Tour de France 2017 (VI)

Correu-se hoje a 13ª etapa, a segunda dos Pirinéus, e a mais curta de todas, com apenas 101 quilómetros, entre Saint-Girons e Foix. Pequena mas, como não podia deixar de ser, grande em história. Desde logo por ser corrida no dia nacional da França, o 14 de Julho, da tomada da Bastilha.
Neste dia, mais do que em qualquer outro, os franceses querem ganhar. Fazem sempre tudo por isso, mas nem sempre isso é suficiente. Desta vez foi, mesmo que Alberto Contador, como que ressuscitado, se tenha também feito passar por francês.
Havia grande curiosidade para saber como decorreria a corrida, pela primeira vez liberta da ditadura de Froome que a Sky impõe, em dia de liberté, fraternité et egalité. Desde cedo se percebeu que a estratégia da equipa britânica não era a mesma. Que não se iria colar à cabeça do pelotão, impor o ritmo e dominar os acontecimentos.
Fez diferente e, em vez disso, deixou fugir quem quis - com limites, evidentemente - mas quis sempre boleia. Quando Contador foi embora, teve de levar o compatriota Mikel Landa - o mesmo de ontem - que não o largou mais. Depois foi a vez de partirem Barguil e Quintana. E lá tiveram que levar com Kwiatowsky, outro que ontem fizera grande trabalho. Depois, com a percepção que os dois grupos acabariam por se fundir, o polaco descolou do segundo grupo para esperar por Froome, e acompanhá-lo até ao final da etapa.
Com esta estratégia a Sky protegeu-se, sem desproteger Froome, provavelmente a atravessar dificuldades. E permitiu ao espanhol subir uns lugares e chegar-se também lá acima, não vá alguma coisa acontecer com o britânico. Porque nem Aru, e nem sequer Uran, têm equipa para o que quer que seja. E Bardet, de equipa, também não está muito melhor...
No fim, Barguil, que pontuou fortemente na montanha e reforçou a liderança na camisola das bolinhas, cumpriu a sua missão patriótica de ganhar a etapa, batendo Contador ao sprint que, por milímetros, acabaria ainda superado por Quintana. Parece maldição!
Com os quase dois minutos ganhos aos cinco primeiros, Quintana pode ter relançado a sua corrida. Contador regressou ao top 10 e "voltou a contar". Para isso, não para mais. E Mikel Landa subiu ao quinto lugar, a pouco mais de 1 minuto, passando Daniel Martin, que desceu para sexto. Os primeiros seis classificados cabem num minuto e meio (1´32´´, mais precisamente). E só é preciso mais meio minuto para lá caberem oito.
Temos Tour!