Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Desconfinamento?

SIC Notícias | Covid-19: Reunião no Infarmed volta a juntar políticos e  especialistas

 

É indesmentível que o confinamento está a dar resultados. Já esses, os resultados, poderão não ser tão indesmentíveis. Ou, pelo menos, mais discutíveis. Por uma razão simples - é que a testagem está a diminuir assustadoramente.

Em meados de Janeiro faziam-se cerca de 70 mil testes por dia. No início deste mês, 50 mil. E na última semana apenas 30 mil, bem menos de metade de há um mês. 

O confinamento está a resultar, mas significativa e expressiva descida da incidência de covid-19 nos últimos 14 dias que hoje sustentou a reunião com o Infamed, não deveria ignorar esta realidade da testagem. E, com um tão lento ritmo de vacinação, não serão muito avisados os apelos ao desconfinamento. Por muito compreensíveis que possam ser. Mais que as duas vozes que no governo se percebem sobre a matéria.

A vacinação e a espiral de demagogia e populismo

Elemento do projeto espiral pontos | Desenho de tatuagem geométrica,  Modelos de tatuagens, Resumo

 

A demagogia e o populismo são os mais perigosos vírus para a democracia, sabemos disso e estamos hoje confrontados as evidências disso mesmo.
 
São vírus poderosos e sempre em mutação, adoptando novas variantes. Há estirpes que muitas vezes até se confundem com o antídoto. Não há vacina contra este vírus e, se houvesse, desconfio muito que a classe política se disponibilizasse para a inoculação.
 
As prioridades da vacinação contra a covid são um bom exemplo da forma como essas estirpes afectam os nossos decisores políticos. Numa democracia sã e madura, segura, não envergonhada e sem fantasmas, o Presidente da República seria naturalmente a primeira pessoa a ser vacinada, mesmo simbolicamente. E depois o primeiro-ministro, e depois os restantes ministros, estamos a falar de duas dezenas de pessoas, não muito mais.
 
Por cedência à demagogia e ao populismo os mais altos cargos dos órgãos de soberania em Portugal ficaram fora da lista inicial de prioridades da vacinação. Um mês depois, com o governo com quase tantos infectados como o Benfica, e com o Presidente da República a protagonizar uma história de falso positivo como no Sporting, o governo decide dar prioridade a todos os titulares de órgãos de soberania. 
 
Ou todos, ou ninguém. Ou há moralidade, ou comem todos. Não há uns mais iguais que outros. 
 
Isto não é evidentemente bom senso. É tão só uma nova cedência à demagogia e ao populismo que em si mesma é demagógica e populista, e que, evidentemente, vem aumentar em espiral novas estirpes do vírus cada vez mais difíceis de identificar. 
 
É o que se passa com os deputados que se apressaram a recusar a vacina. Já não sabemos que estão simplesmente a usar o seu bom senso, e a evidenciar a insensatez da decisão, ou se estão a entrar com os dois pés na espiral de demagogia que têm à frente.
 
E assim fica mais difícil...
 
 

Os primeiros

Está concluído”. O relato da primeira vacina contra a covid-19 administrada  em Portugal – Observador

 

Margaret Keenan, de 90 anos - Maggie para os amigos - tornou-se na primeira pessoa no mundo a tomar a vacina contra a covid-19. Foi em Coventry, no Reino Unido, tornando-se naturalmente a primeira cidadã britânica a ser vacinada. 

A enfermeira Sandra Lindsay, ainda jovem, foi a primeira pessoa a receber a vacina nos Estados Unidos.

Na Alemanha foi também uma mulher, Edith Kwoizalla, de 101 anos e residente numa casa de repouso, num lar, como cá se diz, a primeira pessoa a ser vacinada.

Já na República Checa foi um homem, de 66 anos. Andrej Babis, por acaso o primeiro-ministro. Não tem nada a ver com as suas posições sobre o Estado de Direito, a igualdade de género e essas coisas que lhe merecem pouco apreço. Apenas por ser quem é. É que  viu "uma senhora dizer na televisão que não ia ser vacinada enquanto o primeiro-ministro não fosse”... 

Como se vê, são vários os critérios. Todos defensáveis. Até o do chefe do governo checo.

Em Portugal esse lugar na História foi ocupado por António Sarmento, de 65 anos, um infecciologista do Hospital de São João, no Porto. Aqui não é o critério, também ele certamente defensável, que impressiona. O que não passa despercebido é que, mais ou menos desnudada, a moda lançada pelo Presidente Marcelo na vacina da gripe pegou. 

Ou não fosse Marcelo o mais velho influencer do reino.

Presidente Marcelo garante que há vacinas contra a gripe para todos - Viver  com Saúde - Correio da Manhã

 

Uma prenda de Natal*

Sinais positivos na procura de vacina contra a Covid-19 | Internacional –  Alemanha, Europa, África | DW | 16.07.2020

A pandemia está, em Portugal, na Europa e no mundo, a atingir os seus números mais impressionantes, em níveis incomparavelmente superiores aos da primeira vaga. Esta dinâmica, e as circunstâncias do Natal e do fim de ano que aí estão, fazem prever números ainda mais devastadores para o início do ano.

É assim por toda a Europa, onde cada vez mais países se fecham em confinamento total, e por todo o mundo. É assim também por cá, onde acaba de ser renovado estado de emergência. Pela sétima vez, e agora para o período de 24 de Dezembro a 7 de Janeiro.

 Sabemos que a carta-branca dada para o Natal se mantém no baralho. Que o governo só puxou do travão de mão para a passagem de ano.

Sabemos que Macron, o presidente francês, está infectado. E que estaria já infectado quando manteve encontros com outros líderes europeus, incluindo o nosso primeiro-ministro. 

É este o cenário com que nos confrontamos. Só não percebe a gravidade quem não consegue perceber nada. Só não vê, quem não quer ver.

Entretanto a vacina está aí. A vacinação já se iniciou no Reino Unido, na semana passada. E, nesta que hoje acaba, nos Estados Unidos. A Agência Europeia do Medicamento prepara-se para autorizar, já na semana que se vai iniciar, a aplicação de uma das vacinas, a da Pfizer. Também em Portugal, e na Europa, a vacinação vai arrancar ainda neste ano, mais cedo do que as melhores previsões de há poucos dias.

Um estudo de opinião publicado esta semana nos jornais indicava que apenas 61% dos portugueses estão dispostos a tomar a vacina, uma percentagem que não abre as melhores expectativas para a criação da imunidade. Outras partes do mundo haverá onde a resistência à vacinação será bem superior, especialmente entre os mais vulneráveis à desinformação e às teorias negacionistas.

Quer isto dizer que, depois da extraordinária rapidez com que a Ciência nos garantiu a vacina, e depois do heroísmo dos milhares de homens e mulheres que se disponibilizaram a testá-la, há na humanidade gente que, recusando vacinar-se, põe em causa todo esse esforço.

Claro que nenhum Estado deve ter o poder de obrigar os seus cidadãos a vacinarem-se. Num Estado de Direito Democrático isso não tem cabimento. Mas compete a cada Estado, é sua obrigação, promover o sentido cívico da vacinação, e desenvolver nas populações a consciência que a vacinação é uma responsabilidade de cidadania.

A duas semanas do início da vacinação, e com 40% da população sem interesse em vacinar-se, era importante que estivesse em preparação uma sólida, e para isso bem segmentada, campanha de mobilização para esta responsabilidade cívica que nos obriga a todos nós. Talvez fosse a melhor prenda para este Natal…  

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Coisas extraordinárias

Jornal Médico - UNICEF vai liderar a aquisição e o fornecimento de vacinas  contra a Covid-19

 

Dez meses depois de sermos surpreendidos por um vírus mortal completamente desconhecido, que pelo menos por dois anos mudou por completo a vida da humanidade, temos várias vacinas prontas para dar início à vacinação.

Não sei se temos bem a noção disto. Há bem pouco tempo a melhor das expectativas era dez anos. E há apenas meses, quando a pandemia chegou, ninguém arriscava menos que dois a três anos para a descoberta e teste da vacina. 

No Reino Unido a vacinação arranca já na próxima semana. E na maioria do resto da Europa ainda antes do final do ano. Em Portugal é hoje apresentado o plano de vacinação, de que se conhece muito pouco. O que se tem ouvido é meia dúzia de vulgaridades servida pelas ministra da saúde, em modo vendedor da banha da cobra. 

Desconfiamos deste plano ainda antes de ser apresentado, mas é assim que somos. E a verdade é que não temos muitas razões para não ser assim. Dos outros países vamos sabendo que está tudo a postos. Que estão preparados pavilhões gimnodesportivos, arenas de patinagem e outro tipo de infra-estruturas de grande dimensão para o arranque da missão. Isso mesmo, percebemos que estão a fazer da vacinação uma missão, um desígnio nacional. Por cá, fica-nos a ideia que a vacinação é uma coisa para se ir fazendo. Que não é preciso mobilizar grandes meios porque não há pressa nenhuma.

Pode até não ser nada assim, mas é essa a ideia que passa... E que choca frontal e violentamente com uma realidade que descobre e põe à disposição da humanidade uma vacina em apenas dez meses. 

A segunda vaga. E a terceira...*

Covid-19: «Uma segunda onda e, possivelmente, uma terceira e uma quarta são  inevitáveis», alertam especialistas – Executive Digest

Estamos em plena segunda vaga da pandemia, a tal que só surgiria na passagem do Outono para o Inverno, mas que se antecipou, e chegou na passagem do Verão para o Outono.

Está a revelar-se mais agressiva que a inicial, ao contrário do que durante algum tempo foi afirmado. Por todo o lado, e também por cá, os números de infectados e de óbitos crescem a ritmo acelerado. Impressionam os 100 mil novos caos diários nos Estado Unidos, os vinte mil de Espanha, ou os 30 mil de Itália, de França ou do Reino Unido, e no entanto os nossos cinco a seis mil casos diários são, proporcionalmente à população, bem mais graves. Muitas vezes mesmo o dobro.

Já se fala numa terceira vaga para a Primavera. E sabe-se que a vacina, mesmo que se confirmem as notícias desta semana que anunciam a validação de uma das cerca de trinta vacinas em desenvolvimento, capaz de entrar já em produção, não será solução efectiva para a pandemia antes do final do próximo ano. Há, primeiro, insuficiências da produção, de crescimento gradual, depois, de distribuição e, finalmente, de criação de imunidade.

Estamos pois ainda longe de ter a solução para a pandemia e para todos os males que arrasta. Mas não estamos já naquele contexto de incerteza, em que nada sabíamos sobre nada do que nos estaria para acontecer. Estaremos pela primeira vez desde o início da pandemia perante um cenário de alguma previsibilidade.

E isso faz toda a diferença. E tem de ser aproveitado para as respostas que, individual e colectivamente, temos que encontrar. Seja nos sacrifícios para resistir, seja na preparação da retoma.

 

* A minha crónica de hoje na CIster FM

Aí está a vacina

Dinamarca alerta mutação de coronavírus que coloca todas vacinas em risco |  Exame

 

Já há vacina. A Pfizer e a BioNTech anunciaram uma vacina, testada em 43.500 pessoas de diferentes países, que aponta para 90% de protecção conta a covid-19, que pretendem disponibilizar já no final deste mês, através de um processo de aprovação de emergência.

Não vamos, evidentemente, assistir ao início da vacinação antes da próxima Primavera. Nem provavelmente haverá capacidade de produção para responder a todas as necessidade antes do final do próximo ano. Mas as bolsas dispararam. E, mais importante, a comunidade científica exulta. 

Trump é que não. Continua em birra e amuado,  e diz que a  Pfizer e a BioNTech fizeram isto agora só para o lixar.

 

A má notícia que é boa

Covid-19: Vacina só será disponibilizada depois de assegurada segurança e  eficácia

 

A notícia da suspensão dos testes na vacina contra a covid-19, de que a Europa tinha já encomendado 400 milhões de unidades, ontem tornada pública pela farmacêutica AstraZeneca, que a desenvolve  em parceria com a Universidade de Oxford, desencadeou duas reacções absolutamente opostas que nos devem merecer alguma reflexão.

Enquanto o primeiro-ministro, António Costa, a classificava de péssima notícia, os especialistas davam a suspensão como normal e até desejável. É um passo normal no processo científico, garantem!

Isto quer dizer que uma péssima notícia para a política é uma notícia desejável para a ciência, o que é preocupante. Que a política tem um tempo e a ciência outro. Por isso temos visto políticos a anunciar vacinas como banha da cobra, para já. Putin, já anunciou a sua. Trump quer anunciá-la em Outubro, antes das eleições, pois claro. E mesmo sem recorrer a estes dois exemplos extremos, vimos por todo o lado a política a garantir que a vacina estaria disponível já no final do ano, ou o mais tardar no primeiro semestre do próximo. No entanto, da ciência sempre ouvimos falar em dois a três anos como a melhor das hipóteses para o desenvolvimento da vacina.

Os cientistas não dizem que esta suspensão é uma boa notícia por atrasar a vacina. É uma boa notícia porque significa que o processo científico não se deixou contaminar pelo político. Aconteceu um problema, como tantos acontecem nestes processos, e a decisão científica não pode ser outra: pára tudo até que tudo se esclareça. Mau, era mesmo se a pressão política se sobrepusesse, e tudo seguisse em frente como se nada se tivesse passado.

Neste caso foi assim. Em Inglaterra, com a Universidade de Oxford, e com a AstraZeneca, o tempo da ciência prevalece sobre o da política. Nada nos garante, antes pelo contrário, tudo nos leva a desconfiar, que assim seja na Rússia de Putin. Ou na América de Trump. Ainda mais de Trump a precisar de tudo para ser reeleito.

Talvez a esta hora António Costa já tenha percebido que a notícia não era assim tão má...

 

 

Vacina de confiança*

Rússia afirma ter registrado a primeira vacina do mundo contra o ...

 

Putin anunciou a vacina por que todo o planeta anseia, com o nome de Sputnik V, mas o mundo desconfiou.

Talvez comece por aqui, justamente pelo nome, a desconfiança do mundo na vacina russa. Há três boas razões para desconfiar. A primeira é que há apenas uma semana ainda não constava entre as seis que a Organização Mundial de Saúde garantia estarem mais avançadas. A segunda é a falta de acompanhamento de pares estrangeiros em relação à metodologia científica utilizada. E a terceira é o registo da vacina sem estar concluída a fase de testes. Putin anunciou que foi testada na filha, e que tudo está a correr bem. Não é bem a mesma coisa... 

Mas basta o Sputnik para desconfiar. Sputnik é a marca do programa espacial do início da segunda metade do século passado, com que os soviéticos chegaram primeiro ao espaço, ganhando essa batalha aos americanos. É a marca do poderio científico russo que Putin agora recupera para marcar superioridade face ao ocidente.

Putin é capaz de tudo. Para tudo e especialmente para marcar essa superioridade.

Confiar numa vacina não é uma questão de crença. É uma questão científica. E ninguém acredita que Putin queira arriscar o prestígio mundial da Rússia numa vacina feita exclusivamente de propaganda. Da mesma forma todos sabemos que, seja a que nível for, nunca se pode subestimar a Rússia. A História encarregou-se de nos ensinar que sempre que alguém o fez se saiu mal.

Mas nem isso faz com que, em vez de aplaudir esta vacina, o mundo continue desconfiado… É que, mais que de uma vacina contra o covid, Putin precisa de uma vacina de confiança. De credibilidade.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics