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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O epílogo é lixado

 

Para tentar disfarçar os fracassos da época de transferências Pinto da Costa não arranjou melhor que engalanar a contratação do japonês Nakajima como um profundo golpe no Benfica. E não conseguiu mais que 40% do passe, o que faria se tivesse ficado com tudo...

É que toda a gente sabe que na Luz não se suspirava por outra coisa...

O epílogo é lixado!

Business as usual ...

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Resisti a escrever o que quer que fosse sobre a transferência de João Félix até que estivesse realmente confirmada sabendo-se, como se sabe que, nestas coisas, a verdade nunca chega antes de uma infinidade de mentiras, produzidas por uma máquina diabólica sempre a funcionar em alta rotação.

Sabe-se agora, parece que já não há volta a dar-lhe, que João Félix vai para o Atlético de Madrid. Dizem-nos, diz-nos a mesma máquina, que pelo valor da cláusula de rescisão. Pelos tais 120 milhões de euros, transferência que passa a constar do top 5 mundial.

Será certamente. Poucas dúvidas sobram disso. Mas muitas se levantarão sobre o destino de tanto dinheiro... Uma coisa pode ser dada por certa: se alguém esperava que este negócio resultasse do simples accionamento de uma cláusula de rescisão de um contrato, em que uma parte se apressa a depositar o respectivo valor deixando a outra paralisada e sem qualquer possibilidade de reacção; esqueça!

Não foi nada disso que se passou. E como não foi nada disso que se passou, toda a gente negociou com toda a gente sem restrições de qualquer espécie - incluindo o clube de Madrid com o jogador -, não há forma de os 120 milhões serem 120 milhões a entrar nos cofres do Benfica. Jorge Mendes esteve envolvido - está sempre - e não sai de mãos a abanar. Nem nada que se pareça...

Claro que haverá quem venha a correr dizer que só Jorge Mendes é capaz de fazer negócios deste nível. E são até capazes de trazer para aqui o caso de Bruno Fernandes, de que foi afastado. Mas não colhe. Pela simples razão que João Félix ... não era para vender!

O presidente do Benfica disse sempre que o queria manter no clube, renovar-lhe o contrato e aumentar até a cláusula de rescisão. Que, apenas obrigado pela activação da cláusula prevista no actual contrato, abriria mão do jogador. E por isso não se percebe por que surgiu Jorge Mendes no negócio. Se não era para vender, porquê um vendedor? Nem por que o Atlético de Madrid pôde começar a apresentar propostas a um jogador que não estava livre para negociar, nem era para vender, sem que isso fosse denunciado por hostilidade.

Mas, claro, estamos a falar de negócios - "business, as usual". Onde tudo o que importa é ganhar dinheiro a qualquer custo. Ninguém olhou muito para mais lado nenhum que não esse. Nem o miúdo, sempre o elo mais fraco nestas coisas. Que, deixando-se ir na conversa de todos os que o rodearam, cada um com as suas preocupações e com os seus interesses, corre sérios riscos de, naquele clube e naquele futebol de Simeoni, hipotecar uma carreira que poderia ser brilhante. 

O Manchester City, de Guardiola, a alternativa mais robusta, ganha títulos, tem um futebol de primeira água, à medida das mais evidentes qualidades do miúdo, e pretendia deixá-lo na Luz, mais 6 meses ou um ano, passando depois integrá-lo na equipa. No Manchester City iria encontrar Bernardo Silva, uma referência na equipa. Atlético de Madrid vai encontrar fantasmas: João Pinto, Simão, Gaitan... e um clube com enorme dificuldade em conquistar títulos. Vai cair num futebol eminentemente físico e encontrar bancadas cansadas de não ganhar, que nada perdoarão a um miúdo que custou como gente grande. Da maior. Mas, acima de tudo, a diferença é esta: no Manchester City João Félix poderia aspirar a ser bola de ouro. No Atlético de Madrid, nem por sonhos...

Pode perceber-se que, com tanto dinheiro, ninguém se tenha lembrado disto. Não se entende é que o próprio João Félix não o tenha percebido!

 

Um problema de coluna

 

Fechou o mercado de transferências do futebol, e com isso a torneira mais apreciada pela nova maneira de fazer notícias numa das mais apetecidas valências do jornalismo actual.

