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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tondela 0 - Benfica 0

Tondela-Benfica (onzes prováveis): Mourinho deve mexer no regresso à ...

Os jogos em Tondela são complicados. Depois de uma jornada (épica, no caso) de Champions mais complicados são. No meio de uma tempestade, com chuvas torrenciais ininterruptas, a deixarem o campo praticamente impraticável, mais ainda. Com Luís Godinho, regressado depois do escândalo da final da Taça, no apito, e Manuel Mota no VAR, não poderia ser mais complicado.

Os primeiros 5 minutos do jogo foram um somatório de momentos confusos, com toda a gente às apalpadelas para tentar perceber o que é que dali se poderia tirar.

Os de Tondela tiraram a certeza que podiam fazer faltas à vontade, que o Luís Godinho não os atrapalharia. Aos 8 minutos já deviam estar com um jogador a menos: Maviram. Que veria o primeiro amarelo apenas já em cima do intervalo.

Os do Benfica tiraram que só tinham de ir para cima do jogo. E foram, sem mais parar. 

Com o onze habitual dos últimos jogos, com António Silva ao lado de Otamendi, e Banjaqui no lado direito da defesa, com Dedic a descansar, o Benfica tomou conta do jogo, mesmo naquelas condições do terreno, naquelas condições climatéricas, e com aquele adversário faltoso e fechado lá atrás. 

Ninguém entrou com qualquer tipo de sobranceria, nem a mostrar os galões da exibição e da vitória de quarta-feira. Toda a gente empenhada. Schjelderup, pela esquerda, jogava muito. Prestiani, pela direita, ainda mais. No meio, Aursnes e Barreiro eram o dínamo da equipa. Sudakov, o farol, que apontava espaços. A partir de um guarda-redes insuperável, o Tondela resistia, com uma linha de seis defesas, com outra de quatro, à frente. 

Na primeira parte o Benfica jogou como quis dentro do espaço entre as duas linhas do adversário. Em condições normais isso seria suficiente para resolver o jogo. No entanto não foi. E nem o Benfica criou assim tantas oportunidades de golo. Ainda assim, quatro. As suficientes para resolver o jogo. 

Perto do fim da primeira parte o Luís Godinho assinalou penálti, por falta sobre Barreiro. O Manuel Mota não esteve pelos ajustes, e o árbitro reverteu a decisão. Pensava-se que seria a "chico-espertice" de a falta ter começado fora da área. Não foi, foi "pouca vergonha", com Godinho a ter a lata de dizer que não houve falta nenhuma.

A segunda parte não foi muito diferente, mesmo com muitas diferenças. O Benfica deixou de gozar de liberdade de circulação dentro do bloco do Tondela, então com as duas linhas muito mais juntas. No entanto dominou absolutamente a posse de bola, e construiu ainda mais ocasiões de golo. Só que, em de acabarem golos, acabaram numa exibição monstruosa do Bernardo, o guarda-redes do Tondela. 

Quando parecia impossível que a bola não entrasse na sua baliza, aparecia sempre uma coisa qualquer a impedi-la de entrar. Enquanto isto o tempo ia passando, e o desespero começava a apoderar-se de toda a gente. Por isso, mas também porque as substituições não correram bem, a qualidade do futebol foi-se perdendo. E continua a ser verdade que quanto melhor se jogar mais perto se está de ganhar.

Primeiro, à entrada da última meia hora, entraram Rafa e Lopes Cabral, com as saídas de Daniel Banjaqui e Schjelderup. O internacional cabo-verdeano não acrescentou muito ao que fora o desempenho do miúdo, e Rafa nunca, nem de perto, atingiu o patamar do norueguês. Mais tarde, vinte minutos depois, e já bem perto do fim, com as entradas do Bruma e do Anísio, em substituição de Sudakov e Prestiani, foi ainda pior. O miúdo foi para a área, jogar ao lado do Pavlidis, e foi apenas outra coisa. Bruma, de regresso depois de longos meses de fora, não resolveu nada, apenas atrapalhou.

Sem a necessidade de ganhar, com o resultado feito, estas substituições teriam resultado. Para fazer  o que não tinha sido feito - golos - não resultaram. Até porque isso de tempos de compensação generosos, e de ganhar jogos nos últimos segundos, é com os outros. Há para aí quem já vá no quarto jogo consecutivo ganho nos últimos suspiros de generosos descontos. O Benfica esgotou todo o crédito a que tinha direito na quarta-feira passada.

Por isso irá continuar a perder pontos com os Tondelas, os Rios Aves, os Santas Claras, os Casas Pias ...

 

Benfica 3 - Tondela 0

28

Mais de 50 mil na Luz, a uma quarta-feira e a horário impróprio, para um Benfica - Tondela da primeira ronda da Taça da Liga, que agora é também os quarto de final, que apuram os quatro grandes para a as meias finais, também chamadas de final a quatro, quando não "final four".

Que comparam com os quatro o cinco mil da Pedreira (onde o Braga despachou o Santa Clara por 5-0), e com os 20 mil de Alvalade, em tempo de Sporting gordo que, com uma equipa de segundas linhas e muita rapaziada nova, despachou o Alverca por 5-1. Nisto o Benfica é de outro campeonato, ninguém tem dúvidas.

Nisto de comparações é, no entanto, quase impossível fugir a uma outra, já com mais a ver com o que se joga dentro das quatro linhas do campo. É que no passado domingo, há três dias apenas, houve que tivesse visto o Sporting jogar com este Tondela, lá pela zona de Lafões. Eu vi. Não era este mesmo Tondela, porque Ivo Vieira, o treinador madeirense agora em terras da Beira, mudou 10 jogadores. Não terá utilizado agora os melhores, mas também não fez grande diferença. Grande diferença houve mas foi naquilo a que o adversário o obrigou. 

José Mourinho não brincou em serviço, e poucas alterações fez àquilo a que já se pode chamar o seu onze. Mudou o guarda-redes, mas isso é já da praxe. E não seria Samuel Soares a fazer qualquer diferença. E trocou Rios por Leandro Barreiro, e Pavlidis por Ivanovic. Com Dedic ainda de fora, lesionado, nem sequer dispensou Aursenes da função de lateral direito. Por isso utilizou Schjelderup na esquerda, sem que se pudesse ainda dizer - agora parece que sim - em vez de Prestiani.

Mas nem assim a equipa conseguiu entusiasmar ninguém, e repetiu-se o que se tem visto: equipa sem dinâmica ofensiva, sem velocidade, sem intensidade, sem rematar, e a deixar passar o tempo, à espera que seja ele, e não eles, a resolver as coisas. Em contraste flagrante com o que vemos nos nossos rivais.

Já com o intervalo à espreita, o - a, no caso, Cláudia Ribeiro - VAR descortinou um penálti, que os jogadores do Benfica reclamavam, e que o árbitro, Carlos Macedo, confirmou depois de observar as imagens, desbloqueando-se assim o que a equipa não conseguia desbloquear. Fosse por ser dia de celebração (250 jogos pelo Benfica) de Otamendi, fosse pelo exemplo que é - que Mourinho tinha voltado a enfatizar -, fosse mais um sinal para Ivanovic, a responsabilidade da conversão foi entregue ao capitão, que resolveu com mestria.

Pareceu que o intervalo tinha servido para Mourinho espevitar aquela gente, e a verdade é que o início da segunda parte parecia prometer outra coisa, melhor que o que se tinha visto. Parecia, porque logo a abrir, numa jogada como até então ainda se não tinha visto - excelente recuperação de bola de Schjelderup, que entregou a Barreiro, deste para Lukebakio que, num espectacular toque de calcanhar, assistiu Sudakov para um remate extraordinário de força e colocação - o Benfica fez o segundo golo.

Aconteceu então algo de verdadeiramente insólito. Durante mais de 5 minutos o jogo esteve parado à procura de qualquer coisa de que ninguém se tinha apercebido. Ninguém nas bancadas, e ninguém no relvado. Nem árbitro, nem assistentes, nem jogadores ... No fim, do VAR, veio a inacreditável notícia de fora de jogo de Lukebakio. Minutos depois, viriam as imagens a revelar ... fora de jogo por 1 centímetro!

Não é o ridículo do centímetro único. É a falta de vergonha, já que na própria imagem se vê Lukebakio atrás da linha, e atrás do defesa adversário, por quem está até completa e totalmente coberto.

Durante toda aquela espera os jogadores devem ter-se esquecido do que ouviram ao intervalo, e regressaram à toada da primeira parte. Obviamente com os mesmos resultados. 

Então o tempo passava sem resolver nada mais que não fosse lembrar às bancadas Santa Clara e Rio Ave. Às bancadas e a José Mourinho, que por isso achou melhor lançar Pavlidis (saiu Ivanovic), Prestiani (saiu Schjelderup) e Rios (saiu Sudakov). 

Pouco depois de ter entrado Rios tirou da cartola um coelho como ainda se lhe não tinha visto e, de bandeja, ofereceu o golo a Lukebakio. Faltavam 10 minutos, e era finalmente a tranquilidade. Já dentro dos 6 minutos de compensação Pavlidis fecharia o marcador. Ironicamente numa expressão exactamente igual à do tal jogo do passado domingo, em Tondela. O da comparação!

Tinha dito aqui, a propósito da exibição no último jogo, com o Arouca, que tínhamos de nos conformar, que não dava para esperar muito mais e que se vira "provavelmente o melhor que o futebol de Mourinho tem para nos dar". Quatro dias depois, este jogo confirma-o!

Como aqui referia no momento da sua contratação, não esperava de Mourinho "um futebol empolgante" ... "uma equipa demolidora, capaz de arrasar todos os adversários, goleadora, a espalhar perfume pelos relvados". Esperava "uma equipa rigorosa e competente, com jogadores empenhados, e capaz de, a bem ou a mal, ganhar". E tinha a certeza da mais valia da comunicação de José Mourinho. 

Mourinho não está a desiludir. Pelo contrário, confirma tudo isso. E mesmo quando não se confirma  o rigor e o empenho dos jogadores, ele próprio o denuncia. Não é como tantos - diria mesmo, todos - treinadores que vêm jogos que ninguém vê. Não, ele vê o mesmo jogo que nós. E isso é o seu grande capital.

Vemos - claramente visto - que os jogadores vêm, cada vez mais, parecendo piores do que quando chegaram. Já vinha de Bruno Lage. Temos que fazer um grande exercício de memória e de análise para nos lembrarmos de um jogador que Bruno Lage tivesse claramente valorizado. Olhamos para Rios, Enzo, Sudakov, e Ivanovic e não temos grande dúvida em afirmar que parecem hoje piores que quando, há três ou quatro meses, chegaram. Dos mais de 100 milhões de euros acabados de investir em meia dúzia de contratações, ao dia de hoje, somos capazes de achar que se salvam Dedic e Lukebakio. Este ainda com o peso de fazer esquecer Di Maria.

Pois. Até neste quadro desolador o carácter de Mourinho nos deixou ontem ver uma luz no fundo do túnel. Disse ele, na conferência de imprensa, isto, sem tirar, nem pôr: "Aqueles que acreditam na minha filosofia, no meu método, na minha liderança, no meu trabalho, melhoram. E melhoram para níveis que tinham por inatingíveis. Os outros, pioram".

Nesta declaração, nesta precisa altura, está tudo o que é preciso. É qualquer coisa de fantástica. É Mourinho!

Benfica 3 - Tondela 0

Mais de 60 mil na Luz - de novo - para a estreia do Benfica, à terceira jornada deste campeonato 2025-2026. Pelo calendário  - que, ao contrário do que acontece com os principais rivais, vem repetidamente sorteando a primeira jornada do Benfica em casa, para que a última seja fora - a estreia teria acontecido há duas semanas, com o Rio Ave, jogo que, pela participação na pré-eliminatória de apuramento para a Chamipons, foi adiado para daqui a um mês.

Mais de 60 mil em festa. Porque é assim, vamos à Luz pelo coração e para fazer a festa. A reacção de cada um ao jogo pode ser muito diferente, mas festa é festa. E a Luz é festa, depois vem o jogo. Desta vez, com alguma surpresa, com Samuel Soares na baliza, e Trubin no banco; com Tomás Araújo, em estreia na época, ao lado de Otamendi, e António Silva no banco; com Obrador e sem Dahl. E, já agora, com Schjelderup de regresso aos titulares, com Aktürkoğlu de regresso ao banco, como tem sido habitual. Quatro alterações na equipa que há três dias jogara em Istambul.

O jogo não foi diferente do que têm sido os outros jogos do Benfica. O da Amadora, há uma semana, é outra história. O batatal onde foi disputado não dava para muito mais, e há sempre jogos assim. Não foi diferente porque este Benfica é isto, e não há volta a dar. É uma equipa de transições, não é de empurrar o adversário lá para trás, para o asfixiar em ondas sucessivas de ataque continuado.

Este é um jogo que cabe bem naquela coisa do copo meio-cheio ou meio-vazio. 

Na primeira parte foi mais meio-cheio, apesar de uns 10 minutos mais desconfortáveis, ali à entrada do segundo quarto de hora. Muita bola (67% posse de bola), muitos remates (11) e muitas oportunidades de golo. Mas apenas dois golos. Dois bons golos, ambos em remates dentro da área, no mesmo lado direito, já de ângulo apertado, em duas belíssimas jogadas de futebol.

O primeiro surgiu de um excelente slalom de Dedic - daqueles que nos empolgam, e que desequilibram os adversários - culminado com uma abertura espectacular, para Ivanovic rematar para o lado direito do Bernardo Lopes, o excelente guarda-redes do Tondela (evitou quatro ou cinco golos), que naturalmente tapara o seu lado esquerdo. O segundo, 10 minutos depois, surgiu de uma combinação, em rápidas de trocas de bola, de primeira, entre Pavlidis e Schjelderup, culminada com a abertura do norueguês para a direita onde surgiu o seu compatriota Aursenes a rematar - uma bomba - de baixo para cima, indefensável.

Na segunda parte mais meio-vazio. A equipa manteve praticamente a mesma posse de bola, rematou praticamente o mesmo número de vezes (chegou ao fim com 21 remates), e criou o mesmo de oportunidades - mais de uma dúzia em todo o jogo -, mas falhava mais passes e falhava mais decisões. O Pavlidis ainda lá poderia estar a esta hora a rematar que não marcava.

Nas substituições (Schjelderup por Aktürkoğlu; Obrador por Dahl; Dedic por Prestiani; Ivanovic por Barreiro; e Enzo por Florentino) Bruno Lage poupou-o, e a equipa tudo fazia para lhe oferecer o golo, mas estava escrito que não era noite do grego. E foi Prestiani - também já merecia um golo - a marcar o terceiro, e a entrar na festa, já em cima dos seis minutos de compensação dados por Anzhony Rodrigues. Um árbitro desconhecido, novo mas igual aos outros. E também fraquinho!

Só uma achega - final - para o meio-cheio. Esta equipa do Tondela, em Braga, aos 10 minutos do jogo da primeira jornada, já poderia estar a ganhar por 3-0. Acabou a perder pelo mesmo resultado de hoje, na Luz - sofreu o primeiro golo a meio da primeira parte, num canto, da primeira vez em que os de Braga chegaram à baliza do Bernardo Lopes; o segundo, de penálti (manhoso); e o terceiro também no fim do período de compensação - mas criou mais do dobro das ocasiões de golo do Braga.

 

Ao ritmo do puxão de orelhas

Tinha tudo para ser o jogo da revolta - e da reviravolta - este de hoje, em Tondela. No fim, não fica a certeza que o tenha sido.

Mesmo com uma boa triangulação logo aos 3 minutos, que Darwin não conseguiu concluir em golo por mérito da saída do guarda-redes adversário, o Benfica não entrou assim tão bem no jogo, e as maleitas não pareciam de todo curadas. Muitos passes falhados e muitas bolas perdidas, em especial no primeiro quarto de hora, tiravam fluidez ao jogo  e permitiam ao Tondela levar com facilidade o jogo para o meio campo do Benfica. E até introduzir a bola na baliza de Vlachodimos, num lance logo anulado pelo árbitro assistente, e confirmado pelo VAR, por 24 centímetros, em que também pareceu que a bola já teria saído quando foi cruzada.

Era no entanto notório que os jogadores se entregavam ao jogo de forma diferente da dos jogos anteriores. A equipa estava mais organizada e, acima de tudo, mais intensa e a reagir melhor à perda da bola. Foi assentando o seu jogo, desta feita num 4-4-2, com Darwin e Gonçalo Ramos,  e passou a mostrar que já havia ideias, que os jogadores sabiam o que tinham para fazer, a exibição começou a ganhar tons bonitos e as oportunidades de golo começaram a surgir com grande frequência.

O primeiro golo saiu dos pés de Everton, a concluir com classe uma bela jogada de ataque, a ainda a primeira parte não tinha chegado a meio, logo na resposta ao tal lance do fora de jogo do Tondela. Logo a seguir, Everton - de longe o melhor pelo que fez na a primeira parte - só não mar ou o segundo porque a bola foi devolvida pela barra. Dez minutos depois Darwin fez do segundo golo uma obra prima. E outros tantos depois foi o poste  - o Benfica é o campeão das bolas nos ferros, já são quase tantas como os golos marcados - a negar-lhe também o golo.

Acabou assim a primeira parte, com dois golos, duas bolas nos ferros, e mais um punhado de ocasiões de golo criadas, numa exibição com espaços de bom futebol e .... tranquila. Finalmente um jogo tranquilo. Que bom que é!

A segunda parte arrancou no mesmo tom, e o terceiro golo chegou logo ao 8 minutos. Mais uma bela jogada, com assistência perfeita de Everton e conclusão de Gonçalo Ramos. A partir daqui só se poderia esperar mais golos, até mais uma goleada, de que tantas saudades tínhamos. A equipa jogava bem, só poderia estar cheia de fome de golos, e o Tondela, sempre muito vivo e resistente, teria finalmente de se entregar ao destino que o jogo lhe traçara. Para mais, logo a seguir, ficaria reduzido a dez, com a expulsão por segunda amarelo ao seu lateral esquerdo.

Só que - e agora é altura de voltar ao início - a partir daí os jogadores do Benfica decidiram voltar ao conforto  do dolce fare niente. E, em vez de mostrarem revolta e fome de sucesso, e de mostrarem aos adeptos que este era mesmo o jogo da reviravolta, regressaram à displicência. No banco, o treinador mostrava que estava de acordo. E desatou a tirar os melhores para fazer as substituições a que já estamos habituados. Entraram todos, os do costume.

E contra dez, o Benfica perdeu esse novo jogo de ... meia hora. Lá se foi a goleada, e lá se foi essa hipótese que parece cada vez mais remota de um jogo sem sofrer golos. E a oportunidade de um resultado e de um jogo convincente, que não deixasse reticências. Que até a forma como sofreu o golo - mais uma vez de um canto, que já nasceu com a defesa aos papéis, para acabar com a defesa a dormir, com Otamendi fora de campo, depois de assistido pelo atropelamento de Vlachodimos, que dra no canto.

Parece que este jogadores só trabalham com puxões de orelhas. Jogaram como o fizeram uma hora depois do puxão de orelhas de Rui Costa. E só voltaram ao jogo depois do puxão de orelhas que foi o golo sofrido. Não se lhes pode dar folga, como se faz às crianças mais mal comportadas. E não me parece que tenham lá paizinhos para não lhe dar folga. Nelson Veríssimo não é paizinho para puxar orelhas É mais para desculpar sempre os meninos: "o golo não pode apagar a exibição que a equipa fez". Pode, pode, Nelson. Pode apagar isso e muito mais! 

 

Liderança isolada, mas muita coisa decepcionante!

Em circunstâncias como as do jogo de hoje na Luz, diz-se muitas vezes que a equipa deu uma parte do jogo de avanço ao adversário. Foi mais que isso o que o Benfica (não) fez na primeira parte. Não a deu de avanço, limitou-se a ser uma enorme decepção!

O treinador do Benfica falara (demais) sobre a possibilidade de, depois do sucesso no play-off de apuramento para a Champions, a equipa relaxar. Com o jeito que tem para tratar destas coisas pareceu mais um convite a esse relaxamento que propriamente uma acção preventiva para esse problema. É que essas coisas tratam-se no trabalho com a equipa, não é nas conferências de imprensa.

A primeira parte foi isso, e nem a perspectiva da liderança isolada do campeonato serviu de motivação para a equipa que entrou em campo. As seis ou sete alterações na equipa relativamente ao jogo com o PSV deveriam ter promovido uma dose de ambição aos jogadores que entraram, na perspectiva de afirmarem o seu valor e, assim, ultrapassar não só os problemas de fadiga que naturalmente o jogo de Eindoven provocou, mas também os do tal relaxamento. Mas nada disso. E foi uma equipa apática, sem rasgo, e sem ambição, com jogadores não fizeram por merecer vestir aquela camisola.

E muitos não merecem mesmo. Uns porque não têm claramente categoria para jogar no Benfica - Meité é, decididamente , uma contratação que não se entende, como não se entende a de Gil Dias, que não jogou mas também não precisava, nem a de Rodrigo Pinho, que entrou no melhor período do Benfica, e nem assim mostrou argumentos que a justifiquem. Outros, como Pizzi e André Almeida, que já deram o que tinham a dar. Ou talvez o que queriam dar.

O Tondela fez apenas um remate na primeira parte. O suficiente para marcar, e sair na frente. Um golo muito consentido, no eterno problema do espaço entre o central e o lateral, na esquerda, como é realmente mais frequente, em que o próprio Vlachodimos - sempre muito apoiado pelo público, o que quererá dizer muita coisa na patética polémica criada por Jorge Jesus - também não terá feito tudo o que poderia. Ou deveria.

Mas foi sempre claramente mais equipa, o que também não era difícil com aquela prestação dos jogadores do Benfica.

Ao intervalo Jorge Jesus tirou precisamente aqueles três jogadores acima referidos, trocando-os por Gilberto, Wiegl e Rafa. E de imediato a equipa surgiu transformada, colocando em jogo mais velocidade e mais intensidade. E as ocasiões de golo que na primeira parte se não tinham visto começaram a surgir.

Só que o jogo já estava complicado. E bastaria que o guarda-redes do Tondela começasse a engatar, que os seus colegas começassem a a usar das artimanhas para quebrar o ritmo do jogo e queimar tempo, e que o árbitro -Tiago Martins, um especialista na arte de complicar as coisas ao Benfica, e com mais um penalti (sobre Rafa, aos 56 minutos) por assinalar - entrasse no seu registo provocador habitual para que se tornasse muito difícil dar a volta ao jogo.

Tudo isto aconteceu, e complicou mais um jogo complicado por aquela primeira parte. Mas também aconteceu que o Benfica não conseguiu manter o ritmo, a intensidade e a qualidade do primeiro quarto de hora. Valeu o apoio do público a empurrar a equipa para a reviravolta. Porque, na verdade, os golos da reviravolta já nem surgiram envolvidos em jogadas de futebol envolvente. O do empate, aos 71 minutos, por Rafa, surgiu num canto cobrado por João Mário, depois de um desvio de Weigl ao primeiro poste. E o da vitória, de novo a partir de João Mário, já aos 88 minutos, por Gilberto já resultou muito do esgotamento da defesa do Tondela.

Salvou-se a vitória, e a liderança isolada do campeonato. E em termos exibicionais salvaram-se João Mário - o melhor em campo - e Rafa. Mesmo que Gilberto, e Weigl, tenham sido determinantes. E nada mais!

 

A competência facilita as coisas

 

Jogar em Tondela é sempre difícil, pelo que esta deslocação do Benfica não podia ser encarada com grande optimismo. As ausências, por castigo, de Veigl e Otamendi, a que se somavam mais alguns jogadores em risco de ficarem impedidos de jogar o próximo jogo, que é com quem se sabe, complicavam mais as coisas. O Ramadão também entra nestas contas, com Taarabt de fora, entre o jejum e as lesões.
 
Sem Otamendi, o treinador do Benfica abandonou a sua nova opção pelos três centrais, e regressou ao seu clássico 4x4x2, com o centro da defesa entregue a Lucas Veríssimo e Vertonghen. Com Gabriel a fazer de Weigl, Gilberto, também ele em perigo amarelo, a poupar o Diogo Gonçalves a esse risco, Everton e Waldchmidt de volta à titularidade, e Pizzi na rara condição, nos últimos tempos, de titular pela segunda vez consecutiva. Muitas mexidas.
 
O jogo arrancou a quere confirmar as esperadas dificuldades, com o Tondela muito agressivo e disposto a lutar por todos os espaços e por todas as bolas. Rapidamente, bem cedo, e à custa de bom futebol, o Benfica anulou as intenções tondelenses. E partiu para uma boa primeira parte, com 35 minutos de grande nível.
 
O primeiro golo surgiu logo aos 12 minutos, mas já na terceira oportunidade claríssima do Benfica. Antes já Seferovic tinha feito o que é costume - fazer o mais difícil, que é falhar um golo daqueles. E Everton - mais uma aparição, ele que tantas vezes anda desaparecido - isolado, tinha desperdiçado outro.  Às três foi de vez, e foi de novo a vez de Pizzi, em mais um daqueles golos que só ele marca, assistido pelo Everton.
 
O Benfica estava então em plena exuberância exibicional, e o segundo golo tardou apenas 7 minutos. E também à terceira, que no total era a sexta oportunidade de golo criada. E que golo, este de Everton!
 
A equipa manteve a exibição em bom nível até ao fim da primeira parte, mesmo que à medida que o tempo ia avançando se começasse a ver a equipa mais interessada em controlar o jogo, do que propriamente em continuar avassaladora.
 
Tendência que acentuou na segunda parte, e que se chegou até a mostrar perigosa, em especial no primeiro quarto de hora, quando a equipa correu sérios riscos. Valeu, por duas ou três vezes, o guarda-redes Helton, já a fazer esquecer Vlachodimos. Ou pelo menos a dar razão à inexplicável - e inexplicada - opção de Jorge Jesus de há dois meses. 
 
Foi o período menos bom da equipa. Que, passado esse quarto de hora inicial, mesmo sem nunca voltar a atingir o fulgor da primeira parte, voltou ao controlo absoluto da partida. E a criar oportunidades de golo flagrantes. Para Seferovic voltar a desperdiçar. Mas também Pizzi, num remate fantástico que só por muito pouco não deixou a bola dentro da baliza. E ainda Cervi, entrado perto do fim, sozinho em frente ao guarda-redes, mas também com dois colegas ao lado, sem nada que os estorvasse.
 
É sempre assim, quando se é competente, os jogos difíceis acabam em jogos tranquilos. A equipa jogou globalmente bem, e até os patinhos feios a parecer cisnes. Everton foi mesmo cisne. Gabriel não foi, mas às vezes até chegou a parecer. E com Pizzi em forma, a música é outra. 
 
Não fosse aquele intolerável apagão com o Gil e outro galo agora cantaria. Quando deixaram que fosse o galo de Barcelos a cantar deixaram que se acabasse tudo. O acesso directo à Champions é agora de alta improbabilidade. Até porque para o outro lado continua a cair daquilo de que eles gostam tanto por todo o lado, e de toda a maneira e feitio.

Enigma

As coisas não mudam de um dia para o outro. Às vezes no futebol mudam, mas para isso é necessário que algo de estrutural mude. As vezes acontece...

Não se podia por isso esperar muito do Benfica para este jogo de hoje com o Tondela, e o jogo acabou por confirmar as (baixas) expectativas. A primeira parte foi exactamente o costume. Muita bola sem saber o que fazer com ela. Pouca ou nenhuma agressividade, devagar e devagarinho, e incapacidade absoluta de criar condições para chegar ao golo.

A segunda parte começou um bocadinho melhor, com mais um bocadinho de dinâmica, e com os jogadores a parecer que queriam ganhar o jogo. E cedo, aos 10 minutos, aconteceu o que também começa a ser costume: numa jogada com jeito, daquelas que deveriam ser a regra mas são a excepção, apareceu o golo. Naturalmente. Um lance daquelas - um belo passe de Pizzi, a rasgar a defesa beirã, desmarcação de Darwin na profundidade e cruzamento de primeira com Seferovic, de frente para a bola e para a baliza - ou dão golo ou lá próximo. Muitos lances daqueles ao longo do jogo dão golos para ganhar jogos.

É sempre assim. E só tem sido assim que o Benfica tem conseguido marcar os poucos golos que vai fazendo. Poucos porque são esporádicas essas jogadas. Foi assim que fez os outros dois golos. O que foi anulado a Darwin por fora de jogo. Claro, tão claro como tinha sido, no sentido inverso, o primeiro, que o árbitro também anulou, e que o VAR levou uma eternidade para validar, e tão claro como foi o penalti (a mão do defesa do Tondela na bola) no momento anterior ao remate de Darwin, que o  árbitro, Manuel Oliveira, e o VAR não quiseram ver.

A seguir a esse primeiro golo, e ao contrário do que vem sendo hábito, pareceu que a equipa ia prolongar aquele futebol já aceitável, e continuava a procurar o golo. Só que isso não durou mais de 10 minutos. A meio da segunda parte já o Tondela já jogava no campo todo e, com um só golo de vantagem e com a quase certeza que não há jogo sem que Vlachodimos tenha de ir buscar a bola ao fundo da baliza, lá estava outra vez a tremideira. E a incapacidade de segurar o jogo, com a equipa a perder a bola por dá cá aquela palha.

E o costume esteve quase a acontecer. Aos 86 minutos o Tondela teve a sua única oportunidade para marcar, e isso normalmente dá mesmo golo. Valeu a única, e grande, defesa de Vlachodimos. Valeu Vertonghen a afastar depois a bola, e valeu, depois, que a equipa percebeu que não podia correr mais riscos. E que foi capaz disso.

Não tivesse sido isso e aqueles 7 minutos de compensação teriam sido um susto. Não foram, e deram até para chegar ao 2-0. Noutra boa jogada de futebol, em tudo idêntica à do primeiro, com o mesmo Darwin a dar para Waldschmidt (o que Jorge Jesus está a fazer a este jogador... é bem capaz de o destruir) fazer de Seferovic, que substituíra.

Já que não se resolvem todos os problemas que envolvem o Benfica, do topo à base, ao menos que se resolva este enigma: se o treinador e os jogadores vêm como é que marcam golos, porque é não insistem em jogar assim? Já não digo o jogo todo, porque há tempo para tudo, para atacar, para defender e para controlar. Mas ao menos sempre que possam atacar. É que se o fizerem percebem que isso é muito mais interessante que andar ali com a bola de um lado para o outro, para  trás e para a frente, para depois voltar a trás.

 

Desconsolo

SL Benfica 0-0 CD Tondela: “Águias” sem asas para voar falham voo ...

 

Regressou a bola, três meses depois. Pelo que se passou nem parece que entretanto passou tanto tempo, tão iguais as coisas estão. Parece até que ninguém quer ganhar este campeonato. Mas se calhar apenas se poderá dizer que ninguém merece ganhá-lo.

Hoje, na Luz, ao desconsolo daquele vazio, ao desconsolo do voo da águia sozinha, como que perdida num deserto, juntou-se o desconsolo da oportunidade perdida de regressar á frente do campeonato, e à condição de não depender se não dos próprios resultados para o ganhar pela segunda vez consecutiva, e pela 38ª da história.

E o desconsolo do Benfica continuar em queda livre. Pegando na imagem que o Toni deixou há uns dias, parece que estes três meses não deram para comprar um pára-quedas. 

O Benfica continua sem jogar bem. Consegue-se ver, como hoje aconteceu, uma ou outra jogada bem pensada e bem executada. Um - hoje não foi mesmo mais que um - ou outro lance de bola parada bem trabalhado. Mas nada disso tem continuidade. Nem variedade!

Mesmo assim a equipa teria de ganhar este jogo com o Tondela, que acabou por se transformar num festival de oportunidades perdidas. A maior foi a oportunidade de passar para a frente. As outras foram a dezena de oportunidades de golo falhadas, que começou logo no primeiro minuto do jogo, quando Rafa não teve arte nem engenho para fazer melhor que acertar no guarda-redes Cláudio Ramos.

Foi premonitório, esse lance do primeiro minuto. Foram 25 ou 26 remates, foram muitas as vezes em que a bola passou perto da baliza. Por duas vezes bateu nos ferros,  por mais três ou quatro ficou nas mãos do guarda-redes adversário. E por uma vez foi tirada por um defesa quando parecia que iria finalmente entrar. Mas, no fim, não deverão ter sido muitos os benfiquistas a achar que tudo foi apenas falta de uma pontinha de sorte. Serão provavelmente muitos mais a admitir que falta muita coisa ao futebol da equipa.

Alguma coisa apesar de tudo melhorou. Melhorou a transição defensiva, e aquela buraco da meia esquerda pareceu ter sido tapado, com a chamada de Jardel. Se o Tondela não assustou se não por uma vez, no segundo dos quatro remates da equipa, foi porque o Benfica esteve francamente melhor que nos últimos jogos antes da paragem a proteger o seu meio campo.

De resto, sempre mais do mesmo. Desta vez Bruno Lage não recorreu aos três pontas de lança. Porque tirou o Vinícius quando fez entrar Seferovic, depois de já ter feito entrar Dyego Sousa, retirando Weigl. Mas o resultado foi o mesmo. Pela simples razão, que entra pelos olhos dentro, que não trabalha isso nos treinos. Que não trabalha nos treinos as situações a que depois, nos jogos, acaba em desespero por lançar mão. E por isso tudo acaba sempre com Seferovic a fugir da área para as alas, e Dyego Sousa a fugir para trás, com os centrais adversários de cadeirinha, a cortar bolas onde só eles estão.

Depois de um longo período para arrefecer a cabeça, quando dispunha de uma oportunidade única para recuperar uma liderança que já foi de sete pontos de vantagem, e ninguém já se lembra da última vez que o Benfica ganhou um jogo, o problema já não é acreditar que seja possível ganhar os nove jogos que faltam. É acreditar que esta equipa vai dentro de pouco tempo voltar a ganhar jogos! 

Que saudades das transições...

 

O treinador do Tondela tinha prometido jogar fechado lá atrás, confirmou essa intenção apresentando a equipa num cinco-quatro-um, pelo que o início do jogo não desiludiu essas expectativas.

Logo que o habilidoso Hugo Miguel deu o apito inicial o Tondela encostou-se à sua baliza e o Benfica não saiu de cima da área contrária. Boa circulação de bola, mas invariavelmente com o jogo a afunilar para a zona central, superpovoada por defesas tondelenses. E quando a bola chegava às alas, pouca presença dentro da área (Taarabt é apenas mais uma experiência falhada para o papel de segunda avançado), um monopólio dos defesas do Tondela. De sufoco, só o facto de a bola não passar da linha do meio campo para a metade do relvado à frente da baliza de Odysseas. Na verdade, situações de perigo para a baliza de Cláudio Ramos, nem em cheiro.

Por volta dos 10 minutos, e por duas vezes consecutivas, a bola passou para o lado de lá e surgiram as duas única ocasiões de golo. Que o guarda-redes do Benfica anulou, na primeira reduzindo o espaço e defendendo com a bola com um pé e, na segunda, com uma grande defesa para canto.

Até ao golo do Benfica, aos 19 minutos, por Ferro, na sequência de um canto, que por sua vez aconteceu na sequência do primeiro remate  a sério (Pizzi), o jogo manteve a mesma toada, com o Benfica a circular a bola, e o Tondela a todo lá atrás. Esperava-se que a partir daí se alterassem por completo as permissas do jogo, e que o adversário abrisse definitivamente o seu jogo. A verdade é que, mesmo que na resposta oTondela tivesse criado a sua terceira - e última - oportunidade de golo, o jogo não mudou de imediato. Foi mudando aos poucos...

 À medida que foi mudando, que o adversário mais subia, o jogo  ia ficando mais de feição para o Benfica. Mas não para este, para o outro, desaparecido há quase três meses, que fazia das transições o trunfo maior do seu futebol.

Este Benfica não consegue sair rápido para o ataque, os jogadores que têm a bola têm sempre mais uma volta a dar, e os que a não têm parece que estão presos por estacas.

A segunda parte foi exactamente isto, essa incapacidade de aproveitar o que um jogo mais repartido dava. E daí um espectáculo pobrezinho, na maior parte do tempo um jogo sem balizas. Da parte do Benfica, apenas dois remates, ambos de Chiquinho - um regresso que se saúda - que entrou já na segunda metade da segunda parte, para o lugar do apagado Taarabt. Do Tondela, nem um!

Mais um jogo que não abafa as saudades do Benfica desaparecido, e que vale pelo resultado. A 13ª vitória consecutiva fora de casa. Para o campeonato interno, obviamente!

Cada jogo são dois

Benfica-Tondela, 1-0 (crónica)

 

À 24ª quarta jornada do campeonato, a dez do fim, o Benfica foi ganhar ao Dragão e passou para a frente do campeonato, com uma almofada de dois pontos, que lhe garantia uma pequena margem de erro. A manutenção dessa pequena vantagem dava-lhe um pequeno conforto. Sabia que podia errar uma vez, e o rival sabia que não podia errar mais.

Quando o Benfica esgotou essa margem logo no jogo seguinte, com o Belenenses, ficou claro que os nove jogos que faltava disputar não eram mais os nove jogos de cada um. Ao Benfica e ao Porto não faltavam 18 jogos, nove a cada um. Faltavam nove jogos, os dois jogos que ambos tinham de disputar iriam fundir-se num único.

Os dois que já passaram confirmaram isso mesmo. O Moreirense-Benfica e o Porto-Marítimo foram um só jogo, que deixou a (falsa) ideia que ambos passaram com igual clareza e igual mérito. Só que se viu como tudo foi facilitado na parte do jogo disputada no Dragão, e como tudo foi complicado na parte disputada em Moreira de Cónegos.

Depois da paragem para as selecções hoje voltou-se ao campeonato, como bem se percebeu ao longo da semana, e ao tal jogo dos dois jogos: um em Braga, onde o Porto se deslocava, e o outro na Luz, que recebia o Tondela. E voltou a ver-se como tudo foi diferente: em Braga, quando o Porto estava a perder, o árbitro que foi membro dos Súper Dragões, não teve dúvidas em assinalar dois penaltis estranhos que viraram o resultado, e deram a vitória aos do Porto. Na Luz, aos 10 minutos de jogo, dentro de um quarto de hora inicial ao nível do Benfica de Bruno Lage, com sucessivas oportunidades claras de golo, com o resultado em branco, o árbitro leonino Carlos Xistra, que já afastara o Benfica da final da Taça da Liga, não assinalou um penalti claro cometido sobre Samaris.

E, enquanto o Porto não precisou de jogar nada para passar aquele que era o obstáculo mais difícil que tinha no calendário, o Benfica teve de dar tudo, e até de perder a cabeça, para ganhar a um dos últimos do campeonato, em posição de descida.

E foi isto o jogo dos dois candidatos ao título, confirmando-se que ao Porto basta comparecer nos jogos para os ganhar. 

Na parte deste oitavo jogo a contar do fim que se jogou na Luz, tem de dizer-se que, tendo em contas todas as vicissitudes de um jogo de futebol, que aparecem sempre todas em todas estas partes destes jogos, o Benfica acabou por ser ser feliz.

Depois de um quarto de hora inicial de grande nível, com três oportunidades claríssimas de golo, com um penalti negado e com um golo anulado por fora de jogo milimétrico de Jonas na assistência para André Almeida, isto é, com tudo para resolver o jogo, a qualidade do futebol começou a cair à medida que os alimentadores do jogo do Benfica, especialmente Gabriel,  começavam a falhar nos passes.

O Tondela defendia lá atrás, sem dar espaços. Cada minuto que passava era um tónico suplementar para os seus jogadores correrem ainda mais, disputarem com mais vigor as bolas divididas, e ganharem a maioria dos ressaltos.

No final da primeira parte o domínio do Benfica era avassalador, com seis grandes oportunidades de golo, mas só isso... 

No arranque da segunda parte Bruno Lage começou logo a arriscar - não tinha como não o fazer - fazendo entrar Seferovic para o lugar de Samaris. Os primeiros 10 minutos da equipa voltaram a ser de bom nível, com o Benfica a voltar a marcar, por Jonas. E num golo à Jonas, daqueles que só ele consegue fazer. O VAR chamou a atenção de Carlos Xistra, que - por quem sois! - evidentemente anulou. O André Almeida não tentou proteger a cara com as mãos, num alívio à queima roupa de um defesa adversário. Nada disso, jogou deliberadamente a bola com as mãos, concluiu e mostrou Xistra.

Esta decisão enervou claramente os jogadores do Benfica (pudera, vêem bem o que se passa do outro lado) e a equipa passou mesmo a jogar mal, sobre brasas. Bruno Lage apostava tudo.  Até na sorte, ao apostar no milagre Taarabt... Talvez por isso a sorte lhe não tenha virado as costas, nas duas ou três oportunidades de golo que o Tondela, já a jogar no campo todo, foi criando. Mais aí, que no golo da vitória aos 84 minutos, que aconteceu justamente porque o Tondela já jogava no campo todo.

E pronto, nestas coisas das dificuldades do calendário, com que tanta gente gosta de se entereter, agora é o Benfica que está em maiores dificuldades. Na verdade está agora, como tem estado até agora. Já ninguém tem dúvidas que o Benfica apenas será campeão se ganhar todos os jogos!

 

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