The Economist

A notícia que a "The Economist" colocou a economia portuguesa como a de melhor desempenho entre as 36 mais desenvolvidas, neste ano, deu para tudo. Pode dizer-se que foi um fartote!
Montenegro fez uma festa, pudera. Serviu-lhe para tudo, mas utilizou-a, em primeira ordem, para atacar a greve geral que aí vem. Anunciou o salário mínimo de 1 600 euros, e médio de 3 000. Assim é que é!
Mas houve quem fosse mais longe. Analistas e comentadores que andam há anos a fazer a cabeça à malta foram lá mais atrás, para dizer que este sucesso todo é a herança da troika, que tudo se deve às reformas da troika que gloriosa governação de Passos Coelho corajosamente interpretou.
A classificação da "The Economist", que no ano passado premiou a economia espanhola, desta vez em quinto lugar, parte de cinco indicadores centrais: inflação, amplitude da inflação, crescimento económico, evolução do emprego e desempenho bolsista. Em (tecnicamente) pleno emprego, com uma bolsa marginal e, num país de percepções, em que a inflação pesa muito mais no bolso que nos índices, no fim do dia o que fica é o crescimento económico.
Que a prestigiada revista britânica classifica de "significativamente superior à média da Zona Euro", por força do crescimento do turismo - "que continua a ser um dos principais motores da economia portuguesa", refere -, da "chegada de residentes estrangeiros com maior capacidade financeira que alimentou a procura e o investimento". Quer dizer - consumiu e comprou casas!
Pois é ... Mas isto, mesmo que que lá esteja escrito, já ninguém refere. Nem Montenegro, nem os ditosos que louvam a troika e o passismo. E, se não dizem o que lá está escrito, menos dirão que o lá não é mencionado. Que o PRR, o irrepetível PRR, também entra nestas contas. Ou que não há um único indicador apontado à qualidade de vida dos cidadãos.
Mas é a vida. À pantominice tudo serve. E a Montenegro ainda mais, ou não fosse ele o pai da doutrina que separa a vida do país da das pessoas. Já há mais de onze anos que diz que "a vida das pessoas não está melhor mas a do País está muito melhor"!