Tema do dia
Na ordem do dia esteve a gestão e a distribuição dos fundos angariados pela solidariedade nacional destinados à ajuda às vítimas dos incêndios.
Há razões de preocupação com o tema. É monstruoso que a generosidade e a solidariedade dos portugueses acabe por não chegar ao seu destino, quando tanta falta fazem. E é inaceitável que tão volumosos fundos, que os portugueses tão prontamente mobilizaram, tão propagandeados no acto de recolha, desapareçam depois do seu escrutínio.
Não foi disto no entanto que se tratou quando o assunto foi hoje trazido para a ordem dia. O que a direita, e a equipa de Passos em particular, quiseram projectar foi outra coisa. Foi simplesmente continuar a cavalgar a onda do Pedrogão, foi prosseguir a lamentável exploração da desgraça, iniciada, como se sabe, com os suicídios que não aconteceram, e prosseguida com a lista dos mortos.
É fácil de perceber que assim é.
Os fundos angariados com a extraordinária mobilização da sociedade civil foram objecto de recolha e administração por parte de diferentes entidades. Foram, tanto quanto se sabe, entregues à União das Mesericórdias e à Caritas, instituições, como também se sabe, especialmente admiradas e apreciadas pela direita. São instituições charneira da sua visão da política social, cuja margem de intervenção se preocupam sempre em alargar como solução para todos os problemas.
O governo criou também um fundo para gerir os recursos doados pelos portugueses. Chamou-lhe Revita e conta com um saldo de 1,9 milhões de euros. O que a direita fez foi pegar neste número para, na opinião pública, fazer dele o resultado público daquela gigantesca onda solidária. O que pretendeu foi confrontar este número, estes 1,9 milhões de euros, com os números percepcionados pelos portugueses, especialmente através das televisões.
Foi isto que esta direita pretendeu, continuando nada incomodada em chocar violentamente contra os princípios que seria suposto defender.