Tondela 0 - Benfica 0
Os jogos em Tondela são complicados. Depois de uma jornada (épica, no caso) de Champions mais complicados são. No meio de uma tempestade, com chuvas torrenciais ininterruptas, a deixarem o campo praticamente impraticável, mais ainda. Com Luís Godinho, regressado depois do escândalo da final da Taça, no apito, e Manuel Mota no VAR, não poderia ser mais complicado.
Os primeiros 5 minutos do jogo foram um somatório de momentos confusos, com toda a gente às apalpadelas para tentar perceber o que é que dali se poderia tirar.
Os de Tondela tiraram a certeza que podiam fazer faltas à vontade, que o Luís Godinho não os atrapalharia. Aos 8 minutos já deviam estar com um jogador a menos: Maviram. Que veria o primeiro amarelo apenas já em cima do intervalo.
Os do Benfica tiraram que só tinham de ir para cima do jogo. E foram, sem mais parar.
Com o onze habitual dos últimos jogos, com António Silva ao lado de Otamendi, e Banjaqui no lado direito da defesa, com Dedic a descansar, o Benfica tomou conta do jogo, mesmo naquelas condições do terreno, naquelas condições climatéricas, e com aquele adversário faltoso e fechado lá atrás.
Ninguém entrou com qualquer tipo de sobranceria, nem a mostrar os galões da exibição e da vitória de quarta-feira. Toda a gente empenhada. Schjelderup, pela esquerda, jogava muito. Prestiani, pela direita, ainda mais. No meio, Aursnes e Barreiro eram o dínamo da equipa. Sudakov, o farol, que apontava espaços. A partir de um guarda-redes insuperável, o Tondela resistia, com uma linha de seis defesas, com outra de quatro, à frente.
Na primeira parte o Benfica jogou como quis dentro do espaço entre as duas linhas do adversário. Em condições normais isso seria suficiente para resolver o jogo. No entanto não foi. E nem o Benfica criou assim tantas oportunidades de golo. Ainda assim, quatro. As suficientes para resolver o jogo.
Perto do fim da primeira parte o Luís Godinho assinalou penálti, por falta sobre Barreiro. O Manuel Mota não esteve pelos ajustes, e o árbitro reverteu a decisão. Pensava-se que seria a "chico-espertice" de a falta ter começado fora da área. Não foi, foi "pouca vergonha", com Godinho a ter a lata de dizer que não houve falta nenhuma.
A segunda parte não foi muito diferente, mesmo com muitas diferenças. O Benfica deixou de gozar de liberdade de circulação dentro do bloco do Tondela, então com as duas linhas muito mais juntas. No entanto dominou absolutamente a posse de bola, e construiu ainda mais ocasiões de golo. Só que, em de acabarem golos, acabaram numa exibição monstruosa do Bernardo, o guarda-redes do Tondela.
Quando parecia impossível que a bola não entrasse na sua baliza, aparecia sempre uma coisa qualquer a impedi-la de entrar. Enquanto isto o tempo ia passando, e o desespero começava a apoderar-se de toda a gente. Por isso, mas também porque as substituições não correram bem, a qualidade do futebol foi-se perdendo. E continua a ser verdade que quanto melhor se jogar mais perto se está de ganhar.
Primeiro, à entrada da última meia hora, entraram Rafa e Lopes Cabral, com as saídas de Daniel Banjaqui e Schjelderup. O internacional cabo-verdeano não acrescentou muito ao que fora o desempenho do miúdo, e Rafa nunca, nem de perto, atingiu o patamar do norueguês. Mais tarde, vinte minutos depois, e já bem perto do fim, com as entradas do Bruma e do Anísio, em substituição de Sudakov e Prestiani, foi ainda pior. O miúdo foi para a área, jogar ao lado do Pavlidis, e foi apenas outra coisa. Bruma, de regresso depois de longos meses de fora, não resolveu nada, apenas atrapalhou.
Sem a necessidade de ganhar, com o resultado feito, estas substituições teriam resultado. Para fazer o que não tinha sido feito - golos - não resultaram. Até porque isso de tempos de compensação generosos, e de ganhar jogos nos últimos segundos, é com os outros. Há para aí quem já vá no quarto jogo consecutivo ganho nos últimos suspiros de generosos descontos. O Benfica esgotou todo o crédito a que tinha direito na quarta-feira passada.
Por isso irá continuar a perder pontos com os Tondelas, os Rios Aves, os Santas Claras, os Casas Pias ...