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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Trocos da vida*

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Passou despercebidamente em alguns jornais em notícia de rodapé: "portuguesa assassinada em S. Tomé". 

Chamava-se Catarina Barros de Sousa, e tinha chegado há uma dúzia de anos àquelas paragens equatorianas como voluntária de uma ONG integrada num programa de apoio a crianças de rua. Crianças em dificuldades, que por lá é coisa que não falta.

Apaixonou-se por aquele sol, por aquelas tempestades e por aquela gente e, terminado o voluntariado, ficou. E fez de tudo – trabalhou numa roça de cacau, numa companhia de aviação, foi guia turística… Trabalhava há dois anos num resort ecológico, no Norte da Ilha de S. Tomé. Que percorrera de lés a lés, distribuindo sorrisos na sua motorizada, conhecendo-lhe todos os cantos. 

Tinha 51 anos, e foi no início da semana encontrada morta a golpes de catana, banhada de sangue no chão do seu gabinete, no hotel em que trabalhava, num cenário dantesco de rara violência, a sugerir a condição de vítima de um ódio que de nenhuma forma casava com o carinho e admiração que toda a comunidade local lhe dispensava.

Após as primeiras investigações as suspeitas recaem sobre um funcionário do hotel, a quem a Catarina tinha instaurado um processo disciplinar por faltar ao trabalho, faltas que lhe terá descontado no vencimento.

Terão afinal bastado uns simples trocos para franquear as portas a um ódio que não tinha por onde entrar. Uns simples trocos acabaram suficientes para pagar o preço que a vida não tem. Como se a vida nunca passasse de trocos…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Trocas e trocos

Por Eduardo Louro

 

 

Vasco Graça Moura, visivelmente debilitado pela doença, foi publicamente homenageado no final da semana passada, e de novo condecorado, desta vez com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada, pelo Presidente da República.

Foi uma justa homenagem. A um vulto da cultura portuguesa como Vasco Graça Moura faltarão sempre, sem que nunca sobrem, homenagens. É um dos maiores intelectuais portugueses vivos, de uma inteligência fora do comum, um virtuoso das letras, ensaísta de méritos imensos, seguramente o maior tradutor literário do país e um dos maiores do mundo. Ímpar na tradução de poesia!

Tive sempre uma enorme admiração por este intelectual. Maior mesmo só a desilusão provocada pela sua intervenção política. Muitas foram as vezes em que me interrogava como poderia um homem intelectualmente tão superior ser politicamente tão limitado.

Não estranhei por isso que Cavaco tenha ido procurar na dimensão política de Vasco Graça Moura a justificação para a homenagem e o motivo da condecoração. Que Cavaco tenha distinguido a “figura do intelectual, do cidadão empenhado, que ao longo das últimas décadas tanto contribuiu para a valorização da nossa vida democrática, que tem representado um papel da maior importância para a consolidação, entre nós, de uma sociedade que preza os valores da liberdade e da cultura”!

Porque, na verdade, de Cavaco não se esperam outras coisas. Perde-se em trocas. E com trocos. É mesmo o homem dos trocos! 

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