Um Senhor!
Marcel Keizer depois da derrota do Sporting, em Guimarães:
«O Vitória foi melhor, mereceu o triunfo. Não tomámos as melhores decisões. Sabemos que o tipo de futebol que jogamos é difícil, e tudo tem de funcionar bem. Quando assim não é os espaços são muitos, e isso é um problema. Temos de agradecer ao Renan ter ficado só 1-0.»
Não se desculpou com coisa nenhuma. Reconheceu que o adversário foi melhor, e que o resultado bem podia ter sido pior, como todos vimos. E ainda conseguiu explicar o que, quem gosta e aprecia futebol, já tinha percebido: o seu tipo de jogo é espectacular mas, para resultar, é preciso que tudo funcione bem.
Um senhor. Gente desta faz falta ao futebol em Portugal. Benvindo Sr Keiser. Só não lhe desejo felicidades ... porque... Não posso! Sabe...
Mas desejo-lhe bom Natal!
Já agora só mais uma palavrinha sobre isso de "tudo tem de funcionar bem". Para que tudo funcione bem é preciso que os jogadores tenham muita qualidade e que disponham da plenitude das suas disponibilidades físicas e mentais, o que, na condição humana, nunca é um estado permanente.
Percebeu-se que o segredo do futebol de Keizer era o espaço. E que para o conseguir "aumentava" o campo, enquanto a estratégia da generalidade dos treinadores é "encurtá-lo". Com mais espaço, e com melhores executantes que a maioria dos adversários, ele teria maiores probabilidades de jogar bem e de ganhar.
O Sporting tem bons executantes, mas não tem grande quantidade de grandes executantes, e quando lhe faltou Nani, a coisa ficou mais difícil. Mas complicou-se definitivamente quando perdeu Bruno Fernandes. Sem Nani, a barra ficou pesada para o oito do Sporting. E logo que lhe sentiu o peso perdeu a condição mental, voltou a ser o tipo que, em vez de jogar, discute com toda a gente, e desapareceu em campo.
E sem os seus dois melhores executantes o futebol de Keiser é traído. E, traído o seu futebol, fica ele próprio muito exposto à traição. Até porque, por cá, gosta-se pouco de Senhores no futebol!