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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

"Acordo do século"

Diário de Notícias

 

Para Trump tudo serve para desviar a atenção do julgamento do impeachement em curso no Senado, onde, ao contrário de todas as expectativas, as coisas não estão a correr nada bem. Os "republicanos" dispunham de maioria para tudo, inclusivamente para impedir novos e decisivos testemunhos, como o de John Bolton... Só que já há alguns senadores republicanos a achar que ele tem coisas importantes para dizer...

Agora tirou da cartola, e chamou "acordo do século", a um programa sem pés nem cabeça para a paz entre Israel e a Palestina, de uma incompetência em toda a linha. Defende a criação do Estado palestiniano, mas sem mexer nos territórios ocupados... E propõe a capital da Palestina para Jerusalém leste - onde "os Estados Unidos da América abrirão orgulhosamente a sua embaixada" - ao mesmo tempo que reafirma uma Jerusalém una e indivisível. Para onde Trump transferiu a embaixada há dois ou três meses...

Oito minutos de pose*

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Dificilmente se poderia admitir uma primeira semana do ano mais agitada. Trump achou que, com um impeachment em curso e a dez meses das eleições, o melhor que tinha a fazer era incendiar o Médio Oriente e deixá-lo arder como arde a Austrália.

Sem consultar as instituições, sem estratégia e sem justificação, mandou assassinar altas figuras da estrutura militar do Irão, entre as quais o General Soleimani, mais que uma proeminência do regime, o número dois da teocracia no poder. Acto contínuo disse ao mundo que, para fazer a guerra, não precisava de consultar ninguém. Que lhe bastava informar pelo seu twitter, e que já tinha definidos 52 alvos iranianos, entre os quais lugares históricos e património da humanidade, para atacar em caso de retaliação iraniana. Que, timidamente é certo, aconteceu logo de seguida, com o ataque às bases americanas em Bagdad. Obra das milícias iraquianas, que não exactamente do Irão, mas daria no mesmo…

É então que, pela primeira vez, num mandato que vai já no último ano, com uma assertividade sem paralelo, e em apenas oito minutos, a América apresenta ao mundo o seu famoso sistema de checks & balances.

Oito minutos foi quanto durou esta demonstração. Foi o tempo que Trump demorou a ler o discurso que lhe mandaram ler. Oito minutos de Trump em pose de Estado, mesmo que em cuecas!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

 

Checks and balances

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A eleição de Trump para o topo do poder na maior potência mundial foi vista com preocupação em grande parte do planeta, mas nunca como uma irremediável catástrofe. É que a opinião pública mundial acreditava na rede de checks & balances do sistema político americano, uma democracia institucionalmente bem dotada, ao contrário, por exemplo, do que aconteceria depois no Brasil, com a eleição de Bolsonaro.

À entrada do último ano do mandato, e mesmo com um processo de empeachement em curso, haveria certamente quem pudesse duvidar desta fé no funcionamento das instituições americanas, e quem achasse que Trump fez, e fará, tudo o que lhe apeteceu, e lhe apetecer, e ainda lhe sobrou, e sobrará, tempo. 

Oito minutos bastaram para convencer os últimos resistentes. Foi quanto durou o discurso de Trump de ontem. Um discurso - ninguém terá dúvidas - que não escreveu. Um discurso que lhe mandaram ler, e que leu a preceito e com inatacável pose de Estado. Oito minutos em que saíram da boca de Trump palavras que ninguém acreditaria vir a ouvir, numa postura de todo incomportável com a figura.

Depois dos ataques de anteontem à noite, à hora a que fora assassinado o general Soleimani, às bases americanas no Iraque, esperava-se que tivesse sido dado o mote para a retaliação que Trump desejaria, e para a uma escalada de violência no Médio Oriente de limites incontroláveis. Inesperadamente, em vez de um Trump furioso a confirmar os 52 alvos iranianos a atingir, incluindo as relíquias históricas e de património da humanidade, que anunciara na véspera, surge um presidente americano a dizer que os Estados Unidos "estão disponíveis para abraçar a paz com aqueles que a procuram", a desejar um "óptimo futuro" para o Irão, e até a falar num regresso ao acordo nuclear que unilateralmente rasgou.

Poderão dizer que nada disto passa da mais profunda hipocrisia. Mas não é isso que está em causa, e a hipocrisia é parte integrante da política. Em causa está apenas que a intensa pressão interna e internacional obrigaram Trump, num Momento Histórico decisivo, a fazer tudo ao contrário do que naturalmente, por si só, faria.

Desta vez os checks & balances levaram o presidente americano a evitar a guerra que Donald Trump irresponsavelmente precipitara. Não é coisa pouca!

 

 

Irresponsabilidade premiada

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Como facilmente se previa Trump incendiou o Médio Oriente e colocou o mundo ocidental sob novas ameaças com enorme potencial devastador, tanto mais graves quanto mais evidente se torna a irresponsabilidade que sustenta a escalada de ameaças do presidente americano.

Trump nunca teve a noção da responsabilidade de presidir à maior potência mundial. Sempre achou que a Casa Branca seria um brinquedo com que gostaria de brincar. Por isso a sua relação com a mentira nunca foi nada que verdadeiramente o incomodasse, e revelou-se um mentiroso compulsivo. Por isso a sua relação com as instituições foi sempre secundarizada e o seu sentido do dever uma simples miragem. Por isso Trump acha que não precisa da aprovação do Congresso para desencadear operações de guerra, bastando-lhe anunciá-las no seu Twitter.

E é este homem que a América vai voltar a eleger lá mais para o final do ano. Ou, mais dramático ainda, é assim, é por fazer tudo isto assim, que Trump conta que a América o reconduza para novo mandato na Casa Branca!

 

Começa perigoso, este 2020!

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2020 ameaça tornar-se mais perigoso do que poderia parecer, por mais previsível que fosse que, em ano de eleições, Trump desatasse aos disparates. 

Sabia-se que Trump não precisaria de grandes pretextos para começar a brincar com o fogo, convencido do ganho eleitoral que, em pleno processo de impeachement, daí retira. Nem de muito espaço, nem de muito tempo: bastou-lhe o Iraque, e três ou quatro dias. A 29 de Dezembro, um ataque aéreo matou 25 combatentes do Hezbollah Kata'ib, uma milícia pró-iraniana. Em resposta, no último dia do ano, quando regressavam dos funerais, manifestantes cercaram a embaixada, atacaram com pedras, grafitaram paredes ... e lá estava o pretexto por que Trump ansiava - um ataque à América. 

Esta noite, o major-general Qasem Soleimani, tido por número dois da hierarquia militar do regime iraniano, e mais quatro altos quadros militares foram mortos num ataque com drones, à saída do Aeroporto Internacional de Bagdad, já confirmado pelo Departamento de Defesa Americano.

 Ali Khameinei promete vingança. Para dançar o tango são sempre precisos dois ... Olha que dois!

O tolo

trump erdogan.jpg

(Roubado do Der Terrorist)

 

É mais mais um tesourinho deprimente de Trump, esta carta que fez entregar ao presidente turco e que anunciara de “muito poderosa”.

Mesmo sabendo tudo o que se sabe "deste imbecil eleito presidente da maior potência mundial", por mim, nunca imaginaria que, ao nível mais alto da diplomacia, num contexto de grande exigência formal como é o de uma guerra internacional, a indigência pudesse atingir esta dimensão. 

Não é apenas a habitual boçalidade, que Trump sempre disfarça com os excessos de informalidade e com linguagem de negócios de merceeiro. É também a completa ausência de tacto que, mesmo no final, não poderia deixar de ser mais expressiva: "Não seja um tipo difícil". Não seja tolo"!

Aí está o que, para o tolo-mor do planeta, é uma carta “muito poderosa”. Podemos ficar descansados. Não ficam dúvidas que Erdogan manda já retirar as tropas da Síria, e deixa os curdos em paz... 

Coisas dos dias que correm

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Enquanto por cá, entretidos a fazer (de) conta(s) à geringonça, vemos ressurgir Miguel Relvas, e logo a reclamar ar fresco para o partido - ao contrário do que poderia à primeira vista parecer, faz todo o sentido: os mais bafientos são os que mais precisam de ar fresco - no outro lado do Atlântico, Trump continua na  sua espiral de loucura, ao ritmo da sua profunda ignorância e da sua ilimitada imbecilidade.

Depois de decidir retirar as tropas da Síria, abrindo espaço a Ancara para avançar sobre a minoria curda no território, isto é, de abandonar os curdos, que usou para derrotar o daesh e que deram a única vitória militar aos americanos dos últimos anos, à sua sorte e às mãos de Erdogan, Trump surge no Twitter - of course - a ameaçar que, se a Turquia intervier militarmente na Síria para além dos limites definidos pela sua própria, enorme e incomparável sabedoria, destruirá e aniquilará completamente a sua economia.

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Pedimos desculpa por esta interrupção. A democracia segue dentro de momentos!

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A ideia já tinha passado cá por Portugal, aqui há 10 anos, lançada por uma senhora então candidata a primeira-ministra. Era um pouco mais ambiciosa, é verdade: propunha na altura a suspensão da democracia por seis meses. Foi agora recuperada por Boris Johnson, o homem certo para conduzir com êxito o brexit, que está a fazer tudo bem, como diz o presidente americano, para quem também Bolsonaro está a fazer tudo o que deve ser feito. Netanyahu, também, mas esse já nem precisa que Trump ande a dizê-lo...

Pois, o novo primeiro-ministro britânico, que não foi eleito porque a mais velha democracia da Europa também tem destas coisas, não foi tão longe como Manuela Ferreira Leite preconizava na altura, mas chegou lá. Como tem de tratar da saída sem acordo até 31de Outubro, e está visto que o parlamento, eleito democraticamente, só atrapalha primeiros-ministros não eleitos, requereu à rainha a suspensão do parlamento britânico por cinco semanas. Menos que 6 meses, é certo, e apenas o estritamente necessário para que esteja fechado sem incomodar o sócio de Trump na tramitação do brexit. Mas conseguiu, enquanto a experiência portuguesa ficou por terra... A rainha aceitou!

Dizem que não tinha outra forma... 

 

Trumpalhadas

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Trump poderá não considerar absurda a proposta de comprar a Gronelândia à Dinamarca. Afinal já outros antes o tinham feito. E também não seria a primeira vez que os Estados Unidos comprariam território no estrangeiro ...

Não pode é considerar absurda a recusa dinamarquesa em lha vender. Já a retaliação, com o cancelamento da visita programada para dentro de duas semanas, nao deverá deixar grande mágoa nos dinamarqueses...

Quando se fala também numa visita de Trump a Portugal, é pena que não lhe passe pela cabeça comprar ... sei lá ... as Berlengas ... Não sei é se não lhas venderiam, e ele vinha mesmo ... Para assinar a escritura!

A mesma América

Polícias a cavalo transportam negro com uma corda

 

Mais uma imagem que nos envergonha. Vem de Galvestone, no Texas. Por acaso - ou talvez não - no mesmo Estado em que, dois dias antes, em nome da supremacia branca, um rapaz de 21 anos desatou aos tiros num supermercado, matando mais de 20 pessoas e ferindo outras trinta.

Donald Neely - assim se chama o homem negro - atado por uma corda a dois polícias montados em cavalos, é conduzido sob prisão à esquadra da polícia local...

Mais uma vez, isto pode nem ser Trump, já vimos imagens destas noutras presidências. Mas com Trump é mais fácil...

Sempre se minimizou a perigosidade de Trump justamente por ser na América. Das instituições. Da maior e mais avançada democracia. Dos "checks & balances". Mas, depois... temos imagens destas ... E o que temos para dizer é: "só nos Estados Unidos". Ou: "tinha de ser nos Estados Unidos". Na mesma América!

 

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