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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Hipocrisia institucional

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Bastaram 24 horas para se perceber que a onda de indignação que se levantou neste início de semana morreu na praia, numa densa espuma de hipocrisia. E que tudo vai continuar na mesma: televisões carregadas de cretinos, e  dirigentes escudados em guardas pretorianas e armados de acéfalos pitbulls da comunicação, continuarão a espalhar ódio e violência, perante os Costas e os Marcelos desta vida apenas disponíveis para lamentar.

Circunscrever o que aconteceu no domingo em Guimarães a uma absoluta manifestação de racismo, e ignorar que é parte do todo que é o intolerável clima de ódio e violência instalado à volta do fenómeno do futebol em Portugal, como está a acontecer, é um acto de capitulação e a maior demonstração da hipocrisia instalada nas Instituições do país! 

 

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Cobertos de vergonha

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Tinha dois anos, e morreu às mãos do próprio pai, que a estrangulou até ao último suspiro. Tinha dois anos, a Lara...

Os pais estavam divorciados aos mesmos dois anos. E há também dois anos que entrara uma queixa em tribunal por violência doméstica. O processo saiu da PSP com o rótulo de "violência doméstica de risco elevado", ou seja, as autoridades policiais ficaram alarmadas com o conteúdo da queixa, mas, ao recebê-lo, o Ministério Público classificou-o "coacção e ameaça". Classificação que, ao contrário da de violência doméstica, que é crime público (e não admite desistência), carece de queixa. Que Sandra, a mãe de Lara, não apresentou, agora em sede de Ministério Público. Há um ano, em Janeiro do ano passado, o processo foi arquivado por desistência da ofendida.

A Lara morreu no dia em que o Tribunal iria decidir a quem atribuir a sua guarda. Morreu no carro, de onde não chegou a sair quando, depois do fim-de-semana, o pai, em vez de a entregar de volta, degolou a avó.

Morreu porque não teve quem a protegesse. Morreu porque nós falhamos, e lhe faltamos sempre que ela precisou. O pequeno relato acima mostra apenas uma pequena parte das nossas falhas. Mostra o nosso traço cultural de tolerância da violência doméstica, que nos impede de a combater com a prioridade que tem de ter, como imperativo nacional que as estatísticas impõem.

Repare-se como, apenas e também ontem, a propósito daquele despacho do juiz Neto Moura, aqui trazido por diversas vezes, o Conselho Superior da Magistratura condenou pela primeira vez um juiz claramente alinhado com esse traço. E como lhe aplicou uma pena de advertência registada como se de um pena exemplar se tratasse. Votada pela diferença mínima, quando, perante o crime de agressão selvática de uma mulher, pelo marido e pelo amante, com uma moca com pregos, o juiz recorreu a legislação do século XIX e a citações bíblicas para humilhar a vítima e desculpabilizar os criminosos!

 

 

Deixar de fingir... Ou não!

 

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O acto terrorista - bem sei que os puristas do Direito não gostam desta adjectivação - de Alcochete obrigou as principais figuras do Estado a deixar de fingir que não percepcionavam a violência instalada no futebol. Presidente da República, sentindo-se vexado, Presidente da Assembleia da República, com tão necessária veemência quanto tão desnecessária polémica e Primeiro-Ministro, anunciando mais um órgão na convicção que, assim, "protege o futebol de quem o quer o destruir", cumpriram os mínimos. Veremos se no domingo à tarde voltam a fingir tão completamente...

Agora falta o resto. Porque, do lado do futebol, se a nada for obrigado, nada fará. Percebe-se isso nas diferentes reacções dos principais clubes, e percebe-se isso no silêncio ensurdecedor do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol!

Haja coragem!

 

O que hoje se passou na Academia do Sporting, em Alcochete, pode querer dizer que a loucura em que se transformou o futebol em Portugal bateu no fundo. 

Espero que sim. E que sirva, desde logo e em primeira instância, para que o Sporting resolva os seus problemas, a começar por se livrar do clima insustentável que o seu presidente instalou. E inevitavelmente do próprio presidente. Depois, para que o poder político enfrente de vez as coisas do futebol, sancionando severamente todos os comportamentos socialmente inaceitáveis: impedindo o acesso aos estádios a todos os adeptos que façam da violência um modo de estar; não fechando os olhos nem os ouvidos às declarações de incitamento à violência dos dirigentes; deixando de ignorar a promiscuidade entre a política e o futebol e, finalmente, passando a actuar, através da regulação, sobre as televisões no que respeita à pouca vergonha dos programas de suposto debate do futebol, que transmitem a toda a hora, pondo em causa, se necessário for, as licenças que lhes estão atribuídas.

Se o que hoje se passou em Alcochete servir para isto, em vez do dia mais negro da história do Sporting, este poderá ser um dos dias mais importantes da história do futebol português. O desafio é grande. Haja coragem! 

 

 

Violência e circunstâncias*

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Assistimos nos últimos dias a uma onda de violência e morte envolvendo jovens muito novos, entre os 14 e os 17 anos.

A série iniciou-se em Ponte de Sor, o primeiro mas também o mais mediático desta trágica sequência de acontecimentos, pelo envolvimento de dois filhos do embaixador iraquiano em Portugal, de 17 anos, numa selvática agressão que deixou outro miúdo, de 15 anos, em coma, de que felizmente acaba agora de sair. E com acesa discussão pública à volta da imunidade diplomática. E da impunidade. E da desigualdade de tratamento e de acesso à comunicação.

Prosseguiu poucos dias depois, em Gondomar, com um rapaz de 16 anos a deixar outro, de 14, às portas da morte, que infelizmente se abriram pouco depois, no Hospital. Logo de seguida, e curiosamente ainda em Gondomar, outro miúdo, também de 16 anos, foi igualmente morto. Desta vez pelas balas da polícia, na sequência de um assalto, seguido de abalroamento da viatura policial.

As circunstâncias variam em cada um dos casos. Mas, à excepção do último, que resulta directamente da prática de um crime, já á partida em modo de delinquência, as diferentes circunstâncias decorrem de evidentes comportamentos impróprios para as suas idades – a hora dos acontecimentos, madrugada alta, o consumo de álcool, e outros porventura mais discutíveis – a suscitarem questões de enquadramento social, distúrbios funcionais, ambientes familiares desestruturados, e ausência de regras e valores no processo educativo.

São problemas transversais a praticamente todas as sociedades actuais, que não são naturalmente fáceis de resolver, e que inevitavelmente produzem ocorrências desta gravidade. O que têm de raro – e felizmente que o é – é a concentração temporal. É terem-se sucedido em tão poucos dias. E o que têm de ainda mais perigoso é, por essa sucessão e pelo impacto mediático, poderem desencadear fenómenos de mimetismo. É poderem funcionar como detonador de novas ocorrências de violência extrema e descontrolada. Campo fértil para isso é o que não falta quando a delinquência se cruza com a juventude com demasiada facilidade.

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

A violência ignorada*

Convidada: Clarisse Louro

 

O país tem vindo a ser assolado por uma onda de violência que já não se sabe bem onde irá parar. Sucedem-se os assassinatos a ritmos nunca vistos, por tudo e por nada. Mata-se por desavenças familiares, mata-se por ciúmes, mata-se por intolerância, mata-se por dá cá aquela palha e mata-se sem que se saiba por quê.

Matam-se velhos e jovens… Matam jovens e velhos!

Mostram-se vídeos de jovens que agridem jovens. Tão gratuita quanto selvaticamente. Nem a própria polícia escapa, entrando também ela no domínio da selvajaria, mesmo que escondida atrás do futebol. Onde a fronteira entre a festa e a violência é uma membrana ténue, facilmente rompida por um qualquer provocador, sempre pronto a servir de ignição para incendiar ambientes que rapidamente se convertem em campos de batalha. E pouco depois em autênticos cenários de guerra.

Multiplicam-se os suicídios por todo o país, porventura o expoente máximo da violência. A violência extrema de acabar com a própria vida. A violência do fim da linha…

Não sei se se poderá dizer que tudo tem a ver com a situação que o país há muito atravessa, e que, teimosamente e contrariando o discurso que nos querem impingir, persiste em manter-se. Não acredito que um país possa empobrecer e sofrer, como empobreceu e sofreu nestes últimos anos, sem que a violência se manifeste… Não acredito que uma sociedade possa perder as suas referências e equilíbrios na enxurrada que lhe destruiu a classe média, sem qualquer tipo de reacção.

Não acredito que a violência que foi imposta aos portugueses não gere violência. Não gerou violência social, nem sequer pequenas ondas de agitação. Não gerou movimentos inorgânicos de grande protesto. Nem sequer orgânicos. Somos um povo de brandos costumes, diz-se. Mas é sempre pior quando não há redes de escoamento das frustrações, quando o sofrimento não encontra forma de expressão…

Tenho por claro que este clima de violência não está a ser devidamente tido em conta. Nem sequer se pode dizer que o país esteja chocado. Tudo isto lhe passa ao lado, com a mesma facilidade com que vimos tanta gente desviar-se e passar ao lado de quem, no chão, precisa e clama por ajuda. É a marca da desumanização, cada vez mais cravada na sociedade portuguesa.

Bem sei que muitos dirão que não há razões para alarme. Que tudo isto se circunscreve a fenómenos comunicacionais: que não há hoje mais sinais de violência, o que há é mais notícias deles. Que hoje as notícias correm outra velocidade, chegam de todo lado e a todo o lado.

Não me parece que tenham razão. É verdade que hoje as notícias voam, e chegam-nos de todas as formas. Notícias de violência entram-nos em casa sem pedir licença. Mas isso apenas a banaliza. Isso apenas faz com que lhe demos menos importância. Que nos desviemos, para passar ao lado… Permite-nos fingir que não vemos… Mas só isso. E isso não resolve nada. Como temos obrigação de saber! 

 

* Publicado na edição de hoje do Jornal de Leiria

Selvajaria policial

Por Eduardo Louro

Foram divulgadas imagens televisivas de agressões brutais a três pessoas, umas das quais criança e as restantes, supostamente, o avô e o pai. A cena decorre nas imediações do Estádio, em Guimarães, no final do jogo entre o Benfica e o Vitória local. A criança está a beber - um refrigerante, parece - agarrado ao pai. Aproxima-se um polícia e percebe-se um diálogo... De repente e do nada, sem nada que visivelmente o justificasse, começa uma agressão brutal, despropositada e completamente desproporcionada por parte de um grupo de três ou quatro  polícias de intervenção. Selvaticamente, nâo popupando o idoso nem a criança, em pânico.

Repetem-se com desusada frequência estes comportamentos da polícia a lembrar os gorilas do antigamente. Desta vez há imagens. Esperemos que sirvam para alguma coisa... Todos temos direito a saber se, num Estado de Direito, a arbitrariedade e a violência são impunes quando vestem uniformes policiais.

Coisas que gostaria de perceber

Por Eduardo Louro

 Há pouco mais de um ano, no último jogo que o Benfica disputou em Gumarães, para defender um adepto benfiquista dos excessos da polícia em serviço no estádio, Jorge Jesus atravessou-se entre eles, tentando libertar o adepto que só queria levar uma camisola que os jogdores lhe ofereceram. Foi acusado de agredir um agente da PSP, e pagou por isso. Jornais e televisões não falaram noutra coisa. Os adeptos rivais, em especial os do Sporting, parodiavam o caso, ao mesmo tempo que clamavam por punição máxima para o treinador do Benfica.

Ontem, no mesmo sítio, adeptos do Guimarães esfaquearam adeptos do Sporting. Não houve polícia nem para impedir isso, nem para deter ninguém. As televisões e os jornais não lhe deram importância nenhuma e, pasme-se, não dei nota de qualquer indignação de um - que fosse - dos muitos adeptos do Sporting com que hoje me cruzei.

Há coisas que gostaria mesmo de perceber...

Apelos (de uns e de outros)

Por Eduardo Louro

 

Há para aí pessoal que anda excitadíssimo de indignação com os apelos à violência de Mário Soares, Pacheco Pereira, Helena Roseta ou Vasco Lourenço.

Já este caso não excita ninguém, e até porque não é mais que  um remake de Mário Soares  - o próprio provérbio à parte, nunca presunção e água benta estiveram tão próximas -  não contém apelo nenhum. Também Belmiro de Azevedo não apela a coisa nenhuma. Quanto muito estará a apelar aos responsáveis pelas suas lojas... para que se não esqueçam de manterem actualizados os seguros contra roubo!

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