“Uma vez anunciado, o Prémio Nobel da Paz não pode ser revogado, transferido ou partilhado com terceiros”, comunicou o Instituto Nobel da Noruega, depois de Corina Machado ter anunciado, há precisamente uma semana, na Fox News (pois claro!), que queria entregar e partilhar com Trump o Nobel da Paz que há meses lhe foi atribuído, e há pouco entregue.
E depois de Trump, para quem Corina Machado - "uma mulher muito simpática", mas que "não tem o apoio nem o respeito do país", nem está qualificada para assumir a liderança da Venezuela - não contou, preferindo Delcy Rodriguez, a vice de Maduro, nem conta, ter revelado que se vai encontrar com ela durante esta semana para dela receber o Prémio Nobel da Paz. "Ouvi dizer que ela queria fazer isto. Seria uma grande honra", disse Trump.
Para os mais impetuosos, que só leram "uma vez anunciado, o Prémio Nobel da Paz não pode ser transferido ou partilhado com terceiros”, chamo a especial atenção para não saltarem "revogado". Pudesse ser revogado e ... quem sabe?
Pode ser que haja menos ímpetos na atribuição dos próximos Nobel da Paz ...
Corina Machado é Nobel da paz, distinção que era obsessão de um gajo que molda a guerra a olhar para o seu umbigo, e que ejacula planos de paz à medida dos seus sonhos húmidos.
O Comité Norueguês anunciou ao final da manhã a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Corina Machado, rosto da oposição venezuelana a Nicolás Maduro, "pelo seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela".
Esta seria sempre uma boa notícia, não estivéssemos nós em tempos em que não há boas notícias. Não estivéssemos nós em tempos em que não seja possível premiar a oposição a Nicolás Maduro sem dar créditos ao mesmo Trump, a Abascal, Orbán, ou Marine Le Pen.
Trump não ganhou, porque já não foi a tempo de ganhar. Mas já ganhou para continuar a semear instabilidade por todo o globo, para continuar a afundar barcos a seu bel-prazer no Mar das Caraíbas com o pretexto da luta contra o tráfico de droga, para continuar a afrontar as instituições, nacionais e internacionais, e para continuar prender aleatoriamente pessoas no seu país.
Imaginemos a empresa X, com acções cotadas a 500 USD. Imaginemos um presidente de um Estado a lançar uma ordem de compra de 50 milhões de acções da empresa X a 300 USD. Imaginemos que, no dia seguinte, o mesmo presidente anuncia tarifas de 50% sobre o negócio da empresa X, e as acções caem para 290 USD.
Imaginemos que, no outro dia a seguir, o presidente anuncia o adiamento das tarifas. E dá ordem de venda das acções da empresa X a 490 USD, que voltam para a cotação dos mesmos 500 USD.
Façamos as contas (dou uma ajuda: 50 milhõesX190 USD=USD 950 milhões) e chamemos apenas maluco ao presidente.
"Inside trading", é crime. Isto é capaz de não ser!
Será inevitavelmente pelas tarifas que se iniciará o princípio do fim de Trump. A todas as inevitáveis consequências económicas, políticas e sociais da escalada tarifária de Trump - a inflação, a perda de competitividade, e em última análise a recessão (económicas), vão provocar descontentamento social, com forte incidência nas classes mais desfavorecidas (sociais), e erosão política da sua base eleitoral de apoio (políticas) - juntam-se os choques de interesses, e os combates abertos no interior da própria equipa de Trump.
Para já, está aberto o combate entre Elon Musk, o até agora homem forte da máquina trumpista, uma espécie de sala de máquinas da Casa Branca, e Peter Navarro, o ideólogo e mentor da tarifação.
E chegou o dia. Pontualmente - 2 de Abril - a mostrar que não é uma simples trumpice, mas algo bem planeado e sistematizado. Uma ideia, estúpida, mas amadurecida.
Dantes, "era a economia, estúpido". Agora, "é a ideologia, estúpido"!
Com a grelha das apregoadas taxas alfandegárias na mão, e o espectáculo bem encenado, Trump chamou-lhe o dia da libertação. A corte aplaudiu, entusiasmada. Os mercados, esses não correm atrás de canas de foguetes. E Wall Street caiu a pique.
O choque de Trump com a realidade é agora inevitável. E vai ser brutal!
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