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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Fuga para a frente

Donald Trump anuncia nova candidatura à Casa Branca em 2024 | Euronews

Como tinha avisado, e apesar de tudo lhe ter corrido mal nas midterms, Trump anunciou a candidatura às presidenciais de daqui a dois anos.

Perdeu todos os apoios institucionais, dos financeiros aos mediáticos, e até o da própria filha - Ivanka. Tem concorrência forte dentro do próprio partido. Mas nada disso importa. O que lhe importa é que, para travar todos os processos judiciais em que está envolvido, a candidatura é o melhor, se não o único, instrumento que tem à mão.

Não é uma candidatura, o que Trump anunciou. É uma fuga para a frente!

 

Hoje, na América - Parte II

Ron de Santis, o Trump letrado que vai tirar o sono ao original – Aventar

A esta hora ainda nada está exactamente fechado relativamente aos resultados para o Senado, e pode até acontecer que os lugares acabem distribuídos irmãmente entre Republicanos e Democratas.

A única coisa que está garantida é que a anunciada estrondosa vitória dos Republicanos não vai acontecer. E que Trump não vai sair das eleições de ontem em passo acelerado para as presidenciais de daqui a dois anos. Até porque Ron De Santis, o governador da Florida, aproveitou a vitória para quer ser presidente, mesmo que ainda o não tenha dito. 

Não é uma boa notícia para Trump. Ron De Santis tem tudo o que Trump tem, e é tudo o que Trump é, mas polido. E letrado. 

Poderá não ser melhor - dificilmente o será - para a América. Mas vende muito melhor, e é bem capaz de se antecipar à grande notícia que Trump anunciara para o próximo dia 15. Ou, mesmo que não se antecipe, de a vir a estragar!

Hoje, na América ...

Home of the Marist Poll | Polls, Analysis, Learning, and More

Hoje é dia de eleições na América. As intercalares, midterm, como eles dizem. 

Sempre foram eleições importantes, tanto quanto todas são. São a meio do mandato presidencial - daí midterm - e servem tradicionalmente de aviso à navegação da administração na Casa Branca. E, na lógica bi-partidária americana, são frequentemente ganhas pelos que antes tinham perdido.

Até aqui, não havia grande drama nisso. A administração que ocupava a Casa Branca ficava com a vida menos facilitada, mas não muito mais que isso. 

Com Trump, tudo mudou. E, hoje, não é isso que está em causa na América, mas sim a própria democracia!

Trump perdeu as eleições há dois anos. Mas entende que as ganhou, e convenceu disso todos os seus seguidores. Trump perdeu, mas o trumpismo continuou vivo. Como Bolsonaro perdeu, agora, no Brasil, com o bolsonarismo bem vivo.

Já vi por aí uns senhores, tidos por democratas insuspeitos, a garantir que é um exagero dizer que Trump, ou Bolsonaro, não representam qualquer perigo para a democracia. Que isso ficou provado no momento em que ambos foram eleitoralmente derrotados. Que, só isso, já demonstra que a democracia continuou a funcionar. Que, se não fossem democratas, não se teriam sujeitado a eleições. Ou que não se teriam permitido a perdê-las.

Ou são ignorantes, o que, para gente tão ilustre e influente, que até já foram directores de jornais de referência, é altamente duvidoso; ou são eles próprios altamente duvidosos.

Um democrata não é quem se sujeita a eleições. É, para além disso e no mínimo, preciso que aceite os seus resultados. Não é o caso de Trump (nem de Bolsonaro), como toda a gente sabe. Que se recusou, e continua a recusar, os resultados das eleições, e que fez tudo, incluindo a tentativa de tomada de assalto do Capitólio, para impedir a tomada de posse de quem havia sido eleito.

Mesmo reduzindo a democracia a simplesmente eleições, Trump não é democrata, nem nada de lá próximo. É um pantomineiro que vende pantominice ao desbarato. Que convence milhões de americanos que os imigrantes vêm destruir a América. Que chegam à América por razões políticas, ao serviço do Partido Democrata, com o fim de substituir os americanos e diminuir a influência dos brancos no destino da América. Omitindo que foram imigrantes que fizeram a América. E que os que agora para lá imigram servem para fazer o que os americanos que agora lá vivem não querem fazer. De todo, e menos ainda pelo que lhes pagam!

 

Trump e a Quinta Emenda

Volta dos que não foram: Ex-presidente Trump retorna a Washington | VEJA

O cerco a Trump continua. Depois das provas sobre o seu envolvimento no assalto ao Capitólio, e das sucessivas tentativas para reverter a vitória eleitoral de Biden, de há quase dois anos, surgiram as investigações sobre a retirada de documentos oficiais da Casa Branca e acusações de fraudes nos seus negócios, que culminaram com as buscas à sua mansão na Florida, no início da semana.

