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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Depressa e bem não há quem

Cerimónia demorou 90 segundos. Gouveia e Melo tomou posse como Chefe do  Estado-Maior da Armada - Renascença

Há um ano - faz hoje precisamente - iniciava-se o processo de vacinação contra a covid. A primeira vacina era administrada ao médico António Sarmento,  director do serviço de doenças infecciosas do Hospital de S. João, no Porto. Em Lisboa o processo arrancaria poucos minutos depois, com a vacina a ser administrada ao médico Fernando Nolasco, de medicina interna, do Hospital Curry Cabral.

Deste bem sucedido processo emergiria, logo em Fevereiro, o vice-almirante Gouveia e Melo, que passou do absoluto anonimato para figura nacional do ano para a generalidade da imprensa. Em poucos meses de missão - na realidade pouco mais de meio ano - granjeou fama e prestígio. Em menos, ainda, chegaram apenas dois meses, mostrou que, mais do que não saber o que fazer de tanto prestígio, não saber muito bem lidar com tanta fama. E, de não querer nada, passou a querer tudo. Da humildade do anti-herói à arrogância de super-estrela foi um passo curto. De anti-Messias a rei-Midas, foi só dobrar a esquina.

Hoje, o dia em que se assinala o primeiro ano da vacinação, ascendeu à mais alta patente da marinha e tomou posse como Chefe do Estado Maior da Armada. Não em apoteose, mas também não se pode dizer que tenha sido uma cerimónia discreta. Talvez apenas envergonhada. Onde entrou mudo e saiu calado, depois de tanto ter falado. Sem o primeiro-ministro, de férias. Sem o seu antecessor, desconsiderado. E sem que o Presidente da República, que tem sempre qualquer coisa a dizer sobre tudo e sobre nada, dissesse o que quer que fosse. Nem sequer por que eram agora inequívocos os equívoco há três meses.

E se hoje, neste dia de acerto de contas, puxarmos um bocadinho pela memória, seremos capazes de nos lembrar que o curto passo de Gouveia e Melo, com que dobrou a esquina, começou a ser dado a partir do fim de Setembro, logo a seguir aos equívocos anunciados por Marcelo. E lembrando-nos disso percebemos que Gouveia e Melo tinha pressa. Ora, "depressa e bem não há quem". Nem o vice-almirante, agora almirante!

Mudar é preciso.

Táxis a mais, venda de licenças e queixas do serviço. Taxistas reconhecem  problemas - Renascença V+

 

Mudar, fazer diferente, é um imperativo normal de quem acaba de chegar a qualquer posto de poder, seja el qual for. Para deixar tudo na mesma não é preciso mudar, mesmo que muitas vezes seja preciso mudar para que tudo fique na mesma.

O que é preciso é fazer diferente, pensou também Carlos Moedas. Se calhar havia muita coisa por onde começar, de preferência uma das que não estivesse assim tão bem. Mas o novo Presidente da Câmara de Lisboa resolveu fazer diferente na primeira coisa que lhe chegou às mãos, sem se preocupar muito se, para fazer diferente, fazia pior. E logo na vacinação. E logo nesta altura, em que o alarme social volta a soar.

Não é fácil perceber que seja uma boa medida fechar dezenas de centros de vacinação espalhados pela cidade, e abrir um único numa ponta, olhe-se por que perspectiva se olhar. Mas é diferente, e isso é que importa a Carlos Moedas. E dinamiza uma das principais actividades da cidade, por acaso uma das que mais visivelmente tinha apoiado a sua candidatura, revoltada com as ciclovias - o táxi, pois claro. A Câmara paga, não se importem!

 

Um dia histórico e uma frase histórica

Marcelo espera esclarecimentos "sem drama e com serenidade" na reunião do  Infarmed — DNOTICIAS.PT

A aguardada sessão de ontem no INFARMED transformou-se numa espécie de "dia da libertação". Por muito que "apenas" se tenha "fechado uma página", como disse o Presidente Marcelo, e que não tenham faltado avisos sobre os riscos que ainda permanecem, ontem foi mesmo o dia em que "ganhamos a guerra", na expressão de Gouveia e Melo, o herói maior entre os muitos heróis que a pandemia deu ao país.

Ontem foi pois um dia histórico. A História faz-se destes dias, e das palavras que destes dias ficam. Das de ontem, de Marcelo, estas não poderão deixar de ficar para a História:

"O povo português votou, e uma forma de voto foi vacinar-se, e aqui votou com uma maioria que até agora nenhuma eleição deu a ninguém. E é bom que isso seja retido".

Associar a resposta nacional à vacinação - que orgulho no Portugal campeão mundial da vacina contra o covid, com 85% da população vacinada! -  à de uma expressão eleitoral, a dimensão cívica à democrática, é a mais inteligente resposta aos movimentos negacionistas, obscurantistas, e reaccionários que nos últimos tempos têm engrossando a conspiração contra os valores da democracia.

É mostrar como são inexpressivos na sociedade portuguesa.  E, mais ainda que isso, é mostrar que esses movimentos não representam nada mais que a oportunista exploração dos desencantos que atingem boa parte da sociedade portuguesa na sua expressão eleitoral democrática. 

Mas esse é outro problema. Que, mais do que nunca, terá de ser decididamente enfrentado!

 

 

Portugueses que não merecem os portugueses

Visão | Ferro Rodrigues sobre os ataques de negacionistas: “Trata-se de um  crime público. Espero que a PGR cumpra o seu dever"

Portugal é hoje um dos mais bem sucedidos países - porventura o de maior caso de sucesso no mundo - no processo da vacinação contra o covid-19. Por duas razões fundamentais: porque a campanha de vacinação foi bem planeada e melhor executada; e porque os portugueses aderiram em bloco!

Planeamento e rigor de execução não são atributos que geralmente nos sejam creditados, mas cá estiveram, neste processo. Também não somos especialmente conhecidos pelo empenho em causas, mas a verdade é que a História regista momentos vários de galvanização e mobilização nacional à volta de muitas e grandes causas. 

Na resposta à pandemia, na medida como acatamos as restrições a que nos tivemos de sujeitar, ou até na forma como tantas vezes antecipamos espontaneamente medidas desse género, fomos, em geral, de um notável comportamento cívico. E na adesão à vacinação, em todos os escalões etários, demos uma lição ao mundo.

Claro que há sempre alguma gente desprovida dos mínimos exigíveis de sanidade mental capazes de alinhar em teorias malucas, de negar as evidências, por mais que há muito estejam demonstradas, capazes de fugir aos mais estabelecidos padrões cívicos, e disponíveis para seguir agendas dos mais deploráveis propósitos de gente de poucos escrúpulos. E que, em sociedades abertas e democráticas, como felizmente é a nossa, têm direito a manifestar-se. 

São, felizmente, em Portugal meia dúzia de pessoas. Quando violam o Direito Democrático só têm que ficar sujeitas à lei, naturalmente. É a essa lei que têm de se submeter gente como esse senhor que por aí anda e se diz juiz, os que fizeram aquela espera, em Odivelas, ao almirante Gouveia e Melo, ou, e são evidentemente os mesmos, os que se juntaram à porta do restaurante onde almoçava Ferro Rodrigues, para o insultar e ameaçar.

É preciso que a Procuradoria Geral da República e o Ministério Público, nessa como em todas as matérias, cumpram o seu dever e activem o Código Penal. Mas é preciso mais: é preciso que a sociedade desincentive esses comportamentos, porque esses grupelhos inorgânicos ao serviço de gente perversa, de objectivos bem definidos, sabe usar os instrumentos de comunicação para os potenciar. E aí surgem outras responsabilidades, que não aquelas que a lei pode, e deve, sancionar.

Já bastam as redes sociais, desreguladas e incontroláveis, para lhes dar projecção de que se alimentam. Mas ainda têm as televisões para os fazer engordar.

Aquilo que vimos com Gouveia e Melo, com o dito juiz perante os agentes da PSP, e com Ferro Rodrigues é notícia?

É, mas poderia certamente ser dada de outra forma. E mais um pormenor: na "espera" a Gouveia e Melo, na sua visita a um centro de vacinação em Odivelas, poderia esperar-se cobertura televisiva; no deplorável confronto do tal juiz com os agentes da PSP,  cujo acontecimento era a sua audição no Conselho Superior de Magistratura, já essa cobertura é mais difícil de perceber; e na "visita" ao almoço de Ferro Rodrigues com a mulher, no fim de semana, é de todo incompreensível. Simplesmente não havia acontecimento para cobrir!

E é aqui que surge o mais rocambolesco e chocante: o jornalismo justifica o "acontecimento" na presença do médico Fernando Nobre, o ex-candidato à Presidência da República e histórico da AMI, para discursar nessa manifestação

Esse mesmo. Quem por aqui acompanha as memórias de "10 anos" tem podido revisitar a personagem, presença frequente nessa altura destas páginas. Sem qualquer tipo de surpresa, este episódio mostra ao que pode chegar uma criatura que um dia se apresentou como exemplo e personificação da cidadania.

Há portugueses que não merecem os portugueses que têm como concidadãos!

 

 

Vacinação - um caso de sucesso!

Vacinação deve passar para centros de saúde quando 85% da população estiver  vacinada

É fantástico - 85% da população portuguesa já foi vacinada, e na próxima semana 85% dos portugueses terão tomado a vacina completa!

Para se ter a noção da dimensão desta realidade basta lembrar, pelo lado bom, que há um ano estava a iniciar-se a segunda vaga da pandemia, e ainda nem se falava de vacinas. Pelo lado mau, que África tem apenas 3% da população vacinada.

Num país em que tanta coisa corre sempre mal, os processos de vacinação - este, o mais exigente de sempre, como todos os outros que estão para trás - correm sempre bem. E isso é motivo para nos orgulharmos!

 

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