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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Um buraco fundo e negro

 Resultado de imagem para o buraco negro do futebol português

 

Há muito que o futebol se tornou num sítio mal frequentado e pouco recomendável, a ponto de ser hoje verdadeiramente insuportável. O copo começou a encher no FC Porto, o que lhe permitiu que tudo se passasse, durante todo o tempo, sem grandes convulsões, sabendo-se como as convulsões, no futebol, apressam fenómenos extremados de radicalização. Como o que, passando todas as fronteiras do admissível, está a acontecer no Sporting

Em óbvia e evidente convergência com o Sporting, com o objectivo de recuperar a hegemonia perdida ou, pelo mensos, inverter o ciclo de supremacia do Benfica, no final da época passada o FC Porto abriu fogo com o início do longo folhetim dos e-mails, imediatamente acolitado pelo "amigo" de Lisboa. Logo depois surgiriam os "vouchers", agora pela mão de Bruno de Carvalho, e também com imediata reciprocidade a Norte, e a partir daí nada nunca mais parou.

No Sporting, as coisas só não acabaram como estão, porque ainda não acabaram. Mas não é preciso esperar que acabem para já terem deixado à vista o lastro de crime em que tudo aquilo assenta. 

No Benfica, que é o que mais me interessa, começamos por perceber que a "estória" dos e-mails não era coisa séria; à falta de melhor, não passava de uma arma de arremesso nas mãos de quem sabe da poda. Havia por lá coisas escritas que não eram exactamente um esmero de dignidade, e a própria linguagem não era de apreciar, mas dali àquilo que daquilo queriam fazer, ia uma grande distância. A "estória" que se seguiu, a dos "vouchers", essa, então, não tinha ponta por onde pegar. Toda a gente percebia a má fé da pretensa transformação de um acto de cortesia numa atitude de corrupção, e não é por acaso que foi rapidamente fechado, com todas as instâncias nacionais e internacionais a confirmarem aquilo que era a percepção geral - um acto de cortesia, dentro de todas as regras estabelecidas!

Só que a partir destes dois processos abertos directamente, e à vista de todos, pelos dois rivais associados, parece que se abriu a caixa de Pandora. E nunca mais pararam notícias de buscas, casos e mais casos, sempre com os responsáveis do Benfica parcos em explicações claras, ou mesmo refugiados em silêncios muitas vezes ensurdecedores.

É certo que alguns dos casos trazidos para o domínio público não ganhavam muito em credibilidade aos dois iniciais. O do alegado corrompimento aos jogadores do Marítimo, através daquela insólita reportagem da SIC, é um bom exemplo. Mas a verdade é que, em tudo o que já não está directamente à volta do jogo e que se circunscreve a comportamentos de liderança e a actos de gestão no Benfica, sobram investigações e faltam explicações. 

O que veio ontem a público é muito preocupante. É preocupante que estejam a ser investigados vultuosos pagamentos (1,9 milhões de euros) suspeitos de não pagarem nada que fosse devido, mas apenas forma de fazer girar dinheiro até destinos insondáveis. É inaceitável admitir sequer que no Benfica se aceitem e paguem facturas falsas. A ideia de uma fraude deste género para retirar dinheiro do Benfica é obscena, e qualquer hipótese para o destino dado a esse dinheiro absolutamente intolerável.

É por isso ainda mais preocupante a esfarrapada explicação dada pelos responsáveis do Benfica. Tão preocupante quão esfarrapada. E tão esfarrapada que foi logo desarmada pelo próprio ministério público.

Pode até haver - e haverá certamente - exacerbamento clubístico em titulares de órgãos de investigação da Justiça portuguesa. Voltando ao início, todos pudemos constatar isso em tudo o que no passado envolveu o FC Porto. E o que se diz da operação toupeira também não deixa de o confirmar. Pode haver - e há - razões para desconfiar que, em todas as buscas efectuadas no Estádio da Luz, as televisões e os fotógrafos dos jornais cheguem sempre primeiro que os inspectores e os polícias. Mas não dá mais para achar, como Luís Filipe Vieira sugeriu numa das raras vezes em que deu a cara, que tudo isto é clubite dentro da Polícia Judiciária e do Ministério Público.

Até porque quero crer que tenham muito mais que fazer... E não quero crer que afinal, bem no fim das contas, o buraco seja ainda mais fundo e mais negro do que já se vê!

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