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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A tragédia de Moçambique*

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Não ficamos, nem poderíamos ficar, indiferentes à tragédia que o ciclone tropical Idai provocou, especialmente em Moçambique, mas também no Maláui e no Zimbabué.

Pela dimensão do fenómeno, apontado já como um dos piores, se não o pior desastre climático no hemisfério sul, mas acima de tudo pela estreita relação que mantemos com aquela terra e aquela gente.

Mais de milhão e meio de pessoas afectadas, centenas de mortes e de desaparecidos, e a mártir cidade da Beira totalmente destruída, num cenário apocalíptico a que é difícil sobreviver. Depois de 16 anos de destruição em guerra civil, e das cheias de 2000…

As contas da dimensão da estratégia estão por fechar. Estão mesmo longe de ser fechadas, e isso, não conhecer a sua verdadeira dimensão, é a outra tragédia deste momento trágico.

A emergência é total, e não dá tréguas. É preciso resgatar e alimentar pessoas desesperadas, dar-lhes comida, água, abrigo, segurança. E à vista está já uma gigantesca emergência médica para enfrentar dificuldades que, às necessidades dos cuidados imediatos, acrescenta as dos riscos de doenças provocadas pela proliferação de infecções ou pelo consumo de água imprópria.

Moçambique é um país com enormes fragilidades institucionais, e dos mais pobres do mundo, que não tem sido poupado às mais diversas calamidades. E não tem como as enfrentar. Por agora abriram-se múltiplas vias de ajuda e, como sempre, a solidariedade dos portugueses está a responder. O pior virá certamente depois, quando voltar a sair das primeiras páginas dos jornais e dos noticiários das televisões…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Um país que é isto!

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A tragédia põe sempre as fragilidades a nu. É assim com as pessoas, e é assim com as sociedades e com os países.

Andamos todos a pensar que Portugal se mostra na Websummit, nos hotéis, nos alojamentos locais ou até nos tuck tucks, mas Portugal mostra-se a cada tragédia. É aí que chocamos de frente com a verdadeira imagem do país, que rapidamente reconhecemos.

Voltou a mostrar-se nestes dias, com grande violência. Voltamos a ver Portugal numa aldeia de Trás-os-Montes onde, num casebre forrado a miséria, para não morrerem de frio, cinco pessoas morreram afogadas em monóxido de carbono. No dia seguinte lá estava de novo a mostrar-se, agora no não menos profundo Alentejo, no que restava de uma estrada que, comida por gigantescos buracos abertos por anos de rebentamentos de misturas explosivas de interesses privados e incúria pública, deixou de resistir. Ruiu de vez, e enterrou a 100 metros de profundidade máquinas, carros e vidas humanas. Pelo menos, mais outras cinco.

Não adianta esconder nada, nem protestar que não se pode dizer que Portugal é só isto. Basta que seja isto para que dificilmente Portugal seja mais que isto!

 

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"A tragédia de Sócrates"

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Os mais mal intencionados verão uma relação qualquer entre o artigo de Fernanda Câncio, hoje no DN, e a posição que o PS revelou na semana passada, relativamente a Sócrates. Sabendo-se como é mal amada - não, não estou a fazer ironia - por grande parte do pessoal, em especial do mais conservador, não vai faltar quem lhe caia em cima a acusá-la de tudo e mais alguma coisa.

E no entanto este artigo de opinião da jornalista que foi namorada de Sócrates, que com ele privou na intimidade durante alguns anos e que assistiu por dentro ao luxo da vida do antigo primeiro-ministro, é verdadeiramente notável. Diz que foi enganada na intimidade, como todos o fomos publicamente. Que se sente abusada, como todos nós devemos sentir-nos. E que só ela, e só nós, podemos estar envergonhados, porque, ele, não tem nem nunca terá vergonha.

E, the last not the least, dá uma verdadeira lição ao PS e a António Costa que, en passant, acusa - e bem - de terem reagido tarde e mal, deixando claro que não é preciso qualquer julgamento de natureza criminal para condenar politicamente José Sócrates. Bastam os mais elementares critérios de avaliação de ética, de moral e de traição, fundamentais em política. E que isso deixa nua a hipocrisia do "à Justiça o que é da Justiça e à política o que é da política"!

 

A tragédia vai ganhando forma

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Enquanto por cá, depois de tanto tempo escondida, a nossa direita formiguinha vai agora tentando dar por normal a vitória de Trump, ao mesmo tempo que lhe lava a imagem, como ontem aqui deixei nota e como hoje o mestre Ferreira Ferrnandes deixa também perceber na sua crónica no Diário de Notícias, por lá a tragédia confirma-se a cada um dos poucos dias que vão passando. 

Não é só que Trump confirme todas as alarvidades de que usou e abusou durante a campanha. A única das suas promessas/ameaças que deixou cair é justamente a prisão de Hillary: afinal decidiu que não a quer prejudicar... É o que vamos conhecendo da constituição da sua equipa!

Para braço direito, para estratega da Casa Branca, Trump escolheu Steve Bannon, a quem já recorrera para a recta final da campanha, o homem da bandeira da “supremacia branca”, tido pelo “político operacional mais perigoso da América”, que o Ku Klux Klan acaba de classificar de "excelente" escolha. 

Ao contrário do que nos querem fazer crer, a tragédia vai ganhando forma...

 

TRAGÉDIAS

Por Eduardo Louro

 
Fim-de-semana trágico em Macau!

Na quinta-feira, na sessão de treinos para o Grande Prémio de Motociclismo, na chamada curva dos Pescadores, morreu o piloto português Luís Carreira, de 35 anos. No dia seguinte morreria o piloto de Hong Kong, Philip Yau Wing-choi, durante a prova de qualificação para a Taça Turismo CTM, na chamada curva Mandarin.

Ontem seria a vez das boas notícias: a promessa, e grande esperança portuguesa para a categoria máxima do desporto automóvel, o jovem António Felix da Costa, venceu a prova maior de Macau: o Grande Prémio de Fórmula 3!

Mas a tragédia espreita sempre, mesmo fora das pistas: não deixou de ser trágico o que se passou na cerimónia do pódio. Num território que ainda há uma dúzia de anos estava sobre administração portuguesa, num circuito onde uma trágica curva se chama dos Pescadores, não se respeita um português campeão, não se respeitam os portugueses e não se respeita o seu símbolo maior dos portugueses: o   hino nacional … É trágico!

Vale a pena ver e ouvir....

 

ACONTECEU NUM ESTÁDIO DE FUTEBOL

Por Eduardo Louro

  

Aconteceu num jogo de futebol entre o Al Masry e o Al Ahly - de Manuel José - do campeonato egípcio, ficará  na História como uma das maiores tragédias em recintos desportivos, mas  tenho alguma dificuldade em aceitar que esta tragédia de Port Said tenha alguma coisa a ver com futebol.

Todos sabemos que, infelizmente, há violência no futebol. Mas não este tipo de violência, que dificilmente deixaremos de associar à situação política e social que se vive no Egipto, caracterizada ela própria pela violência.

Há muito que o sol deixou de brilhar na Primavera Árabe, em particular na egípcia. Há muito que a as flores que nasceram na Praça Tahrir secaram e que nuvens bem negras anunciam o inverno ... e o inferno.

Morreram 74 pessoas num campo de futebol. E quase duzentas ficaram feridas. Estou em crer que é essa localização circunstancial o único elo de ligação desta tragédia ao futebol. Mesmo no Médio Oriente!

 

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