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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tour de France 2019 III

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Au revoir Alpes. Bonjour Paris!

Acabaram as últimas pedaladas nos Alpes, amanhã serão as últimas deste Tour, em direcção à consagração final em Paris. À consagração do jovem  Egan Bernal, com apenas 22 anos, da Ineos. O primeiro colombiano a ganhar o Tour!

Foram três dias em que aconteceu de tudo, nos Alpes. Tínhamos despedido dos Pirinéus, se bem se lembram, com Pinault como grande vencedor, e Quintana e Bardet como grandes vencidos. Pois... Logo no primeiro dia de Alpes, na quinta-feira, na 18ª etapa, a corrida foi deles. E não fizeram pouco: Quintana ganhou, depois de uma subida extraordinária, em que chegou a alcançar a liderança virtual. E Bardet foi segundo e conquistou a camisola da montanha, que conseguiu segurar e levar até Paris. E no dia seguinte, ontem, Pinault foi obrigado a abandonar, por lesão, depois de ter batido com o joelho ... no guiador. Veja-se bem.

O primeiro dia de Alpes teve uma corrida de loucos, cheia de golpes de teatro. Comecemos pelo fantástico ataque de Quintana que, como já referido, lhe chegou a dar virtualmente a amarela. E foi neste cenário que surpreendentemente vimos a sua equipa, a Movistar, na cabeça do pelotão a comandar a perseguição e a contribuir decisivamente para desfazer essa classificação virtual.

Nos Pirinéus tínhamos visto a Movistar a fazer um trabalho fantástico e Quintana  a ficar para trás. Deixamos então aqui uma forte crítica ao corredor colombiano por ter tornado inglório esse esforço. Admitia que, se Quintana não estava em condições de tirar proveito desse trabalho, deveria disso ter informado a equipa. Foi essa a percepção daquele momento. Com o que se viu na quinta-feira, essa percepção foi completamente invertida. A ideia que ficou foi que Quintana e a equipa fizeram a corrida ao avesso, deixando-o para trás quando ele precisava de apoio, e perseguindo-o quando ele precisava  que ela o deixasse em paz!

Mas não foi apenas na Movistar que se viram coisas ao contrário. Também na Ineos se viu disso quando, na parte final da etapa, Bernal atacou logo ali a camisola amarela de Alaphilippe e e foi Geraint Thomas, que nunca fez mais nada que ir com os outros da frente, quem assumiu a perseguição. Dir-se-á que também os galês tinha legítimas aspirações a vencer, mas... não foi bonito.

Bonito também não foi, ainda nessa mesma etapa, no sopé de La Sentinelle, ver o alemão Toni Martin, da Jumbo, antigo campeão do mundo, abalroar o britânico Rowe, da Ineos, que respondeu a soco. Foram ambos expulsos da corrida. E bem!

A etapa de ontem não foi apenas a decisiva. Foi a mais insólita, com um final de todo incomum. E com Pinault a despedir-se, em lágrimas.

Bernal, que na véspera tinha dito ao que vinha, roubando o segundo lugar ao seu colega Thomas e deixando a amarela de Alaphilippe presa por minuto e meio, tomou conta das ocorrências e subiu ao Col d’Iseran, a quase 2700 metros de altitude, a dizer que queria trocar a camisola branca, que vestira à 10ª etapa, pela amarela. Quem mais perto dele se chegou foi Simon Yates. Todos ficaram para trás, e muito para trás, num esforço dramático, mas também heróico, ficava Alaphilippe, na despedida da amarela. 

No cume do Col d’Iseran faltavam 40 quilómetros para a meta, feitos de uma longa descida e, no fim, mais uma parede de 14 quilómetros para trepar. Só que uns quilómetos mais à frente, lá em baixo, em vez de estrada havia um mar de lama, gelo e pedras deixado por derrocadas provocadas pela intempérie. E aos poucos lá foi chegando a informação  aos corredores que a corrida tinha acabado mesmo lá na meta de montanha. Sem vencedor e com os tempos aí registados. Que valeriam a amarela a Bernal, e ainda o segundo lugar a Alaphilippe, provavelmente impossível noutras circunstâncias. Mas também a da montanha a Bardet.

Também a etapa de hoje sofreu com as condições climatéricas, e acabou encurtada de 130 para apenas 59 quilómetros, provavelmente a mais curta etapa em linha do Tour. A diferença é que era do conhecimento de toda a gente, logo à partida.

Foi mesmo assim uma grande corrida. E o ponto final na bonita aventura de Alaphilippe, que perdeu perto de 4 minutos para os da frente (da etapa e da geral) e caiu para o quinto lugar. Ganhou Nibali que, mesmo que muito inconstante, teve bons momentos ao logo da prova. Hoje foi só o melhor!

Dos portugueses ... tudo na mesma. Hoje Rui Costa integrou mais uma vez, em vão, uma fuga. Ainda deu para que a TV lhe desse o nome a um grupo: "group Costa"!

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