Tema da semana*
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Durante toda a semana Ricardo Robles, o ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa em representação do Bloco de Esquerda, tomou conta do espaço mediático. Ninguém mais lhe roubou a ribalta, nenhuma outra estrela brilhou tão alto.
O mainstream reservou-lhe esse espaço. Nele convergiram duas linhas de fogo que, parecendo paralelas, se cruzam nalgumas circunstâncias. Foi o caso, agora.
De um lado, a linha do status quo dominante, que não podia perder a oportunidade de ricochetear tudo aquilo que nunca lhes atinge mais que a carapaça da indiferença. Que quis dar as boas vindas ao seu território de más práticas, mas sem poupar na hipocrisia, e sem dó nem piedade na hora de cobrir tudo com o mesmo manto. Do outro, a linha do “justiceirismo“ quixotesco que se atira à corrupção como a moinhos de vento, e que por de trás de tudo o que mexa não vê outra coisa que não poderosas e tenebrosas máquinas de corrompimento, sem perceberem que, metendo tudo no mesmo saco, tornam igual o que é diferente. Perdem o foco e até a credibilidade e o respeito, e matam à nascença o que de melhor lhe poderia assistir às intenções.
No meio do que uns e outros escreveram, disseram ou mandaram dizer pouco sobrou para a verdade do que realmente aconteceu. E, a meu ver, o que realmente aconteceu, foi que alguém, fazendo da campanha contra a especulação imobiliária uma bandeira, nela se enrolou para esconder um especulador de faca em punho, que acabou espetada nas costas do partido que o acolhera e que, ainda a quente e sem dar pelos golpes, se apressou a defendê-lo, como uma mãe defende um filho.
Tinha já perdido muito sangue quando reconheceu a facada. Afastou a faca, e a mão que ainda a segurava, e partiu para um longo período de convalescença.
Talvez as férias ajudem!
* Da minha crónica de hoje na Cister FM