O último dia do mercado é normalmente vivido em ambiente de alta histeria, com o climax no count down final, segundo a segundo até ao último da meia noite. Ás vezes, esses segundos não chegam, como acontecera há um ano com Adrien. E Bruno de Carvalho, inevitavelmente...

Tudo estava preparado para que desta vez tudo se repetisse. Mas falhou. Faltou mercado, ou faltaram loucuras. Pelo que deu para ver só a RTP percebeu isso, e desligou por completo, poupando-se àquela 24ª hora de encher chouriços em chorrilhos de patetices. Nenhuma das outras televisões resistiu ao engodo, e lá ficaram a contar os segundos penosamente.

Valeu-lhes ... Fábio Coentrão. Isso mesmo, foi ele a estrela da noite  com a sua sensacional transferência do Real Madrid para ... o Rio Ave. E com o último suspiro do seu choro comovente: "Depois do que fiz, nem uma chamada do Sporting"!

Como se a sua conduta moral, o seu carácter e a sua escala de valores e princípios não tivessem nada a ver com o destino que a vida lhe traçou... Diz-se nestas circunstâncias que é um problema de cabeça. A cabeça dos jogadores de futebol tem frequentemente as costas largas. Fábio Coentrão não terá a melhor das cabeças -  percebeu-se isso vezes de mais - mas não é de cabeça o seu principal problema. É de coluna!

Transferências

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À falta da grande transferência por que Luís Filipe Vieira anunciara perder cabeça, a grande bomba da silly season é a mudança de camisola de uma apresentadora de televisão.

A Cristina Ferreira passou-se da TVI para a SIC, e dizem que vai ganhar mais do triplo do patrão, como as grandes estrelas do futebol. Não tenho nada contra o que vai ganhar, mas sinto alguma preocupação com aquilo que hoje se valoriza. 

Bem sei que são as audiências. É isso mesmo que me preocupa...

Um dia quente!

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Acaba Agosto, o mais mítico e romanceado dos meses do ano. Acabam as férias e praticamente acaba o Verão. Mais que mudar o calendário muda uma forma de vida.

É sempre assim, todos os anos. Hoje no entanto é muito mais que isso. Muitas páginas se viram hoje com a do calendário.

Mesmo que o mercado de transferências no futebol feche sempre nesta data, nunca fechou como hoje, com a porta a ir lentamente fechando com inusitado suspense. Nunca a coisa por cá fervilhou tanto, com tanto negócio de última hora, tanta volta e reviravolta, tanta lágrima, tanto amúo e, inevitavelmente, tanto dinheiro.

Chega ao fim o processo de impeachement de Dilma Roussef no Brasil. Depois de mais um longo e insuportável desfile de senadores, cada um a tentar ser ainda mais deprimente que o anterior. Depois da advogada anónima que virou gente - figura central em todo este processo, Janaína Paschoal de seu nome - garantir, em choro por ventura comovido mas nada comovente, que o impeachment era um ato divino, e de, não menos absurdo, pedir desculpas aos netos de Dilma. E depois do advogado de defesa chorar, porque a outra já chorara, o golpe de Estado está consumado. Na América Latina, agora, os golpes de Estado são assim. Os generais já passaram de moda!

Em Espanha, Rajoy tenta ser de novo empossado à frente de um governo que já tarda vai quase para um ano. Não vai dar em nada. Mesmo com o acordo com o Ciudadanos, faltam-lhe seis deputados que, diga-se, não fez muito por encontrar. É agora claro que a alternativa a novas eleições - as terceiras consecutivas, e provavelmente também inconclusivas - é a geringonça portuguesa. Com molho á espanhola.

E é também hoje que toma finalmente posse a nova administração da Ciaxa Geral de Depósitos, naquele que se espera seja o último capítulo de uma novela lastimável, toda ela cheia de tesourinhos deprimentes. Mas caros, todos muito caros.

É verdade. Não me lembro de um 31 de Agosto tão quente! 

Também fechou... mas abre-se outro!

Por Eduardo Louro

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Também à meia noite fechava o mercado para a colocação do Novo Banco, uma espécie de Rolando que o governo tinha nas mãos do Banco de Portugal, uma espécie de Jorge Mendes, mas com bem menos jeito para o negócio. 

Como no outro mercado, também aqui há uns que fecham mais tarde. E ao contrário do outro, há ainda os que, depois de fechados, reabrem. Sabe-se lá com que custos... Até porque aquilo está a sair pior que com o Ola John: então não é que, no último dia, no verdadeiro dia D, quando, a apresentar alguma coisa teria de ser de arromba, tipo fintas e mais fintas, remates e golos, não encontram melhor para apresentar que 252 milhões de prejuízo no primeiro semestre?

 

 

Pronto, já fechou...

Por Eduardo Louro

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A noite louca do fecho do mercado dos jogadores de futebol chegou ao fim. Não foi, nem de perto nem de longe, tão louca como outras, mas nem por isso foi menos rocambolesca. Com nota alta para Madrid, com o Real a fechar finalmente De Ghea: tão finalmente que parece que já não foi a tempo... E para o Manchester United, que não precisa certamente desse dinheiro para a louca contratação de Martial - 19 anos - ao Mónaco, por números que podem chegar aos 75 milhões de euros.

Por cá, o Porto continuou a dar cartas. No último dia, que não na última hora, acrescentou mais dois mexicanos, ao que parece gente com valor. E despachou uns tantos problemas. Dinheiro, por ali, não é problema, O problema é outro, já se percebeu... Já se tinha percebido o ano passado!

O Sporting acalmou, deve ter sido pelos ares de Moscovo. Problema é mesmo Carrillo - mas isso já se previa - que pode seguir por tuta e meia para Inglaterra, onde, por ontem ter sido feriado, o mercado só fecha hoje, lá mais para o fim da tarde.

No Benfica não se esperava e desesperava apenas pelo futuro de Gaitan. Esperava-se e desesperava-se pelo regresso de Siqueira, e queria acreditar-se que as trutas que vinham sendo anunciadas, muito baixinho para parecer mesmo que era verdade, acabariam por aparecer no meio do nevoeiro da meia noite. Suspirava-se por um 8, uma coisa assim parecida com Enzo Perez, mas nada... Parece que importante era mesmo reforçar a equipa B. Por isso, ou para isso, chagaram dois miúdos: um central sérvio, ainda júnior de quem se dizem maravilhas, e um avançado cuja maior credencial é não ter ficado no Porto.

Valha-nos que o Gaitan fica. Claro que ainda há hoje o dia todo - que sirva para despachar o Ola John, não se peça mais -, mas ninguém pode acreditar que, depois disto tudo, o Benfica e o jogador não estejam completamente sintonizados numa onda que põe definitivamente fim a uma novela que já dura há anos. Agora é actualizar a linha do payroll onde se começa por ler Nico, dar-lhe a braçadeira de sub-capitão, e jurarem amor eterno. Recíproco!  

E talvez valha a pena dar uma vista de olhos pelos centros de emprego. Foi aí que, no ano passado, o Benfica foi encontrar a melhor contratação da época!

 

 

 

Pronto, está fechado...

Por Eduardo Louro

 Cristante

 

Fechou o mercado de transferências, como habitualmente com um último dia – que não foi 31 de Agosto, por ser domingo – muito agitado … e cheio de truques.

Falcão, anunciado para o Real Madrid, a quem jurara já amor eterno, acabou no Manchester United, de Van Gaal, não sem algumas convulsões, e com o truque do empréstimo – empréstimo por um ano, por 8 milhões de euros, com opção de compra no final – porque em Inglaterra há uma coisa a que se chama fair play financeiro, que obriga a uma relação entre compras e vendas, investimento e desinvestimento, que o United, com um volume de investimento nunca visto, rebentou já por todos os cantos. E não são apenas os portugueses, ou os latinos, os especialistas a contornar leis… Para o Real Madrid, não se sabe para quê, seguiu o mexicano Chiciarito. E, do Manchester City para o Valência, Negredo, em vez do Jackson Martinez.

Por cá – e isso é que interessa – o Enzo fica. Por enquanto, como o nove do Porto, com quem o destino estava (está?) cruzado, como por aqui se foi dizendo. Porto que esteve de resto muito activo neste último dia, indo buscar mais dois miúdos e colocando praticamente todas as vedetas que adquiria na época passada, mas não se conseguindo livrar do Rolando.

Para o Benfica pode dizer-se que o mercado fechou da mesma forma que esteve aberto – sem grande critério, com uma estratégia difícil de perceber. Não dispensou os jogadores excedentários, os erros de casting maioritariamente cometidos este ano, colocando apenas os velhos Urreta (Paços de Ferreira) e Sidnei (Deportivo Coruña) e acaba por apenas contratar Cristante, um jovem italiano de 19 anos (na foto). Que, apesar da sua excelente qualidade, não deixará de ser uma contratação estranha, difícil de compreender. Não tanto pelo paradoxo da aposta na juventude estrangeira, quando à da casa é exigido que nasça dez vezes, mas porque faz da contratação anterior uma contratação falhada. Desastrada mesmo, porque o grego Samaris é um jogador para as mesmas funções, de menos qualidade e muito mais caro, já pelos valores que o presidente Luís Filipe Vieira tinha declarado fazerem parte do passado.

E não contratou qualquer avançado, a óbvia lacuna do plantel depois das saídas de Rodrigo e Cardozo, falhando sucessivamente todas as tentativas, a última das quais de Campbel, a estrela costa-riquenha do Arsenal. E ficando com um sério problema por resolver, não se vê quem consiga marcar golos…

Para encontrar razões de sucesso neste fecho de mercado temos que as procurar na continuidade de alguns dos seus melhores jogadores: Enzo, Gaitan e Salvio, evidentemente, mas também o lesionado Sílvio, cujo empréstimo foi renovado.

Mas, olhar para os avançados e dar de caras com o Jara, é medonho!

 

Mercado e mercados

Por Eduardo Louro

 

No dia-a-dia temos os mercados, que tanto nos chatearam, dando-nos mesmo cabo da vida. No futebol temos o mercado!

Nunca percebi se a utilização do singular serviria para distinguir o mercado da bola - coisa que o povo percebe bem, que trata mesmo por tu, nada lhes escapando - do financeiro, que não entende de todo, que dele só sabe que serve de desculpa para os que lhes lixam a vida. Ou se, quando se trata de nos lixar a vida, há mesmo muitos e, quando o negócio é comprar e vender jogadores, basta um. À primeira vista dir-se-ia que há dois: o de Verão e o de Inverno, pelo que o uso do singular só pretende mesmo separar o trigo do joio. Mas logo podemos entender que Verão e inverno são apenas as duas faces da mesma moeda, duas épocas de um mesmo e único mercado. Assim como se fossem a época normal e a de saldos!

Seja lá como for as transferências de jogadores de um lado para o outro acontecem no mercado, e não nos mercados. E o mercado, ao contrário dos mercados - que só fecham ao fim de semana - fechou à pouco, há meia noite de ontem, e já só voltará a abrir de novo no Verão. Em boa verdade não fechou completamente, ficaram duas engras por onde ainda alguma coisa vai passar: a Rússia e a Turquia, onde não costuma faltar dinheiro!

E se não se pode dizer que a montanha pariu um rato, também não se pode exactamente dizer que não tenha ficado muita gente a chuchar no dedo…

Fica a ideia que, no Porto, Pinto da Costa vai ter de comprar algumas chupetas, se não quiser que o Fernando, o Otamendi e o Mangala estraguem os dedos. Que bem falta lhes fazem, é tudo gente que usa muito as mãos para jogar à bola. Os dois primeiros nem sequer tinham seguido com a equipa para a Madeira, veja-se bem o melão

Da mesma forma que fica a ideia que o mercado foi generoso para o Benfica. Ou para Luís Filipe Vieira, sabe-se lá!

Como fica a ideia que continuam por lá toupeiras… Só isso explica a notícia antecipada do negócio do André Gomes. Que é afinal idêntico ao do Rodrigo, e onde Jorge Mendes não é Jorge Mendes, mas um fundo do Jorge de Mendes. Porque, aí, o mercado é igual aos mercados, onde os fundos são quem mais ordena.

