Vida a arder

Estava fora nesta semana em que o país ardeu. Em que, em apenas quatro dias deste final de Setembro, e de Verão, ardeu seis vezes mais território do que tinha ardido até aqui. Não acompanhei por isso tão de perto a catástrofe e não tive acesso ao que - imagino - tenham sido os desfiles de infindáveis especialistas da matéria pelas televisões.
Escapou-me certamente muita coisa. Mas vi que arderam casas, fábricas, oficinas, explorações agrícolas, animais, equipamentos... Para além das mortes de pessoas, ardeu vida. Vida económica. Ardeu investimento, ardeu emprego. Ardeu actividade económica criada para fixar pessoas naquelas zonas, justamente para evitar que, abandonados, aqueles territórios ficassem despovoados, a servir de pasto a chamas a caminho do descontrolo.
Vi gente que perdeu a vida que trouxe para aqueles territórios dizer que tinham os seus bens e os seus investimentos protegidos com áreas limpas à sua volta. E fiquei a pensar que, contrariamente ao que presumivelmente muitos especialistas terão deixado dito pelas televisões, as cargas térmicas que empoderam as chamas não resultarão tanto de abandonos, mas bastante mais de invasões. De eucaliptos, por muito que não queiram que seja dito!