Trump, que começou por falar sem parar, certo de que a sua estratégia de barulho, de berrar mais alto e por cima de tudo, sai sempre bem, quando as provas começaram a falar mais alto do que a esfarrapada desculpa de que tudo tinha apenas em vista impedi-lo de concorrer - e ganhar - a próxima corrida presidencial, para a qual nem sequer é certo que consiga garantir a nomeação republicana, remeteu-se ao silêncio. E invocou a Quinta Emenda!

Não esta, e ainda bem. A outra, que deu o mote a esta, e que é sempre o último refúgio, até para os insolentes, que fazem do barulho forma de sobrevivência!

Crime

Diário Comercial - Lobby de armas dos EUA faz convenção e diz que refletirá  sobre massacre

 

Três dias depois do massacre de 19 crianças e duas professoras na escola primária de Uvalde, no Texas, a 400 quilómetros, em Houston, ainda no Texas, realizou-se a convenção nacional da Associação de Armas norte-amerricana, a RNA - a maior associação pró-armas norte-americana e o mais influente ‘lobby’ da América, numa demonstração de poder, mas também de falta de pudor e vergonha.

Lá estavam o governador do Texas, o senador Ted Cruz e ... Donald Trump, que naturalmente era a estrela da companhia. Pediu silêncio e nomeou cada uma das 21 vítimas mortais, todas com apelidos latinos, que teve dificuldade em pronunciar. Discursou inflamadamente sobre o dever de protecção das crianças e a segurança nas escolas, para concluir que a solução é ... mais armas!

 “A única forma de parar um tipo mau com uma arma é um bom tipo armado”. Reafirmou a sua velha tese dos professores armados, garantindo - imagine-se - que, armar os professores, é a forma de tornar as escolas num espaço “livre de armas”, concluindo que  “se tivéssemos um professor soubesse manejar uma arma de fogo, poderia ter parado o ataque rapidamente”.

Isto já não pode ser apenas qualificado pelas balizas do populismo. Isto é criminoso. A questão estará em saber se é crime por ignorância ou se por deliberada defesa dos mais sinistros interesses.

Engenho e arte - precisa-se!

Rússia avisa Estados Unidos para consequências do uso da força contra Irão  – O Jornal Económico

À beira de completar a segunda semana a guerra continua. Trágica e implacável, sem tréguas. As negociações em que nada se negoceia vão-se sucedendo, agora à volta do estabelecimento de cordões humanitários que nunca ganham forma. Ou que ganham formas bizarras, como a última - ontem - com o comando russo a traçar quatro com rotas com destino na Bielorrússia e na própria Rússia. Ou com o desaparecimento de um dos negociadores ucranianos, o banqueiro Denys Kireev, morto depois de participar na primeira ronda de negociações. Oficialmente morto “durante o desempenho de tarefas especiais”, e até sugerido como mais um herói nacional, mas que a imprensa ucraniana dá como espião russo infiltrado nas negociações.

Tudo aponta para que a guerra esteja às portas do impasse. Não tanto pela resistência ucraniana que, diz-se, ao contrário do que naturalmente os ucranianos farão passar, já não tem muito por onde resistir. Mas pelo que já resistiu, que já mostrou a Moscovo que, ganha a guerra da invasão, nunca ganhará a da ocupação.

Este será talvez o momento mais decisivo desta guerra. Putin, por mais tresloucado que possa estar, saberá agora que a ocupação da Ucrânia é tarefa impossível, de pouco lhe servindo tomar Kiev. Mas também não pode simplesmente sair de "mãos a abanar", pelo que acredito que esteja a chegar a (nova) hora da diplomacia internacional. Que para tanto haja engenho e arte!

Trump, como se sabe bem próximo de Putin, não terá tais talentos. Mas não deixa de ter uma solução, como se viu no passado sábado, num congresso do Partido Republicano: bombardear a Rússia com caças americanos disfarçados de chineses. Tudo muito simples - basta colocar a bandeira chinesa nos F22 e bombardear toda a Rússia. Depois é só dizer que "foi a China, não fomos nós". "Então eles começam a lutar e nós a assistir".

Diz o Expresso, de onde vem esta notícia, que deixou a plateia a rir... Fazer rir também é uma arte, mesmo que com pouco engenho.

 

 

 

Entretanto ...

Houve manifestações a favor de Bolsonaro também em São Paulo, ocupando boa parte da Avenida Paulista.

... No Brasil, Bolsonaro continua a seguir as pisadas de Trump, pé por pé. Mas acelera o passo, e salta etapas. E como o Brasil não é a América, tudo pode ficar mais fácil. Ele acredita que sim, que os mesmos meios possam garantir os mesmos fins. E que, no fim, o seu fim seja diferente do fim do outro.

 

Um início que pode não suceder a um fim

Já há uma playlist para a tomada de posse de Joe Biden e Kamala Harris

 

Joe Biden toma hoje posse como 46º presidente dos Estados Unidos da América, colocando finalmente termo à mais negra presidência da ainda maior potência mundial. 

Trump, o primeiro presidente americano a não comparecer na tomada de posse do seu sucessor, vai embora. Provavelmente não regressará. Porque não mais conseguirá voltar a recolher votos para isso, e porque  o impeachmente em curso, que já não foi a tempo de lhe retirar esta presidência, fará provavelmente o seu curso e impedi-lo-á de voltar a candidatar-se. Poderá até estar polticamente morto, mas o que fez e o que representa, o que designa de trumpismo, não morreu e não será hoje enterrado.

Podemos ser levados a pensar que a América inicia hoje uma nova era. Que o que se inicia hoje, como qualquer início, é sempre o fim do que antecedeu. Temo que não seja!

“I want you to know that the movement we started is only just beginning"  - disse Trump na despedida. Não quer que este seja o fim, mas o princípio. Como dissera aos assaltantes do Capitólio, há duas semanas: "we love you". 

São muitos os sinais preocupantes. Entre eles está o afastamento de 12 membros da Guarda Nacional da gigantesca operação de segurança para a tomada de posse de hoje, depois de investigação do FBI, identificados como membros de organizações de extrema direita apostadas em manter o trumpismo vivo e activo.

Era uma vez na América

Após invasão do Capitólio, Bolsonaro se diz ligado a Trump e fala sem  provas em "denúncia de fraude" Por Reuters

 

O Capitólio, a casa da democracia americana que alberga as duas câmaras legislativas do país, foi invadida, assaltada e saqueada por uma multidão de fiéis de Trump liderada pelas suas milícias armadas, os auto-designados "prowd boys", naquilo que Biden classificou o maior assalto à democracia americana da História.

Nada semelhante alguma vez acontecera na História da América. É ainda inacreditável.

Sempre se disse que a democracia americana resistiria a Trump, que a solidez das Instituições americanas era suficiente para impedir este louco de a destruir. Hoje temos dúvidas, que se adensam com a constatação da actuação da polícia. Da mesma polícia que reprime com a maior das eficácias as inúmeras manifestações pacíficas na sociedade americana, seja pela defesa do clima, ou contra o racismo, mas que foi incapaz de salvar a América de tão triste imagem.

Sabia-se que Trump não aceitaria a derrota facilmente. A sua estratégia estava há muito anunciada. Logo que começou a perceber que não seria reeleito anunciou que estava a ser preparada uma fraude eleitoral. À medida que as eleições se aproximavam reforçava essa ideia força: as eleições são fraudulentas. Realizaram-se, perdeu, como bem sabia, e "passaram mesmo a ser fraudulentas". Litigou por todo o lado e de toda a maneira. Aceitou a derrota, mas continuou. A ponto de, já esta semana, ter sido apanhado a ligar ao secretário de Estado da Geórgia, o republicano Brad Raffensperger, ordenando-lhe que recontasse mais uma vez os votos e que encontrasse os votos necessários para inverter o resultado eleitoral: "só quero encontrar 11.780 votos" - dizia.

Como este seu colega de partido, e autoridade eleitoral daquele Estado, lhe respondeu que os resultados divulgados tinham sido mais que recontados e estavam correctos, não hesitou em mandar assaltar o Capitólio, para impedir a sessão em que o Congresso ia certificar a eleição de Biden.

Uma situação limite, mas nem por isso de todo imprevisível. Por isso menos aceitável ainda a passividade da polícia, na imagem trágica que a maior potência mundial dá ao mundo.

Tudo foi destruído e vandalizado. E só a lucidez e o sangue frio de um funcionário impediu a destruição dos caixotes dos boletins de voto.

Veremos o que se segue. Há imagens chocantes, mas são também imagens que identificam pessoas. Veremos se servirão para alguma coisa. E veremos também o que virá a acontecer na tomada de posse de Biden, daqui a menos de duas semanas.

"Condescendente"

Trump admite retirar apoio a juiz nomeado para o Supremo Tribunal

 

Três semanas depois, Donald Trump percebeu que tinha perdido as eleições, e que era necessário iniciar os protocolos de transição de poder. Não reconheceu que perdeu as eleições, condescendeu apenas. Porque continua a garantir que continua  na luta contra os resultados, e que acredita que a vai ganhar.

"No melhor interesse do nosso país, recomendei a Emily e à sua equipa para fazerem o que tem de ser feito em relação aos protocolos inicias [de transição de administrações], e disse à minha equipa para fazer o mesmo"  - escreveu no twitter.

A Emily é Emily Murphy, responsável da Administração dos Serviços Gerais dos EUA. Que só depois daquela publicação deu nota que Biden é o "aparente vencedor" das eleições presidenciais, e que por isso 'abriu caminho' para o processo de transição de poder.

Daqui dá para perceber como é curta a distância que separa as apregoadas instituições americanas da Casa Branca. E de como personagens como Trump as conseguem rapidamente resumir à simples forma de verbo de encher.

 

 

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