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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Dia da Europa

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Comemora-se hoje o dia da Europa, lembrando a "Declaração de Schuman" de 9 de Maio de 1950, hoje praticamente tido por acto fundador da União Europeia. Onde Robert Schuman, então ministro dos Negócios Estrangeiros do governo francês, cinco anos depois do fim da guerra, dando corpo a uma ideia particularmente acarinhada por Churchill, propôs a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço.

Foi há 69 anos, e hoje sabemos que a ideia, "a melhor que alguma vez tivemos",  como dizem os 21 presidentes das repúblicas da União Europeia, num apelo ao voto nas eleições do próximo dia 26 assinado em conjunto e hoje difundido (percebe-se que o Reino Unido tenha ficado de fora, mas porquê também as restantes seis monarquias?), já viveu melhores dias. 

Toda a gente tem consciência disso. A própria campanha (excelente, diga-se) do Parlamento Europeu de sensibilização para o próximo acto eleitoral, é disso sinal: "desta vez eu voto". Mas não deveria haver quem não morresse de vergonha por ter falhado a melhor ideia dos europeus e o maior projecto político da Humanidade. Provavelmente não haverá quem lhes perdoe...

 

"Agora estão me levando"...

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O primeiro-ministro  húngaro, o fascistoide Viktor Orbán, tem feito tudo o que lhe dá na real gana sem provocar grandes incómodos na UE. 

Orbán, e o Fidesz, o partido de extrema-direita que lidera e integra o Partido Popular Europeu, tem podido fazer dos fascismo uma bandeira. Aboliu a separação de poderes, e permitiu-se abater o Estado de Direito num país membro da UE,  levantou muros num espaço livre de fronteiras, perseguiu imigrantes (mas também emigrantes) e declarou o racismo e a xenofobia pilares dos seus princípios políticos. 

Nada que incomodasse ninguém na Comissão Europeia. Nada que fizesse esboçar o mais leve protesto a qualquer partido da direita europeia, incluindo naturalmente  os nossos PSD e CDS, reunidos no Partido Popular Europeu (PPE).

 De repente, tudo mudou. O PPE não se conforma, avisa Orbán que assim não pode continuar e ameaça mesmo expulsar o Fidesz. Paulo Rangel afinal há muito que em silêncio não tolerava o fascistoide, e até o CDS acha Orbán intolerável. Bastou que Orbán espalhasse por toda a Hungria uns cartazes a atacar pessoalmente Jean Claude Juncker, o Presidente da Comissão Europeia que é também o líder do Partido Popular Europeu!

Ainda se se lembrassem de Bertolt Brecht... 

"Primeiro levaram os negros, mas não me importei com isso. Não era negro..."

 

Ultimato: última oportunidade perdida

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Já só faltam dois dias para expirar o prazo dado pela União Europeia, com o apoio expresso de Portugal, a Nicolas Maduro para marcar eleições. O mais provável é que o prazo se esgote perante a indiferença do tresloucado presidente venezuelano.

Sem surpresa. Sem surpresa de Maduro, mas também sem surpresa da União Europeia, que perdeu por completo qualquer capacidade de intervenção na ordem mundial. Quando mais necessária era a sua intervenção, quando mais importante era ter voz...

Em vez de se perfilar com a autoridade moral de um grande espaço de democracia, com a autoridade histórica de uma civilização decisiva na construção do mundo actual, com a independência de quem não está prisioneiro de interesses escondidos, e com a clarividência política de quem já percebeu que só deste forma pode ser respeitado no actual contexto mundial, a União Europeia (e Portugal, e Espanha) optou pela arrogância do ultimato.

E assim se pôs de fora de qualquer intermediação,  dinamitou o espaço de negociação que se exigia que abrisse, e desperdiçou mais uma oportunidade de sair da irrelevância internacional a que se condenou. E, no fim, nem sequer pode lavar as mãos... sujas do sangue que se exigia ter-se esforçado que evitasse.

Que a solução só pode estar em eleições, não há dúvida. Que a melhor forma de a matar é impô-las por ultimato, também não!

De novo, no Mediterrâneo…*

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A Europa voltou a olhar-se no espelho de água do Mediterrâneo, no drama de 629 refugiados africanos - homens, mulheres, algumas delas grávidas, adolescentes e crianças, resgatados ao mar na madrugada de sábado e manhã de domingo.

