Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

GENTE EXTRAORDINÁRIA XVI

Por Eduardo Louro

  

Em Novembro de 2000 a Quinta do Ambrósio, no concelho de Gondomar, cujos terrenos estavam classificados em RAN (Reserva Agrícola Nacional), foi vendida por pouco mais de 1 milhão de euros (1,072 milhões). Entre os compradores estavam Laureano Gonçalves, advogado dos vendedores e seu representante no acto, Jorge Loureiro, um dos filhos de Valentim Loureiro, o presidente da Câmara, e José Luís Oliveira, o vice-presidente.

Logo a seguir, em 2001, já desafecta da RAN, a Quinta do Ambrósio é vendida à Sociedade de Transportes Colectivos do Porto por 4 milhões de euros: quatro vezes o preço da compra, poucos meses antes!

O assunto foi parar a Tribunal – melhor que não fosse – onde Valentim Loureiro era acusado de burla qualificada. Ontem, onze anos depois, o Tribunal de Gondomar absolveu toda a gente do crime de burla e condenou os intervenientes escriturados a penas suspensas pelos crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal.

Valentim Loureiro, apenas acusado de burla (não interviera nas escrituras públicas) foi absolvido, facto que lhe valeu mais uns largos minutos de tempo de antena. Num deles, na RTP, perfilou-se como candidato à Câmara do Porto!

É extraordinário este Valentim Loureiro! Como estamos fartos de saber…

 

Futebolês #81 SISTEMA

Eduardo Louro

 

O prometido é devido e, antes que se faça tarde, vamos ao sistema. Como já avisei não é nada fácil de definir: desde logo porque muitos dizem que o sistema não existe! Para se perceber bem a dificuldade basta dizer que enquanto uns negam a sua existência – e ninguém consegue definir uma coisa que nem sequer existe – outros, os que garantem que existe, que está vivo e bem vivo e que até sabem bem o que é, quando chega a hora de o identificar – que é como quem diz, de o definir – nada! É o sistema, é o sistema mas não saem dali!

Quem foi mais longe nesta difícil tarefa de definir o sistema foi Dias da Cunha, o antepenúltimo presidente do Sporting (antepenúltimo porque o actual é o actual, não é o último presidente do Sporting). Mesmo com esse mérito não conseguiu mais que apresentar duas caras: as caras do sistema, disse com todas as letras, “são Pinto da Costa e Valentim Loureiro”!

Repare-se: ele não disse que o sistema era Pinto da Costa e Valentim Loureiro, disse que estes eram os rostos do sistema. Podem portanto tirar o cavalinho da chuva: também não irei ser eu a defini-lo!

Se ninguém o conseguiu por que haveria de ser eu a fazê-lo? A modéstia é como o cuidado e os caldos de galinha: não faz mal a ninguém!

Mas há aqueles dois nomes que Dias da Cunha mandou para esta fogueira. O que é lhes haveremos de fazer?

Claro que deles ouvimos muitas estórias. Umas contadas por aqui e por ali, outras escutadas mesmo. E que acabamos todos por ouvir: uns - onde me incluo – por não resistirem à chamada espreitadela pelo buraco da fechadura (expressão que usam, para tentar tapar o sol com a peneira, aqueles que gostariam que fossemos todos iguaizinhos aos que absolvem tudo e todos e aos que programam uns fins-de-semana fora, ali mesmo na Galiza,), outros porque foram as escutas que se lhes atravessaram à frente. Dizem eles, que não são nem coscuvilheiros nem de intrigas!

Fosse o Octávio Machado e diria: “vocês sabem do que é que (de quem) estou a falar”!

Da mesma forma que não há fumo sem fogo também, havendo as caras do sistema, não pode deixar de haver sistema. Seja lá o que for: seja impor os titulares dos órgãos que decidem, nomeiam ou influenciam, seja ocupar lugares e funções estratégicos, seja mandar na arbitragem ou tão simplesmente tratar bem os homens do apito, com fruta ou com viagens. Ou dispor de um exército de jogadores e distribuí-los pelas mais variadas equipas que disputam a mesma competição. Ou assinalar treinadores e colocá-los em equipas amigas, como naquelas mesas de restaurante com a sinalética de reservada!

Seja ou não uma combinação de habilidades e espertices com algumas (muitas) pulhices, umas toleradas pelo chico-espertismo nacional e outras protegidas pela negligência e pela corrupção.

Se o sistema é isto as caras do sistema já não são o que eram: Valentim Loureiro praticamente desapareceu de cena, obrigado a abandonar a Liga, e com o Boavista, já depois da sucessão dinástica que havia promovido, atirado para fora dos escalões do futebol profissional. Já Pinto da Costa, ressuscitado por uma Justiça suspeita que não aceitou provas que toda a gente percebeu que provavam tudo, regressa ao seu melhor nível, como se viu no arranque da época passada e como se confirmou esta semana, a provar que, para além de cara do sistema é o melhor gestor do futebol em Portugal.

Não sei se foi ou não apanhado de surpresa ou enganado pelo André Villas-Boas. O que sei é que convenceu toda a gente do contrário, que a troca do Porto pelo Chelsea pelo treinador tão portista quanto ele era coisa que previa já há um mês. E que por isso já tinha tudo tratado com o anterior adjunto, a ponto de o confirmar como treinador principal logo que do banco lhe confirmaram os 15 milhões da cláusula de rescisão. Pode não ter sido assim, mas convenceu toda a gente que foi assim!

E transformou uma ameaça – todos os comentadores eram unânimes em declarar um Pinto da Costa de calças na mão – numa oportunidade. Na oportunidade de reafirmar a sua capacidade de gestão e de marcar a diferença para a concorrência. Surpreendeu ao apostar no treinador adjunto, coisa que em Portugal e em particular nos grandes não é comum e, com isso, resolveu de imediato o problema como se há muito estivesse previsto.

Não faço ideia se o ex-adjunto Vítor Pereira é treinador para o Porto: não o conheço de lado nenhum! Mas Pinto da Costa conhece-o: já o conhecia de uma anterior passagem pelos juniores, ao ponto de o fazer incluir na equipa de Villas-Boas, e acompanhou o seu trabalho no último ano. Reconhece-lhe certamente competência, que é o essencial. O resto é com ele! E com o sistema

Para já, sem o treinador maravilha e sem os dois ou três jogadores que o homem que abandonou a cadeira de sonho vai levar, fica com os cofres a abarrotar!

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics