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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Sol, praia, segurança e ... hospitalidade

Resultado de imagem para pompeo e netanyahu"

 

Durante muito tempo a estratégia do país para o Turismo, sempre uma das mais fortes componentes da nossa economia, a par das remessas dos emigrantes, assentava no "Sol e Praia". Muitos entendidos da matéria alertavam para os perigos de uma espécie de mono-produto, e avisavam que era preciso alargar a oferta.

Não sei se foi feita muita coisa para atingir esse desiderato, mas sei o que o terrorismo, e principalmente a instabilidade que se seguiu à Primavera Árabe, de há meia dúzia de anos a esta parte, fizeram por isso. Hoje o turismo português faz gala de apresentar mais um produto - a "Segurança", a acrescentar ao  "Sol e Praia". Hoje Portugal é "Sol, Praia e Segurança". Que não é bem a mesma coisa que "sol e praia em segurança", como se sol e praia fosse sexo. Que às vezes também é!

Não. Segurança é, hoje, o mais determinante produto do pacote turístico que temos para oferecer. E valeu-nos mesmo dois dos mais disputados turistas da actualidade. Temos desde ontem em Lisboa dois turistas à procura do que de melhor temos para oferecer - "segurança"! 

Os senhores Pompeo e Nethanyahu precisavam de conversar um bocadinho - talvez até uma partidinha de xadrez, quem sabe?  (dominó? - não acredito!) - e escolheram Portugal. Claro que, sendo quem são, precisam mais de segurança que de sol. Que também aí está, de mãos dadas com a tradicional hospitalidade portuguesa, também central no rótulo do nosso pacote turístico. 

A surpresa de surpreender sem surpresa

Por Eduardo Louro

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No último dos jonais de ontem - melhor, no primeiro de hoje - da RTP Informação demos por Paulo Portas, depois de uma interminável sequência propagandística da coligação em que alternava com Passos, num jantar debate com a Confederação do Turismo. 

A peça seguia-se, no alinhamento do bloco de notícias, a outra de apresentação dos candidatos por Lisboa. O costume, pensei de imediato: participações em actos da governação a confundirem-se com participações em actos de campanha eleitoral.

Estava eu a deixar-me tomar por esta sensação promíscua quando reparo que Portas estava a tentar responder a uma questão colocada pela audiência, a propósito do plano estratégico para o sector. E de imediato percebo que o número dois do governo estava a fazer uma figura igualzinha à que, há dias, víramos a ministra da administração interna fazer a propósito do estatuto da GNR. Nem mais nem menos, exactamente a mesma, o que é de todo surpreendente num dos maiores génios do verbo fácil.

Mas a verdade é que o homem não saía dali, não arrumava uma ideia, não articulava palavra, gaguejava e portantava sem cessar... Só que, com mais sorte que a sua colega de governo, tinha ali ao lado o secretário de estado. E, depois de tanto patinar, lá acabou por endossar o assunto "ao senhor secretário de estado" que, esse sim, trataria de dar a informação que continuava a faltar dar.

A peça já não transmitiu mais que a imagem de Adolfo Mesquita Nunes, feito anjo da guarda, a pegar no microfone sem esconder um sorriso aberto. Não ficamos a saber o que respondeu. Mas ficamos a saber que Paulo Portas não faz a mínima ideia do que seja isso de plano estratégico para o turismo.

Convenhamos que, depois do brilhante trabalho que apresentou para a reforma do Estado, não é surpresa nenhuma. Surpesa mesmo é que o mestre da pantominice tenha ficado sem pio! 

Reposições #3- Equívocos estratégicos*

 

Por Eduardo Louro

 

 

Continuo de férias. E férias, nesta altura e para quem preze o cruzamento de consciência nacional com sol e praia, é no Algarve.

 

Nesse Algarve de que se dizia estar às moscas e onde os estabelecimentos hoteleiros, particularmente os mais luxuosos, teriam tido necessidade de fazer saldos para atingir os níveis mínimos de ocupação.

 

Na verdade não senti nada disso. Nem moscas nem saldos! Mas não são os saldos que me ocuparam a mente, até porque, provavelmente, existiriam em latitudes que não teria preocupação de atingir. O que me assaltou o espírito foi perceber donde viria a ideia de que o Algarve estaria às moscas quando aquilo era o inferno de gente de sempre. Ou pior. Tenho por hábito, independentemente da zona onde me fixe, dar sempre uma voltinha por Albufeira, à noite. Pois, este Agosto e pela primeira vez, não consegui sair do carro. Tudo o que era estacionamento estava cheio!

 

Não foi necessário fazer um esforço mental muito grande para perceber por que razão, estando o Algarve cheio, se dizia estar às moscas. Afinal o que estava às moscas era o Allgarve! Eu explico: os bifes não vieram! Eram só tugas!

 

Claro que os portuguesitos não dão para encher tudo o que é infra-estrutura turística que por lá se plantou ao arrepio das mais elementares regras de planeamento e de bom senso. Mas dão para encher as ruas e os parques de estacionamento. E até dão para salvar o Algarve daquilo que seria um ano verdadeiramente catastrófico.

 

Se bem me lembro foi o ministro Manuel Pinho que teve a ideia do Allgarve. Se bem que a ideia do Algarve para os ingleses, já vem muito de trás. As cartas de restaurante em inglês, a food, os drinks e os bares ingleses, a par com o mau tratamento de que os portugueses eram objecto, como se fossem gente estranha, são já bem antigos no Algarve. Mas a ideia de Manuel Pinho, e os largos milhões gastos na sua promoção, não raramente em autênticas aberrações de marketing e de estética, apenas reforçou esse estado de coisas.

 

Ora isto é um erro estratégico dramático. Não é só dramático por menosprezar os portugueses que pagaram impostos para financiar essa campanha. É dramático porque se diz que o turismo é a única actividade económica viável para Portugal. É um desígnio estratégico nacional! É o nosso petróleo!

 

É um erro estratégico dramático porque não partiu da valorização da nossa diferença e ignorou literalmente todo o nosso potencial cultural e toda a nossa rica diversidade. Pelo contrário, apostou numa imagem de um país servil para o turista, que lhes quer oferecer aquilo que eles já têm. Que aposta nas únicas coisas que eles lá não têm – sol e praia – mas recriadas nos ambientes que lá têm. Que pega na sardinha assada e a serve com chips!

 

Como é óbvio ninguém sai do seu país para ir fazer turismo noutro que lhe oferece as mesmas coisas. Para isso fica em casa. Quando se sai para outros países vai-se à procura de coisas diferentes. Pois aí está: a nossa estratégia para o nosso maior desígnio não é estratégia – é sol e praias, que são apenas preciosos recursos naturais. E quem não tem estratégia para os potenciar não os merece!

 

Depois, quando os ingleses não vêm, o Algarve está às moscas!

 

 

*Publicado no Vila Forte em Agosto de 2009

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