O Benfica encaixou 70 milhões de euros e, para já, perde apenas um jogador: Matic, como há muito se sabia e já havia sido assimilado pela massa adepta. O Rodrigo fica a jogar até ao fim da época, tal como o André Gomes, no banco. É quase certo que o Garay ainda vai sair pela engra russa que ainda ficou aberta, no que será certamente o pior negócio de todos. Mas inevitável. De uma incompreensível inevitabilidade!

O mais excitante fecho de mercado aconteceu no entanto em Alvalade. Este Sporting não pára de surpreender!

Investindo como pequeno está a fazer o campeonato de grande. E bastam-lhe 500 mil euros para ser a estrela maior da noite de fecho do mercado. A Lisboa já tinha chegado uma estrela faraónica, com nome de jogador, sem dúvida, mas de mau presságio: Shikabala. Shik, abala!

Bastou isso para que, entre Shik abala e Shik fica, ficasse provado que nem só de milhões se faz a excitação dos grandes negócios. Para se ter uma ideia do suspense hitchcockiano, às cinco para a meia-noite, Shik abalava. E à meia-noite, em ponto, Shik ficou!

Mas mais. O Sporting foi ainda o rei da noite porque, mesmo assim, foi quem mais se reforçou. Ao egípcio juntou ainda o cabo-verdiano Heldon, contratado ao Marítimo por 1,5 milhões. Que festa, com dois milhões!

Nem tudo correu bem, mas disso não há imprensa que fale. Não conseguiu livrar-se do Elias. Mas livrou-se do Jeffren, que também não era pêra doce!

Sem estratégia

Por Eduardo Louro

 

Já passaram dois dias e do Benfica ninguém desmentiu a venda dos direitos desportivos e económicos de André Gomes. Mesmo que, tanto quanto neste momento se sabe, a operação ainda não tenha sido comunicada à CMVM – nem esta entidade, ao contrário do habitual, tenha exigido qualquer esclarecimento – sou levado a dá-la por facto.

Não faço a mínima ideia se a venda do passe de André Gomes pelos propalados 15 milhões de euros, é bom ou mau negócio. Trata-se de um jovem que, apesar de deixar a ideia que é avesso a altas intensidades, já demonstrou com clareza que poderá vir a ser um jogador de primeira água, em que o Benfica, através deste seu treinador, pareceu apostar menos do que se justificaria. Logo, tanto poderá dizer-se que ainda não justificou tão elevado montante, como que tem potencial para a curto prazo valer mais do dobro. Não se pode por isso pôr em causa o valor da venda; apenas a sua oportunidade.

Mas nem mesmo isso é, do meu ponto de vista, o que mais importa. E assim sendo não é sequer a venda de André Gomes o que de mais importante tem a venda de André Gomes. O que de mais importante há para concluir desta operação é que o Benfica está sem estratégia, a navegar à vista e com muito pouca clareza, coisa de que há muito se desconfiava.

O presidente Luís Filipe Vieira começou a época, há apenas 5 meses, com aposta estratégica na Liga dos Campeões, razão pela qual recusou qualquer venda. O Benfica não estava obrigado a vender, e em ano de final na Luz justificava-se apostar tudo. Quatro meses depois, porque afastado desse sonho, o Benfica já era obrigado a vender. E por qualquer preço, como se começou a perceber… E sem nexo causal, as necessidades de encaixe já satisfeitas (40 milhões) não têm nada a ver com o prejuízo financeiro (10 milhões, no máximo) da saída da chamada liga milionária…

E muda de estratégia, que passa da aposta na Champions para a aposta no Seixal, na formação, o que, como se percebeu, abriu uma zona de conflito com o treinador. Para de imediato vender justamente o produto em curso em mais adiantado estado de acabamento.    

Estratégia é, por definição, um caminho claro e longo. Mudar de caminho ao sabor do que quer que seja pode ser muita coisa. Estratégia é que não!

Tudo isto é errático. E nada claro. O André Gomes não foi vendido a um clube, como é normal. Foi vendido a um empresário, coisa que LFV sempre disse não admitir no Benfica. Jorge Mendes irá agora cedê-lo a quem e nas condições que entender. Poderá até colocá-lo no Porto, que até acabou de deixar partir o Lucho Gonzalez…

 

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