E não pôde se não envergonhar-se do que viu nas primeiras vítimas da xenofobia do novo governo italiano, que não serão seguramente as últimas das contradições e dos bloqueamentos de uma Europa amarrada, incapaz de responder à dimensão dos desafios que tem pela frente, entre os quais a resposta a estas vagas migratórias.

Valeu a arrojada e corajosa decisão solidária do novo primeiro-ministro espanhol, que se apressou a chegar-se à frente para evitar uma enorme e injustificável catástrofe humanitária de que a Europa nunca se redimiria. Desta vez…

Porque nada mudou, mesmo que evitar uma catástrofe nunca seja pouco. Ninguém acredita que esta atitude de Pedro Sanchez cure a cegueira da União Europeia, ou que a liberte dos seus fantasmas. A pressão migratória vai aumentar. De imediato, porque vem aí o Verão. A prazo, porque o ritmo de crescimento da população no continente africano é maior que em qualquer das outras partes do mundo. E porque as máfias que a alimentam, para dela se alimentarem, fazem o resto.

Não deixa de ser notável que, num mundo em que tudo circula livremente, em que em especial o capital não encontra barreiras, só a livre circulação de pessoas seja impedida. Que se levantem muros para barrar a passagem das pessoas quando se abrem auto-estradas para que o dinheiro circule mais depressa, e se possível sem deixar rasto.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

"Arriverdeci"!

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A Alemanha tem finalmente, cinco meses depois das eleições, condições para formar governo. Ontem os mlitantes social-democratas do SPD confirmaram em referendo o "bloco central", e com isso o novo fôlego de Merkel. E a União Europeia mais ou menos no mesmo tom, mesmo que Macron o queira um bocadinho mais carregado.

Coisa em que, pelos vistos, a Itália não está interessada. Nas eleições de ontem, os italianos não adiantaram lá grande coisa à governação do país - aquilo parece ingovernável - , mas não deixaram grandes dúvidas que não vão em cantigas - isto é ainda efeito do festival - europeias. Se aqueles resultados não dão para governar, já dão bem para perceber um "arriverdeci" à União Europeia, bem claro no pontapé no rabo de Matteo Renzi, o primeiro-ministro que fora uma espécie de comissário político designado pela União Europeia.

 

Roaming

 

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Hoje é um dia histórico: acaba o roaming na União Europeia!

O roaming, como se sabe, é uma espécie de sobretaxa que os utilizadores de comunicações móveis nacionais pagam fora do seu país. Numa União Europeia de livre circulação de pessoas e bens de qualquer espécie, as comunicações eram a excepção que o lobby das operadoras de telecomunicações tentou prolongar o mais possível.

Mantiveram-na até hoje, 25 anos depois de Maastricht, 20 depois Schengen, e 16 depois de concluído o actual edifício da União Europeia.

Por isso, mesmo que não fique associado a qualquer nome, a qualquer cidade, ou a qualquer Tratado, o dia de ontem vai ficar na História da Europa como o dia em que foi derrubada a última (?) fronteira entre os seus países membros.

Mas, como sempre tem acontecido, não há bela sem se não.

Portugal vende turismo e, para isso, importa turistas. Muito mais do que os que exporta. Quer isto dizer que as operadoras nacionais entendem que saem prejudicadas. E isso nunca pode acontecer. Nas telecomunicações, nas energias, nos bancos…

Por isso as operadoras nacionais já avisaram que são os portugueses a ter que pagar esse diferencial. A não ser que passemos todos a ir embora…

É sempre assim, e o que parece que é bom acaba sempre por não o ser. Também nisto do roaming

Sebastianismo europeu

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Trouxe aqui o tema na altura própria quando, no comício de Munique, no passado domingo, acabada de chegar de duas cimeiras internacionais – da NATO e do G7 – Merkel, surpreendentemente vestida a preceito de uma verdadeira linguagem europeia, disse que a União Europeia não pode mais confiar nos Estados Unidos, de Trump, nem no Reino Unido, do Brexit, e que, por isso, tem de tomar nas suas mãos o seu próprio destino.

Volto a ele quando disso se quer fazer um  grito do Ipiranga à europeia, e quando se percebe que andam por aí numa roda-viva a espalhar a boa nova:”habemus líder”! 

Que Angela Merkel tem mandado na Europa, ninguém tem dúvidas. Mas, mandar é uma coisa, liderar é outra. O que está está farto de estar provado é que, para Merkel, os interesses da Europa são os da Alemanha.

Não se percebe o sebastianismo!

 

 

 

 

 

Fazer História e contar com a História

 

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É dito e repetido que faltam líderes à Europa. Que os grandes problemas no actual processo europeu são exactamente fruto da falta de rasgo, de visão, de dimensão e de estatura da actual geração de políticos europeus.

Todos sabemos que assim é. E que Angela Merkel é certamente o maior expoente  dessa geração. Que, por ser alemã, se chegou à frente, e quem tem na realidade liderado a Europa. Mas nunca os europeus lhe reconheceram qualidades para encarnar o líder por que a Europa necessita. Pelo contrário, sempre inspirou mais medo que esperança.

Mas tem que se reconhecer que, nos últimos dois anos, a senhora fez alguma coisa por mudar essa imagem. Começou com o problema dos refugiados, e teve um forte empurrão com o espectro da marcha da extrema direita por esta Europa fora. Sim, a ameaça de um pesadelo extremista fez muito do trabalho de "fotoshop" que tem beneficiado a imagem de Merkel nestes últimos tempos.

Ontem, regressada da cimeira do G7 e da Cimeira da NATO, num comício em Munique, fez um daqueles discursos que podem encher a página de viragem na Europa. Quando Merkel diz com todas as letras que a União Europeia não pode mais confiar nos Estados Unidos, de Trump, e no Reino Unido, do Brexit, e que, por isso, tem de tomar nas suas mãos o seu próprio destino, está a escrever História.

Falta agora saber se ela própria consegue estar ao nível da História que está a escrever. E essa é uma dúvida que, mais que Merkel, é a Alemanha, e a sua História, que têm dificuldade em esclarecer.

 

  

Último capítulo?

 

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Como era bom de ver, e ontem aqui previra, o presidente Marcelo ganhou protagonismo no folhetim que há semanas domina os tops mediáticos. Não esperava que fosse tão cedo, ainda no mesmo dia, mas não havia volta a dar: depois de "picado" daquela  forma pelo verdadeiro argumentista da coisa, o presidente teria de sair a terreiro. Não podia ser de outra maneira, e lá teve Mário Centeno de se prestar àquela figura.

O diabo - que afinal existe, mesmo que não esteja de muito boas relações com Passos Coelho - é que de Bruxelas vem música, da melhor, para os ouvidos de António Costa e Centeno. O diabo parte mesmo de Bruxelas, mas vai na direcção errada: ninguém imaginaria que em tão pouco tempo as coisas ficassem viradas do avesso.

Bem podem berrar os vazios e estridentes rapazolas do CDS e do PSD. Bem podem colunistas e comentadores não falar de outra coisa. Bem pode até o presidente, "picado", fazer agora umas ameaçazitas. Enquanto Bruxelas mantiver este sentido de oportunidade Centeno pode dormir descansado. E até finalmente sonhar com o último episódio do folhetim que tanto tem excitado as élites da opinião publicada...

"Um presidente não deveria dizer isto"

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Sabíamos que a França não cumpria o Tratado Orçamental e que daí não vinha mal ao mundo. Sabíamos, pela voz de Juncker, que a França podia violar o défice porque...era a França. Já o radical Dombrovskis era mais sofisticado, e explicava que a França escapava às sanções porque, incumprindo, é certo, tinha para ali umas virtudes no défice estrutural. Que depois já não precisava de explicar...

Ficamos agora a saber que era Juncker quem estava mais perto da verdade. Que a França pode fazer o que quiser com o défice, sem sofrer quaisquer sanções, porque é a França. Porque é grande e acha que não tem nada que ficar sujeita a regras. Isso é para os pequenos e fracos. Mas não lhe bastava achar isso, era ainda preciso impôr isso aos outros.

E é por aí que ficamos a saber que as coisas são assim. Os homens pequeninos não são capazes de permancer enfiados nos seus corpos pequeninos. A Hollande, um dos mais puros exemplares do homem pequenino, não bastava ter imposto aos outros a prerrogativa de não cumprir as regras. Tinha de se saber que tinha sido ele, e mais ninguém, o autor de tamanha proeza. Tinha de se saber que só ele estava à altura de impôr a grandeza resplandescente da França...

Para que tudo se soubesse e nada da grandeza do homem pequenino se perdesse, nada melhor que pôr tudo em livro. O título não podia ser melhor: "Um presidente não deveria dizer isto"!

Uma vergonha, esta Europa...

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