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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Tudo diferente, menos o que é sempre igual

 

É impossível não começar com uma palavra de enorme apreço para Nelson Veríssimo: estava com a equipa B na Feira, para disputar o jogo da Segunda Liga, com o Feirense, quando foi chamado a Lisboa para tomar conta da equipa principal. Na viagem recebeu a notícia da morte da mãe - e quem já perdeu a sua sabe o que é isso - foi dar o treino e apresentou-se hoje no Dragão, com uma equipa, uma verdadeira equipa, a discutir o jogo. 

É de um verdadeiro benfiquista. É de campeão!

Este jogo de hoje não teve nada em comum com o da semana passada. O que teve em comum é o que têm em comum todos os jogos com o Porto: uma arbitragem a influenciar o seu desfecho, sempre sob a pressão permanente, e a batota sistemática dos jogadores do Porto, em teatralização permanente, quer a simular faltas, quer a sua extensão. De resto, mais nada que fizesse lembrar o naufrágio da equipa da Benfica no jogo da Taça, faz hoje uma semana.

Nelson Veríssimo não revolucionou a equipa. Nem podia. Não houve tempo para fazer a revolução, e as opções disponíveis também não davam para muito. Mas acabou com os três centrais que Jesus inventara, e que limitavam o equilíbrio da equipa, e fez com que os mesmos jogadores parecessem outros. E o Benfica que entrou em campo foi uma equipa equilibrada e com jogadores empenhados, e dispostos a disputar todas as bolas com a mesma vontade dos seus adversários. 

Bastou isto para que entrasse em campo sem medo e, a partir daí, não só a discutir o jogo mas a superiorizar-se. E na verdade a primeira meia hora foi do Benfica. Quem, faz hoje uma semana, por esta hora, admitiria que isto fosse possível?

Aconteceu então o que é comum acontecer nestes jogos com o Porto. Aos 34 minutos. Pontapé longo do guarda-redes portista - logo depois de Yaremchuk, isolado, ter desperdiçado uma ocasião flagrante para marcar - que obrigou Vlachodimos a sair da área e a corta a bola pela lateral. Reposição rápida da bola (mérito ao apanha-bolas - não é caso único, e só é possível a jogar em casa), com o Fábio Vieira a dominá-la com o braço para, com a defesa do Benfica surpreendia com a rapidez com que a bola fora reposta, se isolar e marcar o golo, com a bola a passar entre as pernas do guarda-redes. 

Viu-se no lance corrido que o Fábio Vieira - já tão batoteiro como Octávio - ajeitou a bola com o braço. E que, sem esse gesto, não teria ficado com ela à frente. E nunca poderia ter marcado o golo. Esperava-se que o VAR o anulasse. Mas não. Nem o VAR o anulou, nem a Sport TV mostrou mais o lance. 

O Benfica sentiu o golo. E sentiu mais a injustiça, mais uma vez. E três minutos depois - aí sim. com a defesa aos papéis - sofreu o segundo. Dois golos em três minutos, e assunto resolvido. 

Nada disso. Em vez de o darem por resolvido, o treinador e os jogadores do Benfica sentiram que tinham ainda de fazer mais, e que se não deixariam abater. Voltaram ao domínio do jogo, mas o resultado não se alterou até ao intervalo.

A entrada na segunda parte foi de autêntico assalto à baliza portista, e o golo surgiu logo ao segundo minuto. Só que logo a seguir André Almeida foi expulso (adivinhava-se!). O Benfica ficava toda a segunda parte a jogar com menos um. Mas nem assim deixou de ser melhor, e de criar as melhores oportunidade para marcar. Mbemba evitou o golo de Gonçalo Ramos, que batera com categoria Diogo Costa, com bem mais trabalho que Vlachodimos. E Rafa, num grande remate, fez a bola passar a centímetros do ângulo esquerdo da baliza, com o guarda-redes portista batido.

A meio da segunda parte Nelson Veríssimo mexeu na equipa. Com a expulsão de André Almeida já tinha retirado Yaremchuc, que acabara de fazer o golo, para entrar Lázaro - e que bem jogou, não teve nada a ver com o que se tem visto - para lateral esquerdo. Provavelmente, pelo esforço despendido pelos jogadores, não poderia deixar de o fazer. Mas não correu bem .João Mário e Rafa, que estavam a fazer um grande jogo, deram o lugar a Pizzi e Taarabt. E Gonçalo Ramos, também em bom nível, a Seferovic.

É certo que os que entraram não estiveram ao nível dos substituídos. Mas decisivo, mesmo, foi que o terceiro golo do Porto aconteceu em simultâneo. Num lance infeliz, em que Gilberto (mais um, com um grande jogo) perde um ressalto para Vitinha, que isolou Taremi para marcar. De novo por entre as pernas de Vlachodimos.

Nem aí a equipa desistiu e, mesmo sem a qualidade que antes demonstrara, continuou a jogar, sem nunca se entregar.  E teve ainda mais uma ou outra oportunidade para marcar, mesmo que a mais flagrante tenha pertencido ao Porto, por Octávio. Mas já nos descontos, e com Morato (mais outro bravo) já sem poder correr.

O Benfica perdeu. E  está inevitavelmente arredado do título. E, no fim este, jogo serviu apenas para Nelson Veríssimo, e os jogadores, dizerem a Rui Costa quanto custou não ter decidido quando e como devia. 

Que o novo ano, que aí vem, seja melhor. Um bom ano para todos!

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