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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Atracção fatal pela trapalhada

 

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Começa a ser demasiado frequente e comum que, mais cedo ou  mais tarde no ciclo da legislatura, os governos comecem a embrulhar-se em trapalhadas. 

Nunca ninguém está livre de cair em trapalhadas, e por isso a trapalhada não está em cair numa trapalhada. Está em não sair dela depressa. Está em criar uma nova para esconder a anterior, criando um ciclo de trapalhadas.

O actual governo, que parecia capaz de romper com tanta coisa que atrapalhava, não está a conseguir fugir a este fatalismo da trapalhada, com dois pontos altos nestes dias: o primeiro, ainda no já longo ciclo de trapalhadas à volta da nova administração da CGD é, depois do salário milionário e da legislação especial à revelia do estatuto de gestor público,  a dispensa de apresentação da declaração de rendimentos e interesses às entidades competentes; o segundo é a inexplicável falta de dados que fazem normalmente parte do relatório de um Orçamento.

Com tanta e tão grossa trapalhada na nomeação da equipa de António Domingues, o mais elementar bom senso aconselharia a evitar mais esta. Ninguém consegue apresentar uma boa razão para esta isenção declarativa, e teria sido muito fácil emendar a mão. Mas o governo preferiu, como de costume, insistir na trapalhada.

No meio desta trapalhada, bem que o governo devia fugir como o diabo da cruz de tudo o que lhe pudesse cheirar a mais trapalhada. Tinha de preocupar-se em canalizar as energias para defender o seu orçamento e, se faltavam dados, reconhecê-lo e entregá-los. De preferência com um pedido de desculpas. Mas não. Começou por negar ("o que faltam é os números que a oposição quer" - chegou a dizer o ministro das finanças) e, depois de instalada a confusão, acabou ainda ontem por entregar novos dados e prometer os restantes para a próxima sexta-feira.

É uma espécie da atracção fatal. Com Mário Centeno sempre bem no centro da fotografia ...

 

 

 

Trapalhadas

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Começaram as trapalhadas. Já não há dúvida nenhuma que o dossier Diogo Lacerda Machado é uma grande trapalhada.

É amigo, o maior amigo, do primeiro-ministro, e essa é, na óptica de António Costa, a mais insuspeita das suas qualificações. Afasta-o de qualquer limitação. Estranho!

Não integra o governo, nem é assessor. Nem foi recrutado para o gabinete do primeiro ministro. Estranho!

Já negociou em nome do governo em pelo menos três temas importantes: na reversão do negócio de privatização da TAP, nas negociações com os chamados lesados do ex-BES, e na intermediação para resolver a questão accionista no BPI. Mas sem qualquer competência formal para isso, sem poderes para o(s) acto(s), na gíria do notariado. Estranho!

Parece que também já estivera na negociação da ruinosa operação de manutenção que a TAP adquiriu no Brasil. Menos estranho...

E depois de toda a polémica, António Costa diz que, e apenas para que o seu trabalho não seja desvalorizado, é contratado por dois mil euros mensais... Até ao final do ano.

Se não é estranho, é trapalhada a mais. E que bem dispensavamos agora coisas estranhas... Melhor, muito melhor ainda, dispensavamos tanta trapalhada. 

 

Cultura da trapalhada

Por Eduardo Louro

 

 

O governo, em regime de alta produtividade, está a fazer de cada trapalhada – reproduzem-se como coelhos e crescem como cogumelos – gigantescas bolas de neve. Seja lá o que for, aparece e, em vez de ser logo atacado de frente e resolvido, não. O governo não consegue enfrentar problema nenhum, e muito menos resolvê-lo. Prefere escondê-lo, cobri-lo, com terra ou muitas vezes com estrume e, exactamente como nos cogumelos, naquele escurinho e com muita porcaria em cima, desatam a crescer sem parar.

Este último caso das listas VIP do fisco é apenas mais do mesmo. O cogumelo cresceu, cresceu, cresceu… e é hoje uma gigantesca bola a rolar descontrolada pela montanha abaixo, ameaçando cilindrar tudo à sua passagem. O secretário de estado Paulo Núncio corre em pânico à sua frente. O primeiro-ministro transpira, e são suores frios por ver uma coisa tão grande a passar tão perto.

O CDS está todo ele escondidinho, juntinho ao chefe, pouco preocupado que seja um dos seus a estar prestes a ser cilindrado pelo monstro rolante. Mas, espantoso mesmo, é ver a ministra da tutela a passear à vontade, verdadeiramente indiferente ao turbilhão que aquilo levanta à sua passagem. Nem a poeirada levantada a incomoda. Não é nada com ela…

Impressionante! Se calhar nada perturba a tranquilidade e o sono descansado de quem tem os cofres cheios… E um bunker, também escurinho, onde se esconder a dar ordens de multiplicação. Multipliquem-se! Como os coelhos. Ou como as trapalhadas...

TRAPALHADA+MÁ FÉ=REFUNDAÇÃO

Por Eduardo Louro

 

Num dia, Passos Coelho pede publicamente ajuda a Seguro para a reforma do Estado. Ao fim da manhã do dia seguinte, Portas encerra o debate de aprovação do Orçamento declarando-se convencido do apoio do PS para o efeito. À noite, Marques Mendes, que acumula as funções de comentador com a de portador das notícias que o governo não quer dar, anuncia que o FMI já cá está a tratar do assunto. E avança até com o anúncio de decisões já tomadas!

Trapalhada? Má fé?

Palavras para quê? Como dizia o anúncio:é um artista português

 

PROFESSORES CATEDRÁTICOS E MINISTROS CATEDRÁTICOS

Por Eduardo Louro

 

Pouco a pouco, e ao fim de um mês, vamos começando a tomar os primeiros contactos com os ministros do novo governo. Os tais que não tinham experiência política e que eram jovens…

As experiências não têm corrido lá muito bem. Como já aqui expressei esta rapaziada não está exactamente a entusiasmar!

Ontem, e particularmente hoje, foi a vez do ministro da economia. Pois, o Álvaro, como manifestou gostar de ser tratado logo de início, também não se saiu lá muito bem. O registo não foge muito do tom geral já deixado pelos seus colegas de governo, muito à volta do “não podemos falhar e não vamos falhar”, do “estamos a estudar e iremos apresentar medidas”. Mas nada de coisas palpáveis e concretas a deixar perceber que estar na oposição não serve para nada que respeita à preparação para governar. Parece que foram surpreendidos, que o poder lhes caiu do céu e que agora é que vão começar a pensar nos problemas. Mesmo no caso do Álvaro, que até estava farto de escrever sobre os problemas do país. E das suas soluções!

Acresce, no caso em apreciação, que o Álvaro utiliza um tom professoral pouco simpático num discurso que contraria o compromisso assumido pelo chefe do governo de não se desculpar com a pesada herança. O super ministro é mesmo o campeão desse discurso: não apresenta nenhuma medida, nem sequer uma ideia – ele que tem justamente a responsabilidade de colocar o país no caminho do crescimento – e esgota o seu discurso na análise do passado: do mais distante, até com elogios à política económica dos anos 50 e 60, ao mais recente do desastre do último governo, incluindo o “ambiente de ostentação” que encontrou no(s) seu(s) ministério(s). Há-de haver alguma explicação para isto. É que já o ministro das finanças faz o mesmo: quando nos explicou que nos iria ao bolso buscar metade do subsídio de Natal começou por nos historiar a evolução da economia nacional nos últimos 100 anos.

É pena que estes ministros mais novos e sem experiência política – ainda falta a da Agricultura e adjacentes, eventualmente ainda parada a contemplar as gravatas penduradas nos cabides do ministério – não prestem atenção ao seu colega Ministro da Educação. Também ele não tem experiência política e também ele é professor catedrático. Tem mais uns anitos, é certo. E faz tudo ao contrário dos outros e tudo o que faz, faz bem! Apresenta medidas em vez de anunciar que está a estudá-las, o que prova que já as tinha estudado, que fez o trabalho de casa. E usa um discurso claro, objectivo e credível. Não fala de cátedra, nem como catedrático.

Fala e percebe-se o que diz. E - o mais importante - acreditamos no que diz: todos, até os sindicatos, que aterrorizavam todos os anteriores ministros. Que eram ministras!

TRAPALHADAS

Por Eduardo Louro

 

Seja por vontade da troika, do governo ou de ambos aí estão as alterações à legislação laboral e ao seu alfa e ómega: o despedimento individual sem justa causa!

Entendem residir aqui o principal estrangulamento e o decisivo factor do défice de competitividade da nossa economia. Ao resolver este problema abrem-se as portas do crescimento económico e fecham-se as do desemprego!

Claro que ninguém acredita nisto. É tão evidente que isto é o resultado dos ventos que sopram, e que são muito difíceis de contrariar – todos temos que compreender - quanto óbvio que não vai resolver nenhum dos verdadeiros estrangulamentos da nossa produtividade, da nossa competitividade e do nosso crescimento. Não era preciso muito mais para que isto já fosse uma razoável trapalhada!

Mas, discutir na Assembleia da República a fixação da indemnização por despedimento em 20 dias por ano de trabalho quando já está nos jornais, e é público, que o que se pretende é fixa-la nos 10 dias, é uma trapalhada inaceitável. E ver um Secretário de Estado – o jovem Pedro Martins -  gaguejante, a meter os pés pelas mãos, completamente atrapalhado que a nada consegue responder nem nada consegue justificar, apenas transforma uma razoável trapalhada numa gigantesca trapalhada.

E remete-nos para um problema que se desvalorizou aquando da constituição do governo: a falta de capacidade política de grande parte dos seus membros. Lembro que este foi um dos problemas que muitos observadores – entre os quais me incluo – se apressaram a a transformar em virtude, porque – era mais ou menos isto – de políticos estávamos todos fartos. Precisávamos era de gente nova, sem vícios, e de forte perfil técnico!

Parece-me que começamos agora a, como diz o povo, torcer a orelha. As coisas não são explicadas, os ministros ou não falam – como é, por exemplo, o caso do super ministro da economia – ou, se falam, como o das finanças, não dizem nada. Não explicam, não esclarecem, não justificam!

Isto é, a comunicação neste governo está transformada – também ela – numa grande trapalhada. É certo que estamos fartos do uso e abuso da comunicação – da poderosa máquina de propaganda que era a comunicação no governo anterior – mas é preciso explicar as coisas. Direitinho, sem floreados, na exacta medida do que precisamos de perceber!

A POSSE E A POSE

Por Eduardo Louro

 

Cavaco tomou posse e voltamos à normalidade institucional: toda a gente na plenitude dos seus poderes, sem constrangimentos!

O pior foi o discurso! Bom, o pior não foi propriamente o discurso, foi o estado em que deixou as coisas…

Que o discurso de tomada de posse de Cavaco seria incomodativo para Sócrates – não vale a pena dizer para o governo: o governo é Sócrates, e Sócrates é o governo – já todos sabíamos. Já aqui o tinha previsto ao apontá-lo como uma das marcas de uma semana bem complicada para Sócrates: nenhuma novidade, portanto.

Também, a propósito desse discurso, aqui deixara dois votos: que limpasse o discurso de vitória e que desse sinais de que percebia a sua quota-parte de responsabilidade no estado do país, a condição sine qua non para se revelar parte da solução.

Se fui bem sucedido na previsão – não era difícil acertar – já nos votos que formulara não tive direito a nada. O que é condição suficiente para baralhar o discurso por completo!

É que, ao não limpar o discurso de vitória, este da tomada de posse confunde-se com a parte II do ajuste de contas. E, ao não deixar transparecer a mais leve responsabilidade neste estado de coisas, retira credibilidade ao diagnóstico. Que, apesar de há muito estar feito por toda a gente neste país, constituía o prato forte do discurso e o mais consensual!

Assim lá se ficou pela tareia a Sócrates com ameaças de “ainda vais levar mais”. Ah! E com os incentivos à revolta da geração à rasca… Ou da geração P…

Parece-me que, em qualquer país decente do mundo, qualquer primeiro-ministro minimamente decente teria entregue em Belém hoje, bem cedinho, logo pela manhã, um bilhetinho com a demissão!

E lembrarmo-nos que já ouvimos falar de pântano e de trapalhadas!

 

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