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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Viragem

Resultado de imagem para Rui vitória recebe os jogadores à entrada em campo

 

A extraordinária paixão que o futebol desperta resulta de muita coisa que está mais que explicada. Mas resulta acima de tudo da sua extraordinária capacidade de surpreender. "O que hoje é verdade, amanhã é mentira", como Pimenta Machado eternizou há muitos anos, tornando o cromo que foi, quase num filósofo.

Depois de uma viragem de 360 graus a meio da semana, a Luz esperava hoje pelos efeitos da chicotada psicológica.  Os cinquenta mil que nunca desistem começaram por ver as anunciadas palmas de Rui Vitória para a entrada dos jogadores em campo, representasse isso a viragem que representasse. 

Duvidava-se que representasse alguma coisa, até porque o jogo cedo começou a mostrar que o futebol apresentado representava, também ele, uma viragem de 360 graus relativamente aos jogos anteriores. Estava no mesmo sítio, o mesmo futebolzinho previsível, para o lado e para trás. Notava-se no entanto uma pequena diferença na entrega dos jogadores. A forma como discutiam cada bola, já era outra. Condição necessária, mas não suficiente para melhorar a fraca qualidade de jogo, que se mantinha. 

Percebia-se que os jogadores (já) queriam, mas não podiam. Faltava-lhes confiança para fazer melhor, e velocidade para surpreender o adversário. Os minutos passavam e os jogadores do Feirense mantinham-se confortáveis a dar conta do recado. Do Benfica, nem remates quanto mais oportunidades de golo... Nada, de nada. 

No estádio, mudo e calado - as claques, melhor, os grupos organizados de adeptos, fizeram greve durante os primeiros 30 minutos - já só se esperava que, como nos últimos jogos, o Feirense chegasse ao golo na primeira vez que atingisse a baliza de Vlachodimos. Até porque Tiago Silva, o 10 do Feirense e o melhor em campo nesse período, tinha tempo espaço para mostrar a sua qualidade. Que, sendo muita, nos parecia ainda maior!

A saída para o intervalo deixava a Luz longe das boas sensações.

Só que, sem que nada o fizesse esperar, o Benfica regressou ao campo com uma viragem - agora sim - de 180 graus no seu futebol. E, como que por magia, vimos de volta o melhor futebol que por cá se vê. Com tudo o que tem de ter: futebol corrido, de toque, desmarcação e recepção, velocidade, variação de lances, pressão sobre o adversário e sobre a bola.

Um autêntico vendaval de futebol. O golo surgiu de imediato, como nunca deixa de acontecer quando assim se joga. Apenas 4 minutos depois do apito para o reinício e quando, 7 minutos depois, surgiu o segundo (que um defesa do Feirense roubou ao Jonas), já o Benfica tinha criado mais três ou quatro claríssimas oportunidades de golo.

A avalanche de bom futebol não abrandava, e as oportunidades sucediam-se em perdidas para todos os gostos. Ora em falhanços clamorosos, ora em puro azar, ora ainda em simples acidentes de jogo, como no golo anulado a Jonas, num fora de jogo indiscutível à luz da letra da lei, mas inaceitável à luz da própria jogada.

Esta segunda parte de luxo não rendeu mais que quatro golos, como na Madeira, com o Nacional. Justificou pelo menos o dobro mas, acima de tudo, justificou os aplausos com que a Luz se despediu dos jogadores. 

Não sei onde cairam as palmas de Rui Vitória à entrada. Mas estas, do Estádio inteiro à saída, não podem ter caído em saco roto. Estas imagens da Luz em festa, esta comunhão imensa, como a chama, entre adeptos e equipa, terão de ficar como a imagem da reviravolta.

Quando tudo ficara como dantes, agora, nada pode ficar como dantes!

Ponto de viragem

Por Eduardo Louro

 

 

O país vibrou com as primárias do PS, disso não me parece que fiquem dúvidas. Muita gente correu a inscrever-se para votar e muita gente seguiu a par e passo a campanha, como o provam as próprias audiências dos debates televisivos.

Não sou dos que pensam que isto represente um sobressalto cívico, que o país tenha de repente saltado da cadeira – ou do sofá – e acordado para o activismo perdido. Que de repente o país se reconciliou consigo próprio, e quer intervir activamente no seu destino. Nada disso, os números ainda não dão para isso. E os partidos ainda são muito como o clube de futebol…

Mas também não acho que se possa ficar pela mera escolha de um novo líder partidário, que foi verdadeiramente a escolha de um candidato a primeiro-ministro, exista ou não essa figura.

Não sei se esta ideia das primárias veio assim tanto para ficar quanto nos vão dizendo muitos dos analistas políticos. Enquanto primárias, não me parece. Mas enquanto forma de legitimação democrática e agente da transparência e da revitalização que é necessário levar aos partidos políticos e, por essa forma, ao regime, não tenho qualquer dúvida que é muito importante que seja uma ideia para ficar. Quero com isto simplesmente dizer que não me parece que se institucionalize como ideia de primárias propriamente ditas, mas que não poderá deixar de ser a forma dos partidos escolherem as suas lideranças.

Para além do que deste processo fique para o futuro do regime, também este resultado expressivo de dois terços que António Costa alcançou, se torna no mais relevante e decisivo facto político desta parte final da legislatura.

É que ninguém no PSD pensará neste momento que Passos Coelho, com o que foi e é o governo e ainda com todos os problemas que o envolvem, e que, tantas as contradições e trapalhadas, estão longe de estar ultrapassados, tenha qualquer hipótese de ganhar as próximas eleições a António Costa. Que, há não muito tempo, sagaz, anunciou ser Rui Rio o seu adversário

Mas Rui Rio não é apenas o adversário que o PSD tem para António Costa. É também, e acima de tudo, o líder que o PSD tem para se coligar com Costa. Quer isto dizer que o PSD percebe neste momento que só com Rui Rio garante a manutenção do poder. Contra António Costa ou com António Costa!

Creio que Passos Coelho percebe isto. E percebe que, se como António José Seguro insistir em resistir ao óbvio, poderá abrir a caixa de Pandora que afastará por muitos anos o PSD do poder. Posso estar enganado, mas não vejo como Passos possa estar a fazer outra coisa que não seja escolher a melhor forma de sair pelo seu pé… 

Mais que o primeiro dos últimos dias do governo, este é um ponto de viragem!

 

 

 

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