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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

E passou a haver coisas para contar na comissão parlamentar de inquérito (IX)

Por Eduardo Louro

 

 

Chegou hoje a vez de Henrique Granadeiro… Não esclareceu muito, é certo. Mas respeitou o Parlamento, respeitou a Comissão de Inquérito e respeitou os deputados. Não faltou ao respeito a ninguém, não gozou com a cara de ninguém… Não gozou com a nossa cara!

E como foi diferente de Zeinal Bava… Da noite para o dia. Se Bava deixara uma imagem de frieza, com nervos de aço, com as palavras medidas em milhões de euros, próxima do verdadeiro pulha, Granadeiro deixa uma ideia do santinho traído por uma crença. Escondida atrás da amizade. E as amizades não se traem… De tal modo que o maior “erro estratégico da sua vida” foi ter feito dupla com Zeinal Bava. Não foi ter confiado em Ricardo Salgado. Declarou-se injustiçado: “… foi o pior que podia acontecer à minha carreira”.

Quase comovente!

O crime não pode continuar a compensar

Por Eduardo Louro

 

 

A destruição da PT é um escândalo que nada fica a dever ao escândalo BES. A administração da PT não tem menos responsabilidades criminais que a do BES. Terá se calhar até mais. Se outras razões não houvesse – e há, desde logo porque o valor que destruiu foi superior ao que destruído pela do BES – bastaria a forma como enganou os accionistas. A administração da PT, Zeinal Bava, propôs aos accionistas uma operação de fusão com a OI. Mas, em vez da fusão aprovada pelos accionistas, o que Zeinal Bava fez foi vender ao desbarato a empresa – não exactamente a empresa, mas os seus activos, o que ainda é pior – à OI a que, entretanto, já presidia, deixando aos brasileiros a oportunidade, logo aproveitada, de realizar as correspondentes mais valias. A que Zeinal Bava quis fazer crer que se opunha, abandonando os brasileiros depois de receber a devida comissão!

Que perante tudo isto o governo diga que não tem nada a fazer, que temos de deixar o mercado funcionar – gostava de perceber onde é que o mercado funcionou em todo o processo que ficou para trás – é pactuar com o crime. Que o Presidente da República – que, como um botão, só conhece duas posições: on e off, para cima ou para baixo; avisei, ou o não tenho nada a ver com isso – tenha falado no assunto, mas sem uma palavra sobre a condecoração que concedeu aos gestores que agora condena, é a prova que, em Portugal, o crime compensa sempre!

Porta pequena, cheque grande

Por Eduardo Louro

 

 

Zeinal Bava já saiu da OI. Com um cheque de 5,4 milhões de euros...

À PT saiu muito mais caro, sem dúvida. Teria poupado uns bons milhares de milhões se tivesse feito o mesmo que os brasileiros, se lhe tem entregue um cheque idêntico há 14 ou 15 anos, como agora uns meses depois de ter entrado!

Mas isso só torna maior o escândalo em que isto tudo de tornou...

Dizia  que “ter sucesso é errar menos”. Não terá dificuldade em encontrar outra forma de explicar o sucesso. Por exemplo: ter sucesso é sair pela porta pequena com um cheque grande!

Histórias de uma multinacional portuguesa

Por Eduardo Louro

 

Há pouco tempo a PT era aquilo que seria a primeira multinacional portuguesa a sério. Uma empresa genuinamente portuguesa, moderna e inovadora, que inventara o pré-pago – um mimo – aberta para o mundo e disposta a abraçá-lo.

A sua gestão era glorificada, com títulos e prémios à escala mundial, nunca vistos em Portugal. Zeinal Bava, o prodígio da gestão, era disputado por todo o mundo!

Resistira à espanhola Telefónica, tendo apenas de lhe entregar a brasileira Vivo, mas à custa de muitos milhões: 7,5 mil milhões! Resistiria depois à bem portuguesa Sonae, mesmo que tendo de queimar em dividendos muitos dos muitos milhões da Vivo. Para se voltar de novo para o Brasil onde, perdido o lombo suculento, ainda havia umas peles. Como a OI.

Mas não se atirou às peles, entregou-se às peles… Salvava-se o gestor prodígio e, há precisamente um ano, era assinado o acordo para a fusão com a OiI, de que haveria de resultar a CorpCo que, sob a liderança do génio de Bava, se propunha tornar num player mundial, numa multinacional brasileira gigante no mundo global das telecomunicações.

Sabe-se o que aconteceu depois. Os galardoados prodígios da gestão afinal estavam enrolados com os Espírito Santo e quando isso se descobriu lá se foram não apenas os 900 milhões de euros mas também todas as auréolas. E pior – a respeitabilidade!

E aquilo que era há pouco o maior projecto multinacional da economia portuguesa vai simplesmente desaparecer. Não desaparece nas condições que o Grupo Espírito Santo desapareceu, mas desaparece exactamente como desapareceu o grupo com que se deixou prostituir. Talvez por isso a OI queira hoje misturar-se com os italianos da TIM, descartar a PT e devolver Bava à procedência.

E hoje a notícia é que a OI quer vender a PT – para ter almofada para a italiana – e que os franceses da Altice a querem comprar. E que por isso as acções até estão a subir!

Ah… o grupo francês da Altice é o dono da ONI e da Cabovisão. E vem-nos à memória, não uma frase batida - como na canção - mas uma OPA batida. Que a gestão da PT, à custa de uns muitos milhões, repeliu há pouco mais de sete anos. Engraçado!

Alta finança à portuguesa

Por Eduardo Louro

 

 

Henrique Granadeiro, mais de um mês e de muitos milhões euros depois, apresentou a demissão. Não que tivesse alguma coisa a ver com a operação que mandou 900 milhões de euros pelo buraco do GES abaixo. Não sabia de nada e ficou até muito surpreendido!

 Os brasileiros da OI também não sabiam de nada, mas logo que souberam trataram de corrigir os números da fusão, baixando o peso da PT de 37 para 25%. Zeinal Bava, esse também não sabia de nada. E também deixou a administração da PT, para se dedicar em exclusivo à OI, que comunicou a ocorrência da forma curiosa que se pode ler no comunicado: "Zeinal Bava, diretor presidente da Oi, deixará de exercer o cargo de presidente do conselho de administração da nossa controlada PT Portugal SGPS e os cargos de administração que exerce em determinadas sociedades detidas por esta empresa". Quer dizer, a PT deixou de ser parceira de fusão para ser agora uma empresa controlada pelos brasileiros.
E no meio disto tudo, segundo conta hoje o Expresso, haverá mails de Ricardo Salgado que sugerem que os administradores brasileiros e o próprio Zeinal Bava tinham conhecimento da operação. Mas logo apareceu quem disesse que poderão ter sido forjados...e que portanto é possível que uma empresa em Portugal aplique 900 milhões de euros sem conhecimento da sua administração.

É este o maravilhoso mundo dos negócios... A alta finança à portuguesa!

 

E ainda há tanto para contar.. (IV)

Por Eduardo Louro

 

Quando a coisa aperta … não se olha a quem. Tudo serve…

Consta que Ricardo Salgado, primeiro, foi pedir dinheiro a Passos Coelho. Depois a Angola e, ainda depois, à Venezuela

A Passos ainda se percebe. Pensaria que, como até há bem pouco, um pedido seu era uma ordem… Como a que tinha dado ao Zeinal, para lhe desenrascar uns trocos - 900 milhões euros, praticamente metade dos activos com que a PT entrou na fusão com OI.

Já a Angola é mais difícil de perceber… ainda se fosse ao Álvaro... Quem sabe se ele não puderia ajudar?

Mas à Venezuela? Ao Maduro? 

 

 

 

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