Não faço ideia se será o Vale e Azevedo do Sporting, nem sequer se serão muitos os pontos de contacto entre estas duas personagens. Lá que parece haver um lado obscuro – ou mesmo mais - em Bruno de Carvalho, parece. Que há coisas que se não percebem, há. Que há ali populismo – mesmo que mais bem embrulhado que o de Vale e Azevedo -, há!
Mas, se a lógica não fosse uma batata, não poderia ser outro a ganhar as eleições para a presidência da agremiação de Alvalade. Nunca poderia ser o José Couceiro que praticamente todas as sondagens davam como certo. Por uma razão simples: o Bruno de Carvalho tinha tido há dois anos praticamente o mesmo número de votos de Godinho Lopes. E mais votantes, que dois anos depois garantiam ainda mais votos!
Ao longo destes dois últimos anos da presidência de Godinho Lopes o Sporting teve um percurso muito idêntico ao do país: sempre a correr para o abismo, com cada mês pior que o anterior. Godinho Lopes rivalizou com Passos Coelho na asneira, no disparate e na profundidade do buraco que foram cavando. Bruno de Carvalho, mesmo que não fizesse nada, mesmo que se mantivesse imóvel, ganharia só com o péssimo desempenho do seu antigo adversário. Acresce que a guerra civil estalou em Alvalade, mas não foi por ele. Sempre se manteve fora da cena de guerra em que o Sporting se foi afundando, nunca alimentando publicamente o que quer que fosse. Manteve aquilo que se convencionou chamar de postura responsável, sem desperdiçar os votos que lhe vinham cair às mãos.
Bruno de Carvalho partiu para estas eleições com a sua base de votação de há dois anos significativamente reforçada, não partiu apenas com os seus de 35%. Era um patamar de saída virtualmente imbatível, mesmo que a campanha eleitoral lhe corresse muito mal. O que nem sequer foi o caso!
José Couceiro, dado como o candidato da continuidade, isto é, aquele que seguraria o status quo muito assente na feira de vaidades em que a aristocracia leonina transformou o clube, partia como herdeiro dos votos de Godinho Lopes. Só que Godinho Lopes não deixava herança, tudo tinha sido desbaratado!
Os resultados das eleições no Sporting só podiam ser os que foram. Na dimensão da crise que tomou conta de Alvalade não poderia sair outra via que não a revolucionária. O problema é que, das revoluções, só se sabe como começam…
Até aqui, até aos resultados desta noite, tudo era previsível. A imprevisibilidade vem a seguir!
A Chanceler Merkl já partiu, tão depressa quanto chegou. Uma visita tão estranha quanto curta, mas que nem por isso deixou de servir para afirmar os seus sérios propósitos de nos ajudar.
A Alemanha está disposta a ajudar Portugal, repetiu Angela Merkl sucessivamente. Por exemplo, Angela Merkel convidou os investidores portugueses a investir na Alemanha. Mostrou-se aberta a apoiar parcerias entre empresas portuguesas e alemãs, especialmente em zonas do globo onde a Alemanha tem mais dificuldade em entrar. Ou a apoiar a criação do tal banco de fomento… Ou combater o desemprego jovem, aceitando jovens enfermeiros portugueses!
Foi mesmo com a ajuda de Merkl que finalmente Vale e Azevedo regressou a Portugal. Terá pensado que com a polícia toda à volta da senhora não apareceria ninguém para o prender. Tanta ajuda em tão pouco tempo, é obra…
Acompanhe-nos
Pesquisar
Subscrever por e-mail
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.