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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

… um fingidor, que finge tão completamente…*

Convidada: Clarisse Louro

 

Depois de ter mandado embora milhares de portugueses, explicando-lhes que teriam de sair da sua zona de conforto, a que estavam mal habituados pelo luxo de viver na sua terrra, acima das possibilidades, o governo pretende fingir que os quer de volta.

Não para tapar a vergonha, não que se tenha arrependido, não que os queira realmente de volta… Apenas porque quer o seu voto e o das suas famílias, que por cá ficaram a sonhar com o seu regresso. E o voto dos outros a quem, com esse fingimento, pretende convencer que o país é outro. Que mudou tanto que já pode acolher de volta os que tiveram de emigrar, que já há de novo lugar para eles!

A este fingimento o governo chamou VEM. Desemprega-te, se ainda o não estás, aí onde quer que estejas, e VEM criar o teu posto de trabalho, VEM empreender, VEM investir, que o governo tem aqui 10, 20 mil euros no máximo, para o teu projecto. Não venhas é com a ideia do conforto num emprego na administração pública, porque isso está reservado aos melhores. Que têm de passar pelo crivo estreito da CRESAP, onde tu até poderás passar. Mas onde certamente passará também alguém de um dos nossos partidos, bem mais competente e que naturalmente, no fim, acabará por merecer a nossa escolha.

Para cara deste fingimento hipócrita o governo escolheu a do secretário de Estado Pedro Lomba, mais uma das jovens promessas desta maioria que, lembrar-se-á o leitor, surgiu de rompante com os briefings diários aos jornalistas, vai para dois anos, que iriam definitivamente resolver todos os problemas de comunicação do governo. Que desapareceram em três dias. Os briefings, não os problemas. Esses são mais teimosos!

Com os briefings desapareceu também este jovem e acutilante secretário de Estado. E durante quase dois anos não se soube do seu paradeiro. Terá – quem sabe? - também emigrado, para ser agora o primeiro a vir. Mesmo sem ter de criar o seu próprio emprego, que ficara guardado. Mesmo sem lhe ser exigido que empreenda, sempre poderá servir de inspiração. E não deixa de ser um VIP, o que não deixaria de servir para dar a ideia que os VIP do governo não servem apenas para encher as listas de intocáveis entregues á administração fiscal.

Não é que a escolha fosse fácil. O leque de caras disponíveis no governo para o fingimento e para a hipocrisia é, nesta altura, bem alargado. Difícil é escolher. Mas o governo escolheu bem. Aproveitou para fazer prova de vida de um secretário desaparecido, uma jovem promessa que tão necessária vai ser no tempo que vem – esse sim, vem e traz as com ele eleições. E sabe-se que toda a gente está disposta a um pequeno “mais” para fazer prova de vida. E, francamente, para um fingimento destes nada melhor que alguém que já tem experiência em ir buscar lã e sair tosquiado!

 

* Publicado hoje no Diário de Leiria

VEM

Por Eduardo Louro

(foto do Público)

Depois de mandar embora largos milhares de portugueses, agora o governo chama-os de volta. Não tem nada para lhes oferecer, nem há nada que os possa fazer regressar... Nem esqueceram ainda - e muito menos perdoaram - que este governo lhes tenha dito que não tinham direito a viver na sua terra. Que isso era um conforto que tinham que largar, um luxo de quem vivia acima das suas possibilidades...

E no entanto o governo não hesita em chamá-los. Em dizer-lhes VEM. Desemprega-te, aí onde quer que estejas, e VEM criar o teu posto de trabalho. VEM  empreender. VEM  investir, que tens aqui "verbas entre os 10  e os 20 mil euros, no máximo," para o teu projecto!

É isto o programa VEM, anunciado hoje com pompa e circunstância. Ou seja: nada. Nada de que ninguém espera nada. Nem o próprio governo:  “até 40, 50 projectos”, diz o secretário de Estado Pedro Lomba. Nem o próprio governo? Alto lá!

É que o VEM não é para os que haveriam de vir. É para os que cá estão, para os que não chegaram a sair, e vão votar, lá para Setembro ou Outubro... O entusiasmo de Pedro Lomba - que andava desaparecido desde os famosos briefings em que se embrulhou - não é pelos 40 ou 50 projectos que, exagerado como é, espera como resultado do programa. Só os que dele tenham apenas a imagem desses briefings poderão aceitar que ele não tenha vergonha de apresentar um programa para, no melhor dos melhores, atingir 50 portugueses. 

O VEM não tem por objectivo o regresso dos portugueses que partiram. Tem por objectivo o regresso dos votos que fugiram. São papas e bolos com que se enganam os tolos. Mais dos muitos que vão inventando para distribuir!

 

 

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