Talento à solta

Garantido o apuramento na sexta-feira, hoje, na Bósnia, a selecção portuguesa de futebol assegurou o primeiro lugar na classificação do grupo de apuramento para o Euro 2024, na Alemanha, com uma goleada (5-0) a confirmar a inédita sequência de oito vitórias consecutivas.
Diz-se, em futebolês, que uma equipa joga o que a outra deixa. Se assim é, na primeira parte - período em que se construiu o resultado - a Bósnia deixou muito; e Portugal jogou muito. Tanto que foi um regalo para a vista. Tanto que até fez esquecer as muitas coisas que tanto fazem para afastar o público do futebol da selecção nacional.
Sim, a selecção tem, e tem tido, público. Mas é o seu público. Não é exactamente o mesmo!
Nesta primeira parte, com quatro mudanças (com as entradas de Gonçalo Inácio, Danilo, Octávio e João Félix, e as saídas de António Silva, Palhinha, Bernardo Silva e Gonçalo Ramos) na equipa, relativamente ao último jogo, com a Eslováquia, a selecção aproveitou o que a Bósnia deixou jogar para soltar o talento que lá tem dentro, tantas vezes reprimido. E dar espectáculo. Talvez tenha sido a fanfarronice dos bósnios antes do jogo - que nem é novidade, já no passado tinha sido assim, e Dzeko é até repetente - a explicar o que se passou na primeira parte. À meia hora já contavam com quatro. Ao intervalo já eram cinco, sem os bósnios terem sequer oportunidade de cheirarem a bola.
A segunda parte acabou por ser uma mera formalidade. O seleccionador bósnio, com a humildade que não tivera antes, reforçou o sector defensivo, com a única preocupação de não sofrer mais golos. E passou a deixar jogar menos, quem já não precisava de jogar mais, mas apenas de cumprir o tempo de jogo.
Foi isso a segunda parte. A formalidade para o jogo ficar completo. E altura para Roberto Martinez voltar a testar os três centrais. Ah! E para estrear na selecção um menino de 19 aninhos, acabados de cumprir.
Foi a primeira vez do talento de João Neves. E a primeira vez é sempre a primeira vez!