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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

100º Tour de France VIII

Por Eduardo Louro

 

 

Terminou em Paris a centésima edição do Tour, com a etapa da consagração a ser ganha – após discutidíssimo sprint, por meia roda – pelo alemão Marcel Kittel, que atingiu a quarta vitória em etapas e se tornou no mais ganhador da competição, seguido de Froome, com três, e de Rui Costa e Cavendish, com duas. Este, vencedor em Paris nos últimos quatro anos e até aqui incontestável rei dos sprints, ficou desta vez em terceiro, e entregou decididamente o trono ao alemão. Outro alemão – Greipel – fez segundo num sprint que juntou os três melhores especialistas da actualidade, qualquer deles ainda uns furos acima do eslovaco Peter Sagan.

A classificação final tinha ficado arrumada na véspera, nas últimas montanhas – desta vez houve alta montanha mesmo até ao último dia, quase até Paris. Em mais uma etapa de grande espectáculo que faria, como aqui se previra, Alberto Contador saltar para fora do pódio, caindo de segundo para quarto na classificação geral. O miúdo colombiano, Quintana, ganhou a etapa – a terceira para a Movistar, depois das duas de Rui Costa – à frente de Joaquim Rodriguez e de Froome, que pela segunda vez se viu batido por estes dois. Se bem que, agora, tenha ficado a ideia de um Froome entre o solidário e o magnânimo, a deixar no ar que entendia que aqueles dois, os únicos que realmente puderam competir com ele, tinham o direito de discutir a vitória naquela última etapa.

Se em Paris os três primeiros lugares foram para os três melhores sprinters, em Annecy Semnoz, na contagem de montanha de categoria especial, no final da mais pequena mas também das mais duras etapas em linha, os três primeiros foram os três melhores trepadores. Com Nairo Quintana a ascender ao segundo lugar da geral, a confirmar naturalmente a sua camisola branca e a conquistar, in extremis, o primeiro lugar do prémio da montanha, que o pobre Pierre Rolland tanto perseguiu.

Mas, nesta edição, com a pontuação a dobrar sempre que a meta coincidia com o final de etapa, o prémio da montanha era realmente para grandes trepadores, e não para sprinters de metas de montanha de segunda, terceira e quarta categorias.

Christopher Froome foi, como se previra, o grande vencedor. Incontestável, o melhor em qualquer terreno, sempre muito bem auxiliado por Richie Port. Eventualmente, se a Sky mantiver o que parece ser uma rotação de liderança, grande favorito para o próximo ano.

Nairo Quintana foi a grande revelação deste Tour. Com 23 anos, chegar ali e fazer tudo o que fez, é fabuloso. Só o alemão Ulrich, em 1996 - que na altura faria esgotar os adjectivos – fez parecido, faltando-lhe contudo o título da montanha!

Joaquim Rodriguez confirmou na última semana o estatuto que trazia, e que fazia com que aqui tivesse sido considerado um dos candidatos ao triunfo final. O traçado da competição era à sua medida, e foi justo que chegasse ao terceiro lugar e ao pódio no último dia, batendo, também ele, Alberto Contador.

Que nada fez para justificar melhor que o quarto lugar, que o seu colega de equipa, o checo Krueziger, bem mais fez por merecer. Subiram ambos ao pódio, tal como o Sérgio Paulinho (nunca saiu da penumbra, apesar do bom contra-relógio de montanha), em Paris porque a sua equipa, a Saxo Thinkov, ganhou colectivamente. Mas tudo indica que o Alberto Contador dificilmente voltará ao que já foi.

Valverde fez o seu melhor Tour de sempre, ficando a ideia, que a simples aritmética confirma, que teria alcançado um lugar no pódio não fosse aquela avaria na maldita etapa treze. Que acabaria por não penalizar tanto a equipa porque, não fosse esse incidente, e nem Quintana – que bem pode agradecer por ter sido o único a escapar ao sacrifício colectivo imposto, nessa ocasião, pela direcção da equipa - nem Rui Costa teriam brilhado como brilharam.

Quando no início aqui apontei os favoritos –  Froome, à frente de todos e, depois, Contador e Rodriguez,- referi ainda Cadel Evans. A grande, a maior decepção, que continua uma sombra do vencedor de há apenas dois anos. Também ele já era!

De Rui Costa já quase tudo foi dito. Irá provavelmente deixar a Movistar para assumir uma posição de primeira figura numa outra equipa de topo. O que fez neste Tour sustenta-lhe a ambição!

Para o ano há mais…

100º Tour de France VII

Por Eduardo Louro

 Rui Costa vence 19.ª etapa e iguala Joaquim Agostinho

Não tinha a mínima intenção de regressar ao Tour já hoje, depois da etapa de ontem do Alpe d`Huez. Pensava juntar a etapa de hoje -  que ligou Bourg d'Oisans a Le Grand Bornand - com a de amanhã, ambas no pacote das duas últimas grandes e decisivas etapas deste Tour número 100.

O Rui Costa obrigou-me a voltar aqui hoje, a abordar separadamente esta 19ª etapa, com mais de 200 quilómetros e, de todas, a que mais montanhas somava.

Porque voltou a ganhar - a décima terceira de ciclistas portugueses, e a terceira de Rui Costa, a igualar Acácio da Silva e a duas de Agostinho - apenas dois dias depois. Porque voltou a ganhar categoricamente, agora na alta montanha. Porque agora, com mais vitórias que ele neste Tour, apenas o sprinter Kittel e o rei Froome. Porque, com esta segunda vitória, repetiu e fez-nos lembrar Agostinho, logo na estreia, em 1969. Porque confirmou que é  um ciclista de eleição, inequivocamente no top ten mundial. Não tem nada que ver com Agostinho - disso já há muito que não há, se é que alguma vez houve -, está mesmo nas antípodas dessa inultrapassável figura do ciclismo nacional. Não tem, nem de perto nem de longe a mesma força, mas tem uma enorme inteligência competitiva capaz de o levar ao topo do ciclismo mundial.

E foi isso que hoje confirmou. Depois da vitória de terça-feira, hoje, dois dias depois, em terreno completamente diferente, a mesma receita: a fuga certa, bem numerosa, e o ataque infalível, na hora certa, não dando a mínima hipótese a quem quer que fosse. Pelo meio, nesses dois dias, uma lição - mesmo para quem, como eu, tendo percebido não tenha gostado - de gestão de esforço em competição: primeiro no contra-relógio, que já não lhe aquecia nem arrefecia, e depois, ontem: ainda experimentou entrar num grupo em fuga, mas rapidamente abdicou quando percebeu que aquilo não iria dar certo, nada preocupado em deixar-se ficar para trás.

males que vêm por bem, diz a sabedoria popular. O Rui Costa tinha deixado a ideia que poderia fazer um grande Tour, dizendo que tudo dependeria de como corresse a primeira semana, sempre recheada de incidentes, num pelotão imenso e difícil de entender e gerir. Correu-lhe bem, e parecia que tínhamos homem, até chegar aquela maldita etapa 13. O mal que veio por bem: atirou-o para fora da disputa da classificação geral, mas libertou-o para estes feitos. Que, feitas as contas, são bem maiores que os que conseguiria no outro tabuleiro, condicionado ou não pela sombra de Valverde!

É uma grande vitória, esta de hoje do Rui Costa. Começou por integrar uma fuga madrugadora de 44 ciclistas, que foi gradualmente mingando. Para a frente saíram dois ciclistas, um dos quais o francês Rolland, que persegue a camisola das bolas vermelhas - da montanha, que durante muito tempo vestiu – e grande ganhador dos pontos em disputa nas cinco das seis montanhas. Pouco depois do início da última do dia, quando uma forte trovoada se abatia sobre a corrida, iniciaram-se no grupo os primeiros ataques. Quando o Rui Costa entendeu atacou ele, e deixou logo ali toda a concorrência. Se rapidamente alcançou Rolland, rapidamente o deixou para trás, montanha acima, sempre debaixo de chuva e com a diferença para os perseguidores a crescer. Chegado lá acima ficava a faltar a descida até à meta. Treze quilómetros, sempre a descer e sempre debaixo de chuva.

De cortar a respiração. Até à meta e à festa!

Dez minutos depois chegava o grupo dos primeiros da classificação geral, com todos juntinhos.

100º Tour de France VI

Por Eduardo Louro

 

Hoje foi o dia da chegada ao alto do Alpe d`Huez (na foto). O dia da mais mítica das etapas do Tour, que todos gostariam de ganhar um dia. Mas que poucos conseguem…

Foi o caso do francês Riblon – primeira vitória francesa neste Tour – que foi hoje o primeiro na etapa que, desta vez, subiu por duas vezes o Alpe d`Huez, depois de uma longa fuga, cheia de peripécias, que terminou com a ultrapassagem ao americano Van Garderen – seu companheiro de peripécias – já à entrada do último quilómetro. O suficiente para lhe ganhar ainda um minuto!

E hoje foi o dia em que finalmente Froome foi derrotado. Até aqui tinha ganho sempre, incluindo o contra-relógio de ontem, em montanha, onde ganhou a toda a gente. Aumentando distâncias para todos, incluindo para Contador, que foi segundo – com o mesmo tempo de Rodriguez – e para o checo Kreuziger, o colega de equipa e abono de família de Contador, que foi quarto, passando ambos a ocupar os restantes dois lugares do pódio. De onde saiu o holandês Mollemba, em quebra acelerada nesta última semana...

Só que, mesmo derrotado, hoje Froome voltou a reforçar a sua liderança. Porque foi derrotado pelo jovem colombiano Quintana - que subiu ao terceiro lugar - e pelo espanhol Rodriguez, finalmente a mostrar por que integrava o lote dos favoritos e já às portas do pódio.

Esperava-se que Alberto Contador, que ontem fizera um excelente contra-relógio, atacasse hoje. Ainda simulou fazê-lo quando, na descida que se seguiu à primeira passagem pelo cimo do Alpe d`Huez, saiu do grupo de Froome, na companhia de Kreuziger, o seu fiel e leal escudeiro. A ideia parecia boa: aproveitar a sua superior capacidade técnica para arriscar na descida - perigosa e exigente, onde Froome, com mais dificuldades técnicas e menos necessidade de correr riscos, não deveria responder – e chegar à entrada da segunda passagem pela montanha já fora do alcance do camisola amarela. Já se tinha percebido que Contador é, hoje, mais um jogador de póquer do que um corredor de bicicleta. Hoje confirmou-se: Contador tem passado este Tour a fazer bluf. Que voltou a fazer hoje, desistindo logo que a descida terminou, bem antes do reinício da subida foi, mais uma vez, bluf!

Na subida final voltou a não conseguir reagir ao ataque de Froome – mais uma vez foi ele, o líder, a tomar a iniciativa – e só conseguiu manter o seu segundo lugar na geral através, mais uma vez, do sacrifício do seu colega Kreuziger, que acabou por perder o terceiro lugar que ocupava. Dispõe daquela que é a melhor equipa deste Tour – tem a vitória colectiva praticamente assegurada – mas tudo aponta para que, nem assim, consiga segurar o seu segundo lugar, agora à mercê de Quintana e de Rodriguez. Que bem, e especialmente o colombiano, têm feito para o merecer!

Dos portugueses pouco há a dizer. No contra-relógio de ontem, Rui Costa, com honras de televisão, pela notoriedade da véspera, foi dos piores. Poderá perceber-se, mas não é bonito de ver: ficou a mais de seis minutos de Froome, em apenas 30 quilómetros… E hoje, simplesmente não se deu por ele!

O Sérgio Paulinho viu-se finalmente. Deu-se por ele. Porque fez um bom contra-relógio, por volta do vigésimo lugar, com muito boa companhia como, por exemplo, Richie Porte – que hoje voltou a confirmar a sua imensa categoria na ajuda a Froome. E porque hoje teve, também ele, honras de televisão. Foi vedeta de televisão, em virtude de uma fuga cujo único objectivo só poderá ter sido esse mesmo!

100º Tour de France V

Por Eduardo Louro

 

Rui Costa ganhou, na chegada a Gap, a etapa de hoje do Tour, a 16ª. Integrou a fuga do dia, num grupo de perto de vinte corredores e, na altura certa, lançou o ataque certo. E certeiro!

Depois do acidente de sexta-feira, e do descalabro de domingo, Rui Costa teria de mudar rapidamente a agulha. Sem aspirações na classificação geral, uma vitória numa etapa - numa equipa que ainda não vencera nenhuma - passava a ser o objectivo. E já não havia muito tempo, nem sobravam oportunidades para isso. Era hoje, numa etapa que, não sendo de alta montanha, era de montanha. Uma montanha que teve espectacularidade no ataque de Rui Costa, mas também nos ataques de Contador, qua atacava ali o segundo lugar, se bem que tivesse sido Froome, de novo sozinho, a responder. De tal forma que viriam ambos a cair, já na descida para a meta, e a terem de cooperar ambos para recolar ao grupo dos primeiros da geral, que chegaria doze minutos depois do Rui Costa.

Tinha de ser hoje. E foi. E não certamente por ter sido ali, também em Gap, que o outro português do pelotão - o Sérgio Paulinho de quem nunca se ouve falar - ganhou em 2010. Mas pode bem ter sido por ontem, no dia de descanso, ter sido dado como o ciclista mais popular do pelotão. Popularidade - disse-se - medida pelo número de cartas de incentivo que recebe. Estranha - ou talvez não - esta forma de medir a popularidade... Certo é que a popularidade também ajuda a empurrar. Não é só a noblesse que oblige!

100º Tour de France IV

Por Eduardo Louro

 

Aí está Tour a fechar a segunda semana. Falta uma!

E o Tour não é só Pirenéus e Alpes. E contra-relógios!

Comecemos por aí. Pelo contra-relógio de quarta-feira, o primeiro deste Tour, que permitiu a Froome reforçar a sua condição de grande candidato à coroa de louros em Paris, de hoje a uma semana. Foi ganho - por uma unha negra – pelo alemão Tony Martin, a unha negra que o separou de Froome. E que permitiu ainda a Rui Costa, apesar de um desempenho muito abaixo das expectativas – esperava-se um lugar entre os dez primeiros, mas ficou muito longe, perto do 30º posto – subir um lugar top tem que trazia dos Pirinéus. Nos dez primeiros do contra-relógio nem o seu chefe-de-fila - Valverde – coube!

É ainda a subida ao Mont Ventoux, na etapa de hoje - 14 de Julho, o dia nacional francês, o dia da tomada da Bastilha – a mais longa, mais difícil e talvez decisiva etapa deste Tour, a caminho daquela paisagem marciana, onde os ciclistas enfrentam a terrível subida e o não menos terrível vento que lhe dá o nome. E onde Froome chegou primeiro que todos os outros, a confirmar uma superioridade imensa. Que não, felizmente, incontestada!

Mas é – e eis a surpresa – também feito de etapas como a 13ª, 13 de azar, no dia 12 - que ligou Tours a Saint-Amand-Montrond. Uma etapa curta – 170 quilómetros -, de altos e baixos, mas sem montanha, para roladores, para ser discutida ao sprint e ganha por um dos sprinters glutões do pelotão. Como foi, ganha – mais uma – por Cavendish, caído em desgraça dois dias antes, quando – se não foi assim, foi essa a ideia que passou – derrubou em pleno sprint final um adversário que preparava a ponta final para um colega, o alemão Kittel, que viria a ganhar a etapa, maior rival do inglês e único ciclista com três vitórias até ao momento. Pois foi esta etapa, uma das que parecem destinadas a simplesmente não ter história, que se veio a revelar uma das mais decisivas e espectaculares deste Tour. Pelos sortilégios do ciclismo, mas também pelo vento, muitas vezes mais temido que as montanhas. Vale a pena contar: ia a etapa a menos de meio e já o pelotão estava partido em três grupos. No da frente seguiam as principais figuras, quando Valverde - segundo classificado, principal adversário de Froome e colega de equipa de Rui Costa – furou e perdeu o contacto. Toda a equipa (Movistar) ficou para trás para o levar de volta ao grupo da frente, à excepção dos outros dois ciclistas no top ten: Rui Costa e Quintana. Não tendo sido de imediato bem sucedidos, quando estavam apenas a doze segundos mas já com o segundo grupo do pelotão a chegar, a direcção desportiva da equipa deu ordens a Rui Costa para, também ele, esperar pelos seus companheiros, ficando lá na frente apenas o jovem colombiano Quintana. Foi então que o grupo da frente decidiu arrumar ali mesmo com toda a Movistar, que “apenas” liderava por equipas, tinha a vice liderança da prova, a liderança da juventude e três corredores nos dez primeiros. Olhando para a corrida, a equipa de Contador, toda ela no primeiro grupo, resolveu ainda atacar, deixando Froome angustiado, a olhar para o lado à procura da equipa que não tinha ali. Valeu então a Froome a sorte dos campeões - com a Team Saxo-Tinkoff de Contador tinham também seguido os sprinters – quando a BMC, de Cadel Evans, que já nada tinha a ganhar, e a Katusha, de Rodriguez, ainda com alguma coisa a defender, resolveram assumir a  perseguição e defender-lha a camisola amarela. Quem pagou tudo isto foi a Movistar, com Valverde e Rui Costa a perderem mais de uma dúzia de minutos que os atiraram bem para fora do top tem. Rui Costa caiu vinte lugares!

Claro que a espectacularidade desta etapa, e a volta que promoveu na classificação, nada retiram à etapa de hoje, com a subida ao Mont Ventoux. Mas não deixou de a influenciar, porque a Movistar, que perdera a cabeça e a corrida quando mandou Rui Costa esperar pelo grupo de Valverde, voltou a fazer hoje tudo errado. O português atacou quando faltavam onze quilómetros para a meta – que no Mont Ventoux são uma enormidade. No mesmo quilómetro, só para se ter uma ideia, foi absorvido e despejado. Quer dizer, em poucas centenas de metros, fugiu, foi apanhado e ficou para trás. Logo a seguir, também sem grande sentido por muito cedo, jogou o às de trunfo – o colombiano Quintana, um trepador que bem poderia ganhar ali.

Froome, que mais uma vez se despediu de Contador quando muito bem quis - em montanha tem sido sempre assim – viria a alcançá-lo, chegando a parecer que lhe agradaria a companhia até à meta. Mas não. Despediu-se também do colombiano e seguiu sozinho até lá cima. O holandês Bauke Mollema é – com alguma surpresa - o segundo classificado. E Contador, que pouco mais tem feito que aguentar-se. o terceiro, ambos a mais de quatro minutos.

Vem aí a última semana, a dos Alpes. E a do contra-relógio de montanha. Mas também de Paris, de hoje a oito dias!

100º Tour de France III

Por Eduardo Louro

 

O Tour entrou ontem e saiu hoje dos Pirinéus, onde, depois de uma entrada de leão, a Sky de Froome e Porte, teve uma saída de sendeiro.

Ontem a Sky assustara toda a gente: adversários e adeptos e amantes da modalidade, para quem seria de todo indesejável uma tão precoce definição da prova. Percebeu-se hoje que só os adeptos ficaram assustados!

Os adversários quiseram hoje, logo à partida, dizer que, impressionados sim, assustados é que não. E logo quiseram confirmar se aquela entrada da equipa de Froome não seria apenas bluf.  Se aquilo de ontem não teria sido para os intimidar logo à partida e levá-los à submissão.

Esta etapa, com cinco montanhas, teve um início de loucos, com toda a gente ao ataque. Em especial a Movistar de Rui Costa, Valverde … e Quintana. Ao fim dos primeiros 40 ou 50 quilómetros já a Sky estava despedaçada. Já Froome estava sozinho e, mais, já Froome tinha que, entregue a si próprio, entrar em despesas de recolagem. E já Porte, como todo o resto da equipa, desaparecera!

À entrada da segunda das cinco escaladas, a primeira das quatro de primeira categoria, já Froome integrava o grupo principal, de onde não mais sairia. De onde ninguém mais conseguiu tirá-lo, apesar dos sucessivos ataques da Movistar, a quem todos os terrenos serviam para atacar, montanha ou plano. Froome resistiu sempre, umas vezes no conforto do grupo, outras respondendo ele próprio aos ataques.

Quando, a mais de 90 quilómetros da meta e com quatro montanhas de primeira categoria para escalar, se viu Froome sozinho, sem apoio sequer para o abastecimento, ninguém acreditaria que o camisola amarela pudesse resistir. Não só resistiu como acabou a etapa em clara confirmação do seu favoritismo, não dando hipótese a qualquer adversário!

Porque parece não ter rivais. Nenhum dos supostos candidatos à vitória final demonstra ter condições para isso. Contador, já era (sempre que Froome respondeu a um ataque o espanhol ficou nas covas) e por isso a sua equipa – Team Saxo Tinkoff, uma das mais fortes - não mexeu uma palha; com Rodriguez a limitar-se a fazer de morto no grupo principal, a Katusha assobiou para o lado. Só a Movistar atacou até achar que já não caberia fazer mais – talvez nem pudesse – dando-se por satisfeita com a derrota de Porte, que lhe garantia o segundo lugar na classificação para Valverde. E ainda as lideranças da juventude (Quintana) e colectiva, e três corredores - Rui Costa era o terceiro - no top ten

Esta etapa de despedida dos Pirinéus prometeu, pois, muito. Não se pode dizer que tenha dado pouco, mas ficou bem aquém do prometido nos primeiros quilómetros, quando parecia mostrar que este seria o Tour mais aberto dos últimos vinte anos. Não o chegaria a confirmar, mas deu para muitas coisas. Deu para perceber que, ao contrário do que ontem deixara perceber, que não tem nada a ver com a do ano passado. Deu para perceber que, ao contrário do que ontem aqui dizia, Porte não é o Froome do ano passado, mesmo que este possa ser o Wiggins.

