Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Mais um truque

Por Eduardo Louro

 

O Presidente da República, que presumo já tenha regressado de férias, continua sem uma palavra sobre o BES. O maior escândalo financeiro da história do país continua sem merecer uma única palavra do mais alto magistrado da nação.

E no entanto ontem houve notícias. Ontem, Cavaco achou por bem publicar no site da presidência o vídeo com as suas lestas e apressadas declarações pouco anteriores ao colapso final, em que sossegava os portugueses com a conversa de que o Banco tinha almofadas, e que o Banco era bom, mau era o Grupo.

Cavaco, que, repito, não demonstrou qualquer sinal de preocupação com as gravíssimas consequências para a economia e para o país, está mais uma vez muito preocupado consigo próprio, e muito incomodado com as responsabilidades que um advogado das vítimas do BES lhe atribuiu exactamente por aquelas declarações. E vai daí e tira este coelho da cartola, pegando nas mesmíssimas declarações, republicando-as e fazendo-as ecoar por toda a comunicação social para nelas se escudar atrás do Banco de Portugal.

É mais uma habilidade de Cavaco, o malabarista mor da política portuguesa. Cavaco, com este número de malabarismo, quer dizer que não disse que os portugueses podiam confiar no Banco, que disse tão só que o Banco de Portugal o tinha dito. Na realidade não foi ele que disse que os portugueses podiam confiar no Banco e nas almofadas que tinha. O Banco de Portugal – cujo excelente serviço, nas mesmas declarações, não se cansou de elogiar – é que andava a dizer esses disparates todos…

Simplesmente lamentável. Tão lamentável que Cavaco merece que lhe digam que a sua responsabilidade na corrida dos pequenos investidores ao aumento de capital do BES não decorre apenas daquelas suas palavras. Tem antes a ver com a sua autoridade na matéria enquanto investidor nas acções do BPN. Quem então ganhou tanto será sempre visto como um grande especialista!

 

TRUQUES

 

Por Eduardo Louro

 

 

O Presidente Cavaco Silva, em cerimónia oficial de inauguração de um complexo residencial para idosos, ontem em Torres Vedras, convidado a pronunciar-se sobre a justificação do imposto que nos leva metade do subsídio de Natal – a sobretaxa de IRS que, esfumado o desvio colossal, agora ninguém consegue justificar – começou por dizer que “o senhor ministro já teve ocasião de explicar a razão pela qual o governo fez essa proposta”.

Tornou-se de resto recorrente o Presidente subscrever as explicações do ministro das finanças: ainda há bem pouco fez o mesmo a propósito do famoso desvio colossal, repetindo até os gestos. E teve ainda oportunidade de acrescentar que a sua preocupação vai para os que se não encontram em condições de contribuir para este imposto extra. Explicou rapidamente – e nós rapidamente percebemos – que essa preocupação não tinha nada que ver com todos os que ficaram de fora deste esforço adicional exigido ao país, designadamente a banca, as empresas e os investidores financeiros. Não: “são muitos dos desempregados, são muitos daqueles que se encontram em situação de exclusão social, são doentes crónicos, são famílias de muitos baixos rendimentos”!

A preocupação do Presidente não é a equidade, a distribuição equitativa dos sacrifícios que já reclamou. Nem sequer se já se atingiu o limite dos sacrifícios, o tal limite que, ainda há bem pouco tempo, na sua tomada de posse, lembrava ao governo anterior. A preocupação do Presidente não é uma preocupação: é um truque! Naturalmente que é quem vai pagar que protesta, não é quem irá ficar de fora. É para esses o truque: não se queixem por pagar porque são uns felizardos! Ao contrário dos outros, dos pobres e excluídos, vocês até têm a sorte de ter rendimentos que vos permitem pagar este imposto!

A isto chama-se lata, para não dizer falta de vergonha!

Este Presidente passou da cooperação estratégica com o governo anterior, do início do seu primeiro mandato, ao silêncio estratégico, lá mais para a parte final - quando, tentando passar por entre os pingos de chuva sem se molhar, tudo valia para não comprometer a reeleição -, daqui para a afronta estratégica, logo que aquele desiderato foi atingido e, finalmente, para o mimetismo estratégico com este novo governo!

Este Presidente, já depois de, enquanto chefe de governo, ter feito o que fez ao país, permitiu que o anterior governo destruísse o que ainda faltava destruir. Ora em registo de cooperação estratégica, ora no de não me comprometam, a tudo virou a cara em nome dos superiores interesses da sua reeleição. Só depois de reeleito se lembrou de todos os males do governo, passando então a disparar em todas as direcções e descobrindo que havia limites aos sacrifícios.

Mas veio o novo governo e esqueceu-se desses limites. E lembrou-se de uns truques…

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Posts recentes

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics