Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

De novo, no Mediterrâneo…*

Resultado de imagem para navio aquarius

 

A Europa voltou a olhar-se no espelho de água do Mediterrâneo, no drama de 629 refugiados africanos - homens, mulheres, algumas delas grávidas, adolescentes e crianças, resgatados ao mar na madrugada de sábado e manhã de domingo.

E não pôde se não envergonhar-se do que viu nas primeiras vítimas da xenofobia do novo governo italiano, que não serão seguramente as últimas das contradições e dos bloqueamentos de uma Europa amarrada, incapaz de responder à dimensão dos desafios que tem pela frente, entre os quais a resposta a estas vagas migratórias.

Valeu a arrojada e corajosa decisão solidária do novo primeiro-ministro espanhol, que se apressou a chegar-se à frente para evitar uma enorme e injustificável catástrofe humanitária de que a Europa nunca se redimiria. Desta vez…

Porque nada mudou, mesmo que evitar uma catástrofe nunca seja pouco. Ninguém acredita que esta atitude de Pedro Sanchez cure a cegueira da União Europeia, ou que a liberte dos seus fantasmas. A pressão migratória vai aumentar. De imediato, porque vem aí o Verão. A prazo, porque o ritmo de crescimento da população no continente africano é maior que em qualquer das outras partes do mundo. E porque as máfias que a alimentam, para dela se alimentarem, fazem o resto.

Não deixa de ser notável que, num mundo em que tudo circula livremente, em que em especial o capital não encontra barreiras, só a livre circulação de pessoas seja impedida. Que se levantem muros para barrar a passagem das pessoas quando se abrem auto-estradas para que o dinheiro circule mais depressa, e se possível sem deixar rasto.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

"Arriverdeci"!

Resultado de imagem para resultados eleições itália

 

A Alemanha tem finalmente, cinco meses depois das eleições, condições para formar governo. Ontem os mlitantes social-democratas do SPD confirmaram em referendo o "bloco central", e com isso o novo fôlego de Merkel. E a União Europeia mais ou menos no mesmo tom, mesmo que Macron o queira um bocadinho mais carregado.

Coisa em que, pelos vistos, a Itália não está interessada. Nas eleições de ontem, os italianos não adiantaram lá grande coisa à governação do país - aquilo parece ingovernável - , mas não deixaram grandes dúvidas que não vão em cantigas - isto é ainda efeito do festival - europeias. Se aqueles resultados não dão para governar, já dão bem para perceber um "arriverdeci" à União Europeia, bem claro no pontapé no rabo de Matteo Renzi, o primeiro-ministro que fora uma espécie de comissário político designado pela União Europeia.

 

Roaming

 

Resultado de imagem para roaming europa

 

Hoje é um dia histórico: acaba o roaming na União Europeia!

O roaming, como se sabe, é uma espécie de sobretaxa que os utilizadores de comunicações móveis nacionais pagam fora do seu país. Numa União Europeia de livre circulação de pessoas e bens de qualquer espécie, as comunicações eram a excepção que o lobby das operadoras de telecomunicações tentou prolongar o mais possível.

Mantiveram-na até hoje, 25 anos depois de Maastricht, 20 depois Schengen, e 16 depois de concluído o actual edifício da União Europeia.

Por isso, mesmo que não fique associado a qualquer nome, a qualquer cidade, ou a qualquer Tratado, o dia de ontem vai ficar na História da Europa como o dia em que foi derrubada a última (?) fronteira entre os seus países membros.

Mas, como sempre tem acontecido, não há bela sem se não.

Portugal vende turismo e, para isso, importa turistas. Muito mais do que os que exporta. Quer isto dizer que as operadoras nacionais entendem que saem prejudicadas. E isso nunca pode acontecer. Nas telecomunicações, nas energias, nos bancos…

Por isso as operadoras nacionais já avisaram que são os portugueses a ter que pagar esse diferencial. A não ser que passemos todos a ir embora…

É sempre assim, e o que parece que é bom acaba sempre por não o ser. Também nisto do roaming

Sebastianismo europeu

Resultado de imagem para sebastianismo

 

Trouxe aqui o tema na altura própria quando, no comício de Munique, no passado domingo, acabada de chegar de duas cimeiras internacionais – da NATO e do G7 – Merkel, surpreendentemente vestida a preceito de uma verdadeira linguagem europeia, disse que a União Europeia não pode mais confiar nos Estados Unidos, de Trump, nem no Reino Unido, do Brexit, e que, por isso, tem de tomar nas suas mãos o seu próprio destino.

Volto a ele quando disso se quer fazer um  grito do Ipiranga à europeia, e quando se percebe que andam por aí numa roda-viva a espalhar a boa nova:”habemus líder”! 

Que Angela Merkel tem mandado na Europa, ninguém tem dúvidas. Mas, mandar é uma coisa, liderar é outra. O que está está farto de estar provado é que, para Merkel, os interesses da Europa são os da Alemanha.

Não se percebe o sebastianismo!

 

 

 

 

 

Fazer História e contar com a História

 

Resultado de imagem para angela merkel e a europa

 

É dito e repetido que faltam líderes à Europa. Que os grandes problemas no actual processo europeu são exactamente fruto da falta de rasgo, de visão, de dimensão e de estatura da actual geração de políticos europeus.

Todos sabemos que assim é. E que Angela Merkel é certamente o maior expoente  dessa geração. Que, por ser alemã, se chegou à frente, e quem tem na realidade liderado a Europa. Mas nunca os europeus lhe reconheceram qualidades para encarnar o líder por que a Europa necessita. Pelo contrário, sempre inspirou mais medo que esperança.

Mas tem que se reconhecer que, nos últimos dois anos, a senhora fez alguma coisa por mudar essa imagem. Começou com o problema dos refugiados, e teve um forte empurrão com o espectro da marcha da extrema direita por esta Europa fora. Sim, a ameaça de um pesadelo extremista fez muito do trabalho de "fotoshop" que tem beneficiado a imagem de Merkel nestes últimos tempos.

Ontem, regressada da cimeira do G7 e da Cimeira da NATO, num comício em Munique, fez um daqueles discursos que podem encher a página de viragem na Europa. Quando Merkel diz com todas as letras que a União Europeia não pode mais confiar nos Estados Unidos, de Trump, e no Reino Unido, do Brexit, e que, por isso, tem de tomar nas suas mãos o seu próprio destino, está a escrever História.

Falta agora saber se ela própria consegue estar ao nível da História que está a escrever. E essa é uma dúvida que, mais que Merkel, é a Alemanha, e a sua História, que têm dificuldade em esclarecer.

 

  

Último capítulo?

 

Resultado de imagem para pierre moscovici e mário centeno a rir

 

Como era bom de ver, e ontem aqui previra, o presidente Marcelo ganhou protagonismo no folhetim que há semanas domina os tops mediáticos. Não esperava que fosse tão cedo, ainda no mesmo dia, mas não havia volta a dar: depois de "picado" daquela  forma pelo verdadeiro argumentista da coisa, o presidente teria de sair a terreiro. Não podia ser de outra maneira, e lá teve Mário Centeno de se prestar àquela figura.

O diabo - que afinal existe, mesmo que não esteja de muito boas relações com Passos Coelho - é que de Bruxelas vem música, da melhor, para os ouvidos de António Costa e Centeno. O diabo parte mesmo de Bruxelas, mas vai na direcção errada: ninguém imaginaria que em tão pouco tempo as coisas ficassem viradas do avesso.

Bem podem berrar os vazios e estridentes rapazolas do CDS e do PSD. Bem podem colunistas e comentadores não falar de outra coisa. Bem pode até o presidente, "picado", fazer agora umas ameaçazitas. Enquanto Bruxelas mantiver este sentido de oportunidade Centeno pode dormir descansado. E até finalmente sonhar com o último episódio do folhetim que tanto tem excitado as élites da opinião publicada...

"Um presidente não deveria dizer isto"

Imagem relacionada

 

Sabíamos que a França não cumpria o Tratado Orçamental e que daí não vinha mal ao mundo. Sabíamos, pela voz de Juncker, que a França podia violar o défice porque...era a França. Já o radical Dombrovskis era mais sofisticado, e explicava que a França escapava às sanções porque, incumprindo, é certo, tinha para ali umas virtudes no défice estrutural. Que depois já não precisava de explicar...

Ficamos agora a saber que era Juncker quem estava mais perto da verdade. Que a França pode fazer o que quiser com o défice, sem sofrer quaisquer sanções, porque é a França. Porque é grande e acha que não tem nada que ficar sujeita a regras. Isso é para os pequenos e fracos. Mas não lhe bastava achar isso, era ainda preciso impôr isso aos outros.

E é por aí que ficamos a saber que as coisas são assim. Os homens pequeninos não são capazes de permancer enfiados nos seus corpos pequeninos. A Hollande, um dos mais puros exemplares do homem pequenino, não bastava ter imposto aos outros a prerrogativa de não cumprir as regras. Tinha de se saber que tinha sido ele, e mais ninguém, o autor de tamanha proeza. Tinha de se saber que só ele estava à altura de impôr a grandeza resplandescente da França...

Para que tudo se soubesse e nada da grandeza do homem pequenino se perdesse, nada melhor que pôr tudo em livro. O título não podia ser melhor: "Um presidente não deveria dizer isto"!

Uma vergonha, esta Europa...

A vitória da ONU. E de Guterres!*

Imagem relacionada

 

António Guterres é o próximo secretário-geral das Nações Unidas, depois de, perante os membros do Conselho de Segurança, ter passado com sucesso praticamente absoluto seis provas de avaliação. Apesar disso, dessa sucessão de sucessos, eram muitas as dúvidas sobre o êxito final da difícil tarefa a que Guterres se lançou que, como se sabe, o levou a rejeitar liminarmente qualquer hipótese de candidatura às presidenciais do início do ano. À medida que ia ultrapassando as sucessivas provas dizia-se até que seguia de vitória em vitória, até à derrota final.

Tudo porque, dizia-se, o novo secretário-geral teria de ser, primeiro, mulher e, depois, do leste europeu, adjectivação que se julgava já fora de moda enquanto conceito geo-estratégico. O próprio Ban ki-moon – também ele a não resistir a meter-se onde não devia – também tinha as "suas mulheres", que não eram de leste - eram de dentro. E porque, à última e completamente a destempo, a Senhora Merkel, e atrás dela a Instituição Europeia, com o Presidente Juncker à cabeça, lançaram a candidatura de uma vice-presidente da Comissão Europeia: uma mulher do leste da Europa. Búlgara, tal qual outra candidata, líder da Unesco, a quem o seu governo retiraria o apoio, transferindo-o para a candidata lançada pela Alemanha, que não continua a não aceitar a velha ordem do pós-guerra que impera na ONU.

 Contra tudo isto, Guterres acabou mesmo por reforçar a votação na sexta e última ronda. Porque era de facto o melhor candidato. E por isso mesmo, porque era o melhor, a sua vitória é uma vitória da própria Organização das Nações Unidas. Só depois é uma vitória pessoal, do grande mérito de António Guterres, a quem o cargo assenta como uma luva. E só mais remotamente uma vitória da diplomacia portuguesa. E mesmo do país.  

Não há ganhadores sem perdedores. Perdeu a búlgara Kristalina Georgieva, que se prestou à triste figura que Merkel lhe reservou. Perdeu a líder alemã. Perdeu o governo búlgaro. Mas, acima de tudo, perdeu a União Europeia. Que mostrou que é cada vez mais um projecto falido.      

 Por cá também houve quem saísse a perder. Mas nem parece. Querem todos ficar na fotografia…

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

 

 

Kristalina

Imagem relacionada

 

O processo designação - chamemos-lhe assim - do próximo secretário geral da ONU mostra bem o estado de completa falência a que chegou a União Europeia. É incrível como tudo serve para tornar evidente que o projecto europeu ruiu de vez...

Com a Alemanha - sempre a Alemanha - no centro do furacão. E sempre com a direita europeia agrupada no PPE... Sempre tudo muito cristalino... E sempre com um português no meio... Do PSD, e ligado a Durão Barroso, de preferência. 

 

 

 

 

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics