitro também anulou, e que o VAR levou uma eternidade para validar, e tão claro como foi o penalti (a mão do defesa do Tondela na bola) no momento anterior ao remate de Darwin, que o  árbitro, Manuel Oliveira, e o VAR não quiseram ver.

A seguir a esse primeiro golo, e ao contrário do que vem sendo hábito, pareceu que a equipa ia prolongar aquele futebol já aceitável, e continuava a procurar o golo. Só que isso não durou mais de 10 minutos. A meio da segunda parte já o Tondela já jogava no campo todo e, com um só golo de vantagem e com a quase certeza que não há jogo sem que Vlachodimos tenha de ir buscar a bola ao fundo da baliza, lá estava outra vez a tremideira. E a incapacidade de segurar o jogo, com a equipa a perder a bola por dá cá aquela palha.

E o costume esteve quase a acontecer. Aos 86 minutos o Tondela teve a sua única oportunidade para marcar, e isso normalmente dá mesmo golo. Valeu a única, e grande, defesa de Vlachodimos. Valeu Vertonghen a afastar depois a bola, e valeu, depois, que a equipa percebeu que não podia correr mais riscos. E que foi capaz disso.

Não tivesse sido isso e aqueles 7 minutos de compensação teriam sido um susto. Não foram, e deram até para chegar ao 2-0. Noutra boa jogada de futebol, em tudo idêntica à do primeiro, com o mesmo Darwin a dar para Waldschmidt (o que Jorge Jesus está a fazer a este jogador... é bem capaz de o destruir) fazer de Seferovic, que substituíra.

Já que não se resolvem todos os problemas que envolvem o Benfica, do topo à base, ao menos que se resolva este enigma: se o treinador e os jogadores vêm como é que marcam golos, porque é não insistem em jogar assim? Já não digo o jogo todo, porque há tempo para tudo, para atacar, para defender e para controlar. Mas ao menos sempre que possam atacar. É que se o fizerem percebem que isso é muito mais interessante que andar ali com a bola de um lado para o outro, para  trás e para a frente, para depois voltar a trás.

 

Desconsolo

SL Benfica 0-0 CD Tondela: “Águias” sem asas para voar falham voo ...

 

Regressou a bola, três meses depois. Pelo que se passou nem parece que entretanto passou tanto tempo, tão iguais as coisas estão. Parece até que ninguém quer ganhar este campeonato. Mas se calhar apenas se poderá dizer que ninguém merece ganhá-lo.

Hoje, na Luz, ao desconsolo daquele vazio, ao desconsolo do voo da águia sozinha, como que perdida num deserto, juntou-se o desconsolo da oportunidade perdida de regressar á frente do campeonato, e à condição de não depender se não dos próprios resultados para o ganhar pela segunda vez consecutiva, e pela 38ª da história.

E o desconsolo do Benfica continuar em queda livre. Pegando na imagem que o Toni deixou há uns dias, parece que estes três meses não deram para comprar um pára-quedas. 

O Benfica continua sem jogar bem. Consegue-se ver, como hoje aconteceu, uma ou outra jogada bem pensada e bem executada. Um - hoje não foi mesmo mais que um - ou outro lance de bola parada bem trabalhado. Mas nada disso tem continuidade. Nem variedade!

Mesmo assim a equipa teria de ganhar este jogo com o Tondela, que acabou por se transformar num festival de oportunidades perdidas. A maior foi a oportunidade de passar para a frente. As outras foram a dezena de oportunidades de golo falhadas, que começou logo no primeiro minuto do jogo, quando Rafa não teve arte nem engenho para fazer melhor que acertar no guarda-redes Cláudio Ramos.

Foi premonitório, esse lance do primeiro minuto. Foram 25 ou 26 remates, foram muitas as vezes em que a bola passou perto da baliza. Por duas vezes bateu nos ferros,  por mais três ou quatro ficou nas mãos do guarda-redes adversário. E por uma vez foi tirada por um defesa quando parecia que iria finalmente entrar. Mas, no fim, não deverão ter sido muitos os benfiquistas a achar que tudo foi apenas falta de uma pontinha de sorte. Serão provavelmente muitos mais a admitir que falta muita coisa ao futebol da equipa.

Alguma coisa apesar de tudo melhorou. Melhorou a transição defensiva, e aquela buraco da meia esquerda pareceu ter sido tapado, com a chamada de Jardel. Se o Tondela não assustou se não por uma vez, no segundo dos quatro remates da equipa, foi porque o Benfica esteve francamente melhor que nos últimos jogos antes da paragem a proteger o seu meio campo.

De resto, sempre mais do mesmo. Desta vez Bruno Lage não recorreu aos três pontas de lança. Porque tirou o Vinícius quando fez entrar Seferovic, depois de já ter feito entrar Dyego Sousa, retirando Weigl. Mas o resultado foi o mesmo. Pela simples razão, que entra pelos olhos dentro, que não trabalha isso nos treinos. Que não trabalha nos treinos as situações a que depois, nos jogos, acaba em desespero por lançar mão. E por isso tudo acaba sempre com Seferovic a fugir da área para as alas, e Dyego Sousa a fugir para trás, com os centrais adversários de cadeirinha, a cortar bolas onde só eles estão.

Depois de um longo período para arrefecer a cabeça, quando dispunha de uma oportunidade única para recuperar uma liderança que já foi de sete pontos de vantagem, e ninguém já se lembra da última vez que o Benfica ganhou um jogo, o problema já não é acreditar que seja possível ganhar os nove jogos que faltam. É acreditar que esta equipa vai dentro de pouco tempo voltar a ganhar jogos! 

Que saudades das transições...

 

O treinador do Tondela tinha prometido jogar fechado lá atrás, confirmou essa intenção apresentando a equipa num cinco-quatro-um, pelo que o início do jogo não desiludiu essas expectativas.

Logo que o habilidoso Hugo Miguel deu o apito inicial o Tondela encostou-se à sua baliza e o Benfica não saiu de cima da área contrária. Boa circulação de bola, mas invariavelmente com o jogo a afunilar para a zona central, superpovoada por defesas tondelenses. E quando a bola chegava às alas, pouca presença dentro da área (Taarabt é apenas mais uma experiência falhada para o papel de segunda avançado), um monopólio dos defesas do Tondela. De sufoco, só o facto de a bola não passar da linha do meio campo para a metade do relvado à frente da baliza de Odysseas. Na verdade, situações de perigo para a baliza de Cláudio Ramos, nem em cheiro.

Por volta dos 10 minutos, e por duas vezes consecutivas, a bola passou para o lado de lá e surgiram as duas única ocasiões de golo. Que o guarda-redes do Benfica anulou, na primeira reduzindo o espaço e defendendo com a bola com um pé e, na segunda, com uma grande defesa para canto.

Até ao golo do Benfica, aos 19 minutos, por Ferro, na sequência de um canto, que por sua vez aconteceu na sequência do primeiro remate  a sério (Pizzi), o jogo manteve a mesma toada, com o Benfica a circular a bola, e o Tondela a todo lá atrás. Esperava-se que a partir daí se alterassem por completo as permissas do jogo, e que o adversário abrisse definitivamente o seu jogo. A verdade é que, mesmo que na resposta oTondela tivesse criado a sua terceira - e última - oportunidade de golo, o jogo não mudou de imediato. Foi mudando aos poucos...

 À medida que foi mudando, que o adversário mais subia, o jogo  ia ficando mais de feição para o Benfica. Mas não para este, para o outro, desaparecido há quase três meses, que fazia das transições o trunfo maior do seu futebol.

Este Benfica não consegue sair rápido para o ataque, os jogadores que têm a bola têm sempre mais uma volta a dar, e os que a não têm parece que estão presos por estacas.

A segunda parte foi exactamente isto, essa incapacidade de aproveitar o que um jogo mais repartido dava. E daí um espectáculo pobrezinho, na maior parte do tempo um jogo sem balizas. Da parte do Benfica, apenas dois remates, ambos de Chiquinho - um regresso que se saúda - que entrou já na segunda metade da segunda parte, para o lugar do apagado Taarabt. Do Tondela, nem um!

Mais um jogo que não abafa as saudades do Benfica desaparecido, e que vale pelo resultado. A 13ª vitória consecutiva fora de casa. Para o campeonato interno, obviamente!

Cada jogo são dois

Benfica-Tondela, 1-0 (crónica)

 

À 24ª quarta jornada do campeonato, a dez do fim, o Benfica foi ganhar ao Dragão e passou para a frente do campeonato, com uma almofada de dois pontos, que lhe garantia uma pequena margem de erro. A manutenção dessa pequena vantagem dava-lhe um pequeno conforto. Sabia que podia errar uma vez, e o rival sabia que não podia errar mais.

Quando o Benfica esgotou essa margem logo no jogo seguinte, com o Belenenses, ficou claro que os nove jogos que faltava disputar não eram mais os nove jogos de cada um. Ao Benfica e ao Porto não faltavam 18 jogos, nove a cada um. Faltavam nove jogos, os dois jogos que ambos tinham de disputar iriam fundir-se num único.

Os dois que já passaram confirmaram isso mesmo. O Moreirense-Benfica e o Porto-Marítimo foram um só jogo, que deixou a (falsa) ideia que ambos passaram com igual clareza e igual mérito. Só que se viu como tudo foi facilitado na parte do jogo disputada no Dragão, e como tudo foi complicado na parte disputada em Moreira de Cónegos.

Depois da paragem para as selecções hoje voltou-se ao campeonato, como bem se percebeu ao longo da semana, e ao tal jogo dos dois jogos: um em Braga, onde o Porto se deslocava, e o outro na Luz, que recebia o Tondela. E voltou a ver-se como tudo foi diferente: em Braga, quando o Porto estava a perder, o árbitro que foi membro dos Súper Dragões, não teve dúvidas em assinalar dois penaltis estranhos que viraram o resultado, e deram a vitória aos do Porto. Na Luz, aos 10 minutos de jogo, dentro de um quarto de hora inicial ao nível do Benfica de Bruno Lage, com sucessivas oportunidades claras de golo, com o resultado em branco, o árbitro leonino Carlos Xistra, que já afastara o Benfica da final da Taça da Liga, não assinalou um penalti claro cometido sobre Samaris.

E, enquanto o Porto não precisou de jogar nada para passar aquele que era o obstáculo mais difícil que tinha no calendário, o Benfica teve de dar tudo, e até de perder a cabeça, para ganhar a um dos últimos do campeonato, em posição de descida.

E foi isto o jogo dos dois candidatos ao título, confirmando-se que ao Porto basta comparecer nos jogos para os ganhar. 

Na parte deste oitavo jogo a contar do fim que se jogou na Luz, tem de dizer-se que, tendo em contas todas as vicissitudes de um jogo de futebol, que aparecem sempre todas em todas estas partes destes jogos, o Benfica acabou por ser ser feliz.

Depois de um quarto de hora inicial de grande nível, com três oportunidades claríssimas de golo, com um penalti negado e com um golo anulado por fora de jogo milimétrico de Jonas na assistência para André Almeida, isto é, com tudo para resolver o jogo, a qualidade do futebol começou a cair à medida que os alimentadores do jogo do Benfica, especialmente Gabriel,  começavam a falhar nos passes.

O Tondela defendia lá atrás, sem dar espaços. Cada minuto que passava era um tónico suplementar para os seus jogadores correrem ainda mais, disputarem com mais vigor as bolas divididas, e ganharem a maioria dos ressaltos.

No final da primeira parte o domínio do Benfica era avassalador, com seis grandes oportunidades de golo, mas só isso... 

No arranque da segunda parte Bruno Lage começou logo a arriscar - não tinha como não o fazer - fazendo entrar Seferovic para o lugar de Samaris. Os primeiros 10 minutos da equipa voltaram a ser de bom nível, com o Benfica a voltar a marcar, por Jonas. E num golo à Jonas, daqueles que só ele consegue fazer. O VAR chamou a atenção de Carlos Xistra, que - por quem sois! - evidentemente anulou. O André Almeida não tentou proteger a cara com as mãos, num alívio à queima roupa de um defesa adversário. Nada disso, jogou deliberadamente a bola com as mãos, concluiu e mostrou Xistra.

Esta decisão enervou claramente os jogadores do Benfica (pudera, vêem bem o que se passa do outro lado) e a equipa passou mesmo a jogar mal, sobre brasas. Bruno Lage apostava tudo.  Até na sorte, ao apostar no milagre Taarabt... Talvez por isso a sorte lhe não tenha virado as costas, nas duas ou três oportunidades de golo que o Tondela, já a jogar no campo todo, foi criando. Mais aí, que no golo da vitória aos 84 minutos, que aconteceu justamente porque o Tondela já jogava no campo todo.

E pronto, nestas coisas das dificuldades do calendário, com que tanta gente gosta de se entereter, agora é o Benfica que está em maiores dificuldades. Na verdade está agora, como tem estado até agora. Já ninguém tem dúvidas que o Benfica apenas será campeão se ganhar todos os jogos!

 

O diabo não está sempre atrás da porta. Mas os fantasmas não saem de lá!

 

Para o Benfica este jogo de hoje em Tondela era de tudo ou nada, absolutamente decisivo para o seu futuro neste campeonato, com tudo o que isso pesava no actual estado mental da equipa.

Os primeiros dados não eram nada animadores: chuva intensa e relvado alagado, não deixavam as melhores perpectivas para o jogo, e o apito inicial piorava-as. O tondela atirou-se ao Benfica que nem gatos a bofes, e chegou ao golo de imediato. O golo mais rápido desta Liga!

Pior. O Grimaldo foi batido que nem um principiante e foi Conti a marcar na própria baliza. Dois jogadores da defesa logo em cheque, E que jogadores... O que estava no ponto mira dos adeptos, pelas suas declarações no final do último jogo, com o Ajax; e o entra e sai, o regressado Conti, agora pela expulsão de Jardel. Cuja última imagem era a da sua participação no golo em Amsterdão.

Os jogadores do Tondela sentiam que era o momento de deixar o adversário KO, e não deixavam sair os do Benfica do seu meio campo. Valeu que Conti imitou Amsterdão, invetendo agora a ordem, e tirou da baliza o que já era o segundo. E valeu que aconteceu o que não tem sido habitual e, aos 9 minutos, na primeira vez que conseguiu chegar à área adversária, o Benfica chegou ao empate, por Jonas, a revelar uma eficácia que não mais voltaria a confirmar.

Não deu para perceber se o golo catapultaria a equipa para o ataque, à procura do segundo. Se isso passou pela cabeça dos jogadores não teve tempo de lá permanecer, porque os imbecis das tochas trataram de interromper o jogo, dando tempo ao adversário para se recompor do golpe. Tão difícil de perceber como é que estes imbecis continuam com portas abertas nos campos de futebol, é perceber como continuam a deixar entrar aqueles artifícios.

Aos poucos o Benfica começou a superiorizar-se mas, aí, regressou a falta de esclarecimento, e de categoria, na finalização, com especial relevo para o inevitável Rafa. Mas também Pizi, Cervi e Jonas.

Na segunda parte a equipa entrou melhor, e até o futebol passou a ser outro. Ao contrário do jogo directo da primeira parte, o Benfica passou a apresentar um futebol mais ligado, mais perto do padrão da equipa. O latreral direito do Tondela, para aí à décima falta, viu finalmente o cartão amarelo. E dois minutos depois, à décima segunda, cerca dos 10 minutos da segunda parte, o vermelho. E o Tondela passou a jogar com dez.

Mesmo assim, se se tivesse repetido o que aconteceu nos dois jogos anteriores, com o Belenses e com o Moreirense, e o Tondela tivesse marcado nas duas ocasiões de que dispôs, dificilmente o Benfica conseguiria fugir à sua triste sina. Nem sempre o diabo está atrás da porta...

A reviravolta chegou com o golo de Seferovic, entrado pouco antes, para o lugar de Cervi. E de novo tochas... Valeu o VAR para que as tochas não voltassem a aparecer no terceiro, que Rafa nem festejou, julgando-se em fora de jogo. Quando surgiu a confirmação da legalidade do terceiro já não era a mesma coisa...

A exibição não afastou fantasmas, o processo defensivo e a finalização continuam a fazer arrepiar os adeptos. Mas vêm aí duas semanas de interregno, que poderão fazer bem Rui Vitória...

Entretanto, em Alvalade mais do que um jogo de futebol, acontecem escândalos e(m) cadeia. Lá dentro, e lá fora ... Mas só os que estão lá fora é que vão dentro!

O último adeus

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Não faço parte da imensa maioria da turba da bola que ficou surpreendida com o que hoje se passou na Luz, mais uma vez com mais de 50 mil nas bancadas. Tornara-se evidente que, depois de ter perdido Jonas, já lá vai um mês, o Benfica entrara em queda livre. Só faltava saber onde é que iria parar. Em pleno movimento de queda, olhar para a constituição da equipa que Rui Vitória decidiu apresentar, era mais um factor de previsibilidade do que se viria a passar. A lesão do André Almeida, à meia hora de jogo e quando já se via claramente o que o jogo tinha para dar, e a opção (um tal Douglas) para a sua substituição, naquela defesa, transformou o previsível em inevitável.

Se já se percebera que o Benfica tinha regressado ao registo da primeira fase da época, não conseguindo manter o controlo dos jogos, nem um ritmo aceitável durante muito tempo, desligando-se facilmente do jogo e perdendo rapidamente as poucas ideias tinha, este jogo de hoje fez questão de que confirmar essa evidência. Foi o teste do algodão, a prova provada que a regra deste Benfica que se queria penta é esta pobreza, este descalabro técnico-táctico, esta falta de qualidade. A dúzia de jogos bem sucedidos, com bom futebol, que nos alimentaram o sonho do penta são a excepção.

Como naquele período em que perdeu tudo o que havia a perder, entre Setembro e  Dezembro, que julgávamos enterrado bem fundo no passado, o Benfica entrou bem e marcou cedo. No primeiro remate do jogo, mal se tinham jogado os primeiros 10 minutos. E durou até ao meio da primeira parte, quer dizer, mais outros 10 minutos.

A partir daí, foi o descalabro. De tal forma que, mesmo sem que o Tondela tivesse feito qualquer remate, o primeiro golo, à saída da primeira meia hora, era já esperado. Não há melhor forma de perceber o que se estava a passar: sem ter feito sequer um remate, já se percebia que o golo do Tondela estava a chegar. Aconteceu numa perda de bola de Cervi - culpa do argentino que não está jogar nada, mas consequência da falta de soluções da equipa - e depois lá estava Luisão, que não merecia passar por isto, para assistir na primeira fila ao bom trabalho do ponta de lança tondelense. Logo a seguir, pouco mais de 5 minutos depois, Varela recebeu uma bola atrasada, complicou e acabou por chutá-la para fora, logo ali. É inacreditável, mas é verdade: lançamento lateral e... novo golo. Ao segundo remate. Mais uma vez  com Luisão a assistir, agora literalmente.

Ao intervalo, a substituição do costume. Sálvio entrou para o lugar do desaparecido Cervi, e dispôs logo de duas oportunidades incríveis. Numa delas fez mesmo o mais dfifícil, em frente à baliza, sozinho e a 1 metro da linha de golo, conseguiu mandar a bola para a bancada. Foram muitas as oportunidades de golo desperdIçadas, é verdade. Faltou sorte, mas a equipa não fez por merecê-la. E foi o Tondela que voltou a marcar. Primeiro, um golo que me pareceu mal anulado, e que seria o hat-trick do Miguel Cardoso. E, depois a valer, o terceiro. Em 5 remates!

Faltava ainda a terceira substituição, também a habitual. A entrada de Seferovic, mais uma vez à espera não se sabe de quê, para retirar o melhor - ou o menos mau - dos que estavam em campo: Zivkovic. Qual Pizzi?  Qual Douglas? Não, Zivkovic é que era!

Que deu no que sempre tem dado: nada!

Já nos descontos Salvio fez o segundo golo, com que fechou a segunda derrota em casa. Consecutiva. E a do último adeus a um título que seria o penta. Que, percebe-se bem, ou ninguém que manda no Benfica quis, ou todos negligenciaram!

 

Estonteante

 

Verdadeiramente estonteante, este Benfica.

A deslocação a Tondela não se previa fácil. O adversário é aguerrido e está moralizado por uma campanha que lhe está a correr bem, longe dos últimos lugares que sempre ocupou ao logo das suas épocas no primeiro escalão do futebol nacional. E o Benfica vinha de onde vem, de uma época terrível. 

O anúncio da constituição da equipa mais não fez que agravar as previsíveis dificuldades. Porque, à excepção do lesionado Luisão, era a mesma da última quarta-feira. O que queria dizer que Rui Vitória apostava nos mesmos jogadores que tinham sido sujeitos a um grande desgaste físico e emocional, numa derrota que afastara a equipa de mais uma competição, num jogo de enorme intensidade, com um prolongamento jogado com 10 unidades. Mas também que mantinha na equipa os jogadores que vêm sendo mais constestados, como Pizzi, Salvio ou Cervi.

O início do jogo não desmentiu os receios dos adeptos. O Tondela entrou bem, e à medida que a bola ia correndo começou a ver-se aquilo que é habitual ver nos adversários do Benfica: duas linhas bem recuadas e muito juntas, a impedir qualquer tipo de penetração. Depois, grande pressão sobre a bola.

Cedo se começou no entanto a perceber que, ao contrário de tantas outras vezes, o Benfica tinha solução para o problema. Dos pés de Krovinovic começaram a sair passes a rasgar para as costas da defesa tondelense, que rapidamente percebeu que a lição que trazia estudada já não servia para coisa nenhuma.

O Benfica passou a mostrar um futebol de grande qualidade e com alto poder de sedução. E já não era só Kroovinovic a brilhar, eram todos. Pizzi incluído, com dois golos.

A equipa já tinha mostrado este grande futebol na primeira parte do jogo da passada quarta-feira, em Vila do Conde. Só que não teve, nem de perto nem de longe, a mesma eficácia de hoje. E aí esteve a diferença para este Benfica estonteante. É que, com 3-0 ao intervalo, não havia por onde passar qualquer tipo de dúvida na cabeça dos jogadores. Não havia por onde tremer, nem por onde abanar.

É verdade que voltou a acontecer um erro. E não há  volta a dar, os astros não perdoam um erro ao Benfica. No único erro, com o resultado já em 4-0, o Tondela marcou. Na única ocasião de que desfrutou, no único erro cometido. Para agravar a injustiça da penalização, num erro do melhor jogador em campo. Krovinovic não merecia que aquele passe para Jardel fosse parar a um jogador do Tondela, que ficou isolado à frente do Varela. Que também não merceia que, depois de defender o remate do jogador isolado, a bola fosse direitinha aos pés do outro.

Foi um incidente do jogo, nada mais que isso. E a equipa tratou-o como uma qualquer mosca incomodativa, enxutou-a para longe e continuou a jogar o seu futebol estonteante. Só deu mais um golo, só deu para fechar o resultado em 5-1.

Poderá não ser ainda desta que o Benfica arranque definitivamente para os patamares exibicionais que se lhe exigem. Mas, depois daquela primeria parte com o Rio Ave, e deste jogo de hoje, não há  razão nenhuma para que não seja desta que se dê a volta a isto. Por muito que os problemas da preparação desta época lá continuem. Estonteantes, como este futebol!

O primeiro golo do Rafa só podia ser assim...

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A segunda volta começou como tinha acabado a primeira, na semana passada. Tarde de sol, de domingo, desta vez, e a Luz cheia. Para que as diferenças não fossem muitas até a primeira parte foi muito parecida. 

Não tivesse o Benfica feito a segunda parte que fez e lá teríamos de estar a dizer que a equipa atravessava a pior fase da época. A primeira parte do jogo de hoje foi francamente má, na globalidade ainda pior que há uma semana, com o Boavista. A diferença foi que, na única vez que o Tondela foi à baliza de Ederson, ao contrário da semana passada, o árbitro estava lá para aplicar as leis do jogo. 

O Benfica até entrou bem, a deixar claro que não iria permitir que o jogo se complicasse. Desperdiçou uma grande oportunidade logo aos sete minutos, mas depois começou a deixar andar. Pouca intensidade, lentidão nos processos e no pensamento e, por vezes - vezes de mais - falta de concentração. Que se traduzia em passes errados, precipitação na saída de bola e muitos foras de jogo. Houve até, aí pelo meio dessa primeira parte, um período de 5 ou 6 minutos que chegou a ser assustador, a lembrar o pior do jogo com o Boavista, com os jogadores - todos, mas especialmente Lindelof, Samaris e André Almeida - a deixarem notar grande intranquilidade.

Acrescia então que, a cada vez que o Benfica conseguia colocar o jogo sob alta intensidade, em cada jogada que finalizava, o guarda-redes do Tondela arranjava uma lesão.

Na segunda parte, já com Salvio (substituiu Cervi) na direita e Zivkovic, pela primeira vez titular, fixado na esquerda, o Benfica entrou logo com mais velocidade, mais agressividade e mais intensidade, e  o primeiro golo não tardou mais que uma dúzia de minutos. Obra de Pizzi, e resultado directo da maior agressividade na disputa da bola. Sabe-se como neste jogos com adversários muito fechados e bem organizados, como já são quase todos, o primeiro golo faz toda a diferença. A partir daí o jogo muda.

E mudou. A equipa começou a conseguir chegar à linha de fundo, e o reportório passou a ser outro. O segundo golo é um exemplo disso mesmo, e chegou pouco mais de um quarto de hora depois, de novo por Pizzi. Oito minutos depois o Estádio da Luz explodiu em festa, com a obra-prima de Rafa, que entrara para substituir Mitroglou, lesionado, ao que pareceu.

O primeiro golo de Rafa no Benfica tinha de ser assim, não podia ser de outra maneira. Pela sua qualidade, tinha de ser um golo de rara beleza. Pela sua malapata, tinha de ser um grande golo.

Tão bonito como esse momento só o momento que se seguiu, na forma como os colegas festejaram o seu primeiro golo, a repetirem o que a meio da semana, no jogo da Taça de Portugal, com o Leixões, haviam feito com André Almeida. É nestas coisas que se vê o espírito de equipa!

Já no fim, no último suspiro do jogo, Jonas, de penalti, fixou o resultado final: 4-0. De todo improvável depois daquela primeira parte. E depois de uma enorme exibição do Cláudio Ramos, o excelente guarda-redes do Tondela.

Mas, atenção: não é muito provável que todos os jogos com uma metade destas tenham um final feliz destes. O melhor é não repetir!

 

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