“Uma vez anunciado, o Prémio Nobel da Paz não pode ser revogado, transferido ou partilhado com terceiros”, comunicou o Instituto Nobel da Noruega, depois de Corina Machado ter anunciado, há precisamente uma semana, na Fox News (pois claro!), que queria entregar e partilhar com Trump o Nobel da Paz que há meses lhe foi atribuído, e há pouco entregue.
E depois de Trump, para quem Corina Machado - "uma mulher muito simpática", mas que "não tem o apoio nem o respeito do país", nem está qualificada para assumir a liderança da Venezuela - não contou, preferindo Delcy Rodriguez, a vice de Maduro, nem conta, ter revelado que se vai encontrar com ela durante esta semana para dela receber o Prémio Nobel da Paz. "Ouvi dizer que ela queria fazer isto. Seria uma grande honra", disse Trump.
Para os mais impetuosos, que só leram "uma vez anunciado, o Prémio Nobel da Paz não pode ser transferido ou partilhado com terceiros”, chamo a especial atenção para não saltarem "revogado". Pudesse ser revogado e ... quem sabe?
Pode ser que haja menos ímpetos na atribuição dos próximos Nobel da Paz ...
Depois, lamento que tenha sido sob a bandeira dos Estados Unidos que tenha sido declarada a morte do Direito Internacional. Que a invasão desta madrugada decidida por Trump - sim, é invasão, só difere na eficácia das invasões clássicas -, de qualquer modo sempre em contra-mão com o direito internacional, não tenha sido ditada por qualquer ideia de democracia, ou encontrado motivação nos legítimos direitos do povo venezuelano, mas apenas transformar a Venezuela num satélite, para se apoderar do seu petróleo, do seu ouro, da sua prata, das suas terras raras. E lamento ainda que, quando se fala em negociações de paz para a Ucrânia, apenas legitime Putin, e lhe dê, em bónus, carta branca para invadir, por exemplo, os Bálticos. Que ofereça argumentos a Xi Jinping para ocupar Taiwan. Para, no fim - ou no meio - mandar a mão à Gronelândia.
Ironia do destino: talvez percebamos agora quem seja Maria Corina Machado, a Nobel da Paz que Trump tanto queria. E, é hoje claro, nunca irá receber. Esperemos!
Que a FIFA é uma organização de duvidosa seriedade, historicamente suspeita dos interesses mais obscuros, ninguém tem muitas dúvidas. Que Infantino corresponde ao padrão de dirigentes que dela tomaram conta nos últimos 50 anos, também não.
O suíço, e ao mesmo tempo italiano, Giovanni Infantino, no topo da hierarquia do futebol mundial desde o início de 2016, é farinha do mesmo saco do brasileiro João Havelange (presidente ente 1974 e 1998), e do também suíço Joseff Blatter, que lhe sucedeu em 1998, até ser banido em 2015. É a mesma farinha de Platini - também banido com Blatter, com quem tinha preparada a sucessão - de quem foi discípulo na UEFA, e a quem não teve pejo em virar as costas na hora de lhe pegar na candidatura.
Por isso ninguém foi muito surpreendido com a "venda" dos campeonatos do mundo de futebol à Rússia, de Putin, e aos petro-dolares da Península Arábica. Nem com a propaganda que serviu Putin, nem com o fechar de olhos à exploração esclavagista na construção dos estádios e demais infra-estruturas no Catar.
O que ninguém imaginava possível era que a FIFA criasse um "prémio da paz” para entregar a Donald Trump. Não porque este seja um acto de maior corrupção que todos os outros que se lhe conhecem. Não é. Comprar Trump desta forma não é muito diferente do que os seus outros parceiros fizeram com estátuas douradas, aviões de milhares de milhões, ou com investimentos nos muitos negócios da família. Só que neste prémio de Infantino não há apenas bajulação, suborno e corrupção. Há também política!
E todos sabemos que a FIFA não permite qualquer espécie de manifestação política no futebol!
Também não sei que coisa é essa. Desconfio que não seja o quarto segredo de Fátima. Poderia desconfiar de qualquer coisa que tivesse a ver com alguma Kathryn Mayorga. Haverá por aí muitas coisas que ambos partilhem. Mas não posso. Porque serei de imediato acusado de inveja, azia ou até anti-patriota.
Claro que não vou ser invejoso a ponto de lhe apontar a falta de escrúpulo na companhia que escolheu. Afinal ele só escolheu a companhia de um ditador, e assassino, para aproveitar a boleia diplomática que o safasse da tal Kathryn Mayorga.
Donald Trump amanheceu ontem em Israel para, no Knesset (Parlamento), anunciar uma nova alvorada para o Médio Oriente - ”o sol nasce numa terra sagrada que está finalmente em paz” -, e declarar o fim da guerra - "o fim de uma guerra, o fim de uma era de terror e morte, o início de uma era de fé, esperança e Deus".
Daí seguiu para o Egipto para reunir em Sharm el-Sheikh, numa cimeira organizada à pressa com o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sisi para - sem governantes israelitas (claro que Trump convidou Netanyahu, foi Erdogan, e não o feriado do último dia da Festa dos Tabernáculos, que impediu a sua presença), nem dirigentes do Hamas, as partes actualmente em conflito - juntar mais de 20 líderes mundiais (entre os quais Guterres e António Costa) para ratificarem o "seu" plano de paz.
Que tem o mérito - que não é pouco, nesta altura - do cessar fogo, de interromper a chacina, da libertação dos reféns israelitas, e dos prisioneiros palestinianos, e de abrir as portas de Gaza à ajuda humanitária internacional. Mas que está muito longe de ser "o fim de uma era de terror e morte". Mesmo de uma nova alvorada para o Médio Oriente. E, apostaria até, de valer de alguma coisa daqui por um ano, quando for anunciado o novo Nobel da Paz.
Corina Machado é Nobel da paz, distinção que era obsessão de um gajo que molda a guerra a olhar para o seu umbigo, e que ejacula planos de paz à medida dos seus sonhos húmidos.
O Comité Norueguês anunciou ao final da manhã a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Corina Machado, rosto da oposição venezuelana a Nicolás Maduro, "pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela".
Esta seria sempre uma boa notícia, não estivéssemos nós em tempos em que não há boas notícias. Não estivéssemos nós em tempos em que não seja possível premiar a oposição a Nicolás Maduro sem dar créditos ao mesmo Trump, a Abascal, Orbán, ou Marine Le Pen.
Trump não ganhou, porque já não foi a tempo de ganhar. Mas já ganhou para continuar a semear instabilidade por todo o globo, para continuar a afundar barcos a seu bel-prazer no Mar das Caraíbas com o pretexto da luta contra o tráfico de droga, para continuar a afrontar as instituições, nacionais e internacionais, e para continuar prender aleatoriamente pessoas no seu país.
Falava-se de um dia histórico, e de um acontecimento capaz de passar a figurar ao lado dos que marcam a História da Humanidade. Não foi nada disso. Na realidade, nada aconteceu no Alasca!
Os grandes acontecimentos têm sempre que ter por trás grandes homens, grandes figuras da História. Putin e Trump não o são, nem nunca o serão. Putin não passa de um reles ditador, e Trump de um megalómano lunático. E estúpido. Imbecil!
As grandes cimeiras são preparadas. Com técnicos, diplomatas e políticos. Os líderes, os grandes líderes, chegam às cimeiras com tudo preparado, só para a fotografia, o aperto de mão e a assinatura. Não são entregues aos amigos. Impreparados e apenas interessados em massajar o ego do chefe.
A cimeira de Anchorage não passou de uma operação de marketing pessoal rasca. Se alguém ganhou alguma coisa com ela foi Putin, dominante no discurso de nada dizer, e especialista em deixar tudo na mesma. Para Trump nada mais conta que o seu umbigo e, na avaliação que faz de si próprio, ganha sempre. Mesmo que faça as mais ridículas figuras de parvo. Como voltou a ser o caso.
O mundo perdeu. Perdeu uma oportunidade para acabar com uma guerra injusta. Perdeu uma oportunidade de manifestar decência. E perdeu mais uma oportunidade garantir que a Ucrânia conta!
Não foi o Alasca que pariu o rato. Ele já anda aí há muito...
Ursula von der Leyen assinou ontem, com Trump, o humilhante acordo comercial EUA-UE, em total cedência e submisão aos caprichos do extravagante inquilino da Casa Branca.
Trump impôs tarifas de 15% sobre as importações da Europa, e de 0% para as exportações americanas para a UE. Impôs a Ursula von der Leyen que garantisse a compra, em largas centenas de milhões de euros, de material militar, em linha com a imposição dos 5% do PIB para os orçamentos de defesa, a compra de produtos energéticos no valor de 750 mil milhões de dólares, e o aumento do investimento europeu nos Estados Unidos em 600 mil milhões de dólares.
No fim, a presidente da Comissão Europeia veio dizer que "foi difícil, mas, no final, fomos bem-sucedidos". António Costa, presidente do Conselho Europeu, que "é um acordo que prioriza a cooperação, protege os interesses fundamentais da União Europeia, e oferece às empresas a certeza de que precisam". Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, que "é um acordo que permite evitar uma escalada desnecessária nas relações comerciais transatlânticas". E Victor Órban, simplesmente que "Donald Trump comeu Von der Leyen ao pequeno almoço".
É também isto que faz a diferença que engorda o populismo. Um "establishment" envolvido em tretas, a mandar areia para os olhos, serve-se de "pequeno almoço" ao populismo.
O mundo despediu-se hoje, em Roma, do Papa Francisco. E esteve lá em peso.
Até quem pouco lá teria que fazer, lá esteve ... a fazer alguma coisa. Trump a falar - ou a fazer que falava? - com Zelensky. E Milei a ridícula figura de corpo presente.
Imaginemos a empresa X, com acções cotadas a 500 USD. Imaginemos um presidente de um Estado a lançar uma ordem de compra de 50 milhões de acções da empresa X a 300 USD. Imaginemos que, no dia seguinte, o mesmo presidente anuncia tarifas de 50% sobre o negócio da empresa X, e as acções caem para 290 USD.
Imaginemos que, no outro dia a seguir, o presidente anuncia o adiamento das tarifas. E dá ordem de venda das acções da empresa X a 490 USD, que voltam para a cotação dos mesmos 500 USD.
Façamos as contas (dou uma ajuda: 50 milhõesX190 USD=USD 950 milhões) e chamemos apenas maluco ao presidente.
"Inside trading", é crime. Isto é capaz de não ser!
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