Valorizações e desvalorizações do melhor do mundo
Por Eduardo Louro
Não têm faltado reacções à coroação – sim, perdemos um rei precisamos de outro – de Cristiano Ronaldo, ontem em Zurique, como melhor do mundo. Reacções para todos os gostos.
Que puxa pela auto-estima do país, pelo exemplo que deve constituir para os portugueses, pelo exemplo de perseverança, de vontade, de capacidade de trabalho e de profissionalismo. Ou pelo que representa para a imagem do país, contrariando justamente tudo o que de pior, mais nós próprios que mesmo os outros, achamos que o país tem.
Para exemplo disso, do pior que temos, lá esteve Carlos Queirós na berlinda. Rapidamente se soube que no resultado da votação do seleccionador do Irão, Messi figurava em primeiro lugar, à frente de Ronaldo. E logo toda a gente se atirou a ele, sem dó nem piedade. O país do futebol, que não morre de amores por Queirós, longe disso, não lhe perdoou a traição à pátria. Nas televisões, nas redes sociais, em tudo o que viesse à mão, impiedosamente... Mesmo que se viesse a saber – o que parece que ele teria já explicado – que a votação do seleccionador do Irão não é o voto do seleccionador himself, mas do colectivo da equipa técnica da selecção. E que votara vencido em Cristiano!
Mas também houve quem desvalorizasse o feito de Cristiano Ronaldo, a começar pelos que desvalorizam o próprio futebol, recusando ver nesta actividade, nesta indústria, a excelência que no país não tem paralelo. Ou como Platini que, pelo chauvinismo que toda a gente pode condenar menos a maioria de nós, que lhe não fica atrás, preferia que tivesse sido Ribery a ganhar!
No entanto, se teremos que achar natural que quem não vai à bola com a bola desvalorize a proeza do melhor do mundo; se, porque também nesta matéria somos chauvinistas – não somos é presidentes da UEFA -, ainda teremos que engolir o mau perder de Platini; já teremos muita dificuldade em perceber a capa do Record de hoje, onde a única referência ao melhor do mundo aparece no rodapé. Mas num anúncio da Sport TV!