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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

JOGOS OLÍMPICOS LONDRES 2012 (V)

Por Eduardo Louro

                                                                      

Com a prova do contra relógio o ciclismo de estrada despediu-se hoje dos Jogos Olímpicos. Com a conquista da medalha de ouro, Bradley Wiggins, depois de vencer o Tour, mostrou nos Jogos que é actualmente o melhor ciclista do mundo. Bateu o alemão Tony Martin, que abandonara a Volta a França para se preparar para esta prova, cujo título lhe pertencia desde Pequim, e que ficou com a prata. Cris Froome confirmou o excelente desempenho no Tour, conquistando a medalha de bronze, a apenas 26 segundos do alemão e a pouco mais de um minuto do seu companheiro de equipa e de selecção.

É a sétima medalha olímpica de Wiggins (quatro de ouro, uma de prata e duas de bronze, distribuídas por quatro olimpíadas – Sydney, Atenas, Pequim e Londres – e é já o atleta britânico com mais medalhas olímpicas) e é tanto mais notável quanto se segue à vitória no Tour, destrona o campeão em título que se preparara especialmente para esta prova, desistindo no Tour como se referiu e, the last not the least, quando foi dele todo o esforço no controlo da corrida no passado sábado que atribuiu a medalha de ouro a Vinokourov, o veterano ciclista do Cazaquistão a terminar a carreira. O ouro estava então reservado para o britânico Mark Cavendish, o melhor sprinter dos últimos anos, e a equipa britânica apostou em controlar a corrida (de 250 quilómetros) sozinha. Em vão, e pondo em risco a condição física de Wiggins para a prova de hoje.

O único representante português – Nelson Oliveira – ficou-se pelo 16ª lugar. Na prova em linha de estrada do último sábado, com três portugueses, o melhor foi, como no Tour, Rui Costa, no décimo segundo lugar. Que integrou o grupo em fuga donde sairiam Vinoukourov e o colombiano Rigoberto Uran – este com a medalha de prata – e donde o norueguês Alexander Kristoff sprintaria para o bronze!

Dois grandes campeões olímpicos: Vinoukurov – que já fora medalha de prata em Sydney – com sabor a prémio de carreira, e Wiggins, o melhor ciclista da actualidade e um dos melhores de sempre no contra-relógio.

TOUR DE FRANCE V (FINAL)

Por Eduardo Louro

 

A 99ª edição do Tour chegou hoje aux Champs Eliysés, onde precisamente acaba todos os anos. Nem sempre foi assim – embora tenha acabado sempre em Paris - mas é assim nos últimos largos anos!

Foi o dia da consagração final de Bradley Wiggins (na foto), o digno vencedor, mas também de Mark Cavendish, que ganhou a etapa que toda a gente quer ganhar e, ganhando-a, igualou com três vitórias os seus rivais do sprint que na fase inicial da competição: o eslovaco Peter Sagen – uma das principais revelações deste Tour – e o alemão Andre Greipel, e tornou-se no ciclista em actividade com mais vitórias (23) em etapas desta que é a maior competição mundial de ciclismo, ultrapassou Lance Amstrong – vencedor de sete edições do Tour e de 22 etapas – e ameaça o recorde de 34 vitórias do mítico Eddy Merckx. Ao fazê-lo pela quarta vez consecutiva, igualou este lendário belga - o Canibal, como ficou conhecido - também ele vencedor por quatro vezes em Paris.

Hoje a festa foi britânica: um inglês inscreveu pela primeira vez o seu nome na lista de vencedores do Tour, outro inglês foi o segundo classificado e ainda outro ganhou a etapa. Todos da mesma equipa, a Sky, também inglesa!

Foi o corolário normal e esperado de três semanas de competição que estes ingleses dominaram por completo. Um domínio que não foi ainda maior pelos contratempos de Cavendish na primeira semana da competição, quando duas quedas lhe retiraram a possibilidade de outras tantas vitórias. Este trio inglês é composto apenas pelo melhor contra-relogista e campeão mundial da especialidade (Wiggins), pelo melhor trepador, mas também o segundo melhor no contra-relógio (Froome) e pelo melhor sprinter e campeão mundial de velocidade. E todos na mesma equipa!

Wiggins é um justo vencedor deste Tour, aquele que aqui dávamos pelo mais aberto dos últimos anos: Lance Amstrong já arrumara a bicicleta, Alberto Contador estava ainda impedido de competir e Andy Schleck estava afastado por lesão. Cadel Evans vencera no ano anterior, mas nunca estaria à altura destas três super estrelas. Tinha vencido um Tour onde não estava nenhum deles. Nem Wiggins, vítima de queda na primeira semana.

É injusto retirar mérito à vitória de Cadel Evans na competição do último ano pelo seu desempenho na deste ano. Mas já não é a imagem do ano passado que subsiste. Essa está esbatida. Bem nítida é a da sua impotência para seguir na roda do seu jovem companheiro de equipa – Van Garderen - nas montanhas deste ano nos Alpes e nos Pirenéus. Ou a da dobragem por esse mesmo jovem no contra-relógio de ontem, que tinha partido 3 minutos depois.

Wiggins justificou a vitória essencialmente nos dois contra-relógios. Que ganhou, sempre com o seu colega Froome logo atrás. Mas ficará para sempre a dúvida se o que lhe ganhou nessas duas etapas seria suficiente se Froome tivesse podido atacar nas montanhas, onde deixou evidente ser bem mais forte. Mas Wiggins justificou ainda pelos elogios que soube dirigir a este seu colega, e pela forma como soube trabalhar para as duas últimas vitórias de Cavendish: hoje e anteontem.

As figuras neste Tour não se esgotam nestes nomes. Voeckler, o vencedor do Prémio da Montanha, é uma figura incontornável do Tour. Como o já referido Peter Sagen, o vencedor da classificação por pontos que, aos 22 anos, deixou indicações para o futuro. E mais três jovens de respeito: o americano Van Garderen, também já referido, o melhor – no sexto lugar, à frente de Cadel Evans, o líder da equipa, que tanto rebocou - e por isso o camisola branca, e ainda as esperanças francesas Pierre Rolland e Thibaut Pinot, os melhores franceses, que fecharam o top tem.

Dos portugueses não há muito a acrescentar ao que foi dito nas últimas edições. Sérgio Paulinho não justificou mais qualquer registo. Já Rui Costa esforçou-se por dar nas vistas nas três últimas etapas em linha, sucessivamente em fuga. Incluindo hoje, em plenos Campos Elísios, onde tentou ganhar a mais improvável das etapas. Andou na frente, primeiro num grupo de onze fugitivos e, depois, num trio que seria alcançado pelo pelotão já nos últimos três quilómetros. Acabou num 18º lugar da geral que, sabendo a pouco, está longe de ser uma desilusão.

Acabou o Tour número 99. Viva o Tour centenário!

 

PS: Uma nota para a cobertura televisiva da RTP Informação. Um trabalho excelente, com o saber e a capacidade de comunicação de Marco Chagas a merecerem nota alta. Um reparo apenas para o excesso de patrioteirismo colocado na avaliação do desempenho dos portugueses. Acho que não se justifica e prejudica o excelente trabalho produzido!

 

 

 

 

TOUR DE FRANCE IV

Por Eduardo Louro

 

O Tour despediu-se dos Pirenéus, que mais não fizeram que confirmar os Alpes e a superioridade de Bradley Wiggins e Chris Froome e da sua equipa, a Sky. E confirmar ainda que entre os dois ingleses é o segundo quem está melhor, como ainda hoje ficou provado, quando Froome esperou várias vezes pelo seu chefe de fila na última subida do dia, inclusivamente deitando fora a vitória na etapa, que sobrou para Alejandro Valverde por escassos 19 segundos. Tivesse Froome seguido seu ritmo, sem outras preocupações, e o espanhol teria sido apanhado antes de cortar a meta em Peyragudes.

A dupla jornada de alta montanha pirenaica, para além de confirmar este domínio britânico, confirmou todos os restantes jovens de que aqui se falou da última vez. E confirmou as desgraças de Cadel Evans, longe de confirmar a vitória do ano passado – em que Wiggins se viu obrigado a desistir, logo no início, vítima de uma das muitas e frequentes quedas que invariavelmente marcam a primeira semana desta prova – e de Frank Schleck, este mesmo afastado antes de subir ao Tourmalet. E pela pior das razões: teste positivo no controlo anti-doping. Sem que antes tivesse oportunidade de confirmar a condição de favorito que injustificadamente – a sua participação no Tour nem estava sequer prevista e resultou de uma imposição provocada pela ausência forçado do irmão - lhe era atribuída.

À falta de outra dimensão do espectáculo – porque uns estão ausentes, pelas deficientes condições do australiano e do luxemburguês e porque a Sky não permite veleidades a ninguém (o italiano Nibaldi voltou a tentar, mas na hora da verdade nem sequer conseguiu acompanhar os dois ingleses) – surgem alguns heróis. Nos Pirenéus o protagonismo maior coube a Thomas Voeckler (na foto), um francês que parece ter mau feitio mas que é um ciclista desconcertante. No ano passado andou 10 dias de amarelo, lutando pela manutenção desse símbolo de forma verdadeiramente heróica. Perdê-lo-ia na montanha. Desta vez foi em plenas montanhas dos Pirenéus que brilhou: venceu duas etapas e desatou a ganhar metas de montanha, a ponto de, vindo em branco dos Alpes, ter aí conquistado os pontos que lhe garantem já o troféu de melhor trepador deste Tour.

Os portugueses também aproveitaram os Pirenéus para dar nas vistas. Sérgio Paulinho e Rui Costa entraram em fugas, chegaram a andar na frente e a deixar a ideia de poderiam ganhar uma etapa. O Sérgio ainda conseguiu ser terceiro numa dessas oportunidades e o Rui Costa – que se queixava que o pelotão não o deixava fugir – teve hoje a sua melhor oportunidade. Andou no grupo da frente, onde tinha mais dois colegas de equipa sem que disso tirasse qualquer vantagem. Atacou e isolou-se, sendo depois de alcançado pelo seu colega Alejandro Valverde. Estranhamente não seguiram juntos, dividindo esforços, com o espanhol a deixá-lo para trás quando faltavam 30 quilómetros para a meta, onde chegaria no trigésimo segundo lugar, com 7 minutos de atraso para o seu colega de equipa (?) e vencedor da etapa. Porque Froome foi leal colega de equipa de Wiggins!

Assim não admira que tenha sido Miguel Relvas o português com maior destaque nos Pirenéus!

Se depois dos Alpes se percebia que seria um inglês a ganhar (pela primeira vez) o Tour, agora já se sabe que será Wiggins. Mas não deixaria de ser irónico que, depois de tudo o que tem acontecido para que seja assim, Froome ganhasse os pouco mais de dois minutos a Wiggins no contra-relógio do próximo sábado. Porque aí ninguém tem de esperar por ninguém!

Mas contra-relógio é à medida do seu chefe de fila… a rolar. Se fosse a subir… seria bonito. Lá isso seria!

TOUR DE FRANCE III

Por Eduardo Louro

 

A segunda semana do Tour começou a definir as coisas, com o contra-relógio de segunda-feira e com as montanhas dos Alpes, a que hoje os ciclistas disseram adeus e até para o ano. É certo que ainda faltam os Pirenéus, e o longo contra-relógio do penúltimo dia da competição, mas os contornos da história desta pré-centenária edição do Tour estão já bem definidos.

Bradley Wiggins e Chris Froome – que já vencera a primeira etapa de montanha, no sábado -, ingleses e companheiros de equipa na Sky, dominaram o contra-relógio – consolidando então Wiggins a amarela que retirara a Cancellara, como aqui se previra, na mesma etapa de sábado – e, depois, chegava-se aos Alpes. Onde, para além de um duelo entre Cadel Evans e o camisola amarela, se esperavam grandes espectáculos de ciclismo.

A verdade é que, lá chegados, sentimos imensas saudades de Lance Amstrong e lamentamos as ausências de Andy Schleck e Alberto Contador. Os momentos de espectáculo foram raros, e neles não vimos nem Evans nem Wiggins: o primeiro porque não pode e o segundo porque, podendo ou não, não precisa. Conta com a equipa mais poderosa da prova e nem precisa de se incomodar, até porque o seu maior adversário é o seu compatriota e colega de equipa: Chris Froome. Que, tendo sido o único a estar ao seu nível no contra-relógio, provou estar bem melhor a trepar montanhas. Na etapa de ontem – a etapa rainha dos Alpes, com duas montanhas de categoria especial (Col de la Madeleine e Col de la Croix de Fer), uma de segunda categoria e outra de primeira, precisamente na meta – Froome, depois de rebocar o líder da equipa para anular um ataque do italiano Vicenzo Nibaldi (terceiro da classificação geral), fez-se de distraído e, alcançados os fugitivos, manteve o ritmo. Não abrandou e deixou Wiggins para trás, sendo logo mandado parar. As coisas são como são!

Frank Shleck, derrotado logo no contra-relógio, também não conseguiu justificar a sua fama de grande trepador, percebendo-se que afinal o irmão, em vez de o libertar, faz-lhe falta. E o espectáculo nos Alpes acabou por ser dado pela equipa da Sky – pela forma como controla e comanda a corrida, pelas soluções que tem para sucessivamente impor ritmos e cadências que destroçam os principais adversários – e por uns jovens que vão aparecendo e prometendo muito para os próximos anos: dois franceses – Pierre Rolland, vencedor de ontem e do prémio da juventude do ano passado, com 25 anos e Thibaut Pinot (na foto), o segundo na etapa (e vencedor no domingo) e o mais jovem em prova, com 22 anos – e o americano Van Garderen, líder da classificação da juventude e colega de equipa de Evans que, para o rebocar e minimizar as consequências do estoiro do australiano, acabou impedido de maiores feitos.

Claro que anda por lá a coragem – e a capacidade - do italiano Nibaldi e do belga Van den Broeck. Mas que nada podem contra o poderio da Sky: vão-se aguentando, o que já é para poucos!

Como as coisas estão a correr só uma catástrofe evitará que o vencedor deste Tour seja um inglês. Pela primeira vez na História!

Rui Costa – o melhor português, nem se tem dado por Sérgio Paulinho, que anda lá pelos lugares incógnitos do meio da classificação – fez um excelente contra-relógio, que o deixou à porta do top ten. Mas apenas se aguentou no primeiro dia de montanha, ontem perdeu perto de quinze minutos e deu um grande trambolhão na classificação geral. E um lugar entre os dez primeiros, que estava ali tão perto, não passa agora de uma miragem! 

Ainda entraria na primeira fuga da etapa de hoje, na despedida dos Alpes – a maior mas que praticamente não teve história – mas sem sucesso. 

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