E deu para confirmar Rui Costa (na foto) na elite do ciclismo mundial: ontem ficara à porta do top tem, hoje entrou mesmo lá. E que Sérgio Paulinho continua por lá, sem que se saiba muito bem a fazer o quê. Que é um corredor de equipa, que tem um trabalho invisível, dizem os entendidos. Deve ser isso: trabalho invisível. Para ajudar o Contador é que não. Nem nunca lá está por perto nem o Contador lá vai de maneira nenhuma!

Segue-se o contra-relógio, já na quarta-feira, e no fim-de-semana regressa a montanha. Então nos Alpes, para fazer as contas finais...

100º Tour de France II

Por Eduardo Louro

 

Já passou uma semana – e que semana, caramba, quente, quente de escaldar – e aí está o Tour já com muito para contar.

Pois é. A primeira semana, a dos sprinters e das quedas, já lá vai. Com quedas, sempre daquelas que típicas de início de corrida, quando os corredores ainda não estão bem adaptados àquela convivência em ritmo de alta aceleração num pelotão de altíssima densidade populacional. As antigas eram mais relacionadas com aquele pavimento de paralelos, o pavé. Que, com uma chuvinha, passava a manteiga!

E com os sprinters a provar o sabor da vitória. Um de cada vez, sem bis. Com o rei Mark Cavendish e o príncipe Peter Sagan, afastados pelas quedas nos primeiros dias das zonas de decisão, a fechar a semana. O eslovaco foi o último, à terceira tentativa, já depois de ter sido quarto e segundo, o que lhe dá já grande vantagem na camisola verde dos pontos.

Chegou a montanha. O Tour chegou aos Pirinéus e mudou de figura. Com duas montanhas de categoria especial, a etapa deste sábado já deu para perceber como as coisas irão ficar. A Sky mandou por completo na etapa, dominando-a de princípio ao fim, a deixar perceber uma reedição da do ano passado, com Richie Port a fazer de Cris Froome e este, a confirmar em absoluto o enorme favoritismo com que chegou a este centésimo Tour, a fazer de Wiggins.

Froome e a Sky aí estão, dispostos a não dar hipóteses a ninguém. Todos os favoritos foram batidos. Mesmo Contador, em que a forma penosa como foi batido marca mais que os dois minutos perdidos... Se esta etapa, com duas montanhas, fez isto, imagina-se já que a deste domingo, com cinco, arrume definitivamente este Tour. O que não seria certemente o mais desejável!

100º Tour de France I

Por Eduardo Louro

 

Aí está o histórico Tour, já centenário. A centésima edição já está na estrada, arrancou hoje na Corsega!

E começou logo com quedas – as tradicionais e já famosas quedas da primeira semana – no primeiro dia. A última, a 6 quilómetros da meta – que para efeitos de contagem de tempo acabariam por contar 3, em consequência de um inacreditável episódio (um autocarro de uma das equipas, a Orica, na imagem, ficou preso no portal da linha de meta, sem que dali saísse, nem para a frente nem para trás, com os ciclistas a aproximarem-se, e a linha de meta virtualmente recuada em 3 quilómetros à altura da queda) – envolveu quase todos os sprinters, Contador, e ainda quer o Sérgio Paulinho quer o Rui Costa, como que a dar-lhe razão quando, há dias, aqui em Pataias, dizia que, objectivos, só depois da primeira semana. Se passasse incólume as aspirações seriam outras…

Favoritos? Alguns nomes: com Froome, que no ano passado deixara a ideia que só teria batido o seu compatriota e colega por imposição da equipa, à frente de todos. Depois, Contador, Joaquim Rodriguez – que brilhou na Vuelta do ano passado – Cadel Evans, o último vencedor (2011) em prova… Andy Schleck, depois de dois anos desastrosos, deixou de contar entre os favoritos e o jovem Peter Sagan terá ainda de esperar.

O vencedor do ano passado e campeão olímpico, Bradley Wiggins, não recuperou a tempo de preparar a sua participação, depois de uma lesão que o fez abandonar o Giro.

Vamos ver no que dá este que é maior espectáculo de ciclismo do mundo. Ao longo das próximas três semanas iremos estar de olho nas estradas francesas. Logo que as coisas aqueçam daremos notícias…

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