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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tour 2014 VII

Por Eduardo Louro

 

 

O Tour disse hoje adeus aos Pirinéus, que arrumaram muitas das contas. Se não definitivamente, lá muito perto… O contra-relógio de sábado fará o resto, arrumará o pódio, o que já não é pouco…

Tínhamos, na última vez, ficado na 16ª e primeira destas três etapas dos Pirinéus.

Ontem, na décima sétima, correu-se a etapa mais curta, com apenas 124,5km, entre Saint-Gaudens e Saint-Lary Pla d’Adet. Mas com quatro montanhas – três de primeira categoria e a última coincidente com a linha de chegada, de categoria especial. Própria, por isso, para o polaco Mayka e o espanhol Rodriguez, ajustarem as contas da montanha.

Definiram, para acertar essas contas, estratégias diferentes. Opostas mesmo. Joaquim Rodriguez apostou logo de início da corrida tudo nas contagens de primeira categoria. O miúdo (24 anos) Mayka apostou tudo para vencer a etapa, dobrando assim a pontuação da montanha de categoria especial.

E assim foi, e com uma extraordinária corrida do seu colega de equipa Nicolas Roche, que se encarregou de impor o ritmo durante toda a parte final da etapa e de o trazer por ali acima, o polaco ganhou pela segunda vez. E só não arrumou logo ali com a classificação da montanha porque há Nibali. Que foi terceiro, arrumando mais uma vez com a concorrência, e ficou também em condições de disputar essa classificação.

À parte dessas contas à volta da camisola às bolinhas, a corrida voltou a ser espectacular. Mayka deu espectáculo – teve um desplante, com um gesto de ganhar impulso numa mota, que lhe valeu uma penalizaçãozita de 10 segundos e uma multazita de 50 euros – e confirmou-se como um dos grandes deste Tour. Para Nibali já não há palavras, simplesmente não dá qualquer oportunidade à concorrência, e voltou a ganhar tempo a toda a gente.

A etapa de hoje, a 18ª, na distância de 145 quilómetros entre Pau e Hautacam, tinha na ementa o Tourmalet, a mais mítica das montanhas dos Pirinéus, ao nível do Alpe D´Huez, nos Alpes, mas ainda de maior grau de dificuldade. Só que, depois de atingido o cole do Tourmalet, de categoria especial, sucedia-se uma grande descida até à subida final do Hautacam, onde a meta coincidia de novo com a contagem de montanha de categoria especial.

Talvez por isso a montanha – Tourmalet – tenha parido um rato. A subida iniciou-se com um grupo de vinte corredores em fuga com uma vantagem de cerca de 3,5 minutos, que incluía o português Tiago Machado, de resto o primeiro a ceder. E o que se passou, não passou do processo de selecção natural de uma subida destas: tudo o que era grupo se esfrangalhou. Do esfrangalhamento no grupo em fuga resultou na frente um duo – o espanhol Nieve, da Sky e o francês Kadri, da AG2R – que chegou lá acima com cerca de 4 minutos de vantagem. Do esfrangalhamento no pelotão resultou na frente o grupo do costume, de Nibali, Valverde, Péraud, Pinot, Bardet, Van Garderen…

A prova de que nada se passava é que, numa subida daquelas, os dois da frente ainda ganharam alguns segundos à nata do pelotão. Seguiu-se a descida, com a Movistar e Valverde a ensaiarem mais uma das suas, pretendendo ganhar na descida o que não conseguem nas subidas. Nunca dá em nada. E depois a subida final ao cole de Hautacam, onde finalmente tudo acontecia. Primeiro foi Nieve a deixar para trás Kadri, o seu companheiro de aventura que, sem discussão, tinha sido primeiro no Tourmalet. Depois, ainda a 11 quilómetros do alto, o americano da Lampre – o veterano Horner – atacou e Nibali achou que, mais que uma boa boleia, era uma boa ideia. Andou com ele cerca de 2 quilómetros e, ainda muito longe da meta, foi embora. Sozinho, montanha acima, passando por tudo o que por lá andava, até chegar a Nieve e passar, sem dizer água vai.

Cá atrás, Mayka pensou na sua camisola das bolinhas. E, fosse para a defender, fosse para deixar claro que a merecia, foi também embora, parecendo imitar o camisola amarela, que chegou a sentir perto. Mera ilusão, só veria Nibali na meta, bem depois de ter chegado, e veria ainda chegar um grupinho onde estavam os franceses Pinault e Péraud. Na meta, Pinault foi segundo e Mayka terceiro, trocando com Nibali a classificação da véspera.

Valverde voltou a provar que são sempre exageradas as notícias da sua morte. Foi derrotado em toda a linha por todos os adversários, ficou para trás. Mas nunca fica irremediavelmente para trás, encontra sempre forma de ressurgir. Acabou ainda por ser décimo na etapa, a 2 minutos de Nibali e perdeu o seu segundo lugar, mas nem isso é irremediável. Pinault é agora segundo – e primeiro da juventude – e Pérault terceiro. Só que os três cabem em apenas 15 segundos!

Quer dizer: tudo decidido, menos os dois lugares do pódio. Que Valverde, Péraud e Pinault irão decidir entre si no contra-relógio. Para que não fossem os Pirinéus a decidir tudo!

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